duas ou três coisas
notas pouco diárias de Francisco Seixas da Costa
sábado, agosto 01, 2026
Discriminação ibérica
Por que será que o ódio obsessivo da direita portuguesa a Pedro Sánchez, uma vez mais disciplinadamente ao lado do PP e do Vox na crise de Ceuta, parece não ter o menor contraponto em qualquer atitude da esquerda espanhola, que dá ideia de nem saber o nome de Luís Montenegro?
Graça Morais
Alexandre Pomar escreveu isto que eu, se soubesse escrever o que ele escreveu, gostaria de ter escrito.
É isto mesmo!
Um beijo, Graça.
FIFA
Infantino foi forçado a desistir do projeto de privatização da FIFA. Agora, resta saber se o desgaste que a ideia provocou na sua imagem será suficiente para vir a afastá-lo da liderança da FIFA. "À suivre".
sexta-feira, julho 31, 2026
Na montra
O caráter (ou a falta dele) de certas pessoas revela-se bem pelo modo como, em lugar de afirmarem solidariedade, procuram retirar efeitos políticos da emergência migratória que a Espanha atravessa em Ceuta.
quinta-feira, julho 30, 2026
Foi penalti?
Tenho dado por mim a pensar que as senhoras que, nas televisões, comentam os jogos de futebol e discutem o tema em debates devem ser extremamente qualificadas. É que, se acaso o não fossem, no ambiente machista que se vive no futebol, a sua vida não devia ser fácil.
Tudo está bem...
Que chatice, não é?
É minha impressão ou há muita gente à direita que tinha a esperança de se ver livre de Luís Neves e que agora parece desapontada pelo facto de, aparentemente, ele ter conseguido desarmadilhar o imbróglio em que se tinha deixado cair?
Geração 40
Jean Quatremer
Quem tenha passado algum tempo pelos corredores de Bruxelas conhece Jean Quatremer. Durante décadas, foi o correspondente do "Libération" junto das instituições europeias. Num meio relativamente pequeno, onde os jornalistas especializados nos assuntos comunitários acabam por formar uma espécie de tribo, Quatremer era uma figura incontornável. Tinha informação, conhecia os mecanismos, percebia os jogos de influência e escrevia com autoridade. Tinha um estilo muito próprio, muito vivo e um "boyish look" que era uma imagem de marca que nem o tempo apagou em definitivo.
quarta-feira, julho 29, 2026
"A Arte da Guerra"
Se tiver interesse, pode ver aqui.
Se não lhe apetecer, amigos como dantes, com votos de que tenha muito boas férias.
terça-feira, julho 28, 2026
A dignidade da República
O incidente na sala de um partido na Assembleia da República não é um "fait-divers". Sem a menor ironia, acho aquilo gravíssimo.
Se o secretismo de uma força política foi violado, dentro da casa da democracia, tratou-se de um atentado à República.
Se acaso foi uma encenação, o país político não pode deixar de retirar consequências.
Acabar tudo "em águas de bacalhau" é que não! Se tal viesse a acontecer, isso significaria que as instituições já não se levavam a sério.
segunda-feira, julho 27, 2026
O 1° governo constitucional fez meio século
domingo, julho 26, 2026
sábado, julho 25, 2026
Jornalismos
A conversa, moderada por Maria Flor Pedroso, reuniu no Clube dos Jornalistas três profissionais da área do jornalismo, ao final da tarde da passada quinta‑feira. O encontro, que vem na sequência de outros, revelou‑se interessante: profissionais a refletirem, com candura e frontalidade, à luz da sua diversa experiência, sobre o modo como as mutações tecnológicas e culturais estão a reconfigurar o seu ofício.
sexta-feira, julho 24, 2026
Comemorações nacionais?
Serei eu quem está enganado ou seria natural que a posse da pessoa encarregada das comemorações nacionais da datas fundacionais do país fosse uma cerimónia com uma alargada presença política? Olhando a assistência, fica a ideia de uma quase "conversa em família". Não foi bonito.
É só uma sugestão...
Houve algum MAI reconhecidamente exemplar? Houve. Assim, acho que tudo recomenda a que venha a ser testado num lugar um pouco mais acima.
Domingos Simões Pereira
Não faço parte de quantos têm uma endémica compulsão — que sempre achei uma forma de paternalismo pós-colonial — que os leva a estar sempre a "mandar bitaites" sobre a vida política interna das antigas colónias portuguesas, mesmo que por razões alegadamente afetivas, salvo naquilo que o nosso relacionamento bilateral torne imperativo.
A alegria das tascas
No Reino Unido, Andy Burnham decidiu baixar os custos fiscais que impendem sobre os "pubs". Não deve tardar muito até que, por cá, um conhecido líder do pessoal da conversa de tasca venha a emulá-lo com uma proposta idêntica, para dar um bónus etílico ao seu eleitorado.
