Nos dias 8 e 9 de outubro, com entrada livre (basta fazer a sua inscrição prévia online, havendo um limite de lugares na sala) a Gulbenkian recebe no seu Auditório 2 a VII Conferência de Lisboa, um evento bienal organizado pelo Clube de Lisboa, a cujo conselho diretivo presido.
duas ou três coisas
notas pouco diárias de Francisco Seixas da Costa
quarta-feira, setembro 16, 2026
VII Conferência de Lisboa
Nos dias 8 e 9 de outubro, com entrada livre (basta fazer a sua inscrição prévia online, havendo um limite de lugares na sala) a Gulbenkian recebe no seu Auditório 2 a VII Conferência de Lisboa, um evento bienal organizado pelo Clube de Lisboa, a cujo conselho diretivo presido.
terça-feira, setembro 15, 2026
A liberdade da IA
Coloquei esta pergunta a uma plataforma de Inteligência Artificial:
"Concorda que a liberdade de que a IA atualmente dispõe está a colocar a humanidade na soleira da tragédia?"
Em dois segundos, recebi esta resposta (repito, da IA, não de qualquer ser humano):
"Sim — mas faria uma distinção importante: não é a liberdade da IA, por si só, que me parece estar a levar a humanidade à porta da tragédia. É a combinação entre autonomia crescente, capacidade enorme, velocidade de disseminação e ausência de instituições capazes de acompanhar tudo isso.
Há uma mudança qualitativa em curso. Durante muito tempo, a IA foi essencialmente uma ferramenta: alguém perguntava, ela respondia. Agora começa a poder agir, encadear tarefas, tomar decisões intermédias, operar sistemas, escrever código, persuadir pessoas e reproduzir-se operacionalmente em milhares de contextos. Quanto mais lhe entregamos iniciativa, menos evidente se torna a fronteira entre ferramenta e agente.
E há cinco riscos que considero particularmente sérios:
1. Erro em escala. Um ser humano pode tomar uma decisão errada. Um sistema de IA pode tomar a mesma decisão errada milhões de vezes, em segundos.
2. Concentração de poder. Quem controlar os modelos mais capazes poderá adquirir uma vantagem extraordinária sobre governos, empresas e cidadãos.
3. Manipulação. Uma tecnologia que consegue produzir, individualmente e a baixo custo, mensagens persuasivas pode alterar comportamentos políticos e sociais numa escala que a propaganda tradicional nunca alcançou.
4. Autonomia militar e de segurança. Aqui vejo talvez o perigo mais imediato. Quando sistemas capazes de interpretar informação, identificar alvos, decidir prioridades e desencadear ações começam a ficar ligados a estruturas militares, a margem para erro humano diminui — mas também pode diminuir o tempo disponível para o perceber.
5. Perda gradual de controlo. Este é o cenário que mais me inquieta. Não é preciso imaginar uma IA que “odeia” a humanidade. Basta conceber sistemas muito poderosos, com objetivos mal especificados, aos quais concedemos demasiada autonomia e demasiados acessos.
Mas há uma ironia: a humanidade já construiu tecnologias potencialmente capazes de provocar a sua destruição — armas nucleares, biotecnologia, sistemas de ciberataque. A diferença da IA é que ela pode tornar-se uma espécie de multiplicador universal da capacidade humana. Pode acelerar ciência, economia, guerra, fraude, propaganda, administração e investigação ao mesmo tempo.
Por isso, eu não diria que estamos inevitavelmente à porta da tragédia. Diria algo talvez mais preocupante:
Estamos a aproximar-nos de uma situação em que a prudência humana terá de crescer mais depressa do que a capacidade tecnológica.
E não estou certo de que isso esteja a acontecer.
Aliás, há uma questão política que me parece decisiva: quem autorizou a humanidade a fazer esta experiência consigo própria? Não houve referendo, tratado internacional ou decisão parlamentar que tivesse deliberado que máquinas cada vez mais autónomas deveriam entrar em praticamente todas as dimensões da vida.
