sábado, abril 11, 2026

Dislate


Eu sei que, nos fins de semana, as redações têm mais estagiários. Mas devia haver um "adulto na sala" que impedisse este tipo de dislates jornalísticos.

Maria Emília Brederode Santos


Um dia, escrevi aqui sobre as "giocondas" — as mulheres de sorriso enigmático que, ao entrarem numa sala, deixam um rasto de serenidade, ao mesmo tempo intrigante e elegante. Confesso que tinha na ideia duas amigas: Teresa Gouveia e Maria Emília Brederode Santos.

A Maria Emília morreu hoje, com 84 anos. Foi uma mulher de coragem, ao lado do grande amor da sua vida, José Medeiros Ferreira. Acompanhou-o no exílio e foi precisamente desse destino partilhado que a Maria Emília trouxe ao Congresso Republicano de Aveiro, em 1973, a comunicação em que Medeiros Ferreira, com inteligência premonitória, desenhou o quadro político-militar que iria “resolver” o 25 de Abril.

Mas a Maria Emília era muito mais do que a mulher do José Medeiros Ferreira. Tinha uma vida profissional e intelectual própria, centrada na educação, área onde assumiu responsabilidades singulares. Valerá também a pena recordar os seus excelentes programas na RTP.

Era irmã do Nuno Brederode — cuja obra quase completa ambos ajudámos a apresentar, há anos, numa bela sessão na Câmara de Lisboa. Espelhava, em tudo o que dizia, uma forte densidade. O seu humor, culto e preciso, tinha um registo deliberadamente diferente daquele em que o irmão mais novo era imbatível. Nas muitas e belas noites da tertúlia da “mesa dois” do Procópio, lembro-me de que tinha sempre uma palavra certa e delicada para todos.

Vimo-nos pela última vez há já algum tempo, numa boleia que lhe dei, depois de um almoço qualquer. Ela seguia para um evento público do PS a que eu disse que não tinha vontade de ir. Estranhou essa minha atitude: "Tem de me explicar um dia esse seu estado de espírito face ao PS". Deixei-a à porta.

Há meses, a propósito de um livro do Nuno Brederode Santos que jaz, sem préstimo, nos armazéns de uma editora — ah, pois é! Deixo a novidade — prometi a alguém falar com a Maria Emília. Ela talvez pudesse ajudar a desbloquear o impasse que está a impedir a saída do livro. 

Hoje, abri o “A fazer” no meu telemóvel e lá estava a nota, o nome dela, ao lado de outras dezenas de lembretes sem sequência útil. A procrastinação é um defeito que, com o tempo, tenho vindo a aperfeiçoar de uma forma que pede meças.

O Zé Medeiros partiu há muito. O Nuno também. E agora sai de cena a Maria Emília. Resta aceitar as leis da vida — estranha expressão que usamos para nomear o imperativo da morte.

Adeus, Maria Emília.

E então?

Que o Irão não possa ter acesso a um programa de enriquecimento nuclear com a mínima hipótese de vir a ser convertido para finalidades militares é algo indiscutível. Já acho mais estranho que ninguém se interrogue sobre as 90 ogivas nucleares que Israel possui. Não são um perigo?

"A Arte da Guerra"


Esta semana, em "A Arte da Guerra", António Freitas de Sousa e eu havíamos de falar de quê? 

Ver aqui.

José Matos Fernandes


Com imensa pena, acabo de saber da morte de José Matos Fernandes, aos 85 anos. Era pai de João Pedro Matos Fernandes, que foi ministro do Ambiente e a quem envio um abraço amigo de sentido pesar.

Fui colega de governo de José Matos Fernandes. Coincidimos no primeiro executivo de António Guterres, que tomou posse em outubro de 1995, em que ele foi secretário de Estado da Justiça, até 1999. Era o decano dos secretários de Estado — sete anos mais velho do que eu, que já não era propriamente um miúdo. 

Com um humor fantástico, histórias divertidíssimas e, dizem-me, uma imensa competência jurídica, era um companheiro magnífico. Recordo uma viagem em que ambos acompanhámos o Presidente Jorge Sampaio à Polónia e as horas deliciosas que passámos a rir. Ao pé dele, toda a gente se sentia feliz.

Matos Fernandes, Guilherme Oliveira Martins e eu éramos conhecidos como os “chatos” das reuniões semanais de secretários de Estado, presididas pelo ministro da Presidência António Vitorino. Os três partilhávamos o saudável — e para alguns irritante — vício de passar a pente fino, na véspera, todos os projetos de diplomas legislativos que chegavam de outros ministérios.

Terminada a apresentação de um projeto pelo secretário de Estado do pelouro, e aberta a discussão, quase sempre um de nós três pedia a palavra e, sob o olhar progressivamente sombrio do colega proponente, começava a inventariar os defeitos detetados no texto.

Lembro-me de uma cena em que Matos Fernandes arrancou mais ou menos assim: “O projeto de decreto, cuja bondade de propósitos é uma evidência, e que só posso saudar, não me merece objeções de fundo. Diria mesmo que estaria aberto a deixá-lo seguir silenciosamente para Conselho de Ministros não fora dar-se o caso, no meu juízo, que admito discutível, de haver oito incongruências dentro do articulado e, além disso, se me oferecerem 37 pequenas observações de forma, felizmente sanáveis por correção semântica e ortográfica que passo a anotar, a bem da desejável qualidade da produção legislativa da República.”

O Conselho ouvia o seu verbo com ar deliciado e risonho. O colega proponente, esse, tinha muitas vezes a  a expressão de quem tinha engolido um limão. E lá alinhava o Matos Fernandes, com a sua solenidade de juiz do Supremo, “a vírgula em falta”, a “concordanciazinha indispensável”, a reformulação formal para “maior elegância do português”, “até para reforçar o insofismável mérito do legislador e facilitar a tarefa do intérprete futuro da lei”. Eram momentos únicos, como se lembrará quem por lá passou.

Que saudades sinto agora de José Matos Fernandes — daquela voz cava inconfundível, da bonomia de bom homem do Norte, onde também era um fervoroso apoiante e dirigente de uma conhecida agremiação futebolística que não vem agora ao caso.

sexta-feira, abril 10, 2026

Good news!

Kamala Harris admite candidatar-se de novo. Finalmente, Donald Trump recebe uma boa notícia! 

Fico

Se Orbán perder as eleições, o único líder europeu com uma postura mais anti-ucraniana e "russian friendly" é o primeiro-ministro da Eslováquia Robert Fico. Se assim acontecer, no domingo dirá para si mesmo: "Fico só eu..."

Ordem dos Economistas, Porto

 


Universidade Fernando Pessoa, Porto

UFP promove IV Congresso Internacional de Ciência Política e Relações Internacionais 

20 de abril • Salão Nobre



Biblioteca Municipal de Tavira, sexta-feira, 17 de abril

 



Casa dos Açores, Lisboa

 


Catarro


Na minha terra, perante uma coisa como esta, costuma dizer-se: "já a formiga tem catarro"


For once?

With his acolyte Mark Rutte at his side — Secretary General of a NATO that should safeguard collective North Atlantic security, rather than follow Washington’s global ambition— Donald Trump has issued an ultimatum to a Europe he knows is held hostage by its own security anxieties. 

If there were a modicum of dignity on this side of the Atlantic — and there are growing reasons to doubt there is much left — someone should be saying, loud and clear, to Trump that it is for the United States to extricate itself from the quagmire into which it has slipped in the Gulf, in tow with Israel. 

