Lula decidiu não explorar a evocação do golpe de Estado militar de 1964, que a direita radical brasileira qualifica eufemisticamente de "revolução".
Já agora, convem precisar que o golpe foi no dia 1° de abril e não em 31 de março, como a ditadura sempre pretendeu, fugindo ao "dia das mentiras".
Pode considerar-se, com alguma legitimidade, que ao não aproveitar esta ocasião para sublinhar historicamente o período sinistro e criminoso da ditadura militar, Lula não faz justiça às respetivas vítimas. É verdade, mas Lula terá ponderado que é mais prudente apostar no futuro.
Lula terá entendido que, tendo já conseguido isolar os "militares de Bolsonaro", com a ajuda da atual hierarquia lealista das forças armadas, seria prudente apostar numa conciliação nacional, 60 anos depois do golpe.
O futuro dirá se esta foi a aposta certa.