O dilema do presidente da República parece ser este: lançar ou não uma crise de instabilidade, com consequências imprevisíveis, através de uma eventual convocação de eleições, como resposta ao que parece considerar como um desafio aos seus poderes. Alguém que deu provas de prezar muito a estabilidade, mas que se sabe pretender estar sempre de bem com o "ar do tempo" que, a cada momento, prevalece na opinião pública, deve estar a hesitar bastante sobre o que fazer. Uma "birra" em torno da manutenção de um simples ministro valerá o risco de lançar uma faúlha na pradaria? Ou o que aconteceu configura, para ele, uma provocação que pode vir a afetar duradouramente o atual equilíbrio de poderes, criando uma "jurisprudência" desfavorável, no futuro, à própria instituição Presidência? Porque Marcelo Rebelo de Sousa é um imenso solitário nas suas decisões, dado que entende que tem um capital acumulado de experiência política superior a quem quer que seja (mesmo a António Costa), a sua decisão será sempre íntima. Seja ela qual for.