It was Washington’s choices, not Europe’s, that triggered the tensions now threatening to spread. Europe cannot be asked to foot the bill for adventures in which it was not even consulted. It is obscene to hear the United States claim it is acting in defence of the interests of those it repeatedly despises and insults. Those interests were, for example, clearly reflected in the nuclear agreement signed with Iran — an agreement Trump abandoned. 

It is, of course, recognised that there are now very concrete interests at stake. Iranian oil is needed, energy routes matter, and stability in the Gulf has a real impact on European economies. But the short-term logic of interests cannot become a licence for strategic irresponsibility. Europeans cannot be dragged along into a region where, at any moment, they could be caught in a new cycle of war — a cycle Israel makes no secret of being keen to restart. 

And this is where indignation cannot be restrained by any calculation of convenience. After the outrage of recent hours in Lebanon. After Gaza — the systematic destruction of a population, documented, filmed, and counted in tens of thousands of deaths. After the West Bank, where settlement continues with the slow, relentless method of those who know the world is looking the other way. In the face of all this, either Europe is able to take a firm stance towards Israel — and let it be clear: much of Israel’s military equipment is still supplied by European states, making Europe objectively complicit in the crimes committed with it — or it loses, definitively, what remains of its former moral authority, on which its civilisational project was built. Not the authority proclaimed in summit after summit, but that which is built on coherence between words and actions, between declared values and the destination of the weapons that are sold. 

A pragmatic objection will be anticipated: a firm position would irritate Trump. It could lead him to try to divide the continent, playing capitals against one another, as was done so effectively in the Iraq war, when Rumsfeld separated “old” Europe from “new”. 

Of course that risk exists, and it would be naïve to deny it. But what more can Trump do? More tariffs? Withdraw his troops from Europe? The Americans are not in Europe for our “beautiful eyes”; they are here, as at Lajes, because it forms part of their security project — to protect their interests, which until now have also aligned with ours. 

The alternative — complicit silence, quiet submission, anticipatory alignment — has a name Europe was once thought to have learned to detest: appeasement. And appeasement cannot be a vice only when directed eastwards, as dominant rhetoric often suggests. It is equally degrading — and equally dangerous — when practised towards those who, from Washington or Tel Aviv, expect Europe to accept, head bowed, that its values are negotiable and its principles merely decorative. 

These are the moments when Europe has an obligation to remember that it is a democratic entity, that it has public opinions to which its governments are accountable, and that it stands for a project with a moral foundation — the same one that led almost everyone to condemn when they heard Trump threaten that “an entire civilisation” would perish if it did not do as he wished. 

European citizens deserve leaders who do not confuse prudence with capitulation. To see their governments falling in line like lambs behind Trump would not only be a betrayal of the values they proclaim — it would be an abdication that history rarely forgives. 

Looking at how the world has reacted in recent days to the drama in the Gulf, it seems clear that taking a stand against Trump, without hostility but with calm firmness, would strike a chord with large sections of European public opinion. Indeed, one might say: for once, in a long time, Europe would become popular with its own citizens. If only there were the courage to do so.

Por uma vez?

Com o seu acólito Mark Rutte à ilharga — secretário-geral de uma NATO que deveria servir a segurança norte-atlântica coletiva e não os caprichos de Washington pelo mundo —, Donald Trump lançou um ultimato a uma Europa que ele sabe estar refém dos seus próprios medos em matéria de segurança.

Se houvesse um módico de dignidade deste lado do Atlântico — e há razões crescentes para duvidar que reste muito —, deveria ser dito, alto e bom som, a Trump que compete aos Estados Unidos desenvencilharem-se do atoleiro em que, a reboque de Israel, se deixaram cair no Golfo. 

Foram as opções de Washington, e não as da Europa, que deflagraram as tensões que agora ameaçam alastrar. A Europa não pode ser convocada a pagar a conta de aventuras em que não foi sequer consultada. É obsceno ouvir os EUA dizerem que atuam na defesa dos interesses daqueles que desprezam e constantemente ofendem. Esses interesses estavam, por exemplo, bem representados no acordo nuclear assinado com o Irão, que Trump abandonou.

Reconhece-se, naturalmente, que há agora interesses muito concretos em jogo. O petróleo iraniano faz falta, as rotas energéticas importam, a estabilidade do Golfo tem um peso real nas economias europeias. Mas a lógica imediatista dos interesses não pode servir de passaporte para a irresponsabilidade estratégica. Os europeus não podem ir a reboque para uma zona onde, num instante, poderão ser apanhados num novo ciclo de guerra — um ciclo que Israel não esconde estar desejoso de recomeçar.

E é aqui que a indignação não pode ser contida por um qualquer cálculo de conveniência. Depois da infâmia das últimas horas no Líbano. Depois de Gaza — a destruição sistemática de uma população, documentada, filmada, contabilizada em dezenas de milhares de mortos. Depois da Cisjordânia, onde a colonização avança com a metodologia lenta e implacável de quem sabe que o mundo olha para outro lado. Perante tudo isto, ou a Europa é capaz de tomar uma atitude firme face a Israel — e que fique claro: muito do material militar israelita continua a ser fornecido por Estados europeus, tornando a Europa cúmplice objetiva dos crimes com ele praticados—, ou perde, definitivamente, o pouco que lhe resta da antiga autoridade moral em que assentou o seu projeto civilizacional. Não a autoridade que se proclama em declarações cimeira após cimeira, mas aquela que se constrói na coerência entre o que se diz e o que se faz, entre os valores que se invocam e o destino das armas que se vendem.

Antecipar-se-á a objeção pragmática: uma posição firme irritaria Trump. Poderia levá-lo a tentar dividir o continente, a jogar as capitais umas contra as outras, como foi feito com tanta eficácia no caso do Iraque, quando Rumsfeld separou a “velha” Europa da “nova”. Claro que sim. Esse risco existe e seria ingénuo negá-lo. Que pode Trump fazer mais? Mais "tarifas"? Tirar as suas tropas da Europa? Os americanos não estão na Europa pelos nossos "lindos olhos", estão cá, como nas Lajes, porque isso faz parte do seu projeto de segurança, para proteção dos seus interesses, que até agora coincidiam com os nossos.

A alternativa — o silêncio cúmplice, a submissão discreta, o alinhamento por antecipação — tem um nome que se julgava que a Europa tinha aprendido a detestar: apaziguamento. E o apaziguamento não pode ser um vício apenas em direção ao Leste, como a retórica dominante insiste em repetir. É igualmente degradante — e igualmente perigoso — quando praticado em direção a quem, de Washington ou de Telavive, exige da Europa que aceite, de cabeça baixa, que os seus valores são negociáveis e que os seus princípios são ornamentais.

É nestes momentos que a Europa tem obrigação de lembrar-se de que é uma entidade democrática, que tem opiniões públicas perante as quais os seus governos respondem, que afirma um projeto com uma base moral — a mesma que levou quase toda a gente a indignar-se quando ouviu Trump ameaçar que “uma civilização inteira” morreria se não fizesse o que ele queria. 

Os cidadãos europeus merecem dirigentes que não confundam prudência com capitulação. Ver os seus governos alinhar como cordeiros atrás desse mesmo Trump seria não apenas uma traição aos valores que proclamam — seria uma abdicação que a história não costuma perdoar. 