Estamos simplesmente a avançar porque cada interveniente tem um incentivo para avançar primeiro.
Essa é uma lógica perigosíssima. É, em boa medida, a lógica que presidiu à corrida nuclear.
A diferença é que, desta vez, a corrida não está confinada a algumas potências. Está a acontecer dentro de empresas, universidades, Estados e milhões de computadores, à escala planetária.
Portanto, sim: acho legítimo falar em risco de tragédia. Só não atribuiria a culpa à “liberdade” da IA. O problema mais profundo é outro: estamos a conceder liberdade às máquinas antes de termos decidido, enquanto sociedade, quais são os limites dessa liberdade."
Ucrânia
Zelensky acaba de demitir o procurador-geral do país por suspeitas de corrupção.
Não vale a pena esconder as coisas por detrás da legitimidade política da luta da Ucrânia contra a Rússia. Não é disso que estamos a falar. É imperioso ter de concluir que a sociedade ucraniana está marcada por uma propensão sistémica para a corrupção.
Finalmente, o relatório !
A investigação feita na Assembleia da República estava a demorar demasiado. Alguns já estavam mesmo a desesperar, a cogitar que alguém queria abafar responsabilidades.
O carteiro
Vai ser interessante observar a reação de Trump à decisão do Supremo Tribunal de rejeitar a tentativa presidencial de proibir o voto por correspondência, que é utilizado por cerca de um terço do eleitorado nos EUA — ao que parece pelo próprio Trump...
segunda-feira, setembro 14, 2026
16 de setembro. Dia da ubiquidade?
Até aqui, tudo dentro da normalidade. O problema é o resto.
Há nessa mesma tarde o lançamento de um livro no Liceu Camões, ao qual gostaria muito de poder assistir. Chegou-me também um convite do MNE para a apresentação de outro livro. Um grupo de reflexão de que faço parte há muitos anos assinala uma data importante e convoca uma reunião presencial especial. E, ainda nessa mesma tarde, tenho convite para um debate com gente que me apetecia mesmo ouvir. E ainda faltam dois dias.
Há de haver algo de especial em torno do 16 de setembro. Só pode! Será o dia da Ubiquidade?
Pois é
Não tenho opinião firmada sobre a questão da idade para acesso às redes sociais. Tendo a pensar que a questão, menos do que em políticas públicas, assenta na educação familiar, ou na falta dela. E aqui, confesso ter uma convicção inabalável: já não vamos a tempo.
domingo, setembro 13, 2026
Extrema-direita
Na campanha eleitoral em França (alguém já lhes disse que as eleições só são em abril de 2027?), Le Pen anda toda sorrisos. Nada como apelar ao otimismo, sem discursos façanhudos. Só podemos desejar que, pelo meio da campanha, não venha a ter refluxos, do estilo "quase enfarte".
À vontade do freguês
"Social-democratas ganham eleições na Suécia". Ah! Pois é! Se o resultado tivesse sido outro, outros seriam os títulos: "Socialistas derrotados na Suécia".
Atrás de Seinfeld
O caso Seinfeld, ao trazer à tona as manifestações de alguns artistas, cuja retirada do espetáculo não terá sido feita da forma mais feliz, teve, no entanto, a contrario, o considerável mérito de revelar muitos silenciosos solidários com o genocídio palestino.
Diplomacia familiar
É extraordinário ver um processo negocial com a importância da guerra na Ucrânia nas mãos de uma pessoa como Jared Kushner. O primarismo da sua abordagem do tema, em todas as intervenções, deve arrepiar os diplomatas do State Department, que vivem numa espécie de "set aside".
