quarta-feira, maio 27, 2026

27 de maio



José Ferreira Fernandes escreve hoje, no "Público", um artigo que só ele poderia escrever. E também o escreve como só ele sabe escrever. Ali fica um extraordinário e corajoso hino à sua terra, numa data – 27 de maio – em que, no ano de 1977, ficou aberta uma ferida eterna na memória de Angola. Também a 27 de maio, há tantos anos como aqueles que eu tenho, nasceu o meu amigo José Ferreira Fernandes, a quem envio um abraço.

Vou ler...


Acabo de receber este novo livro do meu amigo Jaime Nogueira Pinto. Encontrei-o na caixa do correio, há minutos. Ainda não o li, claro. Mas porque a Feira do Livro está aí desde hoje, e porque "sei do que a casa gasta" – isto é, sei que um livro do Jaime vale sempre a pena –, apresso-me a anunciá-lo. Depois não digam que não avisei.

Um livro e uma mesa (11)


O livro de hoje é "O novo agora", de Marcelo Rubens Paiva, numa edição Dom Quixote.

O restaurante de hoje é a "Taberna do Adro", em Vila Fernando, perto da A6 e de Elvas, com o tel. 268 661 194.

Ela aí está ...


... a Feira do Livro.

O que posso prometer? Contenção nos gastos e comprar apenas aquilo que sei que vou ler. Mas, na realidade, confio cada vez menos em mim...

Loulé, 6 de junho

 


terça-feira, maio 26, 2026

A ter em atenção

Não é sossegante a deriva bélica da Rússia, a que se vai seguir uma óbvia retaliação ucraniana. Putin não pode admitir ser visto internamente como não estando a ganhar uma guerra que tem custos tão pesados. E, em face do desinteresse dos EUA, pode vir a cometer uma loucura.

Pronto! Já apareceu.

O gozo que vai nas hostes da direita trauliteira, pela polémica que envolve o novo ministro da Administração Interna — um conhecido crítico da "teoria das perceções", um argumentário xenófobo e racista do reacionarismo lusitano. Não se sabia como surgiria, mas estava-se à espera.

Leram aqui primeiro

Com o efeito psicológico da ameaça sobre a Grenolândia, Trump pode vir a provocar o pedido de adesão à União Europeia da Noruega e da Islândia. Tomem nota.

Letras & vitualhas


Para quem se tem por aqui deparado, nos últimos 10 dias, com "Um livro e uma mesa", recordo o que notei no início dessa série: trata-se de deixar notas de livros que li ou reli no último ano e que considero dignos de algum destaque, bem como de restaurantes — algures no país, desde mesas simples a lugares mais afiambrados — de que me ficou uma memória positiva. Serão apontamentos ao acaso, sem qualquer ordem, sempre muito económicos nas palavras. Com um livro, virá um restaurante, sem que um tenha nada a ver com o outro.

Autonomia


Interessante e muito informativo debate foi aquele que a RTP Açores ontem transmitiu, a propósito dos 50 anos da autonomia das Regiões Autónomas. 

A maturação do tempo permite que hoje possa ter lugar uma análise retrospetiva, serena e sem polémica, sobre aquele que é hoje quase unanimemente considerado um dos sucessos do percurso político-constitucional do país.

Sem prejuízo dos contributos dados pelos vários intervenientes no painel, muito bem conduzido pelo jornalista Lopes Araújo, quero destacar, por me parecer da maior justiça, as intervenções de Jaime Gama, que trouxeram uma perspetiva dos primeiros anos das discussões sobre a autonomia, no contexto da Assembleia Constituinte, bem como o seu enquadramento na própria história do país.

Gama não deixou de referir o esforço do governo português, chefiado por António Guterres, para que o Tratado de Amesterdão desse maior consistência jurídica ao estatuto europeu das Regiões Ultraperiféricas, nas quais se incluem os Açores e a Madeira.

segunda-feira, maio 25, 2026

Um livro e uma mesa (10)


O livro de hoje é "Azul da Prússia", de Amadeu Lopes Sabino, uma edição da Guerra e Paz.