Olhando para o modo como o mundo reagiu nos últimos dias perante o drama do Golfo, parece claro que a opção por enfrentar Trump, sem a menor hostilidade mas com uma serena firmeza, seria uma atitude que arrastaria consigo largos setores da opinião pública europeia. Eu diria mesmo: por uma vez, desde há muito, a Europa tornar-se-ia popular aos olhos dos seus cidadãos. Houvesse coragem para isso.

Oportunidade


Dada a popularidade de que Trump dispõe hoje pelo mundo, é capaz de não ser uma grande ajuda para Viktor Orbán este "endorsement".

quinta-feira, abril 09, 2026

A vingança

Como era expectável, Israel vinga-se no Líbano daquilo que não obteve no Irão. Estejamos atentos a Gaza e à Cisjordânia.

Coluna


Passei a tarde de ontem à volta de caixotes com livros. Estou a selecionar mais algumas largas dezenas que, no final desta semana, irão engrossar o fundo bibliográfico que, desde há uns anos, vou alimentando na Biblioteca Municipal da minha terra, Vila Real. 

Abrir caixotes e carregar livros (deixo de parte alguns que espero vir a reler e outros que tenciono ler ainda pela primeira vez) é uma tarefa pesada, que obriga a posturas físicas com as naturais consequências lombares. Saí um pouco moído daquelas mais de duas horas de forçado exercício. E, naturalmente, com a minha coluna a queixar-se, num silêncio doloroso. 

A um amigo que entretanto me telefonou contei isso mesmo. Respondeu-me: "Viste o que o Rutte disse à CNN, depois do encontro com o Trump? Aquele tipo é que tem sorte! Não tem coluna vertebral". 

Não vi a entrevista de Mark Rutte à CNN. Não me apetece deparar com o sorriso plástico daquele regular bajulador de Trump, uma das figuras mais deprimentes da vida política transatlântica. Que a NATO tenha escolhido uma figura daquele jaez para seu secretário-geral diz bastante do estado a que chegou a organização. 

O meu amigo tem razão: Rutte não tem coluna vertebral. E Trump sabe isso bem.

quarta-feira, abril 08, 2026

O Gemini e o acordo de cessar-fogo

Perguntei ao Gemini quem ganhou e quem perdeu nesta fase da guerra EUA-Irão. Eis a resposta:

A análise estratégica do cessar-fogo de 8 de abril de 2026 revela um cenário de "vitórias declaradas" por ambos os lados, mas com nuances complexas que favorecem diferentes atores em campos distintos. Após 40 dias de conflito, a trégua de duas semanas mediada pelo Paquistão e influenciada pela China interrompe uma escalada que ameaçava a economia global.

Aqui está o balanço estratégico de quem ganhou e quem perdeu:

1. Os "Vencedores" Estratégicos

• Paquistão e China (Os Mediadores): * Paquistão: Emergiu como o mediador improvável e eficaz, elevando seu status diplomático global ao conseguir o que potências ocidentais não conseguiram.

• China: Consolidou-se como o garantidor da estabilidade energética. Com 90% do petróleo iraniano indo para Pequim, a reabertura do Estreito de Ormuz é uma vitória direta para sua segurança industrial.

• Donald Trump (Narrativa Política): * Ao utilizar sua marca de "art of the deal", Trump evita uma guerra terrestre prolongada em ano eleitoral, apresentando-se como o pacificador que evitou o colapso econômico (o preço do petróleo caiu de US$ 110 para US$ 94 logo após o anúncio).

• Irão (Sobrevivência do Regime): * Apesar da destruição de grande parte de sua marinha e da eliminação de lideranças militares, o regime de Teerã provou-se resiliente. O fato de os EUA aceitarem negociar sem a rendição total e a discussão sobre o levantamento de sanções e reconstrução é visto internamente como uma vitória da resistência.

2. Os "Perdedores" Estratégicos

• Israel (Segurança Regional): * Embora tenha participado ativamente da campanha aérea, o governo de Benjamin Netanyahu manifestou descontentamento, pois o acordo não inclui o Líbano (Hezbollah). Para Israel, uma trégua que deixa as capacidades de mísseis do Irã e seus proxies intactas é vista como uma oportunidade perdida de resolver a ameaça existencial.

• A População Civil (Irão e Região): * O custo humano foi altíssimo em apenas 40 dias. O Irão enfrenta infraestruturas destruídas, apagões de internet e repressão interna, enquanto países vizinhos sofreram baixas e instabilidade econômica severa.

• A Ordem Internacional "Tradicional": * A marginalização das instituições europeias e da ONU na mediação final, substituídas por uma coalizão liderada pelo Paquistão com apoio chinês, marca um deslocamento do eixo de influência global.

O Perplexity e o acordo de cessar-fogo

Perguntei ao Perplexity quem ganhou e quem perdeu nesta fase da guerra EUA-Irão. Eis a resposta:


Os EUA, sob Trump, ganharam a vantagem estratégica principal no acordo de trégua com o Irã.
Forçaram a reabertura do Estreito de Ormuz via ultimato, sem escalada maior, e ditam termos iniciais para negociações sobre programa nuclear e proxies. Mercados globais celebram com petróleo em queda e bolsas em alta.
Quem ganhou

EUA: Controle efetivo sobre Ormuz (apesar da retórica iraniana), propaganda de vitória, tempo para reforços.

Irão (parcialmente): Formalizou coordenação própria sobre Ormuz, sobreviveu sem colapso, ganha fôlego interno.

Mercados globais: Estabilidade energética imediata.
Quem perdeu

Irão (no geral): Cedeu bloqueio chave após perdas militares (caças abatidos, infraestrutura), regime sob pressão sem sanções aliviadas.


Israel: Trégua sem eliminação total de ameaça nuclear ou Hezbollah, metas pendentes.

O Chat GPT e o acordo de cessar-fogo EUA-Irão

Perguntei ao Chat GPT quem ganhou e quem perdeu nesta fase da guerra EUA-Irão. Eis a resposta:


Se a pergunta é “quem ganhou?”, então a resposta direta — sem o habitual equilíbrio diplomático — é: os Estados Unidos ganharam mais do que o Irão. 

Mas convém precisar o que significa “ganhar” neste contexto. 

1) Objetivo estratégico principal 

Os EUA (e, em parte, os seus aliados) tinham como objetivo central limitar o programa nuclear iraniano sem recorrer a guerra aberta. O acordo — seja o original Joint Comprehensive Plan of Action ou qualquer versão posterior/negociada — foi desenhado exatamente para isso. 

Nesse plano, os EUA conseguem impor restrições, inspeções e atrasos significativos. Isso é uma vitória clara. 


2) O que o Irão conseguiu 

O Irão obteve alívio de sanções, acesso a ativos financeiros e algum reconhecimento internacional. Isso não é irrelevante — especialmente para uma economia pressionada. 

Mas: 

Esses ganhos são reversíveis e dependentes de cumprimento e da vontade política externa. 

E, sobretudo, implicam aceitar limites à soberania nuclear — algo que Teerão sempre apresentou como linha vermelha. 


3) Assimetria estrutural 

Aqui está o ponto essencial: 

Os EUA negoceiam a partir de uma posição de força (sanções globais, controlo do sistema financeiro internacional). 

O Irão negoceia sob pressão económica severa. 

Quando um acordo nasce desse desequilíbrio, dificilmente o lado pressionado “ganha” no sentido pleno. 


