segunda-feira, abril 09, 2018

O “9 de abril”


Na minha adolescência, todos os anos, pela primavera, no dia 9 de abril, uma cerimónia tinha lugar em frente a minha casa, em Vila Real. Com alguma tropa, pompa e autoridades, o monumento a Carvalho Araújo, um valente marinheiro vilarrealense, que havia sido morto por um bombardeamento da Marinha alemã, em 1918, quando o seu navio protegia um barco de passageiros em pleno Atlântico, era coberto de coroas de flores. Era assim que Vila Real honrava a memória de muitos transmontanos que, nessa que era a data da batalha de La Lys, tinham morrido pela pátria.

Nas vésperas, a Liga dos Combatentes da Grande Guerra andava pelas casas e cafés a pedir alguma ajuda financeira, dando em troca uns pequenos capacetes verde-e-preto, com um alfinete, para colocar na lapela. A Legião Portuguesa, a partir de certa altura, passou a intervir nessa ação. (Lembro-me bem da indignação do meu pai: “Estes tipos da Situação querem ficar com a História para eles”).

No seio das figuras que faziam parte regular desta celebração anual, lembro-me bem de um velhote que se evidenciava pelo elevado número de medalhas que trazia ao peito. Havia também por ali alguns outros soldados da guerra 14/18, mas o mais medalhado destava-se. Era Aníbal Augusto Milhais, dito o “soldado Milhões”, de Murça, que se distinguira como ninguém pelo seu heroísmo naquela terrível batalha na Flandres francesa. Era o único que possuia a Torre e Espada de Valor, Lealdade e Mérito, a mais alta condecoração nacional. Morreu em 1970.

Hoje, 100 anos depois da batalha de Lys, é justo recordá-lo.

3 comentários:

  1. Reaça13:17

    Portugal caiu em muitas ratoeiras, esta foi uma delas.
    Pior só Alcácer Quibir.
    Havia gente (anti-salazarista) opinava que deviamos entrar na guerra que se seguiu.
    Penso que seria só pelo seu anti-salazarismo que tiveram essa ideia.
    Outra ratoera tinha sido o Napoleão e Wellington em Portugal.

    ResponderEliminar
  2. Anónimo18:00


    A nossa participação na 1ª Guerra teve de esperar que a Alemanha declarasse guerra a Portugal.
    Os tratados entre Inglaterra e Portugal indicavam que os ingleses só podiam disponibilizar créditos e ajuda militar se assim fosse.
    Portugal da 1ª república não tinha nem os capitais financeiros nem os capitais intelectuais para entrar em guerra sem a ajuda inglesa.
    Os alemães tinham colónias de fronteira com Portugal e precisavam do Cabo submarino,o qual saia de Carcavelos, para enviarem as suas mensagens para as suas colónias em África por isso aguardaram tanto tempo.
    Quando o contingente português de militares chegou a Inglaterra percebeu-se que desconheciam a totalidade das técnicas de guerra daquele tempo. Ainda foram iniciados em alguns combates mas.... lidar com gazes e cordões de obuzes não era fácil.
    Estavam totalmente desprevenidos para aquilo. E foram utilizados como carne para canhão pois as tropas inglesas estavam tão desmotivadas como eles. Foi naquela frente que se decidiu a guerra, no entanto.

    O resto é fado............

    ResponderEliminar
  3. Anónimo01:56

    O que é mais interessante também é conhecer-se o acordo entre Inglaterra e Alemanha para ficar cada uma com uma das colónias portuguesas como paga das dívidas a um e outro. As dívidas pareciam ser imensas e as colónias nesta altura eram.... ainda muito pobres. Talvez S. Tomé com o chocolate era a única mais industrial mas... com o trabalho de escravo dos africanos deslocados à força.
    Para Portugal era impensável obter esse dinheiro porque estava falido e sem nada para compensar novos credores. Até porque o regime não tinha bom nome nas praças financeiras mais importantes e por isso nem retaliou este acordo. Dá-se a guerra e tudo foi esquecido.
    Como de costume...... o resto.....é fado

    ResponderEliminar

O que tem de ser

Há pouco mais de nove anos, no dia em que Donald Trump tomou posse pela primeira vez, escrevi este texto na coluna semanal que então tinha n...