O restaurante é em Bragança, o "Geadas", com o tel. 273 324 413.

Biblioteca


Olhar para a prateleira de uma estante de hotel e deparar com isto! Assim, nem dá vontade de levar um livrito...

Maria da Fé


Faz hoje 84 anos. Ontem, houve uma homenagem a Maria da Fé, no "Fama de Alfama", à passagem da meia-noite. Antes, foram-lhe prestados tributos por vários fadistas na nova geração. 

Foi uma bela noite para a dona do "Senhor Vinho", uma das vozes mais relevantes da canção de Lisboa.

Deixo aqui o seu clássico "Valeu a pena", a que ontem também tivemos direito.

domingo, maio 24, 2026

Um livro e uma mesa (9)


O livro de hoje é "A Cultura integral do indivíduo - Conferências e outros escritos", de Bento de Jesus Caraça, numa edição da Gradiva.

O restaurante fica na Ericeira e chama-se Tasca da Fonte Boa dos Nabos, com o tlf. 966 226 690.


Onde o sol é mais azul...


Em meados de Dezembro de 1972, um avião da Pan American, que vinha de Nova Iorque, não pôde aterrar em Lisboa, por virtude do nevoeiro. O destino europeu final do voo era Barcelona. Eu, tal como todos os passageiros que vinham nesse voo, acabei por ir aterrar nesse inesperado destino. 

Durante dois dias, Lisboa não "abriu" e, para irritação de muitos passageiros e indizível gozo de outros, como era o meu caso, que acabei por ter um prolongamento de férias pagas, por ali ficámos, alojados num belo hotel na costa do Mediterrâneo. 

Recordo-me de que, no grupo, vinha uma vedeta da música popular portuguesa, Gabriel Cardoso, intérprete de uma canção então muito "na berra", como na altura se dizia – "Ericeira". O cantor mostrava-se furioso com o imprevisto, que lhe alterava o calendário de espetáculos. Na precária familiaridade que essas circunstâncias às vezes proporcionam, eu e ele acabámos à conversa, no "hall" do hotel.

Três meses depois, fui para Mafra, junto à Ericeira, fazer o meu serviço militar. Obrigatório, bem entendido. Por um imenso bambúrrio, acabei por ter o privilégio de fazer parte de um grupo de "soldados-cadete" que, ao final das tardes, saídos da Escola Prática de Infantaria, ia para a Ericeira. Ocupávamos então a casa do Vasco Bramão Ramos (um abraço para ti, Vasco!), onde jogávamos à roleta e às cartas, além de treinar os testes militares, cujo sucesso dava a possibilidade de sermos autorizados a passar em casa o fim de semana. 

À época, eu era o único membro do grupo que, estranhamente conhecedor do "nacional-cançonetismo", sabia a música e a letra da canção "Ericeira", de Gabriel Cardoso. Ensinei-a aos restantes comparsas – éremos meia dúzia, com o Vasco, o António Franco, o Miguel Lobo Antunes e um Ribeiro de quem me escapa o primeiro nome– e que desde logo passou a ser o "hino" desses nossos momentos de lazer. 

A casa do Vasco tinha um terraço sobre a rua onde se preparavam uns deliciosos grelhados. Lembro-me de dali saudarmos, com distante ironia, os oficiais de Mafra que calhava passarem pela rua e que não podiam evitar que, do alto, nos exibíssemos em trajes civis. Pequenos prazeres desses tempos de "trabalhos forçados"...

Acontece que, no dia de hoje, estou pela Ericeira. Há pouco, acabei de passar ao lado da casa do Vasco. E, para surpresa de quem me acompanhava, dei comigo a trautear, pela rua: "Ericeira, onde o sol é mais azul / das belas belas praias do sul / de doirada e fina areia". Isto de colocar a Ericeira no sul, era bem próprio de alguém que era oriundo das ilhas, como o Gabriel Cardoso, que a sida levou deste mundo, vai para 26 anos. 

