O advogado de Jorge Jesus deixou de ser comentador do "Correio da Manhã", de que Ronaldo é acionista. Disse fazê-lo para evitar que a conflitualidade entre o seu cliente e o jogador pudesse limitá-lo. Mais do que este caso em si mesmo, esta atitude prenuncia o vendaval que aí está para vir. Nada disto é uma boa notícia para o "grupo de trabalho" e para a "cultura de balneário" (adoro escrever estas expressões!)
duas ou três coisas
notas pouco diárias de Francisco Seixas da Costa
quarta-feira, outubro 14, 2026
Cruzes! Canhoto!
De uma coisa podemos ter a certeza: a direita lusitana, se acaso o PSOE vier a ser o partido mais votado nas eleições em Espanha, denunciará com veemência a ideia de poder haver uma "geringonça" entre o PP e o Vox. A nossa direita é de uma insuperável coerência, como sabemos.
Ça m'est égal!
Metade da TAP vai para a Lufthansa. Como podia ter ido para a Air France. Por que será que sinto uma profunda indiferença com esta escolha.
Papas
Gosto deste papa. Já gostei do anterior. Para o irreconvertível ateu que continuo a ser, é uma deriva curiosa.
Espanha e coisas parecidas
Ceuta (e Melilla e Perejil) era um pormenor na política externa espanhola. Faz parte da agenda reivindicativa de Marrocos, como Gibraltar para Espanha, como Olivença para outros. A crise migratória alterou as coisas. O rei lembrou-se agora de Ceuta. Rabat não gostará. É a vida!
A Teresinha
terça-feira, outubro 13, 2026
"A Diplomata", outra vez
Vem aí mais uma temporada de "A Diplomata", na Netflix Vou vê-la, naturalmente, como fiz com as anteriores, quanto mais não seja por uma inevitável curiosidade (ou deformação) profissional.
A série gira em torno de uma figura política norte-americana lançada nas lides da diplomacia. O enredo, reconheça-se, preserva algum realismo. As grandes embaixadas americanas não costumam ser entregues a profissionais, mas sim a amigos do presidente em funções — por afinidade política, compadrio ou, com acrescida frequência, pelo volume do cheque assinado para a campanha eleitoral.
O figurino é conhecido: estas personalidades aterram nos postos mais aprazíveis da rede diplomática e deixam-se amparar por profissionais de carreira que lhes fazem o trabalho de bastidores e lhe tutelam comportamentalmente o quotidiano. Os postos menos aprazíveis, ou abertamente desagradáveis, esses ficam, como manda a boa ordem das coisas, para os profissionais.
Quem passou umas quantas décadas na carreira raramente resiste a avaliar a verosimilhança do que se encena sobre a sua própria tribo. Vejo por vezes comentários de colegas estrangeiros a analisar a plausibilidade de séries ou de filmes do género. Não escapo nunca à mesma tentação.
Há algo, na protagonista desta série, que me causa algum desconforto: aquele ar permanentemente grave, angustiado e crispado, como se o quotidiano diplomático fosse uma tragédia grega em episódios diários.
Não é. As situações do dia-a-dia diplomático podem ser melindrosas ou complexas, mas o exercício de funções de chefia exige transmissão de confiança e um controlo da atitude — o que dificilmente se compadece com a imagem de uma crise de nervos ambulante. Uma chefia deve saber exibir um fácies descontraído e, na medida do possível, urbano e sorridente.
Nisto tive sempre como referente o meu saudoso colega Leonardo Mathias, que cuidava em nunca perder o sorriso, nem no auge da adversidade: "Isto não é fácil! Mas faz-se..."
Quem me lê regularmente já deve ter percebido que fujo das citações como o diabo da cruz. Raramente me apanham nessa deriva — e hoje já lá vão duas! E como não há duas sem três, arrisco outra.
O antigo ministro João de Deus Pinheiro, que dominava a arte do bom humor na política, costumava ironizar sobre certos cavalheiros que "pareciam calçar um par de sapatos um número abaixo do seu". Era a sua forma elegante de definir quantos tentavam parecer sérios por falta de sorrisos. E que, às vezes, só assim conseguiam projetar de si essa imagem.
"Memórias de um cidadão de 2ª"
segunda-feira, outubro 12, 2026
Brasil - um país sempre à espera de si mesmo
O Brasil já foi o reino do otimismo. Ao longo de décadas, pagou mesmo, em ironias, essa ideia de ser apenas um "país do futuro".