Fragilidade
Para uma população como a da Rússia, que sempre olhou o poder político à luz da capacidade de proteção perante o exterior, as flagelações diárias por drones ucranianos devem estar a induzir uma estranha sensação de fragilidade, com seguro impacto na imagem de Putin.
quinta-feira, julho 23, 2026
Hortaliças de Estado
Há poucas semanas, soube da morte de Carlos Westendorp. Foi uma figura relevante da diplomacia espanhola: ministro dos Assuntos Exteriores, secretário de Estado dos Assuntos Europeus, alto representante da União Europeia para a Bósnia-Herzegovina, deputado europeu. Chefiou o grupo que viria a ficar conhecido pelo seu nome — o “grupo Westendorp” —, criado em 1995 para preparar propostas de alteração ao Tratado de Maastricht. Foi também embaixador de Espanha em Washington e junto das instituições europeias. Uma carreira cheia e prestigiada.
quarta-feira, julho 22, 2026
Tempus fugit
Condecorações
Tal como sucedeu nos nomes escolhidos para o Conselho de Estado, António José Seguro revelou excelente equilíbrio e sentido de Estado nas nomeações que fez para os Conselhos das Ordens Honoríficas portuguesas. Os nomes de Guilherme d’Oliveira Martins, Nunes Liberato e Graça Freitas são a garantia de juízos ponderados e responsáveis nas propostas de atribuição das distinções pelo chefe do Estado.
Luís Represas
Carol
terça-feira, julho 21, 2026
Seguro segura-se?
É interessante constatar como a crise que envolve dois ministros funciona como um teste ao presidente da República, para avaliar o grau de crítica pública que ele está disposto a assumir. Depois do surpreendente intervencionismo nas intempéries, Seguro será agora mais timorato?
Jorge Martins
Foi há um quarto de século que conheci pessoalmente Jorge Martins, um pintor cuja obra ja admirava. Com o meu colega José Guilherme Stichini Vilela, fui ao atelier em Campo de Ourique ver um óleo seu que o MNE ia adquirir para a residência da nossa missão na ONU, onde eu iria viver dias depois. À distância, já não me recordo se tive alguma palavra a dizer quanto ao quadro que foi escolhido, mas julgo que sim, sem o que não teria sentido a minha deslocação. Tinha-me voluntariado para levar a pintura no transporte da minha bagagem para Nova Iorque. Instalei-a quando ali cheguei e ficou lindamente na principal sala, onde creio que permanece.
A magnífica pintura de Jorge Martins respira hoje muito bem no torreão da Cordoaria, onde convivem tempos distintos do seu percurso artístico. Aconselho vivamente uma visita. Estará por lá todo o mês de agosto.
segunda-feira, julho 20, 2026
O momento Sanjo
Remate final
Num Mundial de futebol cheio de polémica, aliás justificada, é muito positivo que o vencedor, a uma clara distância, tenha sido a melhor equipa na final. A Espanha foi um justo vencedor. Trump não deve ter gostado.
Do diálogo democrático
domingo, julho 19, 2026
Portas
Folheei-o duas ou três vezes. Depois arrumei-o tão criteriosamente na estante que nunca mais lhe pus a vista em cima — um talento que fui aperfeiçoando ao longo dos anos: esconder livros de mim próprio com uma eficácia que faria inveja a qualquer serviço secreto.
Hoje, ao olhar para esta fotografia que há pouco tirei numa rua de Lisboa, apeteceu-me relê-lo. Tenho a sensação de que teria muito a dizer sobre esta porta, que parece ter desistido de guardar segredos e resolvido abrir-se ao mundo da forma mais dramática possível.
Procurei o livro e não apareceu.
Sendo assim, vou ver a bola. Há portas que não se abrem e livros que não se encontram. O futebol, esse, começa à hora marcada.
Alerta
Mas não é que têm razão? Há pouco, descobri esta subliminar infiltração do Bloco numa caixa de ventilação.
Cuidado! Eles estão em toda a parte!
Bola podre
A aparente quase unanimidade que parece existir em torno da reeleição do atual presidente da FIFA — depois do seu vergonhoso comportamento durante o Mundial — revela bem afinal o que é o mundo do futebol internacional. Quase que se podia dizer: volta, Blatter, estás perdoado!
Geografia de chuteiras
Dizer-se ao mundo que a final do Mundial de futebol teve lugar em Nova Iorque, quando na realidade teve lugar em Nova Jersei, é mais uma daquelas pequenas vigaricezinhas da FIFA.
Comentários
Recordo que, desde há vários meses, este blogue deixou de acolher comentários.
