duas ou três coisas
notas pouco diárias de Francisco Seixas da Costa
sábado, abril 11, 2026
Dislate
Eu sei que, nos fins de semana, as redações têm mais estagiários. Mas devia haver um "adulto na sala" que impedisse este tipo de dislates jornalísticos.
Maria Emília Brederode Santos
Um dia, escrevi aqui sobre as "giocondas" — as mulheres de sorriso enigmático que, ao entrarem numa sala, deixam um rasto de serenidade, ao mesmo tempo intrigante e elegante. Confesso que tinha na ideia duas amigas: Teresa Gouveia e Maria Emília Brederode Santos.
E então?
Que o Irão não possa ter acesso a um programa de enriquecimento nuclear com a mínima hipótese de vir a ser convertido para finalidades militares é algo indiscutível. Já acho mais estranho que ninguém se interrogue sobre as 90 ogivas nucleares que Israel possui. Não são um perigo?
"A Arte da Guerra"
Esta semana, em "A Arte da Guerra", António Freitas de Sousa e eu havíamos de falar de quê?
Ver aqui.
José Matos Fernandes
Com imensa pena, acabo de saber da morte de José Matos Fernandes, aos 85 anos. Era pai de João Pedro Matos Fernandes, que foi ministro do Ambiente e a quem envio um abraço amigo de sentido pesar.
sexta-feira, abril 10, 2026
Good news!
Kamala Harris admite candidatar-se de novo. Finalmente, Donald Trump recebe uma boa notícia!
Fico
Se Orbán perder as eleições, o único líder europeu com uma postura mais anti-ucraniana e "russian friendly" é o primeiro-ministro da Eslováquia Robert Fico. Se assim acontecer, no domingo dirá para si mesmo: "Fico só eu..."
Universidade Fernando Pessoa, Porto
UFP promove IV Congresso Internacional de Ciência Política e Relações Internacionais
20 de abril • Salão NobreFor once?
Por uma vez?
Com o seu acólito Mark Rutte à ilharga — secretário-geral de uma NATO que deveria servir a segurança norte-atlântica coletiva e não os caprichos de Washington pelo mundo —, Donald Trump lançou um ultimato a uma Europa que ele sabe estar refém dos seus próprios medos em matéria de segurança.
Se houvesse um módico de dignidade deste lado do Atlântico — e há razões crescentes para duvidar que reste muito —, deveria ser dito, alto e bom som, a Trump que compete aos Estados Unidos desenvencilharem-se do atoleiro em que, a reboque de Israel, se deixaram cair no Golfo.
Foram as opções de Washington, e não as da Europa, que deflagraram as tensões que agora ameaçam alastrar. A Europa não pode ser convocada a pagar a conta de aventuras em que não foi sequer consultada. É obsceno ouvir os EUA dizerem que atuam na defesa dos interesses daqueles que desprezam e constantemente ofendem. Esses interesses estavam, por exemplo, bem representados no acordo nuclear assinado com o Irão, que Trump abandonou.
Reconhece-se, naturalmente, que há agora interesses muito concretos em jogo. O petróleo iraniano faz falta, as rotas energéticas importam, a estabilidade do Golfo tem um peso real nas economias europeias. Mas a lógica imediatista dos interesses não pode servir de passaporte para a irresponsabilidade estratégica. Os europeus não podem ir a reboque para uma zona onde, num instante, poderão ser apanhados num novo ciclo de guerra — um ciclo que Israel não esconde estar desejoso de recomeçar.
E é aqui que a indignação não pode ser contida por um qualquer cálculo de conveniência. Depois da infâmia das últimas horas no Líbano. Depois de Gaza — a destruição sistemática de uma população, documentada, filmada, contabilizada em dezenas de milhares de mortos. Depois da Cisjordânia, onde a colonização avança com a metodologia lenta e implacável de quem sabe que o mundo olha para outro lado. Perante tudo isto, ou a Europa é capaz de tomar uma atitude firme face a Israel — e que fique claro: muito do material militar israelita continua a ser fornecido por Estados europeus, tornando a Europa cúmplice objetiva dos crimes com ele praticados—, ou perde, definitivamente, o pouco que lhe resta da antiga autoridade moral em que assentou o seu projeto civilizacional. Não a autoridade que se proclama em declarações cimeira após cimeira, mas aquela que se constrói na coerência entre o que se diz e o que se faz, entre os valores que se invocam e o destino das armas que se vendem.
