Não é sossegante a deriva bélica da Rússia, a que se vai seguir uma óbvia retaliação ucraniana. Putin não pode admitir ser visto internamente como não estando a ganhar uma guerra que tem custos tão pesados. E, em face do desinteresse dos EUA, pode vir a cometer uma loucura.
duas ou três coisas
notas pouco diárias de Francisco Seixas da Costa
terça-feira, maio 26, 2026
Pronto! Já apareceu.
O gozo que vai nas hostes da direita trauliteira, pela polémica que envolve o novo ministro da Administração Interna — um conhecido crítico da "teoria das perceções", um argumentário xenófobo e racista do reacionarismo lusitano. Não se sabia como surgiria, mas estava-se à espera.
Leram aqui primeiro
Com o efeito psicológico da ameaça sobre a Grenolândia, Trump pode vir a provocar o pedido de adesão à União Europeia da Noruega e da Islândia. Tomem nota.
Letras & vitualhas
Para quem se tem por aqui deparado, nos últimos 10 dias, com "Um livro e uma mesa", recordo o que notei no início dessa série: trata-se de deixar notas de livros que li ou reli no último ano e que considero dignos de algum destaque, bem como de restaurantes — algures no país, desde mesas simples a lugares mais afiambrados — de que me ficou uma memória positiva. Serão apontamentos ao acaso, sem qualquer ordem, sempre muito económicos nas palavras. Com um livro, virá um restaurante, sem que um tenha nada a ver com o outro.
Autonomia
Interessante e muito informativo debate foi aquele que a RTP Açores ontem transmitiu, a propósito dos 50 anos da autonomia das Regiões Autónomas.
segunda-feira, maio 25, 2026
Um livro e uma mesa (10)
O restaurante é em Bragança, o "Geadas", com o tel. 273 324 413.
Biblioteca
Maria da Fé
Faz hoje 84 anos. Ontem, houve uma homenagem a Maria da Fé, no "Fama de Alfama", à passagem da meia-noite. Antes, foram-lhe prestados tributos por vários fadistas na nova geração.
domingo, maio 24, 2026
Um livro e uma mesa (9)
O restaurante fica na Ericeira e chama-se Tasca da Fonte Boa dos Nabos, com o tlf. 966 226 690.
Onde o sol é mais azul...
Em meados de Dezembro de 1972, um avião da Pan American, que vinha de Nova Iorque, não pôde aterrar em Lisboa, por virtude do nevoeiro. O destino europeu final do voo era Barcelona. Eu, tal como todos os passageiros que vinham nesse voo, acabei por ir aterrar nesse inesperado destino.
sábado, maio 23, 2026
Um livro e uma mesa (8)
O restaurante é em Viana do Castelo, o "Dasau", tlf. 258 821 022.
sexta-feira, maio 22, 2026
Escrevia Chirac em 2009
Um livro e uma mesa (7)
O livro de hoje é "A Ucrânia e a Rússia - do Divórcio Incivilizado à Guerra Incivil", de Paul D'Anieri, ed. Relógio de Água, ed (act. 2023).
O restaurante é o "Fogo", na avenida Elias Garcia, 57, em Lisboa, com o tlf. 217 970 052.
"A Arte da Guerra"
Pode ver aqui.
quinta-feira, maio 21, 2026
Um livro e uma mesa (6)
O restaurante é o "Noélia", em Cabanas de Tavira, com o tlf. 281 370 649.
quarta-feira, maio 20, 2026
Um livro e uma mesa (5)
O restaurante é a "Casa Queiroz", em Avelãs do Caminho, com o tlf. 911 991 965.
Mesa Dois
Ás vezes pergunto-me: onde estarão os da mesa 1?Que pensaram todo este tempo, como nos viram viver, passar, jogar e perder?E a mesa 3, alguém pensou na mesa 3? Aquela mulher de pele dourada, a saia mais curta cada noite, seria ela da mesa 3?Ah, tudo o que nós perdemos por ser da mesa 2!Dai-me uma nova mesa cada noite, uma promessa nesse olhar enternecido de whisky e tempo passado, uma palavra peregrina entre mesas e balcões! E então abandonarei o ponto de exclamação.
terça-feira, maio 19, 2026
Um livro e uma mesa (4)
O restaurante é o "Larau", em Estremoz, com o tel. 268 094 904.
