segunda-feira, 16 de abril de 2018

Centeno

Tenho Mário Centeno na mais elevada conta. Não sendo minimamente qualificado para julgar a sua competência técnica, enquanto cidadão parece-me que tem feito um lugar excelente, com a conjuntura a ajudar, naturalmente.

Foi uma bênção para o país esta excelente escolha de António Costa.

Não fui, contudo, dos portugueses que ficaram mais satisfeitos com a ida de Centeno para a presidência do Eurogrupo. Porque temi que, no seu louvável esforço para mudar, naquele contexto, a imagem de Portugal, ele pudesse ser tentado a alguns excessos de zelo. E que, nessa mesma onda, pudesse ser seduzido por hipóteses futuras em lugares de maior influência, embora não desconheça o efeito positivo que tudo isso pode vir a ter para a imagem e os interesses a longo prazo do nosso país. Mas eu sou um cético do longo prazo...

Confio - mas confio mesmo! - em que António Costa e Mário Centeno acabarão sempre por tomar as melhores decisões. Mas gostava que ambos nunca se esquecessem de que esta nossa gente e este nosso país vivem aqui, hoje e nos amanhãs imediatos que contam (mesmo que eles já não “cantem”), não a um prazo longo em que, como bem lembrou Keynes, todos estaremos mortos.

2 comentários:

Reaça disse...

Centeno é dos meus, e Costa deu a volta à esquerda toda.

dor em baixa disse...

Os amanhãs já não cantam? Cantam, cantam, a música é que é outra. Não seria possível viver sem amanhãs que cantem.