O pôr-do-sol do final da tarde de hoje era o da imagem, que foi tirada da vidraça do "Brisa", onde jantei.

sábado, maio 23, 2026

sexta-feira, maio 22, 2026

Escrevia Chirac em 2009

"Je ne suis pas de ceux qui pensent, en Occident, qu'on doit s'interdire tout dialogue avec l'Iran, étant donné la nature du régime. Un régime politique est une chose. L'histoire d'un peuple, de sa culture, de ses traditions, en est une autre, plus importante et determinante. Ma philosophie en la matière est qu'on n'a jamais intérêt, ou rarement, à mettre un pays hors jeu de la communauté internationale. Au lieu de le convaincre de rentrer dans le rang, c'est en général l'éffet inverse qui se produit: una radicalisation sans issue, de part et d'autre. S'agissant, qui plus est, d'une région du monde où tous les problèmes s'entremêlent, aucun d'eux, qu'il s'agisse du conflit israélo-palestinien, de la guerre Irak-Iran ou de la question libanaise, ne saurait être réglé sans tenir compte de toutes parties en présence."

Tradução:

"Não faço parte de quantos, no Ocidente, que pensam que se deve abdicar de qualquer diálogo com o Irão, dada a natureza do regime. Um regime político é uma coisa. A história de um povo, a sua cultura, as suas tradições, são outra, mais importante e determinante. A minha filosofia nesta matéria é que nunca é do nosso interesse, ou raramente, colocar um país fora da comunidade internacional. Em vez de o convencer a alinhar-se, o que geralmente acontece é o efeito inverso: uma radicalização sem saída, de ambas as partes. Tratando-se, além disso, de uma região do mundo onde todos os problemas se entrecruzam, nenhum deles — seja o conflito israelo-palestiniano, a guerra Irão-Iraque ou a questão libanesa — pode ser resolvido sem ter em conta todas as partes envolvidas."

Um livro e uma mesa (7)



O livro de hoje é "A Ucrânia e a Rússia - do Divórcio Incivilizado à Guerra Incivil", de Paul D'Anieri, ed. Relógio de Água, ed (act. 2023).

O restaurante é o "Fogo", na avenida Elias Garcia, 57, em Lisboa, com o tlf. 217 970 052.

"A Arte da Guerra"


Em "A Arte da Guerra", o podcast semanal do "Jornal Económico", converso com António Freitas de Sousa sobre a situação política em Espanha, após as eleições na Andaluzia e o surgimento de suspeitas sobre José Luís Zapatero, fazemos uma avaliação das cimeiras da China com os EUA e a Rússia e, finalmente, abordamos o estado das negociações para um acordo de paz na Ucrânia.

Pode ver aqui.

quinta-feira, maio 21, 2026

Um livro e uma mesa (6)


O livro de hoje é "Algoritmocracia - como a IA está a transformar as nossas Democracias", de Adolfo Mesquita Nunes, numa edição D. Quixote.

O restaurante é o "Noélia", em Cabanas de Tavira, com o tlf. 281 370 649.

quarta-feira, maio 20, 2026

Portimão, 5 de junho

 


Um livro e uma mesa (5)


O livro de hoje é "Irão - A Grande Estratégia . Uma História Política", de Vali Nasr, uma edição Contexto.

O restaurante é a "Casa Queiroz", em Avelãs do Caminho, com o tlf. 911 991 965.

Mesa Dois


A "Mesa Dois" do bar Procópio nunca foi apenas uma mesa. Por décadas, foi um "conceito", como agora dizem nos restaurantes que pretendem armar ao fino. Nos dias de hoje, sobrevive como mesa, mas, ao que se sabe, já não funciona como espaço regular de tertúlia.