Latinos
Quando vivi em Luanda, nos anos 80, num tempo de relações muito frias entre Portugal e Angola, eram raros os membros do executivo do MPLA que privavam com diplomatas portugueses.
segunda-feira, maio 18, 2026
Um livro e uma mesa (3)
Como restaurante, anoto o "Vallecula", em Valhelhas, não muito longe de Belmonte, com o tll. 962 778 111.
Nathalie e o belo tempo de Lenine
domingo, maio 17, 2026
Pronto, confesso!
Gorjeta
Um livro e uma mesa (2)
O restaurante é o "Solar dos Pintor" (é assim mesmo que se escreve), em Santo Antão do Tojal, uns quilómetros depois de Loures. O telefone é 219 749 011.
sábado, maio 16, 2026
Um livro e uma mesa (1)
Letras & vitualhas
Tenho a intenção de, durante as próximas semanas, deixar aqui notas de livros que li ou reli no último ano e que considero dignos de algum destaque, assim como de restaurantes — algures no país, desde mesas simples a lugares mais afiambrados — de que me ficou uma memória positiva.
Serão apontamentos ao acaso, sem qualquer ordem, sempre muito económicos nas palavras. Com um livro, virá um restaurante, sem que um tenha nada a ver com o outro.
Com este singelo "serviço público", espero estar a contribuir para ajudar a preparar as férias dos leitores.
João Abel Manta
Um dia de 1975, com Carlos Eurico da Costa, fui visitar João Abel Manta ao seu atelier. Fomos pedir-lhe que desenhasse um cartaz para a Associação de Amizade Portugal-Polónia, de cuja direção ambos fazíamos parte. Embora nos confessasse estar a transbordar de trabalho, Abel Manta teve a amabilidade de construir um belo poster, em que se observa um camponês português abraçado a um polaco, um pouco ao jeito de uma outra imagem, muito conhecida, que celebra a "aliança povo-MFA". Não consegui encontrar o meu exemplar do cartaz da Associação (... mas um leitor atento sim).
João Abel Manta morreu agora, com 98 anos.
sexta-feira, maio 15, 2026
Delicadeza
Davide Pinto
"Ó senhor doutor! Só telefona agora? Temos a casa cheia. Mas, para si, vou fazer os impossíveis! Era só o que faltava que não viesse cá jantar".
Fonética
Não me vai ser fácil, como sportinguista, habituar-me a berrar da bancada de Alvalade: "Força, Zalazar!" Mas, depois, lembro-me do Góis Mota e do Cazal Ribeiro e tudo passa...
quinta-feira, maio 14, 2026
Barto
O Bartolomeu era uma pessoa de alegria contagiante, com uma gargalhada generosa que a vida partilhada com a Fernanda só veio ampliar. Tinha um olhar adolescente sobre os dias e uma solidariedade natural para com o mundo e as suas criaturas.
O autorretrato que fez nesta gravura não é bem um autorretrato: é uma declaração de ironia, servida com o sorriso íntimo de quem não se leva demasiado a sério. Grave e façanhudo, o Bartolomeu! Pois, pois!
A partir de hoje, de terça a domingo, de maio a outubro, a Casa das Histórias Paula Rego, em Cascais, acolhe uma exposição dedicada a esta figura genial da gravura portuguesa, que nos deixou em 2008 com 77 anos.
A iniciativa é da Fundação Dom Luiz, que teve o extremo bom gosto de adquirir parte importante da sua obra.
Vale a visita, garanto!
Trabalhistas
Manias
quarta-feira, maio 13, 2026
O lampião e a tília
O Álvaro – "Alvarito" era como a minha mãe lhe chamava, conhecendo-o de infância – era um vila-realense "exilado" em Lisboa, de onde escrevia umas crónicas para "A Voz de Trás-os-Montes" que, a certa altura, tinham o óbvio ante-título "De Lisboa, com saudades..."