Antecipar-se-á a objeção pragmática: uma posição firme irritaria Trump. Poderia levá-lo a tentar dividir o continente, a jogar as capitais umas contra as outras, como foi feito com tanta eficácia no caso do Iraque, quando Rumsfeld separou a “velha” Europa da “nova”. Claro que sim. Esse risco existe e seria ingénuo negá-lo. Que pode Trump fazer mais? Mais "tarifas"? Tirar as suas tropas da Europa? Os americanos não estão na Europa pelos nossos "lindos olhos", estão cá, como nas Lajes, porque isso faz parte do seu projeto de segurança, para proteção dos seus interesses, que até agora coincidiam com os nossos.
A alternativa — o silêncio cúmplice, a submissão discreta, o alinhamento por antecipação — tem um nome que se julgava que a Europa tinha aprendido a detestar: apaziguamento. E o apaziguamento não pode ser um vício apenas em direção ao Leste, como a retórica dominante insiste em repetir. É igualmente degradante — e igualmente perigoso — quando praticado em direção a quem, de Washington ou de Telavive, exige da Europa que aceite, de cabeça baixa, que os seus valores são negociáveis e que os seus princípios são ornamentais.
É nestes momentos que a Europa tem obrigação de lembrar-se de que é uma entidade democrática, que tem opiniões públicas perante as quais os seus governos respondem, que afirma um projeto com uma base moral — a mesma que levou quase toda a gente a indignar-se quando ouviu Trump ameaçar que “uma civilização inteira” morreria se não fizesse o que ele queria.
Os cidadãos europeus merecem dirigentes que não confundam prudência com capitulação. Ver os seus governos alinhar como cordeiros atrás desse mesmo Trump seria não apenas uma traição aos valores que proclamam — seria uma abdicação que a história não costuma perdoar.
Olhando para o modo como o mundo reagiu nos últimos dias perante o drama do Golfo, parece claro que a opção por enfrentar Trump, sem a menor hostilidade mas com uma serena firmeza, seria uma atitude que arrastaria consigo largos setores da opinião pública europeia. Eu diria mesmo: por uma vez, desde há muito, a Europa tornar-se-ia popular aos olhos dos seus cidadãos. Houvesse coragem para isso.
Oportunidade
quinta-feira, abril 09, 2026
A vingança
Como era expectável, Israel vinga-se no Líbano daquilo que não obteve no Irão. Estejamos atentos a Gaza e à Cisjordânia.
Coluna
quarta-feira, abril 08, 2026
O Gemini e o acordo de cessar-fogo
O Perplexity e o acordo de cessar-fogo
Perguntei ao Perplexity quem ganhou e quem perdeu nesta fase da guerra EUA-Irão. Eis a resposta:
O Chat GPT e o acordo de cessar-fogo EUA-Irão
Conclusão clara :
Se for preciso escolher sem rodeios:
Os Estados Unidos ganharam no plano estratégico.
O Claude e o cessar-fogo EUA-Irão
O Deepseek e o cessar fogo EUA-Irão
Perguntei ao DeepSeek, a IA chinesa, quem ganhou e quem perdeu nesta fase da guerra no Irão. Eis a resposta:
"O cessar-fogo de duas semanas entre EUA e Irã, anunciado a 7 de abril de 2026, gerou um paradoxo: ambos os lados reivindicam vitória, mas uma análise fria dos termos e consequências revela que o Irão é o vencedor mais claro, embora a um preço altíssimo. Os EUA, enquanto potência, sofreram um duro golpe estratégico. As análises de vários especialistas ajudam a decifrar este resultado:
O Grok e o cessar-fogo EUA - Irão
Falsa bandeira
Agora, no Golfo, estejamos atentos aos incidentes de "falsa bandeira", isto é, aos ataques levados a cabo de forma a dar a ideia de que foram feitos por outros.
