É triste constatar que no dia em que a potência científica que são os EUA devia estar a comemorar a fantástico feito que é a sua missão espacial à volta da lua, o seu presidente prefira titular um discurso agressivo de ódio e intolerância, desprovido de uma réstia de humanidade.
duas ou três coisas
notas pouco diárias de Francisco Seixas da Costa
terça-feira, abril 07, 2026
Irão
Nos últimos dias, tenho estado a ler sobre o Irão, sobre o seu singular regime e a solidão da respetiva cultura estratégica. É um livro interessante — "Irão, A Grande Estratégia, uma história política", de Vali Nasr.
segunda-feira, abril 06, 2026
Um segredo
Nos EUA, o poder está de tal modo imbricado com o complexo militar-industrial que nenhum presidente consegue escapar à imperiosa necessidade de ter de alimentar guerras, próprias ou alheias, de preferência sendo outros a morrer pelo negócio. Mas isto é um segredo de polichinelo.
Datas
Provedor
Seguro faz bem em marcar estes seus primeiros tempos de mandato com a ideia de ser uma espécie de provedor dos interesses de quem foi afetado pelas intempéries e que vê o tema afastar-se das prioridades do debate político.
Trump tem limites?
A guerra contra o Irão, claramente impulsionada por Israel e pelo lóbi que, nos Estados Unidos, cobre qualquer aventura do Estado israelita — por mais ilegal ou desestabilizadora que seja —, assenta em alegações de ameaça iminente que nenhum serviço de informações credível confirmou até ao momento.
Anunciam-se agora ações militares devastadoras sobre o território iraniano, as quais, a acreditar na bravata jingoísta de Trump, podem ultrapassar as limitações que as Convenções de Genebra há muito colocam às próprias guerras, numa plataforma mínima de humanidade que o horror aceitava.
Em poucas semanas, as consequências do conflito para as economias mundiais já se revelam desastrosas: uma espiral recessiva começa a desenhar-se, mesmo que um improvável acordo negocial consiga travar ou conter o conflito a curto prazo.
No plano diplomático, a hostilidade e agressividade de Trump para com os aliados tradicionais dos EUA provocaram uma erosão profunda de confiança. Mesmo que algum dia seja parcialmente revertida, essa fratura levará anos a sarar. O desrespeito sistemático pelo direito internacional, as ações que mal disfarçam objetivos de pilhagem de recursos e a afirmação obscena de que os interesses nacionais americanos se sobrepõem a quaisquer direitos legítimos de outros Estados geraram um caos na ordem internacional sem precedentes recentes. Ver a principal potência mundial abandonar qualquer regulação global mínima oferece aos Estados que, no passado, apenas relutantemente a aceitavam um pretexto perfeito para se libertarem de compromissos e princípios que, ainda há pouco, muitos deles subscreviam e eram obrigados a aceitar como essenciais a um mundo minimamente cooperativo e civilizado.
Dia após dia, a atitude de Trump leva a temer que a sua megalomania sem freio o empurre para formas de subversão institucional dentro dos próprios Estados Unidos — uma fuga em frente destinada a preservar o exercício futuro do poder, independentemente do resultado das eleições intercalares de novembro, ou mesmo em substituição dele. Estarei a exagerar? Espero sinceramente que sim.
domingo, abril 05, 2026
Palavras de Trump (literal)
sábado, abril 04, 2026
Sinos
sexta-feira, abril 03, 2026
As ferramentas
As eleições para a Assembleia Constituinte ocorreram vai para 51 anos. Num desses dias agitados de abril de 1975, pouco antes do sufrágio, numa deslocação de Lisboa a Vila Real, fiz a minha habitual visita às tias. As “tias”, como eram simplesmente designadas na nossa família, eram quatro irmãs da minha avó — duas solteiras e duas viúvas — que viviam nas Pedras Salgadas.
quinta-feira, abril 02, 2026
O poder que falta
Trump tem quase todo o poder do mundo – incluindo poder condicionar as nossas vidas. Há, porém, um poder que lhe escapa em absoluto, mesmo que ele nem disso suspeite: o de nos impedir de nos rirmos das suas figuras ridículas e de sentirmos pena pelo estado a que levou a América.
Irão, Ucrânia e Israel
É isto mesmo!
Bela definição do futebol nos dias de hoje, dada por Rafa Cabeleira no "El País": "Si le quitas los cánticos racistas, los xenófobos, los insultos al árbitro o al presidente del Gobierno, el lanzamiento de objetos, los saludos fascistas, las batallas campales entre grupos ultras, el machismo y la homofobia, te queda un espectáculo ciertamente impecable, para todos los públicos".
