Conheci-o em Luanda, em 1982, era ele então um jovem diplomata no Ministério das Relações Exteriores, ao tempo em que eu prestava serviço na nossa embaixada em Angola. Criámos, a partir de então, uma sólida e fraternal amizade, para toda a vida.
O Manuel Augusto, que tinha andado pelo jornalismo, teve uma carreira diplomática brilhante, representando o seu país como embaixador em postos vitais para a política externa de Angola. Com naturalidade, a política um dia chamou-o, tendo chegado a ministro das Relações Exteriores, depois de desempenhar outras responsabilidades governativas.
Ao longo dos anos, o Manuel Augusto e eu fomo-nos encontrando regularmente pelo mundo – desde logo, várias vezes em Lisboa, mas também em Londres, em Paris e Nova Iorque. Na minha família, a chegada do Manuel Augusto para uma refeição era sempre um momento de alegria, de boa disposição, a certeza de umas horas de convívio saudável. E de memória de outros amigos e de outros tempos.
Nos últimos anos, várias vezes, pela noite, tendo-me visto, a partir de Angola, a comentar qualquer coisa numa televisão portuguesa, o Manuel Augusto mandava-me uma mensagem ou telefonava-me, sempre com uma nota amiga. Estranhei que não respondeu a um email que há não muito tempo lhe enviei. Tinha a intenção de vir encontrá-lo em Luanda, quando lá fosse, daqui a poucos meses.
Sentimo-nos um pouco mais velhos quando vemos desaparecer os amigos à nossa volta, quando o nosso círculo afetivo próximo se encurta irremediavelmente. Hoje, com a morte inesperada do Manuel Augusto, perdi um grande amigo e envelheci um pouco mais. Sinto imenso a sua morte. Estamos juntos, Manel!


















