Um presidente das Arábias
Pelos vistos, a América vai-se colocar ao lado da Arábia Saudita no vespeiro do Iémen. Alguns presidentes dos EUA tendem a cair na rasteira do Médio Oriente. Trump regressou ao poder com um MAGA isolacionista. Com um bando jingoísta ao seu lado, lá vai ele para mais uma guerra!
Já agora ...
Será que na passagem de Rubio por Lisboa terá sido deixada uma palavra discreta sobre a questão de Olivença? Sempre seria mais uma "guerra" resolvida para encher o CV de Trump para o Nobel da Paz...
França
Com Glucksmann escolhido na primária socialista, Mélenchon passa a ter a passagem à segunda volta facilitada. Muitos votos socialistas irão fugir de alguém que, na realidade, compete mais com Philippe ou Attal.
domingo, outubro 11, 2026
O que é demais...
Trump
Trump é contraditório, incoerente? Trump toma uma decisão de cada vez, à luz do seu ganho imediato. Depois, se acaso as coisas derem para o torto, atuará de forma a resolver os problemas que ele próprio criou. Como dispõe de imenso poder e não tem a moralidade como referente, pode ir andando.
Por extenso
Ao enveredar por uma infeliz ironia sobre o mundo do futebol, o senhor primeiro-ministro revelou pela primeira vez o seu nome completo: Luís Andrade Montenegro.
sábado, outubro 10, 2026
O elefante na Arena
Obama é hoje uma das faces mais decentes da América. Falou de liderança, de tecnologia, da confiança nas instituições e da necessidade de reconstruir pontes num mundo cada vez mais fragmentado. Disse tudo com a sua habitual elegância. Mas o que mais me ficou foi aquilo que (espero não me enganar) não disse: o nome do seu sucessor.
Trump, contudo, foi sempre o verdadeiro elefante na Arena: enorme, impossível de ignorar e em que todos fingiam não dar conta. Obama contornou-o com perícia. A plateia ajudou, aplaudindo, como quem prefere não olhar o óbvio.
É esse o efeito mais perturbador de Trump. Não está apenas nas políticas, nas guerras aduaneiras, nas guerras chocantes de retórica ou nas guerras a sério em que nos vai metendo a todos. Está na maneira como conseguiu deslocar o horizonte daquilo que parece cada vez mais aceitável, mesmo que de modo forçado.
Há dez anos, ouvir Obama falar de democracia seria um exercício de rotina. Hoje é quase um ato terapêutico, feito de nostalgia. Os empresários do MEO Arena não aplaudiam apenas um orador brilhante: aplaudiam a memória de um tempo em que as regras pareciam estáveis e a palavra de um presidente americano ainda significava alguma coisa de respeitável.
Essa evolução fez-se de forma subtil. Fomos perdendo a capacidade de nos indignarmos com o que antes seria impensável e ganhamos, em troca, uma espécie de crescente tolerância retroativa.
George W. Bush, o presidente responsável pela criminosa e devastadora invasão do Iraque, tem vindo a ascender ao panteão dos moderados. Obama, com os seus drones, as suas deportações, a sua catastrófica política externa (na Síria, na Líbia e no resto), com a manutenção de Guantánamo no cadastro, tornou-se a encarnação da decência. Trump funciona como um polarizador por contraste: tudo o que veio antes dele parece, subitamente, mais responsável, mais adulto.
E aqui está o perigo que a sala, apesar do entusiasmo, talvez não quisesse ver. A saudade de Obama, em si mesma, acaba por ser uma forma de evasão. Se o trauma de Trump nos leva a idealizar o passado, deixamos de perguntar porque é que o sistema que Obama representava não conseguiu travar o que veio depois. Pelos vistos, a decência, por si só, não soube gerar defesas. E a verdade é que Trump soube falar a quem ficou desiludido, desempregado ou simplesmente esquecido nos anos de Obama. E assim ganhou.
Saí do MEO Arena com uma sensação ambivalente: gratidão por ter ouvido uma voz serena e inteligente, inquietação por perceber que a serenidade se tornou, nos nossos dias, como que uma absolvição, mesmo que sem uma evidente autocrítica.
Talvez o verdadeiro legado de Trump seja este: ensinar-nos a sentir saudades de tudo, menos a perguntar como chegámos até aqui e como vamos sair disto.
As minhas estrelas
sexta-feira, outubro 09, 2026
Um dia na Gulbenkian
Deu depois para ir ver a exposição "Painting is easy! Do it yourself".
Acabou num concerto para piano de Prokofief e numa sinfonia de Chostakovitch.
