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sábado, julho 01, 2023

Lavrov e Nogueira


Ao ouvir Sergei Lavrov, na entrevista à RTP, veio-me à memória Franco Nogueira. Com as óbvias diferenças de cada caso, bem entendido - para os mais puristas, que sempre saltam a terreiro fácil.

Em ambos, encontramos uma diplomacia de altíssima craveira, posta ao serviço de uma linha política acossada, sob forte pressão externa, com guerra pelo meio. Em ambos, é patente uma laboriosa criatividade no argumentário utilizado, tentando vender coisas que, intimamente, sabem serem de impossível aceitação por imensa gente. Em ambos, encontramos excelentes diplomatas "doublés" de políticos, ao serviço de poderes autoritários, para quem a "accountability" democrática é um empecilho à afirmação de uma megalomania nacionalista. Em ambos, os fins justificam amplamente os meios a utilizar.

Não conheci pessoalmente Franco Nogueira, embora tenha lido tudo o que escreveu. Conheci razoavelmente bem Sergei Lavrov, de quem fui colega, há mais de 20 anos.

A figura com quem, ontem, Evgueni Mouravitch falou para a RTP, num interessante "furo" jornalístico, embora pouco conseguido como entrevista política, é um homem muito mais tenso e crispado do que o diplomata com quem trabalhei em Nova Iorque. O Sergei Lavrov desses tempos era um homem de sorriso pronto, com humor e grande cordialidade.

A verdade é que, quer Lavrov quer Franco Nogueira, poderiam repetir Ortega y Gasset: "Eu sou eu e minha circunstância, e se não a salvo a ela, não me salvo a mim".

É a vida!

Pode ser que seja apenas "wishful thinking", mas fiquei ontem com a sensação de que André Ventura já se está a ver, daqui a semana...