Olhando para a comunicação social internacional, fica muito claro o que significou esta deslocação de Varoufakis a Lisboa.
O antigo ministro grego das Finanças quis “apanhar boleia” da festa da Revolução portuguesa para lançar o seu movimento político para as eleições europeias, precisamente no país do presidente do Eurogrupo, onde se situa o essencial das políticas que combate.
A luta de Varoufakis é hoje também contra o primeiro ministro Tsipras, como se viu em todas as entrevistas, pelo que a Avenida da Liberdade foi a “praça Sintagma” que arranjou mais à mão.
O partido português “Livre”, que pertence ao mesmo movimento político europeu, deu um deliberado palco a Varoufakis e aproveitou para se promover.
Notou-se o silêncio embaraçado do Bloco de Esquerda, que tanto tinha endeusado Varoufakis no passado. É que, embora os bloquistas, lá no fundo, concordem em pleno com as críticas feitas por este a Centeno, estar a destacá-las neste contexto seria ajudar à propaganda rival do “Livre”.