Alguns dos antigos frequentadores continuam a frequentar-se. Há dias, organizaram um jantar durante o qual, imaginem!, nunca a expressão "Mesa Dois" foi referida. Aquilo é malta pouco dada a nostalgias.

Sem nostalgias, mas não sem interrogações. Fui agora descobrir que um poeta, que por lá era useiro e vezeiro, mas que se baldou ao tal jantar, se perguntava, há precisamente 20 anos, num "Poema para a Mesa Dois":

Ás vezes pergunto-me: onde estarão os da mesa 1?
Que pensaram todo este tempo, como nos viram viver, passar, jogar e perder?
E a mesa 3, alguém pensou na mesa 3? Aquela mulher de pele dourada, a saia mais curta cada noite, seria ela da mesa 3?
Ah, tudo o que nós perdemos por ser da mesa 2!
Dai-me uma nova mesa cada noite, uma promessa nesse olhar enternecido de whisky e tempo passado, uma palavra peregrina entre mesas e balcões! E então abandonarei o ponto de exclamação.

terça-feira, maio 19, 2026

Um livro e uma mesa (4)


O livro de hoje é "LX 90 – A Lisboa em que tudo é possível", de Joana Stichini Vilela e Pedro Fernandes, da D.Quixote. 

O restaurante é o "Larau", em Estremoz, com o tel. 268 094 904.

Latinos


Quando vivi em Luanda, nos anos 80, num tempo de relações muito frias entre Portugal e Angola, eram raros os membros do executivo do MPLA que privavam com diplomatas portugueses.

Por vezes, essa distância formal — ditada pela conjuntura política — dissolvia-se em jantares em casas de amigos comuns, onde quase sempre acabávamos a falar de coisas de Portugal, país que, no fundo, lhes estava muito mais próximo do que podiam confessar.

Foi assim que, numa certa noite, em casa do advogado Miguel Faria de Bastos — um amigo a quem deixo aqui um abraço saudoso —, acabei por conhecer uma determinada figura do governo angolano, à volta de uma mesa farta e de copos generosos.

Era um africano um pouco mais velho do que eu, que trabalhara algum tempo em Lisboa. Conversámos longamente e, a partir dessa noite, nasceu entre nós uma relação de forte cordialidade, que não ficaria muito distante da amizade e que se iria prolongar pelos anos fora.

Voltei a encontrá-lo várias vezes: de novo em Luanda, depois em Lisboa e em outras cidades do mundo. E, ao contrário da nossa primeira conversa, dominada por Lisboa, passámos a trocar sobretudo memórias de Luanda e de amigos comuns.

Um dia, numa capital europeia, a conversa entre nós, por uma qualquer razão, derivou para Moçambique. 

É um segredo mal guardado que, entre angolanos e moçambicanos, a corrente humana não passava então com facilidade — há várias leituras para o explicar, algumas de natureza histórica, e até é possível que as coisas já não sejam bem assim.

O meu conhecido especulou sobre a influência britânica no modo de ser dos povos urbanos da África oriental, que os tornaria mais fechados e formais — uma tendência que, em Moçambique, a proximidade com a África do Sul teria acentuado. 

Sublinhou, depois, o que considerou ser um contraste evidente com os povos da costa africana atlântica: mais expansivos, mais abertos, de relação humana mais imediata.

E acrescentou, com convicção e cumplicidade, mas sem a menor acrimónia: “Nós, os angolanos, estamos muito mais próximos dos portugueses do que os moçambicanos. Nós e vocês somos latinos. Eles são índicos."

segunda-feira, maio 18, 2026

Um livro e uma mesa (3)


O livro de hoje é "A Mais Bela Maldição – Histórias de Gente Apaixonada por Livros", de Rui Couceiro, uma edição recente da "Porto Editora".

Como restaurante, anoto o "Vallecula", em Valhelhas, não muito longe de Belmonte, com o tll. 962 778 111.