Contudo, continua a ser possível consultar os comentários inseridos desde 2009. Eles fazem parte integrante da história do "Duas ou Três Coisas".
O lado certo da droga
sábado, julho 18, 2026
Poluição
O Presidente da República impõe a ausência de telemóveis em determinadas reuniões no Palácio de Belém. Ora aqui está uma bela medida no combate a um certo tipo de poluição.
Guerra Civil
Liturgias cidadãs
É positivo que as pessoas sigam o hábito de se levantarem à chegada do Presidente da República a uma cerimónia pública. As liturgias da República são um gesto de respeito pela coletividade, ali simbolizada pelo Chefe do Estado.
O senhor que se segue
Gulbenkian
Parabéns a António Feijó e à sua excelente equipa.
sexta-feira, julho 17, 2026
Chinesices de Trump
Nota-se uma inquietação por detrás da narrativa de Donald Trump sobre a existência de irregularidades eleitorais nis EUA, pressentindo já dificuldades nas intercalares de novembro. Entretanto, ninguém parece acreditar que uma eventual ingerência chinesa tenha tido uma influência decisiva no passado.
Ele há cada um!
Escrevi por aqui que a Argentina jogou melhor do que a Inglaterra. "Viu-se bem que és a favor da Argentina!", exclamou um amigo ao telefone. É extraordinário! O mundo está esquisito. Se eu disser que o Messi é o mais genial jogador deste mundial, fico abraçado ao Milei?
Um engenheiro do caos
Não se entende a razão pela qual nunca ninguém se lembrou de utilizar um conhecido génio de organização logística para pôr cobro ao caos (1) no INEM, (2) nos aeroportos e (3) nos exames. E, já agora, no governo.
quinta-feira, julho 16, 2026
Nuno Brederode Santos
Lembrei-me dos tempos em que chegava ao Procópio, depois de jantar, pedia o primeiro whisky (depois, passei ao whiskey) ao Juvenal ou ao Luís ou ao Carlos, e entrava numa charla divertida com o Nuno, sobre política e tantas outras coisas, ao sabor dos eventos do dia ou de quem se fosse entretanto juntando à mesa.
Foram muitos anos, muitas noites e muitas madrugadas de conversa. Quando, casualmente, alguém por ali levava mais a peito um argumento, logo o Nuno lembrava que aquilo não passava de uma tertúlia, com o que isso significava de não nos devermos levar demasiado a sério. Com os anos, como ele dizia, tinhamo-nos tornado no "ventre mole do núcleo duro".
E se afinal...
É um clássico as oposições pedirem a demissão de um ministro sob fogo. Surge a dúvida: se o primeiro-ministro lhes fizer a vontade e vier substituir todos os ministros contestados, o seu governo acabará por merecer a simpatia das oposições? Ou não será que o problema afinal é ele mesmo, o primeiro-ministro?
Convém lembrar!
A final do Mundial de futebol terá lugar entre duas equipas que, no terreno, não conseguiram ganhar a Cabo Verde.
Ah! Pois é.
Malkland
A graça do futebol, outra vez: a cinco minutos do fim as Falkland ganhavam; pouco depois, a glória vai para as Malvinas. Para zanga dos meus amigos britânicos e argentinos, sempre chamei àquilo Malkland.
quarta-feira, julho 15, 2026
Melgaço
Ouvi então o meu pai pedir "água de Melgaço". E acordei para o facto dessa bebida ser o parente pobre do triângulo que dava o nome à empresa: "Vidago, Melgaço e Pedras Salgadas".
Estávamos habituados a pedir Pedras ou Vidago, mas nunca tinha bebido água de Melgaço! Provei-a. Gostei. Hoje, confesso, seria incapaz de a distinguir das outras águas gasocarbónicas — o meu paladar nunca ascendeu a esse grau de refinamento hidrogeológico —, mas na altura pareceu-me excelente, talvez por efeito do contexto, ou do entusiasmo da descoberta.
Tendo a minha mãe nascido nas Pedras Salgadas, onde a água gasosa era qualificada como a "água da companhia", a que os habitantes, em outros tempos, tinham direito de fornecimento domiciliário sem custos, em nossa casa só entrava "água das Pedras". Fiquei um fã eterno de Pedras.
Ainda assim, a experiência de Melgaço deixou-me curioso. De regresso a Lisboa, telefonei para a empresa a perguntar como poderia adquirir Água de Melgaço. Do outro lado da linha, instalou-se um silêncio que não augurava grande procura. Após alguma insistência, lá aceitaram vender-me duas grades.
Fiquei à espera.
Dias depois, ao sair de casa, deparei com uma camioneta da VMPS estacionada na rua, naquele inconfundível verde e branco que anunciava águas com história. Um empregado consultava uma papelada com ar ligeiramente perplexo. Tive um pressentimento.
