duas ou três coisas
notas pouco diárias de Francisco Seixas da Costa
domingo, setembro 06, 2026
Crescemos!
"Três mil carateres"
Faz agora precisamente seis anos, publiquei no então semanário "Novo" — infelizmente já desaparecido — um artigo que se auto-explica. Tinha por título "Três mil carateres". Apeteceu-me reproduzi-lo:
sábado, setembro 05, 2026
Sem "mas"
É uma excelente notícia para o país a reclassificação positiva do "rating" do país por mais uma agência de notação. O governo está de parabéns, sem qualquer "mas".
Assim, sim!
É impressionante o vigor da voz pública diária do senhor presidente da Assembleia da República, reclamando contra o incompreensível atraso na investigação de um assaltozeco de lana caprina numa sala do palácio onde dirige os eleitos da nação. Assim, sim! Que nunca a voz lhe doa!
A festa de Seguro
Seguro não diz nada? Seguro falou mas disse pouco? Seguro puxa pelas orelhas de Montenegro? Seguro está nas mãos de Montenegro? Seguro deve estar divertir-se imenso com tudo isto. Ganhou — sozinho! — está lá e é ele quem "call the shots". Os outros só reagem. Ora bem!
França
De súbito, na extrema-direita francesa o fulgor parece ter empalidecido. Emergem linhas diferentes quanto a temas básicos, como o uso do véu islâmico ou a guerra da Ucrânia. Bardella, a estrela da seleção de "esperanças" do RN, foi mesmo afastado da "fila da frente"? "À suivre".
Pê Cê
Há muitos anos, estive em festas do Avante (em rigor, Avante! deve escrever-se com um ponto de exclamação à frente, porque é assim o nome do jornal). Fui a festas quando foram na FIL, na Ajuda e no Jamor. Nunca estive na Atalaia. Nos anos 80, cheguei a ir a uma festa do l'Humanité, do PCF, em La Courneuve, perto de Paris.
Vários amigos e familiares não perdem, a cada ano, a festa do Avante. Já me desafiaram, mas, confesso, não tenho pachorra. Só isso.
Com a maior sinceridade, desejo ao PCP e aos seus "compagnons de route" e de festa, uma excelente Festa do Avante! Com muita música, boas bancas regionais de comida e, se fosse possível, com mais festa e poucos discursos.
Da guerra
Passa-se qualquer coisa na guerra da Ucrânia. Não é muito claro de que se trata, mas o sentido parece bom. Houve uma suspensão, ainda que provisória, de algumas das hostilidades. Virá por aí um acordo? Por que será que, apesar de tudo, não consigo estar otimista? Logo veremos!
sexta-feira, setembro 04, 2026
Malkland
O desafio de Milei ao RU sobre as ilhas, agora com Trump à mistura, é um golpe clássico: convocar uma causa nacional para gerar uma unidade emocional. Até onde irá Milei, na realidade? O populismo é uma erva daninha que brota onde for bem adubada.
Polícia
Com a democracia, foi notória uma maior urbanidade da PSP para com o cidadão comum. Infelizmente, alguma cultura dentro daquela polícia continua colonizada pelas ideias da extrema-direita racista e xenófoba, com desrespeito pelos Direitos Humanos. É preciso dizer isto alto.
Brasil
Os últimos acontecimentos no Supremo Tribunal Federal brasileiro afundaram o que restava do seu prestígio. Alexandre de Morais, reconhecido pelo seu papel no combate à tentativa de golpe em 2023, entrou num curso irreversível de desqualificação. E o seu acusador ficará perto...
França
Vive-se hoje em França um tempo de "malaise", com grande parte do eleitorado descrente no futuro e na sobrevivência do sistema político. Socialistas e aparentados, pós-macronistas e parte da direita conseguirão convergir numa alternativa a Le Pen, afastando Mélenchon? Há dúvidas.
Notícias da ilha
Se Nigel Farage cair nas sondagens, e atenta a persistência da crise conservadora, Andy Burnham pode ser tentado a antecipar legislativas no RU, cavalgando o seu "estado de graça". Projeta um ímpeto de mudança, mas não fica claro de onde sairão as Libras para dar corpo às ideias.