4) Resultado político interno 

Nos EUA, o acordo pode ser apresentado como contenção de uma ameaça sem guerra. 

No Irão, é mais ambíguo: alívio económico, sim, mas também percepção interna de concessão. 


Conclusão clara :

Se for preciso escolher sem rodeios:

Os Estados Unidos ganharam no plano estratégico.

O Irão evitou perder mais — mas isso não é o mesmo que ganhar.

O Claude e o cessar-fogo EUA-Irão

Perguntei ao Claude quem ganhou e quem perdeu nesta fase da guerra EUA-Irão. Eis a resposta:

O acordo de hoje é, essencialmente, uma vitória do Irão. Os EUA e Israel perderam estrategicamente, mesmo tendo vencido militarmente.

Aqui está o porquê:

O que o Irão conseguiu:

As autoridades iranianas estão a retratar o cessar-fogo como uma vitória, afirmando que os EUA aceitaram “o enquadramento geral” da proposta de 10 pontos do Irão. E há razões concretas para isso. Os oficiais iranianos notam que a estratégia inicial dos EUA e Israel — tentar colapsar o governo iraniano através de assassinatos de liderança — falhou. O presidente iraniano Pezeshkian disse que os princípios gerais “desejados” pelo Irão foram aceites no acordo. 

O supremo líder Ali Khamenei foi assassinado num ataque israelita a 28 de fevereiro — e ainda assim o regime sobreviveu, foi substituído pelo filho, e negociou em posição de força. Isso é extraordinariamente significativo: o objetivo mais ambicioso da operação foi alcançado e… não mudou nada estruturalmente.

O que Trump e Israel não conseguiram:

A questão do enriquecimento foi o ponto que levou ao colapso das negociações em fevereiro. O Irão vai querer garantir que Trump cede neste ponto. E os analistas avisam que as conversações de Islamabad poderiam falhar, mas “o terreno mudou” — o uso falhado da força por Trump diminuiu a credibilidade das ameaças militares americanas. 

O líder da oposição israelita Yair Lapid chamou ao acordo “o pior desastre diplomático da nossa história”, e Yair Golan acusou Netanyahu de falhar em transformar ganhos militares em resultados estratégicos, dizendo que o Irão “sai desta guerra mais forte”. 

O que realmente aconteceu:

Os EUA e Israel destruíram instalações nucleares, assassinaram líderes, e causaram enormes danos militares. Mas não conseguiram o único objetivo que importava: mudar o regime ou forçar o Irão a aceitar condições humilhantes. Em vez disso, os ataques ao longo de cinco semanas empurraram a região para a beira de uma guerra mais alargada, com milhares de mortos, milhões de deslocados, e perturbações massivas no comércio global. 

Trump declarou “vitória total e completa, 100 por cento” — mas aceitou negociar com base numa proposta iraniana, sem a capitulação nuclear que exigia. Quando alguém que ameaçou “destruir uma civilização inteira” acaba a fazer um cessar-fogo de duas semanas mediado pelo Paquistão, não foi esse alguém que ganhou.

Conclusão: O Irão entrou nesta guerra com o regime em risco e saiu com o regime intacto, com poder de negociação, e com os EUA a tratarem a sua proposta de 10 pontos como base legítima de conversações. Isso é, por qualquer métrica estratégica honesta, uma vitória iraniana — dolorosa, cara em vidas, mas vitória.​​​​​​​​​​​​​​​​

O Deepseek e o cessar fogo EUA-Irão

Perguntei ao DeepSeek, a IA chinesa, quem ganhou e quem perdeu nesta fase da guerra no Irão. Eis a resposta:

"O cessar-fogo de duas semanas entre EUA e Irã, anunciado a 7 de abril de 2026, gerou um paradoxo: ambos os lados reivindicam vitória, mas uma análise fria dos termos e consequências revela que o Irão é o vencedor mais claro, embora a um preço altíssimo. Os EUA, enquanto potência, sofreram um duro golpe estratégico. As análises de vários especialistas ajudam a decifrar este resultado:


Vencedor: Irão

Apesar dos pesados danos e baixas, Teerão é amplamente considerado o vencedor.

· Estagnação Estratégica: Contra a maior potência militar do mundo, um impasse no campo de batalha é uma vitória colossal. A sua arquitetura de defesa foi testada e aguentou, e os mísseis permanecem funcionais.

· Controlo do Estreito de Ormuz: O Irão mantém o controlo efetivo desta via estratégica, que passou a ser gerida "mediante coordenação com as Forças Armadas do Irão". Isto prova a sua capacidade de usar o estreito como uma alavanca económica e financeira massiva.

· Vitória Negocial: As próximas negociações usarão o plano de 10 pontos do Irão como base, e não a proposta de 15 pontos dos EUA. Teerão conseguiu ainda garantias de que o seu programa de enriquecimento de urânio será reconhecido e que as sanções serão levantadas.

· Preço Pago: Esta vitória teve um custo elevado: mais de 1.500 baixas civis, danos graves em infraestruturas e a perda de muitos dos seus líderes militares e políticos.

Perdedor: Estados Unidos (como potência)

Enquanto ator estratégico de longo prazo, os EUA foram o grande derrotado.

· Dano Estratégico e Credibilidade: A incapacidade de vencer uma potência média, mesmo após danos consideráveis, danifica severamente a sua imagem. Isto abala o modelo de influência assente em "comprem as nossas armas, que nós garantimos a vossa segurança".

· Custos Elevados e Isolamento: A campanha esgotou arsenais, ofendeu aliados (como na Europa) e prejudicou a sua própria opinião pública, que se voltou contra a guerra.

· A Vitória de Trump: Aqui reside a grande nuance. Donald Trump, numa lógica de curto prazo e política interna, pode ser considerado um vencedor. Evitou um desastre (caixões, soldados feridos) e conseguiu uma trégua que pode vender como um triunfo, extraindo o que a sua base política recompensa: pôr fim a guerras.


Perdedor: Israel e Netanyahu

Israel como estado mantém a sua força, mas o primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, sai fragilizado.

· Fim da "Vitória Total": A guerra era crucial para a sua sobrevivência política, servindo para manter a coligação unida e adiar os seus problemas judiciais.

· Exposição e Vulnerabilidade: O cessar-fogo, sem uma vitória decisiva sobre o Irão ou o Hamas, deixa Netanyahu politicamente exposto. As famílias dos reféns estão furiosas e os parceiros da coligação "cheiram sangue".

Outros Vencedores e Perdedores

A guerra teve impacto para lá dos campos de batalha:

· Vencedores Claros:

· China: Vencedora geopolítica, reforçou a sua reputação como superpotência global e força estabilizadora, ao mesmo tempo que pressionou o Irão para a mesa de negociações.

· Paquistão: Colhe os louros de "pacificador", tendo mediado o acordo e salvado a região de uma escalada terrível.

· Países do Golfo Pérsico e Consumidores Europeus: Beneficiam da trégua, que aliviou a pressão sobre os preços da energia e deu um fôlego às suas economias.

· Perdedores Claros:

· Rússia: Apesar dos altos preços da energia, é vista como uma perdedora por não ter conseguido usar a crise para obter ganhos significativos, especialmente na Ucrânia.

· Povos do Irão e dos EUA: Como sempre, os verdadeiros perdedores são as populações, que suportam o peso humano, económico e psicológico da guerra.