Nathalie e o belo tempo de Lenine


Há pouco, no Spotify do carro, surgiu-me a "Nathalie", de Gilbert Bécaud. Uma canção que sempre ligo às minhas "noites da rádio", em Vila Real, na primeira metade dos anos 60.

Era o tempo em que, por vezes, decorávamos canções pela sua sonoridade, sem perceber bem o que dizíamos. Por muito tempo, trauteei melodias em "italiano", com palavras que não fazia a menor ideia do que significavam. Em inglês, só anos depois vim a aprender a dizer corretamente expressões que então ecoavam de outra maneira.

Lembro-me de que rapidamente decorei a letra da "Nathalie". Ou assim julgava eu. À época, tinha a ideia de que falava já um bom francês... Aquela mistura de romantismo com Guerra Fria, falando de uma Moscovo que por cá era diabolizada (seis décadas depois, nesse particular, está tudo igual), num ritmo que lembrava sonoridades russas, teve um grande êxito. 

Anos mais tarde, numa passagem por Paris, na FNAC da rue de Rennes, descobri um album com canções de Bécaud, que vinha acompanhado das respetivas letras. Dei então comigo a ler, pela primeira vez, a letra da "Nathalie". 

De repente, quase me saltou uma gargalhada. Desde sempre que eu achara estranha, na canção, a expressão "plaines de graines" (planícies de sementes), como se Bécaud tivesse enfiado à força uma imagem agrícola no meio de todo aquele romantismo soviético. De facto, era "estranho". É que Bécaud diz: "Moscou, les plaines d'Ukraine / Et les Champs-Élysées / On a tout melangé / Et l'on a chanté". Ora eu ouvia "plaines de graines" em lugar de "plaines d'Ukraine"... Em especial nos dias de hoje, isso faz toda a diferença! 

Mas o meu equívoco de juventude, com efeito político, não se ficava por ali. Bécaud também canta: "Qu'après le tombeau de Lénine / On irait au café Pouchkine / Boire un chocolat". Ora eu, no som que me chegava nessas "noites da rádio", confundira o "tombeau de Lénine" por "temps beau de Lénine" (belo tempo de Lénine)... Caramba! Então aqui a diferença é de tomo! 

Ouçam o "Nathalie" de novo, aqui. Ah! Mas não vale a pena ouvir o "La fille de Nathalie", que Bécaud lançou quase 20 anos depois e que ficou muito longe de ter o mesmo êxito.

domingo, maio 17, 2026

Pronto, confesso!


Há dias em que constato que, por muito esforço que faça, a idade já não me permite ter elasticidade mental para poder ser facilmente tolerante com certas realidades do mundo contemporâneo.

Gorjeta



Leiam por favor o que está escrito por baixo desta conta de um restaurante. Trata-se de uma observação sensata: se a gorjeta se destina a dar uma retribuição pelo serviço prestado pelos empregados, por que diabo o montante dessa gorjeta deve estar ligado ao preço dos bens consumidos? O esforço para servir um prato ou um vinho caro não é o mesmo se acaso o cliente escolher um prato ou um vinho mais barato? 

Briturn?

Não deixa de ter graça que, depois do Brexit, possa vir a ter tentado um Briturn.

Um livro e uma mesa (2)


O livro para hoje é "Memórias de Abril – um Roteiro dos Textos da Revolução ", de José Maria Brandão de Brito, Guilherme d'Oliveira Martins e Maria Fernanda Rollo, uma edição muito recente da Tinta da China.

O restaurante é o "Solar dos Pintor" (é assim mesmo que se escreve), em Santo Antão do Tojal, uns quilómetros depois de Loures. O telefone é 219 749 011.

sábado, maio 16, 2026

Diabetes


Vejam hoje, na RTP 2, o primeiro de três programas sobre a Diabetes e o centenário da APDP - Associação Protetora dos Diabéticos de Portugal.

Nota aqui.