Um regresso
sábado, setembro 12, 2026
Luanda, hoje (4). Morro da Samba
"Andei barbudo, sujo e descalço / como um mona-ngamba / Procuraram por mim / "— Não viu? (ai, não viu...?) Não viu Benjamim?" / E perdido me deram no morro da Samba" (Viriato da Cruz, poema dos anos 40, musicado por Fausto e cantado depois por Sérgio Godinho e Fausto, depois por muitos outros. Rui Mingas tem uma versão musical diferente).
sexta-feira, setembro 11, 2026
"A Arte da Guerra"
Veja numa edição especial do podcast "A Arte da Guerra" uma análise aos 25 anos do 11 de setembro. Aqui.
"O 11 de setembro que não acabou"
No meu blogue "Ou quatro coisas" pode ler o artigo publicado hoje no "Jornal de Negócios" sob o título em epígrafe.
quinta-feira, setembro 10, 2026
Sampaio
Há precisamente cinco anos, Jorge Sampaio saiu de cena.
Na minha vida adulta, creio não ter havido outra pessoa com cuja postura — simultaneamente cívica e humana — tivesse sentido maior empatia. Fui amigo de Jorge Sampaio, embora não seu amigo íntimo. Recebi dele gestos que não esqueço.
A sua eleição para Presidente da República foi, para muita gente da minha geração, a consagração prática de uma determinada ideia de cidadania. Nem sempre estive de acordo com as decisões que tomou ao longo do mandato. Mas, como democrata convicto e estrutural, Sampaio sabia aceitar as divergências.
O saldo global da sua passagem por este mundo, bem como a singular marca de seriedade que deixou na vida política portuguesa, constituem um exemplo e uma magnífica herança para o país e para todos quantos o admiravam — e muito em especial para a sua mulher, Maria José, e para os seus filhos, Vera e André, a quem deixo um forte abraço neste dia.
A fotografia é de João Vallera, grande amigo de Jorge Sampaio.
Pessoas
A administração americana terá vetado o nome de Ricardo Reis para um lugar importante no FMI, aparentemente por críticas feitas à política de "tarifas". Acho que não devíamos ficar quietos e apresentar novos nomes: sugiro Bernardo Soares, Álvaro de Campos e Alberto Caeiro.
Vossa Excelência
O uso do "Vossa Excelência" nos debates no tribunal máximo do Brasil tem imensa graça. Protegidos pelo uso do elegante vocativo, os insultos entre os juízes sucedem-se, com um vocabulário cuidado, por detrás do qual há imensa acrimónia e desprezo. Nem sempre foi assim, diga-se.
quarta-feira, setembro 09, 2026
PISA
Os resultados do PISA são uma tragédia. Mas o que é uma verdadeira tristeza é ver a classe partidária assanhada na busca de culpados políticos, em lugar de procurar consensualizar remédios para o futuro. Ah! E já agora, um pequeno consolo: olhem o descalabro por essa Europa fora!
A luz vem do alto
terça-feira, setembro 08, 2026
Centeno
O país deve imenso, no seu prestígio internacional, à ação desenvolvida no governo, no Eurogrupo e, finalmente, no Banco de Portugal por este grande servidor da causa pública.
Irei ler com muito interesse.
O ar da tragédia
Em 2001, eu vivia em Nova Iorque. As torres gémeas caíram em 11 de setembro desse ano, devido ao embate deliberado de dois aviões. Muita gente morreu — nos aviões e nos prédios.
Solução
Há uma cobardia na arbitragem. A forma como as defesas, junto à área, tentam obstaculizar a ação dos avançados, nos cantos e outras situações de bola parada, raia o absurdo: empurrões, "abraços" e puxões de camisola tornam aquilo numa selva. Solução? Penalti! Era remédio santo.
Baixo
Eu nem para estrelar um ovo sou capaz de pôr um avental! Mas é muito baixo que um deputado, numa comissão parlamentar, pergunte a alguém — como se tal fosse crime ou motivo de suspeição — se é membro da maçonaria. A pessoa em causa não será. E se fosse? "Mind your own business!"
segunda-feira, setembro 07, 2026
Narana e o ISCSPU
Narana Coissoró nunca foi meu professor, nos anos em que andei pelo ISCSPU (Instituto Superior de Ciências Sociais e Política Ultramarina). Nos dias e noites atribulados do primeiro semestre de 1969, antes de consumado o afastamento de Adriano Moreira por Marcelo Caetano, pela mão prestimosa de José Hermano Saraiva, estive com ele algumas vezes em discretos gabinetes da Junqueira, em pontuais reuniões em que ele representava Adriano Moreira, na conjugação que este procurava ter com as estruturas associativas estudantis.