Conclusão: O Paradoxo de uma Guerra Fútil

Embora se possa argumentar que não existem vencedores numa guerra tão destrutiva, a maioria dos analistas converge para um ponto: a República Islâmica do Irão saiu significativamente mais forte e influente do que entrou, enquanto os Estados Unidos sofreram danos profundos e duradouros na sua credibilidade global.

O Grok e o cessar-fogo EUA - Irão

Pedi ao Grok, a rede de IA ligada a Elon Musk, quem ganhou e quem perdeu nesta fase da guerra no Irão. Eis a resposta: 

"O Irão ganhou com este acordo. Os EUA (e Israel, por arrasto) perderam. 

O acordo em questão é o cessar-fogo bilateral de duas semanas anunciado a 7 de abril de 2026 por Donald Trump, mediado pelo Paquistão, que entrou em vigor imediatamente em troca da reabertura do Estreito de Ormuz pelo Irão. As negociações diretas arrancam esta sexta-feira em Islamabad, e o quadro de discussão é — explicitamente — o plano de 10 pontos apresentado pelo próprio Irão, que Trump classificou como “base viável”. Não é um empate diplomático nem uma “vitória de ambos”. É uma cedência clara dos EUA. 

O que o plano iraniano de 10 pontos exige (e que Trump aceitou negociar como base) 

De acordo com fontes iranianas oficiais e reportadas consistentemente pela imprensa internacional, inclui: 

• Garantia de que o Irão não será atacado novamente. 

• Fim permanente da guerra (não um simples cessar-fogo temporário). 

• Fim dos ataques israelitas no Líbano (contra o Hezbollah). 

• Fim de todos os combates regionais contra os aliados iranianos (Iraque, Iémen, etc.). 

• Levantamento de todas as sanções americanas, descongelamento de activos e indemnizações/reparações de guerra. 

• Aceitação do programa de enriquecimento de urânio iraniano. 

• Protocolo de passagem segura no Estreito de Ormuz sob controlo/coordenado pelo Irão (com possibilidade de taxas para reconstrução). 

• Retirada ou limitação da presença militar americana na região e resolução vinculativa da ONU. 

Isto é, na prática, quase tudo o que o Irão sempre quis: sanções fora, programa nuclear legitimado, aliados regionais protegidos e o direito de cobrar “pedágio” no Ormuz. Em contrapartida, o Irão “concede” exatamente o que Trump exigia como ultimato: reabrir o estreito durante as duas semanas. Ou seja, Teerão transformou uma ameaça existencial numa oportunidade de negociar nos seus termos máximos. 

Por que isto é vitória iraniana (sem eufemismos) 

• O Irão resistiu cinco semanas a uma campanha conjunta EUA-Israel que começou a 28 de fevereiro de 2026 com ataques diretos a infraestruturas militares, nucleares e energéticas. Sofreu baixas (mais de 1500 mortos reportados), danos e assassinatos de altos oficiais — mas não caiu, não capitulou e não aceitou o plano americano de 15 pontos (que exigia desmantelamento nuclear, fim dos mísseis e proxies, e reconhecimento de Israel). 

• Forçou o presidente americano — que tinha dado ultimato e ameaçado “destruir” o Irão — a aceitar o documento iraniano como base das conversações. Isso é inédito. 

• Conseguiu um cessar-fogo condicional às suas exigências, não às americanas. O regime celebra “vitória histórica” nas ruas de Teerão com multidões. Internamente, o aiatolá Khamenei sai reforçado: sobreviveu ao ataque mais sério desde 1979 e impôs condições ao “Grande Satã”. 

• Mantém o trunfo estratégico (Ormuz) e transforma-o em moeda de troca para sanções e reparações. 

Os EUA, pelo contrário, tiveram de recuar. Trump podia ter continuado a bombardear ou escalado. Em vez disso, aceitou negociar o que o Irão queria. O “quase todos os pontos de discórdia resolvidos” que ele anunciou é spin: na realidade, aceitou discutir o levantamento de sanções, o enriquecimento e o fim dos ataques a proxies — coisas que Washington sempre recusou. Israel (Netanyahu) já disse abertamente que o acordo é “um grande problema doméstico” e que não cobre o Líbano. Ou seja, até o aliado mais duro ficou exposto. 

Resumo sem rodeios: o Irão entrou na guerra como alvo, saiu dela com o adversário a negociar no seu papel. Sobreviveu, ditou o quadro diplomático e reforçou o regime. Os EUA conseguiram reabrir o Ormuz e evitar uma crise do petróleo imediata — mas pagaram com uma humilhação estratégica e com a legitimação de um Irão que, daqui a duas semanas, pode sair com sanções aliviadas, programa nuclear intacto e aliados regionais mais seguros. 

Quem ganhou o acordo? O Irão. Ponto final. Quem perdeu? Os que começaram a guerra e tiveram de engolir as condições do adversário para parar."

Falsa bandeira

Agora, no Golfo, estejamos atentos aos incidentes de "falsa bandeira", isto é, aos ataques levados a cabo de forma a dar a ideia de que foram feitos por outros.

Faz-de-conta

O mediador paquistanês deixou expresso por escrito que o cessar-fogo se aplica também ao Líbano. O primeiro-ministro israelita deixou claro que o cessar-fogo não se aplica ao Líbano. A arte da diplomacia é isto: conseguir parar uma guerra mesmo com argumentos de "faz-de-conta".

Scut

Até ao início desta guerra, o Irão nunca tinha criado a menor dificuldade ao trânsito marítimo pelo estreito de Ormuz. Agora, parece aceite que o Irão venha a colocar uma espécie de "scuts" na passagem dos barcos, partilhando ou não os lucros. Isto não significa nada?

Aposto

Tenho a profunda convicção de que, quaisquer que sejam os termos de um eventual acordo entre o Irão e o EUA, Israel acabará, cedo ou tarde, por criar novos pretextos para voltar a bombardear o Irão.

Silêncio

Não é estranho que, neste tempo tão trágico para a paz no mundo, a voz de gente como Obama, os Clinton, Al Gore, Biden ou Harris não se faça ouvir, denunciando este presidente que tanto os insulta, que está a envergonhar a imagem da América? Ou será que eles acham que não está?

terça-feira, abril 07, 2026

Unanimidade

Pode não ser a unanimidade que ele queria, mas Trump caminha a passos largos para ser unanimemente considerado de uma forma que me dispenso de explicitar, porque este é um espaço que não admite palavrões.

... e depois

... e depois, no final do dia, se vier a anunciar ao mundo que afinal decidiu que não vai "obliterar" o Irão, Trump achar-se-á uma vez mais digno do prémio Nobel da paz. E, cá como lá, haverá uns cromos a bater-lhe palmas.

Triste

É triste constatar que no dia em que a potência científica que são os EUA devia estar a comemorar a fantástico feito que é a sua missão espacial à volta da lua, o seu presidente prefira titular um discurso agressivo de ódio e intolerância, desprovido de uma réstia de humanidade.

Irão


Nos últimos dias, tenho estado a ler sobre o Irão, sobre o seu singular regime e a solidão da respetiva cultura estratégica. É um livro interessante — "Irão, A Grande Estratégia, uma história política", de Vali Nasr. 

Através dele, dei-me conta de que tinha imensas lacunas de informação no tocante à Revolução Islâmica, à figura do ayatolah Khomeini e ao papel que pretendeu conferir ao Irão, na região e no mundo. O livro, equilibrado e académico, é de 2024 e ajudou-me a entender melhor o que por ali se está a passar, por estas horas, num registo iminente de aceleração da tragédia. 

