quinta-feira, 19 de abril de 2018

Abafado


A expressão foi: “sinto-me abafado com esta paisagem!”. Foi há muitos anos, precisamente neste mesmo local. Estávamos por aqui com uns amigos e um deles, infelizmente já desaparecido, revelou-nos o que podia ser a reação natural de um “ser urbano” a um cenário imponente de montanhas. Lembro isto porque, ao aqui chegar, há pouco, foi essa frase insólita, que trazia gravada e me veio, de súbito, à memória. Gosto imenso de cidades, admito que talvez goste mesmo bastante mais de cidades do que “do campo”. Mas a majestade deste fantástico pedaço de Portugal nunca me “abafou”, bem antes pelo contrário. A esse amigo, sim, e eu até o posso perceber: um filho do asfalto, das esquinas e das avenidas do mundo, sedento do ruído, a ele por aqui ensurdecido pelo forte silêncio dos montes. Pelo contrário, a mim, hoje, esta vista, numa estupenda temperatura primaveril, deu-me um sopro tão grande de bem-estar que logo me fez encomendar um gin tónico, em copo alto, como prolegómeno líquido a um sólido cabrito que viria ao jantar. E que bom que estava o Evel 2014!

4 comentários:

Anónimo disse...

Um dizia-me que este ar é demasiado puro para ele: preciso de poluição!

Rui C. Marques disse...

Quem não fica "abafado"?
Magnífico jantar!

PSICANALISTA disse...

Cuidado com o ego !!!

-O pavão de hoje,pode ser o espanador amanhã !!!

dor em baixa disse...

Abafado entre paredes altíssimas de cimento e um chão de asfalto, isso sim.