Ontem, ao ver os três telejornais das 20 horas (por “truque”, uns começam mais cedo) interroguei-me sobre a informação a que, nos dias de hoje, temos direito.
Os três canais hesitaram entre dar destaque de abertura à patética novela mexicana em que se transformou a presidência do Sporting ou à tragédia que envolveu uns inconscientes que foram andar de parapente para o Meco. Escuso de referir as prioridades editoriais da CMTV.
Ontem, dia 9 de abril, celebrava-se o centenário daquela que foi uma das batalhas mais trágicas da história das forças armadas portuguesas. Num gesto raríssimo, o chefe de Estado francês, acompanhado do seu homólogo português e do chefe do governo, deslocaram-se ao cemitério da Flandres em estão os que se sacrificaram pela pátria. A comunidade portuguesa em França, a mais significativa em número em todo o mundo, ficou extremamente prestigiada pelo gesto do presidente francês.
Mas as nossas televisões remeteram as suas peças sobre o evento em Richebourg para o meio da “tabela” dos seus telejornais. Para a informação dos três canais, o ”desastre” não foi La Lys, foi o Meco, e o “presidente” que mereceu destaque foi BdC, não Marcelo ou Macron.