Fui ao Irão uma única vez, a chefiar uma delegação da União Europeia, em junho de 2000. Contudo, privei algumas vezes com colegas iranianos, diplomatas e políticos, em várias partes do mundo. Ainda falei com diplomatas do Xá, mas conheci bastantes mais representantes da Revolução. Cada um, a seu modo, defendia o modelo autocrático de turno.

Dos primeiros, guardo a imagem de um país fortemente ocidentalizado, “american-oriented”, então confortável nas trincheiras da Guerra Fria. Já os representantes da Revolução — e foram bastantes mais — projetavam algo diferente: uma forte contenção opinativa, em tudo quanto se afastasse do mantra oficioso, uma cordialidade atravessada por alguma distância pessoal. A sua identidade diplomática era marcada por um formalismo que começava no traje e se estendia a cada gesto, a cada palavra — e recordo-me da preocupação que eu sempre tinha, em ocasiões sociais, de alertar as senhoras para o facto de não lhes poderem estender a mão, dado o rigoroso protocolo religioso que observam. Eram, invariavelmente, profissionais de bom nível — como tantas vezes acontece com quem representa países cuja agenda é difícil de “vender” ao mundo. E também vim a conhecer, em especial em Paris, alguns iranianos expatriados, muito ricos, a quem a Revolução tinha feito perder o Xá, mas que tinham sabido preservar meios para garantir uma bela vida.

Contudo, neste tempo complexo que o Irão atravessa, veio-me à memória uma troca de palavras casual que, há cerca de uma década, tive em Istambul, com um médico iraniano, que ali estava de férias com a família. Metemos conversa, já nem sei como, a bordo de um barco turístico, no Bósforo. Curioso, como sempre fui, sobre o Irão, fiz-lhe algumas perguntas sobre a vida no país e, em particular, sobre o efeito das fortes sanções então em vigor. Recordo o tom de tristeza com que me disse, mais ou menos isto: “No passado, vínhamos à Turquia e sentíamos que estávamos a visitar um país bem mais pobre do que o nosso. Desde há alguns anos, as coisas inverteram-se por completo: os turcos vivem muito melhor do que nós. As sanções contribuíram muito para o empobrecimento brutal por que o meu país hoje passa.” E, na única crítica política que lhe consegui extrair, acrescentou: “Mas há exceções: a classe política quase não é afetada pelas sanções, continua a ter os seus privilégios e mordomias. Mas o povo, infelizmente, sofre muito com o condicionamento internacional a que o país está sujeito.” 

No dia de hoje, se acaso por lá ainda vive, a última coisa com que o meu interlocutor de Istambul deve estar preocupado é com as sanções económicas.

segunda-feira, abril 06, 2026

Um segredo

Nos EUA, o poder está de tal modo imbricado com o complexo militar-industrial que nenhum presidente consegue escapar à imperiosa necessidade de ter de alimentar guerras, próprias ou alheias, de preferência sendo outros a morrer pelo negócio. Mas isto é um segredo de polichinelo.

Datas


Há muitas coisas que não sei. Há poucas coisas que eu não queira saber. Ontem, numa conversa, saiu-me esta frase: "Nunca percebi bem quando calha a Páscoa". Alguém adiantou: "Parece que tem a ver com a lua". Fui procurar na IA. E lá está: a data da Páscoa é determinada pelo calendário lunar e solar, seguindo regras fixadas no Concílio de Niceia, em 325 d.C. Ela cai sempre no primeiro domingo após a primeira lua cheia que ocorre depois do equinócio da primavera no Hemisfério Norte (por volta de 21 de março). Na pedalada da busca, quis saber do Carnaval, que sabia ligado à Páscoa. E também lá está: o Carnaval ocorre 47 dias antes do domingo de Páscoa, sempre numa terça-feira. Há coisas que eu não sabia e que passei a saber. De nada!

Provedor

Seguro faz bem em marcar estes seus primeiros tempos de mandato com a ideia de ser uma espécie de provedor dos interesses de quem foi afetado pelas intempéries e que vê o tema afastar-se das prioridades do debate político.

Trump tem limites?


O que se passa na liderança americana — decisões militares precipitadas, justificadas de forma errática e frequentemente contraditória, aliadas a um comportamento e linguagem cada vez mais descontrolados do presidente — gera uma inquietação crescente em todo o mundo.

A guerra contra o Irão, claramente impulsionada por Israel e pelo lóbi que, nos Estados Unidos, cobre qualquer aventura do Estado israelita — por mais ilegal ou desestabilizadora que seja —, assenta em alegações de ameaça iminente que nenhum serviço de informações credível confirmou até ao momento. 

Anunciam-se agora ações militares devastadoras sobre o território iraniano, as quais, a acreditar na bravata jingoísta de Trump, podem ultrapassar as limitações que as Convenções de Genebra há muito colocam às próprias guerras, numa plataforma mínima de humanidade que o horror aceitava.

Em poucas semanas, as consequências do conflito para as economias mundiais já se revelam desastrosas: uma espiral recessiva começa a desenhar-se, mesmo que um improvável acordo negocial consiga travar ou conter o conflito a curto prazo.

No plano diplomático, a hostilidade e agressividade de Trump para com os aliados tradicionais dos EUA provocaram uma erosão profunda de confiança. Mesmo que algum dia seja parcialmente revertida, essa fratura levará anos a sarar. O desrespeito sistemático pelo direito internacional, as ações que mal disfarçam objetivos de pilhagem de recursos e a afirmação obscena de que os interesses nacionais americanos se sobrepõem a quaisquer direitos legítimos de outros Estados geraram um caos na ordem internacional sem precedentes recentes. Ver a principal potência mundial abandonar qualquer regulação global mínima oferece aos Estados que, no passado, apenas relutantemente a aceitavam um pretexto perfeito para se libertarem de compromissos e princípios que, ainda há pouco, muitos deles subscreviam e eram obrigados a aceitar como essenciais a um mundo minimamente cooperativo e civilizado.

Dia após dia, a atitude de Trump leva a temer que a sua megalomania sem freio o empurre para formas de subversão institucional dentro dos próprios Estados Unidos — uma fuga em frente destinada a preservar o exercício futuro do poder, independentemente do resultado das eleições intercalares de novembro, ou mesmo em substituição dele. Estarei a exagerar? Espero sinceramente que sim.

domingo, abril 05, 2026

Palavras de Trump (literal)


“Terça-feira será o Dia das Centrais Elétricas, e o Dia das Pontes, tudo junto, no Irão. Não haverá nada igual!!! Abram o Caralho do Estreito, seus filhos da puta malucos, ou vão viver no Inferno — ESTEJAM ATENTOS! Louvado seja Alá. Presidente DONALD J. TRUMP.” 

sábado, abril 04, 2026

Sinos

           

Não obstante o respeito que devo ter pelas crenças dos outros, a cada dia que passa encontro mais razões para me manter distante das religiões — aliás, como sempre estive. Não tenho a menor dúvida de que grande parte das tragédias que hoje assolam o mundo é potenciada pelas leituras radicais da fé. 

A história foi pródiga em exemplos: das cruzadas às guerras sectárias do Médio Oriente, das fogueiras da Inquisição aos atentados suicidas justificados em nome de um deus — há um fio condutor perturbador entre a certeza absoluta da fé e a violência que dela pode emanar. 

