Pela leitura da imprensa, constata-se que, no setor autárquico surgem, com grande frequência, suspeitas, acusações e condenações por corrupção.
Posso imaginar que a esmagadora maioria dos autarcas, que sabemos ser gente honesta e trabalhadora e faz um trabalho magnífico em prol da dignificação do poder local, se sinta regularmente incomodada com este labéu que se coloca a pessoas do seu setor.
Terá porventura chegado o tempo dos nossos autarcas perderem o subliminar corporativismo, que deriva do seu embaraçado silêncio face ao comportamento culposo dos seus colegas incumpridores, e "chamarem os bois pelos nomes", tomando a dianteira da luta contra a corrupção no seu setor.
Por exemplo, ficaria muito bem a uma entidade como a Associação Nacional de Municípios Portugueses ter a coragem de organizar uma conferência sobre "O poder autárquico e corrupção", criando simultaneanente, no seio da organização, em articulação com o Ministério Público e os órgãos de polícia, uma unidade de monitorização do fenómeno, com ações de formação e troca internacional de experiências, revelando assim transparência e determinação em separar o trigo do joio.