quinta-feira, maio 19, 2022

A guerra das palavras

Desculpem lá, mas é absolutamente ridícula esta discussão sobre se a saída de Azovstal é uma “vitória ucraniana” ou uma “vitória russa”. A única coisa que é óbvia é que a saída, com vida, de toda aquela gente foi uma vitória da diplomacia e da atenção mediática à tragédia.

6 comentários:

Luís Lavoura disse...

Não necessariamente. Pode ter sido uma simples rendição. Em Azovstal podiam estar a ficar sem munições, sem alimentos e/ou sem água. E então, simplesmente, renderam-se. Da mesma forma que os alemães se renderam em Estalinegrado, sem necessidade de diplomacia nem de atenção mediática.

Manuel Pacheco disse...

Sendo assim porque não aconteceu há mais tempo. Esta maneira de suavizar as palavras.

Jaime Santos disse...

Sem dúvida, Mariupol já tinha caído há muito e a não ser que as tropas em Azovstahl decidissem sacrificar-se só para não serem capturadas vivas (o que seria inútil e consequentemente profundamente estúpido) o único desfecho possível (e o único desfecho decente) era o presente.

josé ricardo disse...

Discordo em absoluto. A palavra diplomacia parece não existir neste conflito, muito (também) por culpa do ocidente. É notar, logo no início, a crítica extemporânea que Guterres fez à Rússia, colocando-se, claramente, numa dos lados. E não me venham com variantes do tipo diplomacia subterrânea, paralela, ou outra coisa qualquer. O que aconteceu é que a rendição faz parte, estrategicamente, de uma qualquer guerra.

Joaquim de Freitas disse...

Luis Lavoura tem razão. 31 JANEIRO 1943
À frente do Sexto Exército alemão, o marechal Friedrich Paulus capitulou às forças da URSS em Stalingrado, hoje conhecida como Volgogrado.
Esta derrota alemã, extremamente custosa em vidas humanas para ambos os lados (quase um milhão de mortos em seis meses) marca uma grande virada na Segunda Guerra Mundial.
“Perto de Rastenburg, no G.Q.G. do Führer, foi consternação. Em 31 de Janeiro, o homem do destino teve um verdadeiro colapso nervoso. Ele não podia aceitar a rendição de von Paulus.
Para ele, o dever do marechal (arrependeu-se amargamente de lhe ter conferido na véspera essa dignidade) era suicidar-se.
Essa “traição” lhe parecia muito mais séria do que a perda de centenas de milhares de homens. Pela primeira vez, a maior parte do alto comando alemão, imbuído de antigas tradições militares, compartilhava desse ponto de vista.
De 31 de Janeiro a 2 de Fevereiro, apesar da proibição de Hitler, o Sexto Exército alemão capitulou após dois meses e meio de cerco, isolado apesar dos ataques da Luftwaffe, bombardeado dia e noite, exausto pela fome, frio e neve.
Dos 330.000 cercados, apenas 120.000 prisioneiros sobreviveram. As forças do Eixo perderam um total de 800.000 homens em Stalingrado, um quarto das forças na frente oriental.
Depois, para os prisioneiros, foi o grande "passeio" a pé até à Sibéria. Muitos não voltaram a casa!


Em MARIOUPOL, hoje, assistimos a algo de extraordinàrio, quando se trata da guerra na Ucrânia, torna-se atípico; já não obedece a nenhum padrão de informação tradicional. Antes, as informações eram obtidas, datadas, invalidadas ou confirmadas, validadas ou negadas, certificadas, documentadas.

Eu recordo bem: era eu que lia os comunicados de guerra ao meu Pai, no"Jornal da Tarde" quando chegava da escola... Bons tempos !

O emissor da informação envolvia a sua credibilidade e até, em alguns casos, sua honra profissional. Essa foi inclusive a diferença alegada pela informação profissional vis-à-vis as redes sociais.
Hoje, não é mais assim. A CIA e o Pentágono, a direção da inteligência americana, tornaram-se verdadeiras agências de notícias. Eles cumprem suas funções. Produzem informações ao longo do dia, análises, previsões, antecipações, comunicados de imprensa que são retomados e amplificados por todos os meios de comunicação ocidentais sem a sombra de uma avaliação crítica.

Quando a informação se revela falsa e quando o evento anunciado não acontece, nem nos comovemos com isso, não negamos nada, não pedimos desculpas por nada, não duvidamos da fonte, e mesmo, espectáculo espantoso, aberrante, até se age como se o evento devesse ter ocorrido.
A verdade e a mentira não existem mais.

A verdade e a realidade estão separadas. E, coisa extraordinária, não é a informação que é reinterpretada de acordo com os factos, são os próprios factos que são reinterpretados de acordo com informações de cuja veracidade não duvidamos nem por um momento. Inédito na história da informação. Nem Goebbels fez isso!

Nuno Figueiredo disse...

Nato.

A carta da Líbia

Naquela segunda metade da década de 70, as relações entre Portugal e os países árabes iam de vento em popa. Os mercados árabes, diluídas que...