sábado, dezembro 31, 2022

O irrelevante


Esta figura chega ao final de 2023 como o principal (ir)responsável pela irrelevância do Conselho de Ministros na posição da União Europeia na crise ucraniana.

6 comentários:

  1. manuel campos13:47


    Há muitíssimos anos e durante alguns tempos presidi a uma espécie de comissão em Bruxelas (fica assim porque foi a sensação com que saí de lá, aquilo que devia ser uma comissão não era bem uma comissão).
    Mérito meu: zero para além de ser português.
    Cada país tinha dois representantes, um do ministério que tutelava o tema e outro do sector privado (este era eu).
    Por um acaso de circunstâncias que nunca percebi bem, o país que devia ter sido votado não estava entusiasmado com a ideia e preferia “vice-presidir” e, dado que eu me dava muito bem com o respectivo representante do sector privado e ele me considerava um tipo porreiro (vá-se lá saber porquê), acabo a ouvir Portugal a ser proposto quando eu já só olhava para o relógio, farto da jiga-joga dos nomes que íam sendo avançados.
    Por fim sou “entronado” como chefe, apesar dos meus vagos protestos pois estava mesmo a ver que o líder ía ser o outro (a tal história de que já falei aqui), valha a verdade que isso acabou por não contar dada a excelente relação pessoal.
    Nestes casos não se discute muito, era Portugal e não eu que estava em causa e Portugal não me tinha passado mandato para recusar nada (também não mo tinha passado para aceitar, é verdade, mas os leitores percebem a situação).
    Andei assim uns três anos a caminho de Bruxelas, o que não me agradava nada.
    Nessa altura estava a trabalhar umas 10 horas por dia, corria de reunião para reunião, ír a Bruxelas uma vez por mês com saída de Lisboa no avião da manhã e regresso a Lisboa no avião da tarde, uma sandes como almoço e nem 10 minutos para ír á FNAC (que ainda não havia cá) era o programa mais estúpido que se pode imaginar e uma canseira inútil, mas “a man's gotta do what a man's gotta do” (deve ter sido o John Wayne que disse isto num filme de cowboys qualquer).
    Tanta conversa para dizer que conheci muita gente por lá e que um senhor como este tenha chegado onde chegou não me espanta nada de nada, é até evidente.
    Trabalhei numa empresa industrial de alguma dimensão no princípio da minha carreira e, quando finalmente fui promovido da produção (o barulho) para a sede (as alcatifas), costumava dizer, para escândalo de muitos, que mesmo que a produção cessasse por inteiro na área fabril, ali na sede ainda teríamos 3 anos de trabalho a trocar papéis entre nós.
    É assim que eu vejo estas grandes organizações , onde conheci muita gente brilhante (a pessoa mais brilhante até era um português) mas que estão cheias de pessoas que subiram na hierarquia a “trocar papéis entre eles”.

    ResponderEliminar
  2. “mesmo que a produção cessasse por inteiro na área fabril, ali na sede ainda teríamos 3 anos de trabalho a trocar papéis entre nós”: é tão verdade em tantos sectores e em tantos países! É o poder da tecnocracia de gestão (por spreadsheet) que tomou conta de muitas organizações por esse mundo fora. Trabalho num sector diferente, num país diferente, e a frase aplica-se muito bem.

    ResponderEliminar
  3. Irrelevancia nisso e em tudo o resto.
    Desse senhor lembro a vergonhosa atitude quando foi visitar Erdogan com a senhora von der Leyen

    ResponderEliminar
  4. Caro Manuel Campos, há muito tempo que não ouvia/lia uma frase tão intensa no seu conteúdo como esta com que nos brindou. Muito obrigado pelos comentários que partilha connosco. Aproveito para desejar a todos os que frequentam este blog um Excelente 2023.

    ResponderEliminar
  5. Estas fotografias das pessoas com símbolos redondos por trás, fazendo-as parecer santos (uma procura do ridículo por parte dos fotógrafos), conseguem ser mais repetitivas do que a música pimba. Ainda esta semana saiu, também, uma imagem do Guterres com "halo".

    ResponderEliminar
  6. manuel campos13:27


    Caro António Barata

    Muito obrigado pelas suas palavras.
    Não há maior alegria para quem gosta de escrever do que saber que há quem o leia com tanto gosto.

    Uma prova disso está neste blogue que de "notas pouco diárias" tem felizmente cada vez menos, num momento em que o panorama da blogosfera nacional se vem reduzindo a olhos vistos, vítima de uma excessiva falta de isenção no tratamento dos temas e uma irritabilidade à flor da pele dos autores para com os comentadores que não pensam como eles, o que tem levado a que alguns blogues outrora "de referência" tenham perdido as pessoas que pensavam pela própria cabeça, parece cómodo mas é sempre esse o princípio do fim.

    Um excelente 2023 para si

    ResponderEliminar

O lugar de Portugal

Na Casa do Meio-Dia, em Loulé, com moderação da diretora do Jornal do Algarve, Luísa Travassos, falei ontem sobre o lugar de Portugal num mu...