Much ado about nothing
Anunciado com espavento e nada tendo aportado de concreto, o discurso de Trump à nação, gizado para apaziguar a inquietação dos mercados, resultou no que o NYT sintetiza: "The price of oil was down when Trump started speaking and had gone up by the time he finished."
quarta-feira, abril 01, 2026
A caminho da terceira volta
Na minha terra, em Vila Real, neste primeiro de abril, continua a campanha para a terceira volta das presidenciais.
Mau, mestre!
Não tenho juízo
Comprometi-me a entregar a uma editora um texto para dali se fazer um livro. Estou atrasado na escrita, claro. Vivo sob uma sensação de auto-acossamento, entre o desconforto e a culpa, não obstante o editor estar a ser de uma elegância silenciosa – o que só agrava o meu incómodo. Quem me manda a mim meter-me nestes assados, só para voltar a encadernar o ego? Qualquer dia perco a paciência comigo, chamo-me à parte, prego-me dois berros íntimos e ponho-me na rua da amargura – com reforma por justa causa.
terça-feira, março 31, 2026
Trabalho
O militares e o mundo
São eles os homens e as mulheres que, no futuro, irão constituir o topo das nossas estruturas militares.
Inseri-los numa reflexão sobre o futuro das instituições mundiais – da União Europeia à ONU, da NATO à OSCE e outras – foi um desafio muito interessante e que espero lhes possa ter sido de utilidade.
segunda-feira, março 30, 2026
No MNE
domingo, março 29, 2026
Sttau Monteiro
Belém bem!
sábado, março 28, 2026
"A Arte da Guerra"
Esta semana, em "A Arte da Guerra", António Freitas de Sousa e eu falamos da guerra no Golfo, claro, e das eleições na França e na Eslovénia.
"Deixa-os pousar..."
Olha-se para a conversa que por aí volta a correr em torno do velho "novo aeroporto" e fica a clara sensação de que se pretende perder ainda mais alguns anos. Depois de Santa Engrácia, esta vai ser uma das anedotas nacionais para a História.
sexta-feira, março 27, 2026
quinta-feira, março 26, 2026
Dias
quarta-feira, março 25, 2026
Tariq Ramadan
terça-feira, março 24, 2026
Adhemar
segunda-feira, março 23, 2026
... e Jospin
Em 2003, ao ficar surpreendentemente em terceiro lugar - depois de Jacques Chirac e Jean-Marie Le Pen - na primeira volta das eleições presidenciais, Jospin veio a testemunhar, a uma distância humilhante, uma votação "norte-coreana" em Chirac - o qual, medidas as diferenças, acabou por ser uma espécie de Seguro "avant la lettre". Nessa noite, como logo anunciou, Jospin colocou um ponto final na sua vida política.
Lionel Jospin era das figuras mais respeitadas no seio dos socialistas franceses - e não só. Diplomata na sua origem profissional, tivera no passado uma ligação aos movimentos trotskistas que prolongou, já como militante do PS francês, por um período de tempo politicamente imprudente. Alguns levaram isso à conta de uma deliberada atitude de "entrismo" - a tática trotskista de se manter como "sleeper" dentro de outras organizações. As explicações que posteriormente veio a dar sobre o assunto não convenceram toda a gente.
Jospin era um homem frio, rigoroso, na ideologia um socialista a sério - e isto é um elogio. Estive com ele em algumas reuniões, acompanhando António Guterres, quando ele era primeiro-ministro da "coabitação" em que Chirac estava no Eliseu, depois da inesperada vitória socialista de 1997, resultante da desastrada dissolução da Assembleia que Dominique de Villepin, então SG do Eliseu, inspirou.
Fiquei ao seu lado num almoço em Matignon, de que recordo sobretudo os excelentes vinhos, já que a nossa conversa foi breve - através da mesa, ele falava com António Guterres e tinha à sua direita Jaime Gama. Não sei como, veio à baila o MES, o Movimento de Esquerda Socialista, a que eu tinha estado ligado e sobre o qual ele tinha alguma curiosidade. A certa altura, Jospin disse-me: "Como saberá, fui trotskista. O MES também tinha trotskistas?" Com o tempo, vim a concluir que a minha resposta foi, sem querer, algo premonitória: "Pode dizer-se que o MES teve, como longínqua referência francesa, o PSU, de Michel Rocard. Mas não me recordo que tivesse trotskistas. Em Portugal, os trotskistas tiveram um caminho próprio. Mas com os trotskistas nunca se sabe, não é? Podem ter "entrado" no MES..."