Faz-de-conta
O mediador paquistanês deixou expresso por escrito que o cessar-fogo se aplica também ao Líbano. O primeiro-ministro israelita deixou claro que o cessar-fogo não se aplica ao Líbano. A arte da diplomacia é isto: conseguir parar uma guerra mesmo com argumentos de "faz-de-conta".
Scut
Até ao início desta guerra, o Irão nunca tinha criado a menor dificuldade ao trânsito marítimo pelo estreito de Ormuz. Agora, parece aceite que o Irão venha a colocar uma espécie de "scuts" na passagem dos barcos, partilhando ou não os lucros. Isto não significa nada?
Aposto
Tenho a profunda convicção de que, quaisquer que sejam os termos de um eventual acordo entre o Irão e o EUA, Israel acabará, cedo ou tarde, por criar novos pretextos para voltar a bombardear o Irão.
Silêncio
Não é estranho que, neste tempo tão trágico para a paz no mundo, a voz de gente como Obama, os Clinton, Al Gore, Biden ou Harris não se faça ouvir, denunciando este presidente que tanto os insulta, que está a envergonhar a imagem da América? Ou será que eles acham que não está?
terça-feira, abril 07, 2026
Unanimidade
Pode não ser a unanimidade que ele queria, mas Trump caminha a passos largos para ser unanimemente considerado de uma forma que me dispenso de explicitar, porque este é um espaço que não admite palavrões.
... e depois
... e depois, no final do dia, se vier a anunciar ao mundo que afinal decidiu que não vai "obliterar" o Irão, Trump achar-se-á uma vez mais digno do prémio Nobel da paz. E, cá como lá, haverá uns cromos a bater-lhe palmas.
Triste
É triste constatar que no dia em que a potência científica que são os EUA devia estar a comemorar a fantástico feito que é a sua missão espacial à volta da lua, o seu presidente prefira titular um discurso agressivo de ódio e intolerância, desprovido de uma réstia de humanidade.
Irão
Nos últimos dias, tenho estado a ler sobre o Irão, sobre o seu singular regime e a solidão da respetiva cultura estratégica. É um livro interessante — "Irão, A Grande Estratégia, uma história política", de Vali Nasr.
segunda-feira, abril 06, 2026
Um segredo
Nos EUA, o poder está de tal modo imbricado com o complexo militar-industrial que nenhum presidente consegue escapar à imperiosa necessidade de ter de alimentar guerras, próprias ou alheias, de preferência sendo outros a morrer pelo negócio. Mas isto é um segredo de polichinelo.
Datas
Provedor
Seguro faz bem em marcar estes seus primeiros tempos de mandato com a ideia de ser uma espécie de provedor dos interesses de quem foi afetado pelas intempéries e que vê o tema afastar-se das prioridades do debate político.
Trump tem limites?
A guerra contra o Irão, claramente impulsionada por Israel e pelo lóbi que, nos Estados Unidos, cobre qualquer aventura do Estado israelita — por mais ilegal ou desestabilizadora que seja —, assenta em alegações de ameaça iminente que nenhum serviço de informações credível confirmou até ao momento.
Anunciam-se agora ações militares devastadoras sobre o território iraniano, as quais, a acreditar na bravata jingoísta de Trump, podem ultrapassar as limitações que as Convenções de Genebra há muito colocam às próprias guerras, numa plataforma mínima de humanidade que o horror aceitava.
Em poucas semanas, as consequências do conflito para as economias mundiais já se revelam desastrosas: uma espiral recessiva começa a desenhar-se, mesmo que um improvável acordo negocial consiga travar ou conter o conflito a curto prazo.
No plano diplomático, a hostilidade e agressividade de Trump para com os aliados tradicionais dos EUA provocaram uma erosão profunda de confiança. Mesmo que algum dia seja parcialmente revertida, essa fratura levará anos a sarar. O desrespeito sistemático pelo direito internacional, as ações que mal disfarçam objetivos de pilhagem de recursos e a afirmação obscena de que os interesses nacionais americanos se sobrepõem a quaisquer direitos legítimos de outros Estados geraram um caos na ordem internacional sem precedentes recentes. Ver a principal potência mundial abandonar qualquer regulação global mínima oferece aos Estados que, no passado, apenas relutantemente a aceitavam um pretexto perfeito para se libertarem de compromissos e princípios que, ainda há pouco, muitos deles subscreviam e eram obrigados a aceitar como essenciais a um mundo minimamente cooperativo e civilizado.