Só falta dormir cá...
VII Conferência de Lisboa
Em 8 e 9 de outubro, temos estado na Fundação Calouste Gulbenkian, na VII Conferência de Lisboa, a discutir a Reconfiguração da Ordem Global num Mundo em Incerteza.
quinta-feira, outubro 08, 2026
Super!
Nobelitações
Por que será que, este ano, Trump não tem falado muito sobre o Prémio Nobel da Paz? Logo em 2026, um ano em que o galardão lhe ia — a expressão será a mais adequada — mesmo a matar...
quarta-feira, outubro 07, 2026
Os marmelos estão convocados
A "Arte" no palco
Pérola
Ai Lula!
Depois de Temer, partidos do "centrão" alinham com Bolsonaro.
Nenhum boletim meteorológico da política brasileira poderia prever uma tempestade pior para Lula.
Ai Jesus, valha-nos S. Cristiano!
Julgo não ter sido ainda publicada legislação que torne obrigatório: (1) ler os comunicados de Cristiano Ronaldo, (2) ouvir as conferências de imprensa de Jorge Jesus, (3) assistir a comentários televisivos sobre o tema e, claro, (4) ter opinião sobre se há alguém que tem razão.
terça-feira, outubro 06, 2026
No santo dia da Carbonária
Caí depois, inevitavelmente, na vizinha e magnífica Livraria da Travessa, na Escola Politécnica. Apeteceu-me comprar tanta coisa! Hesitei numa biografia de Brizola e resisti. Por ora. A virtude, em mim, costuma ter sempre um prazo.
Com o jetlag afetivo de duas semanas no Japão, fui tentado por um calhamaço de Seichō Matsumoto, "O caso da estação de Kamata". Lê-lo-ei? Sei lá. Melhor do que ler um livro, aprendi, só comprá-lo.
De caminho, vi também um Vásquez Montalbán de que não me lembrava, "A Solidão do Manager". A edição é de um amigo, o Francisco José Viegas; a tradução é de outro, o António José Massano. Comprei, claro. Isto não é um país: é uma freguesia! Felizmente, bem frequentada.
Hoje, no Alfa, cheguei a Gaia com mais de metade do Montalbán lido. (A estação não se chamava "das Devesas"? E não havia por ali um apeadeiro chamado "General Torres"?) Amanhã, no regresso a Lisboa, acho que vou entrar em Coimbra B — a CP persiste no nome, embora já não haja outra Coimbra — com ele já no papo.
Ah! Horas antes, ainda em Santa Apolónia, comprei (por cinco euros, senhores!) um Abelaira que sei que devo ter algures, que não me apetece procurar mas que me apetece reler.
Estou a ficar velho e relho, é o que é. Dispenso-os de estarem de acordo, está bem?
A Europa e o Médio Oriente
Centenas de figuras de vários países, que tiveram responsabilidades diplomáticas e governativas em matéria de política externa europeia, subscreveram um manifesto apelando a que a União Europeia reaja contra as graves ilegalidades que estão a ser cometidas na Cisjordânia, infringindo o Direito Internacional e as resoluções das Nações Unidas.
Fui um dos subscritores dessa tomada de posição, que pode ser lida aqui.
"Ó raspa, ó raspa ..."
Há pouco, numa tabacaria sem jornais, duas pessoas idosas arrastavam-se até ao balcão, para comprar esperança na forma de raspadinhas, delapidando os seus escassos euros. Não se pode proteger as pessoas de si mesmas? Essa agora! Pode e deve. Acabemos com o cancro das raspadinhas!
Godinho no balneário
Em lugar de ser "a pátria em chuteiras" que tem sido nos últimos dias, o que devia afinal preocupar os portugueses? Basta ouvir Sérgio Godinho: "A paz, o pão, habitação, saúde, educação".
Que raio!
A histeria criada pela crise entre Cristiano Ronaldo e Jorge Jesus revela — e meço bem as palavras — a mediocridade instalada num país que é capaz de converter um arrufo entre gente do pontapé na bola numa espécie de tragédia nacional. Em que raio de país nos convertemos!