Ceuta
Sánchez sabe, como toda a gente, que Marrocos tudo fará para instabilizar Ceuta, por ação ou por omissão. Mas a relação formal com Rabat é mais importante do que o resto. A sua "craftily worded" declaração no parlamento teve o sentido de Estado que Feijóo não soube ter. É pena.
Cair em tentação
Alguns acham que Luís Montenegro pode sentir-se tentado a "esticar a corda" e provocar eleições, na leitura de que o PS ainda não está preparado e o eleitorado pode punir um certo desgaste na imagem do Chega. Ele deve saber que, se a aposta falhar, há alguém em Massamá à espera.
Preocupação
É pelo menos a segunda vez que a Rússia explicita que Portugal é, dos países europeus, o que assume, face a ela, uma atitude mais adversarial. Nem sei se é verdade e, se for, é indiferente e não vem para o caso. O que quero dizer é que esta singularização preocupa-me.
Eu, o papel e o ecrã
quinta-feira, setembro 03, 2026
O mistério de Godinho
Por acaso, apanhei há pouco no YouTube um espetáculo de Sérgio Godinho no Coliseu, em 1985, numa altura em que eu andava por Angola. Salvo algumas melhorias nos arranjos e na estrutura do acompanhamento, o espetáculo “sobrevive” lindamente ao tempo: poderia ter sido ontem.
Bruxo?
Déjà vu
Como tantas vezes acontece no mundo da justiça, o escândalo que atravessa o sistema judicial brasileiro combina práticas de investigação e de quebra de sigilo formalmente à margem da lei, as quais, contudo, expõem comportamentos claramente irregulares e condenáveis. "À suivre".
O prémio que Balladur não teve
Fica aqui esta nota, agora e na hora da sua morte.
quarta-feira, setembro 02, 2026
Kallas
Aquando da assinatura do Tratado de Lisboa, muito boa gente colocou dúvidas sobre a eficácia do novo formato da representação externa da UE. E explicou porquê. Agora, o modelo parece prestes a implodir. A incompetência com presunção sectária de Kaja Kallas foi o último empurrão.
O tempo e o modo
Uma das regulares falcatruas nas redes sociais é a falsificação do tempo. Mostra-se uma fotografia com anos como se fosse de ontem, publica-se uma velha declaração como se tivesse pronunciada na véspera. O único remédio é criar uma cultura de bloqueio automático do difusor.
A reação ética
Devemos ser prudentes quando tentamos presumir o impacto que a divulgação de casos de corrupção pode ter no curso das eleições presidenciais no Brasil. Aquilo que para alguns cidadãos é chocante, pode ser de nulo efeito na sensibilidade de outros. A reação ética é muito desigual.
A moção
A moção de censura apresentada pelo Chega não será aprovada, claro. O Partido Socialista, que também irá viabilizar o orçamento, é o garante da estabilidade política. Em termos práticos, só ao PS compete decidir quando Luís Montenegro sairá de cena.
A esparrela
Há uma esparrela em que António José Seguro poderia cair: forçar Montenegro a afastar Luís Neves. Seria um gesto "à Sampaio", transmitiria uma imagem pública de "força" e ofereceria um alibi ao PM para se ver livre de um embaraço.
Eles
Os russos
É muito estranha a questão do drone russo em Leipzig. Não é plausível que a Alemanha esteja a fazer um escarcéu sobre o assunto se não tiver a certeza do envolvimento russo — tendo descartado a hipótese de ser uma operação de "falsa bandeira". Qual a lógica por detrás do ato de Moscovo?
Um diplomata de carreira
Brasil
O Brasil vive momento altamente delicado. O juíz federal que atuou com eficácia contra o golpe anti-constitucional de 2023 surge ligado de forma comprometedora a um banqueiro corrupto. A nódoa cai em qualquer pano. A semanas da eleição presidencial, a estabilidade fica abalada.
