Na passada segunda-feira, em Madrid, do aeroporto para o hotel, ouvi no rádio do carro um divertidíssimo debate entre três comentadores desportivos que antecipavam a jornada europeia das equipas espanholas destes dias. (Nem eles adivinhavam a surpresa que o pontapé de bicicleta de Ronaldo iria provocar no mundo...)
Nessa conversa, comecei a estranhar a ausência de referências ao Atlético de Madrid. Mas ela apareceria, no final, por sugestão do moderador, dando origem a um simples comentário: “Os colchoneros não têm desculpa, o adversário português é muito débil”.
Recostei-me de desconforto no banco do carro e pensei que, no fundo, o homem tinha razão. O (meu) Sporting era uma equipa débil.
Não sou um “expert” de futebol, que, no entanto, é a modalidade desportiva que mais prazer me dá assistir. Sou sportinguista, adorava que o Sporting ganhasse mais vezes, mas não perco um segundo de sono quando, como muitas vezes acontece, o meu clube perde.
O futebol para mim é apenas um jogo, o meu clube não é uma religião, é apenas uma opção afetiva irracional que me acompanha desde criança, por influência do meu pai, mas confesso que nunca consegui sentir (devo dizer que nem nas vitórias!), um arrebatamento emocional absoluto pelo trabalho de onze artistas de pé-de-obra, contratados a peso de ouro (alguns deles tanto podem estar no Sporting como noutro clube qualquer, dependendo do que se lhes pague), em que raros são os que sentem algo de especial no emblema que trazem ao peito.
Hoje, uma vez mais, o Sporting foi débil. Como, aliás, o tem sido no campeonato português. Nunca deu a impressão de poder vencer este jogo, que começou a perder demasiado cedo, com erros de palmatória. Teve ocasiões para marcar? Teve, mas não as aproveitou e dos “quase” estou farto. E muitos sportinguistas comigo.