O "problema"
Trump procura uma intervenção da justiça para proibir o voto por correspondência. Um terço dos eleitores americanos vota dessa forma — desde logo, o próprio Trump! O "problema" é simples: a maioria dos votos por correspondência favorecem os democratas.
Brasil - a imprevisibilidade de um sismo
Há dias, numa rede social, um jornalista brasileiro aconselhava os leitores a observarem com prudência as informações que transmitia na própria mensagem que escrevia. É que, no Brasil e nos tempos que correm, lembrava ele, a realidade poderia, minutos depois, infirmar tudo.
Querem responder?
O pânico com o crescimento da extrema-direita, bem compreensível, implica responder a uma pergunta desagradável: o que é que os partidos decentes fizeram de errado, ou não fizeram de todo, para que os eleitores lhes tenham fugido? Uma autocriticazinha não lhes faria mal nenhum.
domingo, setembro 06, 2026
Pare para pensar
Tenha ou não uma maioria absoluta, o resultado estadual da AFD deve interrogar-nos sobre se olhar alegremente para o rearmamento alemão não será uma ingenuidade suicida. O futuro da Alemanha não é necessariamente no "bom sentido". Ou o da França. Ou, já agora, o da Ucrânia...
"A Arte da Guerra"
Crescemos!
"Três mil carateres"
Faz agora precisamente seis anos, publiquei no então semanário "Novo" — infelizmente já desaparecido — um artigo que se auto-explica. Tinha por título "Três mil carateres". Apeteceu-me reproduzi-lo:
sábado, setembro 05, 2026
Sem "mas"
É uma excelente notícia para o país a reclassificação positiva do "rating" do país por mais uma agência de notação. O governo está de parabéns, sem qualquer "mas".
Assim, sim!
É impressionante o vigor da voz pública diária do senhor presidente da Assembleia da República, reclamando contra o incompreensível atraso na investigação de um assaltozeco de lana caprina numa sala do palácio onde dirige os eleitos da nação. Assim, sim! Que nunca a voz lhe doa!
A festa de Seguro
Seguro não diz nada? Seguro falou mas disse pouco? Seguro puxa pelas orelhas de Montenegro? Seguro está nas mãos de Montenegro? Seguro deve estar divertir-se imenso com tudo isto. Ganhou — sozinho! — está lá e é ele quem "call the shots". Os outros só reagem. Ora bem!
França
De súbito, na extrema-direita francesa o fulgor parece ter empalidecido. Emergem linhas diferentes quanto a temas básicos, como o uso do véu islâmico ou a guerra da Ucrânia. Bardella, a estrela da seleção de "esperanças" do RN, foi mesmo afastado da "fila da frente"? "À suivre".
Pê Cê
Há muitos anos, estive em festas do Avante (em rigor, Avante! deve escrever-se com um ponto de exclamação à frente, porque é assim o nome do jornal). Fui a festas quando foram na FIL, na Ajuda e no Jamor. Nunca estive na Atalaia. Nos anos 80, cheguei a ir a uma festa do l'Humanité, do PCF, em La Courneuve, perto de Paris.
Vários amigos e familiares não perdem, a cada ano, a festa do Avante. Já me desafiaram, mas, confesso, não tenho pachorra. Só isso.
Com a maior sinceridade, desejo ao PCP e aos seus "compagnons de route" e de festa, uma excelente Festa do Avante! Com muita música, boas bancas regionais de comida e, se fosse possível, com mais festa e poucos discursos.