Dia após dia, a atitude de Trump leva a temer que a sua megalomania sem freio o empurre para formas de subversão institucional dentro dos próprios Estados Unidos — uma fuga em frente destinada a preservar o exercício futuro do poder, independentemente do resultado das eleições intercalares de novembro, ou mesmo em substituição dele. Estarei a exagerar? Espero sinceramente que sim.
domingo, abril 05, 2026
Palavras de Trump (literal)
sábado, abril 04, 2026
Sinos
sexta-feira, abril 03, 2026
As ferramentas
As eleições para a Assembleia Constituinte ocorreram vai para 51 anos. Num desses dias agitados de abril de 1975, pouco antes do sufrágio, numa deslocação de Lisboa a Vila Real, fiz a minha habitual visita às tias. As “tias”, como eram simplesmente designadas na nossa família, eram quatro irmãs da minha avó — duas solteiras e duas viúvas — que viviam nas Pedras Salgadas.
quinta-feira, abril 02, 2026
O poder que falta
Trump tem quase todo o poder do mundo – incluindo poder condicionar as nossas vidas. Há, porém, um poder que lhe escapa em absoluto, mesmo que ele nem disso suspeite: o de nos impedir de nos rirmos das suas figuras ridículas e de sentirmos pena pelo estado a que levou a América.
Irão, Ucrânia e Israel
É isto mesmo!
Bela definição do futebol nos dias de hoje, dada por Rafa Cabeleira no "El País": "Si le quitas los cánticos racistas, los xenófobos, los insultos al árbitro o al presidente del Gobierno, el lanzamiento de objetos, los saludos fascistas, las batallas campales entre grupos ultras, el machismo y la homofobia, te queda un espectáculo ciertamente impecable, para todos los públicos".
Much ado about nothing
Anunciado com espavento e nada tendo aportado de concreto, o discurso de Trump à nação, gizado para apaziguar a inquietação dos mercados, resultou no que o NYT sintetiza: "The price of oil was down when Trump started speaking and had gone up by the time he finished."
quarta-feira, abril 01, 2026
A caminho da terceira volta
Na minha terra, em Vila Real, neste primeiro de abril, continua a campanha para a terceira volta das presidenciais.
Mau, mestre!
Não tenho juízo
Comprometi-me a entregar a uma editora um texto para dali se fazer um livro. Estou atrasado na escrita, claro. Vivo sob uma sensação de auto-acossamento, entre o desconforto e a culpa, não obstante o editor estar a ser de uma elegância silenciosa – o que só agrava o meu incómodo. Quem me manda a mim meter-me nestes assados, só para voltar a encadernar o ego? Qualquer dia perco a paciência comigo, chamo-me à parte, prego-me dois berros íntimos e ponho-me na rua da amargura – com reforma por justa causa.
terça-feira, março 31, 2026
Trabalho
O militares e o mundo
São eles os homens e as mulheres que, no futuro, irão constituir o topo das nossas estruturas militares.
Inseri-los numa reflexão sobre o futuro das instituições mundiais – da União Europeia à ONU, da NATO à OSCE e outras – foi um desafio muito interessante e que espero lhes possa ter sido de utilidade.
segunda-feira, março 30, 2026
No MNE
domingo, março 29, 2026
Sttau Monteiro
Belém bem!
sábado, março 28, 2026
"A Arte da Guerra"
Esta semana, em "A Arte da Guerra", António Freitas de Sousa e eu falamos da guerra no Golfo, claro, e das eleições na França e na Eslovénia.
"Deixa-os pousar..."
Olha-se para a conversa que por aí volta a correr em torno do velho "novo aeroporto" e fica a clara sensação de que se pretende perder ainda mais alguns anos. Depois de Santa Engrácia, esta vai ser uma das anedotas nacionais para a História.
sexta-feira, março 27, 2026
quinta-feira, março 26, 2026
Dias
Dislate
Eu sei que, nos fins de semana, as redações têm mais estagiários. Mas devia haver um "adulto na sala" que impedisse este tipo de d...






























