domingo, maio 28, 2023

Com a cabeça na lua

Há semanas, numa conversa telefónica, veio à baila a célebre noite de 1969, em que, por todo o mundo, muitos madrugaram para conseguir ver, no nosso caso na televisão a-preto-e-branco, com o Mensurado a relatar, a chegada do primeiro homem à lua.

Explicava eu à pessoa com quem falava que, estranhamente, esse não havia sido o meu caso: tinha um exame de Sociologia no dia seguinte e, com uma disciplina de comportamento em que, nos dias de hoje, me não reconheço, tinha-me ido deitar cedo, depois de reler a muito sublinhada sebenta do professor José Júlio Gonçalves.

Foi então que ouvi, desse amigo quase da minha idade, com formação superior, sem a menor ponta de ironia, porque ele é assim, permanentemente dado às mais sofisticadas (se o termo se pode usar nesse contexto) teorias a conspiração: "Não perdeste nada, como sabes. Aquilo foi tudo montado em estúdio, para mostrar uma suposta superioridade tecnológica americana, em tempo de Guerra Fria. E a patranha pegou, para muitos, até hoje."

Creio que, na passada, lhe perguntei o nome da ilha onde vivem o Michael Jackson e o Elvis Presley. Ah! Esse amigo é um fiel seguidor político de um líder que ele trata sempre por “André”. E está ansioso pelo regresso de Trump, a quem o Biden "roubou" as eleições, é claro!

A vida, sem esta diversidade de gentes, não tinha graça nenhuma.

5 comentários:

Anónimo disse...

Senhor embaixador
Não pôs a questão, mas eu respondo; pois eu estava em Chaves, a formar batalhão (como se dizia...), e calhou a estar de oficial de dia, nessa "noite", jovem aspirante que era...
Passei uma bela noite, acompanhado por poucos e por alguns copos, no bar "aberto" para se ver a chegada do homem à Lua.
MB

Flor disse...

Mas é que não tinha mesmo!

manuel campos disse...


Uma parábola, suponho.

O problema é que as pessoas a quem esta "mensagem" tem que ser dirigida não vêm aqui e às que venham não as convence, muito pelo contrário, como será o caso deste seu amigo.

Não escondi nunca as minhas ideias políticas como não esconderei nunca que, quanto mais se fala no Trump, no "André" e em tantos outros, associando-os a tudo o que há de mau à face da política, mais votos lhes estão garantidos.
Enquanto não se falar do que a esquerda faz de bem em contraposição ao que a direita faz de mal, nas mesmas circunstâncias e com factos, não vamos lá.
Podemos andar por aí, mas não vamos lá.

Mas eu ando de Metro e de autocarro todos os dias, ouço o "povo", porque com as minhas muitas limitações "aburguesadas" sou do povo, mas não me atrevo nunca a falar em nome dele.

Agora tenho que ír aí tratar de uns assuntos que ninguém trata por mim.

Anónimo disse...

Pois eu tinha exame de Direito Civil no dia seguinte e o meu Pai não me deixou ver e mandou-para a cama
Fernando Neves

Francisco de Sousa Rodrigues disse...

Quando o princípio da realidade não se estrutura temos estas e outras "excentricidades".

Que Praga!

Ainda bem que o jogo acabou. Estava farto de ouvir chamar Chéquia à República Checa.