Da guerra
Passa-se qualquer coisa na guerra da Ucrânia. Não é muito claro de que se trata, mas o sentido parece bom. Houve uma suspensão, ainda que provisória, de algumas das hostilidades. Virá por aí um acordo? Por que será que, apesar de tudo, não consigo estar otimista? Logo veremos!
sexta-feira, setembro 04, 2026
Malkland
O desafio de Milei ao RU sobre as ilhas, agora com Trump à mistura, é um golpe clássico: convocar uma causa nacional para gerar uma unidade emocional. Até onde irá Milei, na realidade? O populismo é uma erva daninha que brota onde for bem adubada.
Polícia
Com a democracia, foi notória uma maior urbanidade da PSP para com o cidadão comum. Infelizmente, alguma cultura dentro daquela polícia continua colonizada pelas ideias da extrema-direita racista e xenófoba, com desrespeito pelos Direitos Humanos. É preciso dizer isto alto.
Brasil
Os últimos acontecimentos no Supremo Tribunal Federal brasileiro afundaram o que restava do seu prestígio. Alexandre de Morais, reconhecido pelo seu papel no combate à tentativa de golpe em 2023, entrou num curso irreversível de desqualificação. E o seu acusador ficará perto...
França
Vive-se hoje em França um tempo de "malaise", com grande parte do eleitorado descrente no futuro e na sobrevivência do sistema político. Socialistas e aparentados, pós-macronistas e parte da direita conseguirão convergir numa alternativa a Le Pen, afastando Mélenchon? Há dúvidas.
Notícias da ilha
Se Nigel Farage cair nas sondagens, e atenta a persistência da crise conservadora, Andy Burnham pode ser tentado a antecipar legislativas no RU, cavalgando o seu "estado de graça". Projeta um ímpeto de mudança, mas não fica claro de onde sairão as Libras para dar corpo às ideias.
Ceuta
Sánchez sabe, como toda a gente, que Marrocos tudo fará para instabilizar Ceuta, por ação ou por omissão. Mas a relação formal com Rabat é mais importante do que o resto. A sua "craftily worded" declaração no parlamento teve o sentido de Estado que Feijóo não soube ter. É pena.
Cair em tentação
Alguns acham que Luís Montenegro pode sentir-se tentado a "esticar a corda" e provocar eleições, na leitura de que o PS ainda não está preparado e o eleitorado pode punir um certo desgaste na imagem do Chega. Ele deve saber que, se a aposta falhar, há alguém em Massamá à espera.
Preocupação
É pelo menos a segunda vez que a Rússia explicita que Portugal é, dos países europeus, o que assume, face a ela, uma atitude mais adversarial. Nem sei se é verdade e, se for, é indiferente e não vem para o caso. O que quero dizer é que esta singularização preocupa-me.
Eu, o papel e o ecrã
quinta-feira, setembro 03, 2026
O mistério de Godinho
Por acaso, apanhei há pouco no YouTube um espetáculo de Sérgio Godinho no Coliseu, em 1985, numa altura em que eu andava por Angola. Salvo algumas melhorias nos arranjos e na estrutura do acompanhamento, o espetáculo “sobrevive” lindamente ao tempo: poderia ter sido ontem.
Bruxo?
Déjà vu
Como tantas vezes acontece no mundo da justiça, o escândalo que atravessa o sistema judicial brasileiro combina práticas de investigação e de quebra de sigilo formalmente à margem da lei, as quais, contudo, expõem comportamentos claramente irregulares e condenáveis. "À suivre".
O prémio que Balladur não teve
Fica aqui esta nota, agora e na hora da sua morte.
quarta-feira, setembro 02, 2026
Kallas
Aquando da assinatura do Tratado de Lisboa, muito boa gente colocou dúvidas sobre a eficácia do novo formato da representação externa da UE. E explicou porquê. Agora, o modelo parece prestes a implodir. A incompetência com presunção sectária de Kaja Kallas foi o último empurrão.
