quinta-feira, 5 de abril de 2018

Débil

Na passada segunda-feira, em Madrid, do aeroporto para o hotel, ouvi no rádio do carro um divertidíssimo debate entre três comentadores desportivos que antecipavam a jornada europeia das equipas espanholas destes dias. (Nem eles adivinhavam a surpresa que o pontapé de bicicleta de Ronaldo iria provocar no mundo...)

Nessa conversa, comecei a estranhar a ausência de referências ao Atlético de Madrid. Mas ela apareceria, no final, por sugestão do moderador, dando origem a um simples comentário: “Os colchoneros não têm desculpa, o adversário português é muito débil”.

Recostei-me de desconforto no banco do carro e pensei que, no fundo, o homem tinha razão. O (meu) Sporting era uma equipa débil.

Não sou um “expert” de futebol, que, no entanto, é a modalidade desportiva que mais prazer me dá assistir. Sou sportinguista, adorava que o Sporting ganhasse mais vezes, mas não perco um segundo de sono quando, como muitas vezes acontece, o meu clube perde. 

O futebol para mim é apenas um jogo, o meu clube não é uma religião, é apenas uma opção afetiva irracional que me acompanha desde criança, por influência do meu pai, mas confesso que nunca consegui sentir (devo dizer que nem nas vitórias!), um arrebatamento emocional absoluto pelo trabalho de onze artistas de pé-de-obra, contratados a peso de ouro (alguns deles tanto podem estar no Sporting como noutro clube qualquer, dependendo do que se lhes pague), em que raros são os que sentem algo de especial no emblema que trazem ao peito. 

Hoje, uma vez mais, o Sporting foi débil. Como, aliás, o tem sido no campeonato português. Nunca deu a impressão de poder vencer este jogo, que começou a perder demasiado cedo, com erros de palmatória. Teve ocasiões para marcar? Teve, mas não as aproveitou e dos “quase” estou farto. E muitos sportinguistas comigo.

4 comentários:

Sportinguistateu disse...

Só Jesus ainda tem fé.

josé ricardo disse...

E eu que pensava que o seu clube de coração era o Sport Clube de Vila Real... Enfim... teias que não nos conseguimos desligar...
À parte desta pequena provocação, ainda não consegui entender a razão por que 90 e tal por cento dos adeptos de futebol em Portugal estão repartidos por três clubes. Por que razão uma pessoa nascida em Vila Real (em Braga, em Viseu, em Coimbra, em Tondela, em...) prefere dar dinheiro a um clube de Lisboa (ou do Porto), enquanto sócio, e não ao clube da sua terra. Depois, estas mesmas pessoas queixam-se do desnivelamento territorial, do dinheiro que é todo canalizado para as cidades, da desertificação, etc.
Esta é uma das razões por que gosto do Guimarães. Do mesmo modo, o trabalho do presidente do Braga em prol de uma mudança de mentalidade (em Braga eram todos benfiquistas) também merece elogios. É que nos outros países (europeus) não se passa nada disto. Não será por aqui que devíamos mudar o futebol português?

Luís Lavoura disse...

ainda não consegui entender a razão por que 90 e tal por cento dos adeptos de futebol em Portugal estão repartidos por três clubes

Boa observação.

Sendo que para aí dois terços dos adeptos de futebol em Portugal são adeptos de um só clube, o Benfica. Pergunta-se: para que servem os outros clubes todos, se bem mais de 50% dos adeptos só quer que o Benfica ganhe?

Luís Lavoura disse...

Não entendo tantas queixas sobre a debilidade do Sporting. Ao fim e ao cabo, o Sporting apenas perdeu por 2-0 contra um clube que, supostamente, seria muitíssimo mais forte que ele. Ou seja, o Sporting obteve um resultado bastante pouco penalizador, e que em princípio é perfeitamente possível reverter.
O Sporting contra o Atlético de Madrid é mais ou menos como o (meu) F.C.Porto contra o Arsenal. Ora, o F.C.Porto perdeu 5-0, o Sporting apenas perdeu 2-0. Pode portanto o Sporting gabar-se de ter perdido por poucos.