— Veio fazer alguma entrega?
— Tenho aqui um nome, mas o número da porta deve estar errado. Nunca aqui vim. Venho entregar uma água que ninguém pede…
Era para mim.
Lá estavam as duas grades de pequenas garrafas de Água de Melgaço. As tampas — as caricas, como se diz em lisboês — já apresentavam alguma ferrugem, e o gás, esse, tinha desertado há muito. Mas pouco importava. Aquilo já não era água: era uma prova material de obstinação.
Dizem-me que, desde então, a Água de Melgaço tem tido um destino comercial mais glorioso.
Coisas da bola
Esta é magia do futebol: quando pensamos que a França tem um modo de jogar quase imbatível e que a Espanha, tendo embora um bom futebol, não lhe "chega aos calcanhares", a realidade no terreno desmente-nos.
Tanto se me dá...
Contrariamente à maioria das pessoas, sou quase sempre neutral a ver futebol. Neste Mundial, tirando Portugal, Cabo Verde e um pouco o Brasil, "tanto se me dá como se me deu", como antes se dizia. Mas, vá lá! Confesso que a eliminação dos EUA não me mergulhou numa inconsolável tristeza...
Gestão
Um truque bem sucedido por parte de Luís Montenegro é ter conseguido criar a ilusão de que o problema não é ele e a sua flagrante incapacidade em gizar um projeto eficaz de governo. Limita-se a queixar-se e a deixar queimar ministros. Sabem o que é um "governo de gestão"? É isto!
terça-feira, julho 14, 2026
De quadra em quadra
O convite para aquele jantar fora aceite com gosto. O casal brasileiro que nos ia receber — que tínhamos conhecido num cocktail, semanas antes — revelara-se muito simpático. Ele era magistrado.
segunda-feira, julho 13, 2026
"Powder room"
Desunião europeia
A União Europeia não consegue entender-se para sancionar as exportações de colonatos ilegais na Cisjordânia. Esta União Europeia, em termos morais, tem a espinha dorsal de uma amiba. Contudo, ouvindo os seus líderes, continua a ter pretensões de ser levada a sério. Que tristeza!
Bom senso e bom gosto
Palavrinha
Uma palavrinha do senhor Presidente da República ao senhor Primeiro Ministro, estranhando que medidas do âmbito do executivo sejam anunciadas por um porta-voz partidário, seria muito bem vinda, a bem da salubridade da vida democrática. E nem precisa de ser divulgada.
Davim
Margarida Davim é uma jornalista bem preparada, corajosa e sem papas-na-língua. Posso imaginar que a sua frontalidade já esteja a ser incómoda para alguns. Estejam atentos.
Dois pesos?
Veremos se o senhor primeiro-ministro virá a jogo defender o seu ministro da Administração Interna, alvo da extrema-direita, com o mesmo afã com que agora protegeu o ministro da Educação, ai-jesus da direita liberal.
O pessoal
Há dias, uma importante figura do PSD, crítica de Montenegro, dizia-me: "Todos sabemos que o PS, quando está no poder, enxameia a Administração Pública de gente amiga. O PSD faz exatamente o mesmo, mas nunca a qualidade média do pessoal escolhido foi tão medíocre como agora".
Ah! Pois é!
Luís Neves, o recém-nomeado ministro da Administração Interna, tem, desde há muito, um discurso político baseado nos factos — e não nas perceções e nos mitos. Isso não agrada à direita radical, na qual se inclui a linha dominante na AD. Está e estará, por isso, sob fogo.
Escolham
Mariano Rajoy, antigo primeiro-ministro espanhol, desencadeou uma tormenta mediática ao escrever num artigo (não se tratou de uma declaração precipitada) que, não obstante a sua qualidade, a seleção de futebol francesa não tinha franceses. Racismo, xenofobia, estupidez. Escolham.
domingo, julho 12, 2026
Um livro e uma mesa (28)
O livro de hoje é "A Fazedora de Reis - a vida de sedução, intriga e poder de Pamela Churchill Harriman", de Sonia Purnell, uma edição Dom Quixote.
O restaurante de hoje é "Puro Azeite", em Outeiro do Lobo, na Estrada Nacional 121, entre Ermidas do Sado e Santiago do Cacém, com o tlf. 965 448 049.
Saber reagir
Há dias, reagindo a uma intervenção minha num debate, um participante, por sinal um amigo, interpelou-me assim: "Ó Francisco! Estou em completo e total desacordo consigo!" Falhei a reação, da minha parte, que devia ter sido: "Isso só confirma que eu disse coisas certas"...





