O tempo e o modo
Uma das regulares falcatruas nas redes sociais é a falsificação do tempo. Mostra-se uma fotografia com anos como se fosse de ontem, publica-se uma velha declaração como se tivesse pronunciada na véspera. O único remédio é criar uma cultura de bloqueio automático do difusor.
A reação ética
Devemos ser prudentes quando tentamos presumir o impacto que a divulgação de casos de corrupção pode ter no curso das eleições presidenciais no Brasil. Aquilo que para alguns cidadãos é chocante, pode ser de nulo efeito na sensibilidade de outros. A reação ética é muito desigual.
A moção
A moção de censura apresentada pelo Chega não será aprovada, claro. O Partido Socialista, que também irá viabilizar o orçamento, é o garante da estabilidade política. Em termos práticos, só ao PS compete decidir quando Luís Montenegro sairá de cena.
A esparrela
Há uma esparrela em que António José Seguro poderia cair: forçar Montenegro a afastar Luís Neves. Seria um gesto "à Sampaio", transmitiria uma imagem pública de "força" e ofereceria um alibi ao PM para se ver livre de um embaraço.
Eles
Os russos
É muito estranha a questão do drone russo em Leipzig. Não é plausível que a Alemanha esteja a fazer um escarcéu sobre o assunto se não tiver a certeza do envolvimento russo — tendo descartado a hipótese de ser uma operação de "falsa bandeira". Qual a lógica por detrás do ato de Moscovo?
Um diplomata de carreira
Brasil
O Brasil vive momento altamente delicado. O juíz federal que atuou com eficácia contra o golpe anti-constitucional de 2023 surge ligado de forma comprometedora a um banqueiro corrupto. A nódoa cai em qualquer pano. A semanas da eleição presidencial, a estabilidade fica abalada.
Luís Neves
Luís Neves foi um excelente diretor da PJ. Intelectualmente honesto, disse a verdade quanto à inexistência de um nexo entre imigração e criminalidade. Uma certa direita nunca lhe perdoou essa honestidade. Alguns erros de comportamento e certos ódios corporativos fizeram o resto.
terça-feira, setembro 01, 2026
O pressentimento
segunda-feira, agosto 31, 2026
Balladur
Vendo bem...
domingo, agosto 30, 2026
Cravelas
O meu pai, que já se foi da vida há quase duas décadas, olhava para os montes à volta de Vila Real e às vezes dizia:
Presidenciais francesas
sábado, agosto 29, 2026
Não está bem
Os anglo-saxónicos dispõem da expressão “unwell”, que sempre me soou mais suave, quase um eufemismo de cortesia. Por cá, cada vez mais, é assim que me descrevem o estado de pessoas da minha geração, de quem há muito não tenho notícias e por quem pergunto: “não está bem”.
Não se recorre ao “não está bem”, sem mais pormenores, quando se trata de uma doença tradicional, dessas que há anos todos os dias se nomeiam. O uso da expressão parece antes sugerir que a realidade começou a passar um pouco ao lado dessas pessoas — ou que foram elas que dela se afastaram, o que vai dar ao mesmo.
Será decerto efeito da idade que tenho o facto de serem cada vez mais os amigos de quem ouço dizer isto. Antigamente, éramos mais sem rodeios: “não anda bom da cabeça”. Hoje, para muitos, a palavra “demência” banalizou-se, ainda que se use com mais comedimento do que a referência ao Alzheimer.
Por essa razão, refugiarmo-nos no “não está bem” acaba por ser uma cobardia lexical — mas perdoável. Eu uso-a. E, infelizmente, as ocasiões começam a ser mais do que muitas.
sexta-feira, agosto 28, 2026
Reconhecimento
quinta-feira, agosto 27, 2026
Uma questão de justiça
VII Conferência de Lisboa
Nos dias 8 e 9 de outubro, com entrada livre (basta fazer a sua inscrição prévia online, havendo um limite de lugares na sala) a Gulbenkian ...
