Um livro e uma mesa (1)


O livro de hoje é o "Aliados em Guerra – Os Rivais que Derrotaram Hitler", de Tim Bouverie, editado pela D.Quixote e o restaurante é o "Caneiro" (253 663 566), no Arco do Baúlhe, a dois passos da A7.


Letras & vitualhas


Tenho a intenção de, durante as próximas semanas, deixar aqui notas de livros que li ou reli no último ano e que considero dignos de algum destaque, assim como de restaurantes — algures no país, desde mesas simples a lugares mais afiambrados — de que me ficou uma memória positiva.

Serão apontamentos ao acaso, sem qualquer ordem, sempre muito económicos nas palavras. Com um livro, virá um restaurante, sem que um tenha nada a ver com o outro.

Com este singelo "serviço público", espero estar a contribuir para ajudar a preparar as férias dos leitores.

João Abel Manta


Tenho uma profunda admiração pela figura de João Abel Manta. Ele foi o grande ilustrador da nossa Revolução, colocando a sua extraordinária qualidade artística ao serviço do entusiasmo popular daqueles dias. 

Um dia de 1975, com Carlos Eurico da Costa, fui visitar João Abel Manta ao seu atelier. Fomos pedir-lhe que desenhasse um cartaz para a Associação de Amizade Portugal-Polónia, de cuja direção ambos fazíamos parte. Embora nos confessasse estar a transbordar de trabalho, Abel Manta teve a amabilidade de construir um belo poster, em que se observa um camponês português abraçado a um polaco, um pouco ao jeito de uma outra imagem, muito conhecida, que celebra a "aliança povo-MFA". Não consegui encontrar o meu exemplar do cartaz da Associação (... mas um leitor atento sim).

João Abel Manta morreu agora, com 98 anos. 



sexta-feira, maio 15, 2026

Delicadeza


Por razões de segurança, toda a comitiva de Trump foi obrigada a deitar num caixote do lixo, à entrada para o avião de regresso, e à vista dos anfitriões chineses, todas as ofertas com que tinham sido homenageados. 

Gesto bem simpático, a bem da eterna amizade sino-americana! 

Davide Pinto


"Ó senhor doutor! Só telefona agora? Temos a casa cheia. Mas, para si, vou fazer os impossíveis! Era só o que faltava que não viesse cá jantar". 

O meu amigo senhor Pinto, um gentleman de voz suave e ímpar no acolhimento, na chefia da sala no Café de São Bento, deixou-nos para sempre.

Fonética

Não me vai ser fácil, como sportinguista, habituar-me a berrar da bancada de Alvalade: "Força, Zalazar!" Mas, depois, lembro-me do Góis Mota e do Cazal Ribeiro e tudo passa...

Está assim

 


quinta-feira, maio 14, 2026

Barto


Bartolomeu Cid dos Santos, em 1988, representava-se assim: grave e façanhudo. Era não o conhecer!

O Bartolomeu era uma pessoa de alegria contagiante, com uma gargalhada generosa que a vida partilhada com a Fernanda só veio ampliar. Tinha um olhar adolescente sobre os dias e uma solidariedade natural para com o mundo e as suas criaturas.

O autorretrato que fez nesta gravura não é bem um autorretrato: é uma declaração de ironia, servida com o sorriso íntimo de quem não se leva demasiado a sério. Grave e façanhudo, o Bartolomeu! Pois, pois!

A partir de hoje, de terça a domingo, de maio a outubro, a Casa das Histórias Paula Rego, em Cascais, acolhe uma exposição dedicada a esta figura genial da gravura portuguesa, que nos deixou em 2008 com 77 anos.

A iniciativa é da Fundação Dom Luiz, que teve o extremo bom gosto de adquirir parte importante da sua obra.

Vale a visita, garanto!



China / EUA, Irão e Reino Unido


São estes os temas analisados no podcast "A Arte da Guerra" desta semana.

Pode ver aqui.

27 de maio

José Ferreira Fernandes escreve hoje, no "Público", um artigo que só ele poderia escrever. E também o escreve como só ele sabe esc...