O Álvaro morava algures na Linha, creio que em Paço de Arcos. Um dia, jantámos num pequeno jardim traseiro dessa sua moradia. Ali plantado em lugar de destaque, estava um candeeiro de rua, que me dizia alguma coisa. O Álvaro esclareceu: "Sabes de onde era este candeeiro? Da Avenida Carvalho Araújo" – a artéria mais conhecida de cidade.
"Onde diabo arranjaste isso?", perguntei. Explicou-me que lhe fora oferecida por alguém da vereação da Câmara, por ocasião de uma renovação do material de iluminação urbana. "Que te foi oferecido, não tinha a mais pequena dúvida! Tu nunca comprarias o lampião!", disse eu, numa implícita referência à forretice histórica do Álvaro.
Porque é que agora falo do candeeiro do Álvaro?
Foi ao olhar a jovem árvore de que deixo a imagem, que tenho num vaso na minha casa em Lisboa, que me veio à ideia esse marco de saudade do Álvaro. É que esta árvore também tem por detrás uma história de memória afetiva.
Nas noites quentes da primavera e do verão, na Vila Real da minha juventude, o cheiro das tílias, em especial no Jardim da Carreira, tinham esse bom odor em fundo.
Há meses, pedi à empresa que me trata do jardim que me arranjasse uma tília para ter aqui em casa, em Lisboa. Queria recuperar aquele cheiro antigo. O processo foi demorado, protestei várias vezes e, finalmente, lá chegou a ansiada tília. Esteve nua durante o inverno, ganhou agora umas folhas, mas, para meu desespero, permanece inodora. E, claro, no aspeto, não lembra nada as tílias da minha juventude.
O candeeiro do Álvaro tinha luz e recordava a esquina da Gomes. Cheira-me que esta minha pobre tília não vai convocar nunca quaisquer saudades de Vila Real. "Tens um bom remédio para matar saudades: vem cá acima!", já estou a ouvir alguns amigos dizerem.
O reino desunido
terça-feira, maio 12, 2026
José Avillez
Há dias, em Estocolmo, o proprietário do restaurante "The Hills" — uma excelente opção para jantar, já agora — confessou-me a admiração que tem pelo trabalho de José Avillez. Disse-lhe que o acompanhava inteiramente nesse apreço.
Falámos da forma como ele tem vindo a multiplicar casas em Lisboa e arredores — e no Porto, em Macau e no Dubai — com uma oferta diferenciada e de qualidade sempre consistente. Uma expansão que impressiona pela escala e pela coerência.
Conheci José Avillez há muitos anos, num restaurante que tinha em Cascais. Depois, reencontrei-o quando teve a seu cargo a cozinha do "Tavares". E fui acompanhando, ao longo do tempo, a construção da sua verdadeira galáxia gastronómica. Estive em muitos restaurantes da "marca" Avillez, desde logo no renomado "Belcanto" (nos seus dois endereços próximos), mas não estou seguro de me ter sentado em todas as suas múltiplas mesas em Portugal.
Ao meu interlocutor sueco, que me disse visitar Portugal com regularidade, deixei uma sugestão para a próxima vez: o "Maré", no Guincho. Uma proposta diferente, com o mar à frente e a cozinha à altura.
A conversa fechou com uma observação minha: “Não sei como é que ele consegue sustentar esta atividade simultânea tão intensa, sempre sem perder a qualidade!"
Acabo de ver na imprensa a resposta à minha pergunta: José Avillez já chegou a ser hospitalizado por exaustão. O excesso de atividade cobra sempre a sua fatura.
José Avillez é alguém que tem feito imenso pelo prestígio da gastronomia portuguesa — detentor de duas estrelas Michelin pelo "Belcanto", há já vários anos — e a quem a Academia Portuguesa de Gastronomia, cuja direção integro, tem procurado fazer a justiça que entende merecida.
A ter em atenção
Não é sossegante a deriva bélica da Rússia, a que se vai seguir uma óbvia retaliação ucraniana. Putin não pode admitir ser visto internament...

















