Não é a crença em si que me inquieta, é a arrogância que frequentemente a acompanha: a convicção de que se possui a verdade última, revelada, inacessível à razão e, por isso mesmo, imune à dúvida. E onde a dúvida é proibida, a barbárie encontra sempre uma porta aberta. 

A imagem deste post é de uma das torres sineiras da igreja de São Pedro, em Vila Real. Em criança, durante alguns anos, morei perto dessa igreja. No que me ensinaram serem os sábados de Aleluia, cedo pela manhã, os sinos de São Pedro tocavam, em uníssono com os da Sé, os da Misericórdia e imagino que de outras torres. A cidade acordava sob aquele forte eco metálico, o que, para um miúdo confortável no seu vale de lençóis, soava a uma espécie de competição entre campanários. 

Com os anos, percebi que, para os católicos, havia naquele som uma espécie de urgência coletiva, como se o mundo precisasse de ser acordado — convocado. Afinal, como a vida me ensinou, essa era a forma de ser lembrada uma dívida que nunca ninguém contraiu, uma culpa artificial que atravessa gerações. Por isso, passei a ouvir aquele estrondo de bronze com a mesma distância com que um estrangeiro ouve cantar numa língua que não é a sua: reconhecendo que ali deve existir significado, sem o sentir como próprio. E sem qualquer angústia ou mesmo dúvida. 

Há quem precise de mitos fundadores, de narrativas que deem sentido ao sofrimento e à morte. Compreendo, respeito, mas não partilho minimamente esse sentimento. Não sou sensível à certeza pré-fabricada ou à incerteza alimentada como prova da fragilidade humana. Prefiro um universo sem propósito declarado, aberto à investigação, à maravilha e à ética construída entre iguais, do que um qualquer outro universo administrado por entidades que exigem obediência antes de merecerem qualquer questionamento. E apenas porque sim. 

O silêncio que se segue ao último badalo do sino de uma igreja hoje não me angustia — é nesse silêncio, afinal, que sempre aprendi a pensar. E isso dá-me uma imensa serenidade, a mim que nasci com a alma blindada por um ateísmo tranquilo.

sexta-feira, abril 03, 2026

As ferramentas


As eleições para a Assembleia Constituinte ocorreram vai para 51 anos. Num desses dias agitados de abril de 1975, pouco antes do sufrágio, numa deslocação de Lisboa a Vila Real, fiz a minha habitual visita às tias. As “tias”, como eram simplesmente designadas na nossa família, eram quatro irmãs da minha avó — duas solteiras e duas viúvas — que viviam nas Pedras Salgadas.

Tanto quanto me recordo, a política nunca fora tema de conversa entre nós. Mais por curiosidade do que por outra razão, perguntei-lhes se já tinham decidido em que partido, ou partidos, tencionavam votar nas eleições que se aproximavam e de que tanto então se falava. 

Com exceção de uma, a mais nova, que vivera no Porto até poucos anos antes e que talvez votasse no PS, eu estava absolutamente convicto de que o CDS ou o então PPD seriam o destino natural dos votos das minhas outras tias. Talvez tivessem mesmo já sido discretamente aconselhadas pelo prior da freguesia, o excelente e simpático padre Domingos — o homem que me batizara e que celebrara casamentos e funerais de toda a nossa família. Embora liberal noutros domínios, suspeitava que acompanhava a corrente dominante do clero nortenho, que à época diabolizava fortemente a esquerda. 

As tias mostraram-se, porém, muito hesitantes. Creio que chegaram mesmo a perguntar-me a minha opinião (eu ia votar no MES, mas não tinha coragem de as tentar convencer…), ainda que sem qualquer compromisso de seguirem o que eu lhes dissesse. Até que uma delas contou: 

“Esteve cá, há dias, a dona Albertina — que tu conheces! — e falou-nos das eleições, dos comunistas e dessas coisas. Deu-nos um conselho…” 

Fiquei imensamente curioso sobre qual teria sido o conselho da dona Albertina, uma senhora bastante mais nova, que vivera até há pouco em Lisboa e que, supus, andaria a fazer proselitismo conservador. A curiosidade foi prontamente satisfeita: 

“Disse-nos que não se deve votar em partidos que tenham ferramentas no emblema…” 

Soltei uma gargalhada. Vieram-me à memória as inúmeras foices e martelos que marcavam a iconografia partidária, bem como enxadas e rodas dentadas que ilustravam outras formações. O conservadorismo da dona Albertina revelava-se, afinal, de uma moderação quase ingénua. Acrescentaram ainda que ela própria lhes dissera que iria votar no “partido da mãozinha”, de Mário Soares, que “parecia boa pessoa” e que “não gostava dos comunistas”. 

Nunca soube ao certo em quem votaram as minhas queridas tias. Essa era, aliás, a minha menor preocupação.

quinta-feira, abril 02, 2026

O poder que falta

Trump tem quase todo o poder do mundo – incluindo poder condicionar as nossas vidas. Há, porém, um poder que lhe escapa em absoluto, mesmo que ele nem disso suspeite: o de nos impedir de nos rirmos das suas figuras ridículas e de sentirmos pena pelo estado a que levou a América.

Olho por olho

Pausa


A "Caras" no Comité Central...

Irão, Ucrânia e Israel


No "A Arte da Guerra" desta semana, converso com António Freitas de Sousa sobre a guerra no Irão, sobre o conflito "esquecido" na Ucrânia e sobre a deriva para um regime de "apartheid" em Israel.

Pode ver aqui.

É isto mesmo!

Bela definição do futebol nos dias de hoje, dada por Rafa Cabeleira no "El País": "Si le quitas los cánticos racistas, los xenófobos, los insultos al árbitro o al presidente del Gobierno, el lanzamiento de objetos, los saludos fascistas, las batallas campales entre grupos ultras, el machismo y la homofobia, te queda un espectáculo ciertamente impecable, para todos los públicos".

Much ado about nothing

Anunciado com espavento e nada tendo aportado de concreto, o discurso de Trump à nação, gizado para apaziguar a inquietação dos mercados, resultou no que o NYT sintetiza: "The price of oil was down when Trump started speaking and had gone up by the time he finished."

quarta-feira, abril 01, 2026

A caminho da terceira volta


Na minha terra, em Vila Real, neste primeiro de abril, continua a campanha para a terceira volta das presidenciais. 

A luta anuncia-se renhida.

Mau, mestre!


Hesitações na A8, há minutos. "Compramos o pão-de-ló agora ali, em Alfeizerão?" "Se calhar, é melhor ser só em Ovar". Silêncio. "Como temos de ir ao Minho, também podemos aproveitar para comprar depois em Margaride". Novo silêncio. Por este andar, começo a desconfiar de que não vou ter pão-de-ló nesta Páscoa.

Não tenho juízo


Comprometi-me a entregar a uma editora um texto para dali se fazer um livro. Estou atrasado na escrita, claro. Vivo sob uma sensação de auto-acossamento, entre o desconforto e a culpa, não obstante o editor estar a ser de uma elegância silenciosa – o que só agrava o meu incómodo. Quem me manda a mim meter-me nestes assados, só para voltar a encadernar o ego? Qualquer dia perco a paciência comigo, chamo-me à parte, prego-me dois berros íntimos e ponho-me na rua da amargura – com reforma por justa causa.

terça-feira, março 31, 2026

Trabalho


Iniciei a minha primeira atividade profissional em 18 de novembro de 1971. Já lá vão quase 55 anos. Nesse dia, para poder ser funcionário público, tive de ler em voz alta o texto que está na imagem. Todos tínhamos de o fazer. Era uma hipocrisia, mas a ditadura a isso obrigava. 