Dois Brasis
Archer
Da mesma forma que às vezes consigo ficar satisfeito com uma bifana gordurosa metida num pão, acompanhada de um vinho assim-assim, ao balcão de uma tasca reles, habituei-me ao longo da vida ao singular prazer de consumir literatura de segunda classe. Em férias, adoro comprar um policial qualquer — isso mesmo: qualquer — numa tabacaria de província e lê-lo numa esplanada ou num banco de jardim. Não precisa de ser um Hammet ou um Simenon: basta-me que tenha uma trama aceitável, que me divirta os minutos e me faça passar o tempo.
segunda-feira, outubro 05, 2026
Brasil
domingo, outubro 04, 2026
O país deles
Triste — mas mesmo muito triste — é ato leviano do governo ao lançar uma comemoração da fundação da nossa nacionalidade, que não é coisa pouca, misturando alhos com bugalhos, numa estrutura politicamente sectária, anunciada, aliás, entre os "happy few" do seu serralho político.
Brasil
Suspendi o meu deliberado "pousio" no comentário televisivo para, nestes dias, falar sobre as eleições no Brasil — que, recordo, não são apenas para presidente. Na CNN Portugal.
António Barreto
Estava assim
sábado, outubro 03, 2026
Adieu, Gibert Jeune!
A Gibert Jeune da Place Saint-Michel, em Paris, era uma livraria feia. Feia com método, sem uma única concessão ao bom gosto. E era justamente por isso — por ser tão feia e, ao mesmo tempo, tão apetecível — que se tornava magnífica. Conheci-a há quase sessenta anos, caramba!, o que diz mais de mim do que dela, que ali estava desde 1886.
sexta-feira, outubro 02, 2026
O nascer do sol
quinta-feira, outubro 01, 2026
Ai Ronaldo !
quarta-feira, setembro 30, 2026
Ai Guiné!
Sissoco Embaló tinha sido derrubado por um golpe de Estado que, como na altura alguns alertaram, tinha apenas como objetivo criar condições para legitimar o seu regresso ao poder, sob menor contestação. Tudo se confirma agora. A vigarice política mantém-se na Guiné-Bissau.
terça-feira, setembro 29, 2026
Brasil: a política externa na eleição presidencial
A atual campanha presidencial brasileira tem uma particularidade pouco habitual: pela primeira vez, desde o fim da Guerra Fria, a política externa assentou arraiais no palco do debate eleitoral.
Ai a IA
A cada dia que passa, sinto cada vez maior admiração pelas pessoas que, nas conversas, se dão ao superior luxo, hoje quase snobe, de não falar de Inteligência Artificial. Digo isto com uma declarada inveja, porque eu raramente consigo.
segunda-feira, setembro 28, 2026
"O Mundo em 2036"
No âmbito das comemorações do 10° aniversário do Jornal Económico, debaterei com Ângelo Correia "O Mundo em 2036", sob a moderação do jornalista António Freitas de Sousa, na sessão que terá lugar no dia 7 de outubro, na Alfândega do Porto.
domingo, setembro 27, 2026
sábado, setembro 26, 2026
António Guterres (1)
sexta-feira, setembro 25, 2026
Vlady
Em 2 de fevereiro de 2009, publiquei o primeiro texto neste meu blogue, Duas ou Três Coisas, que inaugurei nesse mesmo dia. Era já perto da meia-noite. Tinha chegado a Paris poucas horas antes, para aquela que viria a ser a minha sétima — e última — colocação no quadro externo da carreira diplomática.
quinta-feira, setembro 24, 2026
Truman e Hiroshima
quarta-feira, setembro 23, 2026
Só agora começou...
"C'était ça ou mourir". Romance recém-laureado em França é acusado de ter sido escrito com muita ajuda da IA. Isto só agora começou...
terça-feira, setembro 22, 2026
Jorge Palma
segunda-feira, setembro 21, 2026
Brasil - a crise de confiança
Nas últimas décadas, a leitura externa sobre o Brasil foi relativamente sossegada: a Constituição de 1988, que consagrou o regresso à democracia após a ditadura militar, mostrou capacidade de absorver abalos graves — desde o afastamento de presidentes até sérias crises de diversa natureza — e de acomodar presidências de sinal político contrastante, o que costuma funcionar a crédito de um sistema democrático. Para o exterior, os sinais de convulsão interna nunca tinham beliscado a imagem de um país crescentemente responsável na ordem regional e internacional, afirmando um padrão relativamente constante na sua diplomacia.
domingo, setembro 20, 2026
Viajar é preciso?
sábado, setembro 19, 2026
Esquerda
sexta-feira, setembro 18, 2026
quinta-feira, setembro 17, 2026
Viva o SNS!
Falta!
O advogado de Jorge Jesus deixou de ser comentador do "Correio da Manhã", de que Ronaldo é acionista. Disse fazê-lo para evitar qu...



































