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quinta-feira, dezembro 29, 2022

Pelé


Quando fui trabalhar para o Brasil, em 2005, levava comigo o projeto de conhecer três figuras - Pelé, Niemeyer e Chico Buarque. Também queria conhecer Lula, mas isso viria “with the job".

Conheci e conversei com Oscar Niemeyer. Não conheci Chico Buarque, embora, de facto, nunca me tivesse esforçado muito para isso. Mas vim a conhecer Pelé, uma das figuras que, desde sempre, mais me fascinaram no mundo do futebol.

Falei com ele pouco tempo, a poucos dias antes de deixar de ser embaixador no país, no intervalo de um famigerado Brasil-Portugal, onde a nossa seleção foi batida por uns humilhantes 6-2.

Semanas mais tarde, num restaurante de Nova Iorque, o meu futuro sucessor em Brasília, João Salgueiro, viu Pelé e decidiu apresentar-se, revelando que seria o nosso novo embaixador no Brasil, para onde partiria dentro em pouco.

Pelé perguntou-lhe: "Vai substituir aquele embaixador de cabelos brancos, que eu conheci, muito triste!, em Brasília, na noite em que Portugal perdeu connosco?". O meu colega confirmou.

Eu estava, de facto, bastante triste e isso não deve ter escapado a Pelé. O que ele não sabia é que tê-lo conhecido terá sido a minha única alegria daquela noite.

Hoje, voltamos ao registo triste. Morreu Edson Arantes do Nascimento, o imenso Pelé.

É a vida!

Pode ser que seja apenas "wishful thinking", mas fiquei ontem com a sensação de que André Ventura já se está a ver, daqui a semana...