Ora a verdade é que eu não estava confortável com a "ordem social estabelecida pela Constituição Política de 1933" (em cuja aprovação, com 99,5% (!), as abstenções tinham contado como votos a favor). Não tinha - nem hoje tenho  - "activo repúdio do comunismo": nunca fui comunista, mas sempre respeitei, e continuo a respeitar, muito mais um comunista do que um fascista. Por essa época, os comunistas lutavam ao nosso lado contra o fascismo. Nesse ano de 1971, confesso que quase "todas as idéas subversivas" me eram simpáticas, porque as considerava um meio para nos vermos livres do sinistro regime que nos obrigava àquela farsa. Tudo isto apenas para poder ingressar na função pública.

Lembrei-me disto na manhã de hoje, ao tomar posse de determinadas funções numa empresa. Nada me foi perguntado sobre as minhas ideias. É assim em democracia, com a nossa bela Constituição, que agora faz 50 anos e na qual - agora sim! - me sinto plenamente integrado.

O militares e o mundo


Debater o "estado da arte" no mundo internacional, nos tempos convulsos que atravessamos, foi a tarefa em que ontem estive envolvido, a convite da direção do Instituto Universitário Militar, com os auditores do curso de promoção a Oficial General. 

São eles os homens e as mulheres que, no futuro, irão constituir o topo das nossas estruturas militares.

Inseri-los numa reflexão sobre o futuro das instituições mundiais – da União Europeia à ONU, da NATO à OSCE e outras – foi um desafio muito interessante e que espero lhes possa ter sido de utilidade.

segunda-feira, março 30, 2026

No MNE


Na passada semana, regressei por umas horas à minha casa profissional de origem, o Ministério dos Negócios Estrangeiros. 

Estive lá na minha qualidade de presidente da direção do Clube de Lisboa / Global Challenges, a moderar, com a presidente do Instituto Diplomático, a embaixadora Ana Paula Zacarias, uma mesa redonda de reflexão sobre uma determinada temática relevante para a política externa portuguesa.

Tratou-se de um interessante exercício, que envolveu quadros diplomáticos de topo naquele Ministério, a que se juntaram testemunhos e propostas de gente experiente e qualificada. Esperamos sinceramente que aquele trabalho conjunto possa ter sido de utilidade. 

Naturalmente que nada do que ali se tratou pode vir a público, porque assentou naquilo que é a estratégia que orienta a política externa de Portugal. Mas julgo importante, e permito-me louvar e destacar, esta abertura do MNE a uma colaboração com uma entidade exterior e independente. Pela nossa parte, asseguro que seremos dignos dessa confiança.

O Clube de Lisboa, uma organização de que fui co-fundador há uma década, sem fins lucrativos e nem a menor agenda doutrinária ou ideológica, que tem como única vocação promover a reflexão sobre as grandes temáticas globais, sente-se honrado em ter podido ser útil ao Estado português. Outras coisas conjuntas faremos no futuro, estou certo.

domingo, março 29, 2026

Sttau Monteiro


Há dias, fui com amigos almoçar a Alcabideche. A expedição tinha um propósito simples e sério: um cozido à portuguesa num restaurante que eles conheciam, o “Aires”. Valeu a pena.

Nesse dia, dei-me conta de algo que ignorava: aquela zona está densamente povoada de restaurantes.

E isso trouxe-me uma memória. A partir do final dos anos 60, Luís Sttau Monteiro escrevia, semanalmente, na “Mosca”, o suplemento de sábado do “Diário de Lisboa”, pequenas crónicas gastronómicas, sob pseudónimo. Falava de restaurantes de Lisboa, mas não só. (Quem tiver curiosidade sobre essa faceta do escritor pode ler "Luís de Sttau Monteiro – Gastrónomo", de Ana Marques Pereira.)

Alguns leitores passaram então a seguir-lhe o rasto. Ao sábado, iam jantar ao restaurante recomendado nessa semana. Com o tempo, sem se conhecerem, foram formando uma discreta comunidade. Pelas oito da noite, ao entrar na casa escolhida, encontravam-se as mesmas caras — um aceno leve, um sorriso cúmplice, como quem partilha um segredo sem o dizer.

Foi através dessas e de outras dicas do género que conheci, ou revisitei, várias casas que então surgiam ou estavam em voga. Eram mesas de cozinha portuguesa, num tempo quase sem “chefs” e longe das estrelas dos pneus, como ironizava José Quitério. A maioria desses restaurantes desapareceu; os poucos que restam mudaram de rosto, de donos e, muitas vezes, de qualidade. Ao contrário do que hoje se possa supor, Lisboa tinha então muito menos restaurantes. Sem grande exagero, atrevo-me a dizer que, fora algumas tascas de bairro, conheci praticamente todos.

Incluindo um, em Alcabideche, que agora me ocorre e que motivou este texto. Esqueci-lhe o nome — se alguém se lembrar, que se acuse — e nunca mais lá voltei. Era uma moradia isolada, alcançada por um descampado. A decoração seguia o rústico previsível da periferia de então. Não recordo se ali comi bem. Também não é essencial: os meus critérios eram outros. Eu próprio era outro.

Hoje, em Alcabideche, entre tantas mesas, há o “Aires”. Às quartas-feiras serve um bom cozido. Fica a nota.

Belém bem!


O presidente da República nomeou Francisco José Viegas para seu consultor cultural. É uma excelente escolha de Seguro.

sábado, março 28, 2026

"A Arte da Guerra"



Esta semana, em "A Arte da Guerra", António Freitas de Sousa e eu falamos da guerra no Golfo, claro, e das eleições na França e na Eslovénia.

Pode ver aqui.

"Deixa-os pousar..."

Olha-se para a conversa que por aí volta a correr em torno do velho "novo aeroporto" e fica a clara sensação de que se pretende perder ainda mais alguns anos. Depois de Santa Engrácia, esta vai ser uma das anedotas nacionais para a História.

Foi assim

 


quinta-feira, março 26, 2026

Dias

Deve haver alguma explicação psicológica para tal, mas eu não a conheço. De há uns tempos para cá, chegado às quintas-feiras, tenho muitas vezes a íntima sensação de que a semana chegou ao fim e de que o sábado já está ali ao virar da meia-noite. Será por nunca me ter verdadeiramente reconciliado com o facto do "Expresso" ter passado a sair à sexta-feira e eu continuar a ligar o jornal às manhãs de sábado? Ainda se a minhas sextas-feiras estivessem cheias de compromissos chatos, poderia perceber-se esta síndroma de uma subliminar relutância em as sofrer. Mas nem sequer é esse o caso: em regra, a minha vida, na véspera do sábado, costuma ser bem serena, por esta altura do ano quase sempre com um concerto ao fim do dia. Comentei isto com um amigo: "Os velhos, como tu e eu, quando não têm problemas inventam-nos", limitou-se a comentar. E podem ser muito crueis, como se vê.

Dislate

Eu sei que, nos fins de semana, as redações têm mais estagiários. Mas devia haver um "adulto na sala" que impedisse este tipo de d...