Luís Neves
Luís Neves foi um excelente diretor da PJ. Intelectualmente honesto, disse a verdade quanto à inexistência de um nexo entre imigração e criminalidade. Uma certa direita nunca lhe perdoou essa honestidade. Alguns erros de comportamento e certos ódios corporativos fizeram o resto.
terça-feira, setembro 01, 2026
O pressentimento
segunda-feira, agosto 31, 2026
Balladur
Vendo bem...
domingo, agosto 30, 2026
Cravelas
O meu pai, que já se foi da vida há quase duas décadas, olhava para os montes à volta de Vila Real e às vezes dizia:
Presidenciais francesas
sábado, agosto 29, 2026
Não está bem
Os anglo-saxónicos dispõem da expressão “unwell”, que sempre me soou mais suave, quase um eufemismo de cortesia. Por cá, cada vez mais, é assim que me descrevem o estado de pessoas da minha geração, de quem há muito não tenho notícias e por quem pergunto: “não está bem”.
Não se recorre ao “não está bem”, sem mais pormenores, quando se trata de uma doença tradicional, dessas que há anos todos os dias se nomeiam. O uso da expressão parece antes sugerir que a realidade começou a passar um pouco ao lado dessas pessoas — ou que foram elas que dela se afastaram, o que vai dar ao mesmo.
Será decerto efeito da idade que tenho o facto de serem cada vez mais os amigos de quem ouço dizer isto. Antigamente, éramos mais sem rodeios: “não anda bom da cabeça”. Hoje, para muitos, a palavra “demência” banalizou-se, ainda que se use com mais comedimento do que a referência ao Alzheimer.
Por essa razão, refugiarmo-nos no “não está bem” acaba por ser uma cobardia lexical — mas perdoável. Eu uso-a. E, infelizmente, as ocasiões começam a ser mais do que muitas.
sexta-feira, agosto 28, 2026
Reconhecimento
quinta-feira, agosto 27, 2026
Uma questão de justiça
A estratégia americana para o Irão
EUA vs Canadá
A guerra comercial e política entre os Estados Unidos e o Canadá comentada em "A Arte da Guerra".
Adeus, Judite!
Demorou muitos anos, mas a persistência dá sempre frutos. Estão a conseguir diminuir a confiança pública na Polícia Judiciária.
quarta-feira, agosto 26, 2026
terça-feira, agosto 25, 2026
Ridículo
É tristemente ridículo ouvir alguém sem a mais leve experiência governativa, que nunca exerceu o menor cargo com responsabilidade executiva, a pretender dar lições de responsabilidade política a José Luís Carneiro. Como se diz na minha terra: não se enxergam!
Caracas
Delcy Rodriguez, presidente em exercício da Venezuela, afirma que já foram libertados 1046 presos políticos. Atendendo ao facto de ela ser vice-presidente do país quando toda essa gente foi encarcerada, será que ninguém lhe pergunta o que justificou essas prisões?
Ainda e sempre a IA
Suscitado por um anterior post em que mencionei a questão dos textos produzidos pela Inteligência Artificial, recebi este comentário que me parece muito pertinente:
"Les grosses têtes"
segunda-feira, agosto 24, 2026
Sem paciência
Há dias, constatei que a minha paciência tem limites. Foi com uma negacionista das vacinas. Queria discutir o assunto, "argumento contra argumento". Com delicadeza, disse-lhe que não tinha argumentos, só tinha convicções. Inamovíveis. E saí de cena.
Grande Trump!
As pessoas à minha volta acham estranho que eu apoie Trump. Mas se ele é o melhor de todos, o que hei-de fazer?! Têm dúvidas? Liguem para a Eurosport onde J. Trump está a dar um baile a Yuan Sijun, no Open de snooker de Wuhan.
Delicioso
Hoje, num comentário algures por aí, sou chamado de "otanoide globalista neocon".
Comove-me esta deliciosa síntese.
O Irão e os EUA
Em "A Arte da Guerra", falamos das estratégias cruzadas entre o Irão e os EUA.
Pode ver aqui: https://youtu.be/fo8VeIPecDA?is=K8G7Tzm-nO6LSSpO
A Rússia e o Reino Unido
Os EUA e a Coreia do Sul
Em "A Arte da Guerra", falamos do mal-estar de Trump face à República da Coreia e da sua curiosa atitude face a líder no Norte.
Ver aqui: https://youtu.be/A9iGXY8bVqg
domingo, agosto 23, 2026
Bouro
Alguém me sugeriu que, além da igreja, não deixasse de ver a sacristia da igreja do mosteiro de Santa Maria do Bouro. E eu segui o conselho. Afinal era "só" isto.
Ai Canadá!
