Um dia, na Noruega, um amigo brasileiro, o Pedro Avelino, "apresentou-me" a Rita Lee. Era, disse-me, uma antiga rockeira convertida às baladas. A mulher do Pedro, a Mônica, derretia-se com essa música. O som que ele trazia num LP, comprado no Rio, era o do "Lança Perfume". De facto, era diferente. Convenceu-me. Fiquei fã. Depois, em férias em Portugal, consegui o álbum com o "Mania de Você". Mais tarde, fui comprando outras peças da minha avantajada coleção da Rita Lee, da qual consta também o excelente "Baila Comigo". Levei tudo para Angola, em 1982, com dezenas de outros discos (os CDs estavam então a começar) mas, a pouco e pouco, com o aparecimento de outras novidades, fui esquecendo a cantora.
Quando vivia em Brasília, vi anunciado um espetáculo de Rita Lee. Sou pouco dado a shows de música popular com público ululante, com aqueles cromos que enchem os corredores e o espaço junto ao palco, estragando a vista e o sossego de quem comprou o que supunha ser um bom bilhete e quer apenas ver o espetáculo e ouvir a música, sem precisar de aturar, às primeiras estrofes, as palmas dos engraçadinhos que parece querem dizer-nos "ai! esta já conheço". E, quanto a rever artistas do passado, imensos barretes enfiei, por esse mundo fora, em acessos de revivalismo que me levaram a maus e caros espetáculos. Mas, enfim, em Brasília os shows eram raros, tive um descuido e lá fui ver a senhora. Que desilusão! Foi como ver o Eusébio a jogar no União de Tomar. Saí antes do fim!
Rita Lee morreu hoje. Vou ouvir as suas músicas velhas, também para me lembrar de mim quando as ouvi pela primeira vez.