Recordo ainda as longas noites do encerramento do Tratado de Nice, com Chirac no comando das operações e Lionel Jospin e o MNE Hubert Védrine num papel mais recuado, com muito escassa intervenção nas complicadas negociações, madrugada fora. Chirac e Jospin foram ali a encarnação viva do "gaullo-mitterrandisme", essa doutrina teorizada por Hubert Védrine.
domingo, março 22, 2026
O adeus de Bayrou
Nunca esquecerei que François Bayrou foi uma das poucas vozes que esteve ao meu lado, num debate muito tenso no Parlamento Europeu, há 26 anos, quando ali titulei, da bancada da presidência, a posição dos "catorze" países que se opunham à entrada da extrema-direita no governo austríaco. Do outro lado da barricada estava Jean-Marie Le Pen, que zurziu violentamente os meus argumentos, perante a atitude equívoca do presidente da Comissão, Romano Prodi, e o silêncio de todos - repito, todos - os deputados portugueses. Um dia, em Paris, tive oportunidade de agradecer pessoalmente a Bayrou esse seu gesto solidário.
Com o fim político de Bayrou, restam poucas figuras de um outro tempo daquilo a que ainda se chama V República, que hoje cada vez se assemelha ao regime a que sucedeu.
Pois é!
Numa democracia serena, a propaganda em tempos eleitorais faz-se assim. Noutras paragens, é o que se vê...
sábado, março 21, 2026
Ainda não decidi
sexta-feira, março 20, 2026
E um pouco de vergonha?
quinta-feira, março 19, 2026
quarta-feira, março 18, 2026
José Carlos de Vasconcelos
terça-feira, março 17, 2026
segunda-feira, março 16, 2026
E se....
Lembram-se das manifestações populares no Irão, que geraram uma repressão sangrenta? Não é de excluir que, depois da agressão israelo-americana, com a deliberada destruição das infraestruturas do país, o reflexo nacionalista possa vir a reforçar o regime dos aiatolás.
$enteno
A conhecida "Central da Inveja" ainda não divulgou o montante da reforma de Mário Centeno? Ou sou eu quem está distraído ou essa importantíssima informação ainda não foi divulgada. É que, assim, o indispensável processo de indignação pública não consegue arrancar. Despachem-se!
domingo, março 15, 2026
Aventuras e desventuras árticas
sábado, março 14, 2026
"One point down"
Percebi que o telefonema, que há pouco recebi, tinha sido suscitado por um post que aqui coloquei, em que mencionei uma breve hospitalização por que passei. Já quase me tinha esquecido dessas horas "de molho" (como o meu pai designava estar de cama, por motivo de saúde), ocupado que estava em garantir uma mesa num bom restaurante, onde vou jantar neste sábado.
Desculpem lá!
Às armas?
Se o mundo ocidental, pressionado pela questão petrolífera, vier a seguir o apelo de Trump para a criação de uma força multinacional para o Golfo Pérsico, estará a deixar-se arrastar para uma guerra desencadeada por Israel e pelos EUA, que não levou minimamente em conta as suas previsíveis consequências globais.
"Manda quem pode?"
(Publicado na revista "Prémio", março de 2026)
"Não tem o 68?"
À chegada, ao ser-me indicado o número do meu quarto, inquiri sorridente: "Não tem livre o 68?", como se estivesse num hotel. A senhora olhou para mim, com estranheza: "Não há cá nenhum quarto 68!" E mais perplexa ficou quando me ouviu dizer: "Não há, mas houve". Logo acrescentei, dando uma de velho que quer fazer-se passar por imbatível conhecedor: "Mas isso já foi há muitos anos. Esqueça!" Ela, com mais que fazer do que aturar a minha caturreira, baixou os olhos para a papelada e deve ter pensado: "Sai-me cada um na rifa!".
De facto, só um maduro como eu se lembrava, 58 anos depois, de querer ter a "sorte" de ser inquilino, embora por uma noite, do mesmo quarto que Salazar ali ocupou em 6 de setembro de 1968, na sequência da queda da cadeira.
Mas, que se há-de fazer?, eu tenho estas manias de fazer um "vêzinho" nos lugares da História!
sexta-feira, março 13, 2026
Fúria mansa
quinta-feira, março 12, 2026
Formação profissional
quarta-feira, março 11, 2026
terça-feira, março 10, 2026
"Olhe que não, olhe que não"
Esta semana, Jaime Nogueira Pinto e eu falamos da Carta Constitucional de 1826 e de muitas outras coisas a propósito, em mais um podcast do "24 Horas".
Pode ver aqui: https://youtu.be/Lu92j6dqqpM?is=m2_YgtqO3A6sBDSz
segunda-feira, março 09, 2026
Será?
domingo, março 08, 2026
Em Belém
Triste
É triste constatar que no dia em que a potência científica que são os EUA devia estar a comemorar a fantástico feito que é a sua missão espa...












































