Na passada quarta-feira, na Universidade Autónoma de Lisboa, dei uma aula sobre Multilateralismo. Foi mais de uma hora e meia, com um grupo de alunos interessados e interventivos. Se a professora Sónia Sénica não tivesse colocado um ponto final ao debate, aquilo tinha-se prolongado sabe-se lá até quando!
Demos uma "volta ao mundo" das organizações multilaterais, da sua origem, história e desenvolvimento, em especial ao longo do século XX - o século de consagração do multilateralismo. Falámos das diferenças entre as diplomacias bilateral e multilateral, dos métodos de trabalho diversos para operar em cada uma. E discutimos muito o que foi a aculturação portuguesa ao mundo multilateral, desde as reticências da ditadura à "explosão" da nossa ação externa nesse domínio, no pós 25 de Abril. E falámos, claro, dos problemas que o multilateralismo atravessa, com a ONU no centro dessa crise.
Comecei a aula perguntando aos alunos se já tinham mandado uma carta pelo correio, para o estrangeiro. E se, ao pagarem o selo no ato do envio da carta, acaso se tinham perguntado por que motivo alguém se iria dar ao ao trabalho, no destino, de ir entregar a carta ao endereço indicado. Com certeza, esse serviço tinha de ser pago, o que significava que parte do custo do selo tinha de ser entregue ao serviço dos correios desse país. Uma coisa óbvia. Da mesma forma que entendemos natural que, ao colocarmos o endereço, escrevamos o nome do destinatário, depois a artéria, a cidade (mais modernamente, o código postal) e o país. Quem "combinou" que isso fosse assim? Como é tudo começou? Como é que os países se organizaram, entre si, para que tudo funcione, em termos de respeitada reciprocidade?
Foi por causa de tudo isto que, em 1878, foi criada a União Postal Universal, a primeira estrutura institucional multilateral de vocação global. A diplomacia é feita destas pequenas grandes coisas bem úteis ao mundo.