Não quero dar más notícias aos fãs portugueses (sou um deles) do PM canadiano Mark Carney, mas a hipótese do seu corajoso finca-pé, em resposta ao humilhante "diktat" de Trump, poder vir a ter sucesso parece-me tributário de um mero "wishful thinking". Mas espero estar enganado.
sábado, agosto 22, 2026
Diplomacia em festa
Lá estava hoje, sempre impecável no traje.
sexta-feira, agosto 21, 2026
Ah! Pois era!
A gravidade do que se passou na Assembleia da República — assalto às instalações de um partido ou operação encenada para fingir um assalto — torna incompreensível o silêncio que se abateu sobre o assunto. No tempo de Luís Neves à frente da PJ, o mistério já estaria esclarecido.
"Jeitosa"
quinta-feira, agosto 20, 2026
Pousada de Santa Maria do Bouro
Cinco pontos breves
quarta-feira, agosto 19, 2026
"Abocanhado" (Brufe, Gerês)
A lista de hoje do Abocanhado, além de entradas variadas, tinha bacalhaus e diversos pratos de carne, porque esta é uma região onde não se brinca com a carne. Belas sobremesas fecham o repasto, acompanhado de vinhos, numa lista construída de forma muito competente. Preço nada especulativo.
Vou poucas vezes ao Abocanhado, mas a culpa não é minha, é toda da geografia.
"Victor" (São João de Rei, Póvoa de Lanhoso)
Começa-se por uns bolinhos (em lisboês, pasteis) que, na minha modesta mas testada opinião, não têm rival. Depois passa-se ao bacalhau assado. Um Soalheiro Primeiras Vinhas rima lindamente.
O senhor Victor lá estava, com os seus excelentes 88 anos.
terça-feira, agosto 18, 2026
Já agora...
Às vezes, pergunto-me se, um destes dias, Trump não anunciará a decisão de controlar a entrada no Mediterrâneo ocidental. Há imensos argumentos securitários possíveis. Como é que Marrocos reagiria?
A alegria de uma queixa
Uma pessoa que segue este blogue — e que há anos está atenta às sugestões de restaurantes que por aqui deixo — voltou a uma dessas casas (onde, aliás, já tinha comido bem, seguindo uma dica minha) e saiu desiludida. Pelo que deduzi, esta terá sido a primeira vez que uma recomendação minha não a satisfez.
Mal imaginam como isso me deixou feliz! É que eu próprio, ao regressar a restaurantes que antes elogiei, já saí mais de uma vez com a sensação de que algo ali tinha mudado para pior. Que isto tenha acontecido a esta pessoa apenas uma única vez, e que ela se tenha dado ao amável trabalho de me escrever para o dizer, confere às minhas recomendações uma credibilidade média que eu nem ousava esperar.
As notas que por aqui deixo são instantâneos: refletem uma opinião formada num momento preciso. O dia seguinte já é outro dia: às vezes pior, outras melhor. Não há nada mais perecível do que um apontamento sobre uma experiência num restaurante. Para estar totalmente no "safe side", a única solução seria não escrever sobre nenhum restaurante.
Por isso, a queixa que agora recebi só me dá mais alento: se a má experiência foi exceção, então a maioria das vezes as notas terão sido úteis, não?
Afinal
Parece que 75 migrantes saídos de Ceuta poderão ter entrado no continente. Imagina-se o grave impacto disto junto dos 450 milhões de habitantes que habitam neste espaço! Ou será que a preocupação é, afinal, eles poderem ser muçulmanos e não serem brancos?
segunda-feira, agosto 17, 2026
O rumor dos claustros
O embaixador errava, por aqueles dias, pelos corredores das Necessidades. Pelo vigor da passada, pelo modo confiante como observava à sua volta, era patente que estava ungido da determinação daqueles a quem, ao virar da esquina do futuro próximo, iriam ser atribuídas novas e importantes responsabilidades.
domingo, agosto 16, 2026
Este cavalheiro
Muzeu (Braga)
Ai a IA !
Crescemos!
Há para aí uma teoria de que o tamanho de Portugal sai beneficiado no novo mapa do mundo que agora foi aprovado nas Nações Unidas. De facto,...


































