segunda-feira, 30 de abril de 2018

Sarney



José Sarney tem 88 anos, mas tem a política no corpo. 

Chegado à presidência brasileira pelo mais famoso golpe constitucional da história do seu país - ascendeu ao lugar por decisão dos militares, como vice de um presidente eleito mas que não tinha chegado a tomar posse -, viria a ser ele a inaugurar a era democrática, depois da sinistra ditadura dos generais. 

Antes, Sarney tinha chegado a presidente da Arena, o “partido” mais próximo dos militares, que contrastava com o mais democrático MDB. Curiosamente, Sarney virá a consagrar-se, depois da saída do Alvorada, como um dos principais caciques do PMDB, que sucederia ao MDB. É nessa qualidade que irá surgir como um dos mais seguros apoios de Lula, durante os seus dois mandatos, conseguindo sempre uma quota significativa de ministros e cargos públicos para os seus protegidos, ao longo de todo esse período.

Suscito isto hoje aqui porque acabo de ler na imprensa brasileira que Sarney mudou a sua inscrição eleitoral para o Maranhão. Este é o Estado que a família Sarney dominou por décadas, por familiares ou protegidos, mas cujo governo perdeu nas últimas eleições. O próprio Sarney, contudo, tinha-se entretanto “transferido” politicamente para o Amapá (um Estado resultante de uma partilha do Pará), por onde é há muito senador e onde estendeu a sua influência. Agora, parece querer regressar ao seu feudo tradicional, onde um dia mandou construir um museu-mausoleu cuja saga faz parte do anedotário do Brasil.

José Sarney não se afasta muito da generalidade dos políticos brasileiros, que sempre assentam o seu poder em Brasília na expressão política que retiram do seu Estado de origem. No seu caso, porém, há uma diferença que o não favorece, face a alguns outros desses caciques. É que, sob o seu reinado, o Maranhão estiolou economicamente, progrediu muito pouco na área social, manteve-se numa grande pobreza e tem sido regular pasto de corrupção - a qual, diga-se em abono da verdade, não abrange apenas o partido e a gente de Sarney.

O visível descaso de Sarney pelo Estado ao qual agora, pelos vistos, pretende regressar contrasta, por exemplo, com o desenvolvimento que foi induzido ao Estado da Bahía pelo também “coronel” (designação tradicional brasileira para os antigos caciques locais) António Carlos Magalhães, o famoso ACM, ou “Toninho Malvadeza”, para os seus detratores. Mesmo os críticos de ACM são forçados a reconhecer ter ele sido responsável por um notável surto de desenvolvimento em Salvador e em outras áreas do seu Estado. Aliás, ainda hoje ali mantém, depois da sua morte, uma alargada veneração pública, que, em parte, justifica que o seu neto (e homónimo) seja hoje prefeito de Salvador, num Estado onde o PT consegue ainda manter o lugar de governador. Nenhum reconhecimento similar marca a imagem de Sarney no Maranhão.

Uma nota final, agora luso-portuguesa: quer José Sarney quer António Carlos de Magalhães sempre foram bons amigos de Portugal, com claras expressões disso dadas em diversas ocasiões. O que só prova uma tese que há muito alimento: no Brasil, é quase sempre na direita que é possível encontrar os melhores amigos do nosso país. A exceção, relevante, foi Lula da Silva.

4 comentários:

Anónimo disse...

não só a politica, mas também a safadeza e a corrupção, jarro ruim não quebra!!! O Maranhão estado arrasado por anos de domínio da família Sarney

Mal por Mal disse...

Para a Roussef, portugal não dizia absolutamente nada.

Anónimo disse...

Bem essa do Lula ser amigo de Portugal, não sei não. Já se esqueceu da figura ridicula e ignorante que ele fez em Madrid, elogiando a colonização espanhola das américas e vilipendiando a portuguesa no Brasil. Será que Lula, algum dia ouviu falar em Cortez, Pizarro, Almagro, entre outros? Lula foi daqueles que só foi á escola para "comer merenda", aliás a unica frase que a esmagadora maioria dos brasileiros aprendeu nas aulas de História é esta: " os portugueses roubaram nosso ouro e nossas indias". Esquecem quer gostem ou não é que o Brasil á luz do Direito da época era uma parcela do território de Portugal, e apenas vinha um quinto do ouro encontrado, isto quando vinha, porque já nessa época eram muitos os ladrões, quer nascidos e criados lá, quer idos daqui de Portugal.

Anónimo disse...

Quanto á esquerda brasileira não gostar de Portugal, é preciso ver que a esmagadora maioria dela é de indole populista e semi analfabeta. Veja-se os caso de Lula, Roussef, entre outros.