quinta-feira, maio 19, 2022

“A Arte da Guerra”


A necessidade de uma negociação ampla entre o ocidente e a Federação Russa sobre a Ucrânia, a questão da neutralidade no seio da Europa e as lições a tirar das eleições no Estado da Renânia Vestefália, na Alemanha, são os três temas que ocupam o podcast ”A Arte da Guerra”, do “Jornal Económico”, a minha conversa semanal com o jornalista António Freitas de Sousa.

Pode ver clicando aqui.

3 comentários:

Anónimo disse...

Ainda não sabemos o que vai acontecer aos que se renderam e estão entregues a separatistas russos; alguns deputados da Duma já pediram o fuzilamento! A ver vamos como isto acaba.

Luís Lavoura disse...

A necessidade de uma negociação ampla entre o ocidente e a Federação Russa sobre a Ucrânia

(1) Não percebo como é que, tecnicamente, duas partes podem discutir sobre o que se fará com uma terceira parte.

(2) Não é comum numa guerra por procuração os mandantes discutirem diretamente. Por exemplo nas guerras coloniais, os Estados discutiram com os movimentos independentistas, nunca com quem estava por detrás deles. Acho eu.

António Cabrita Costa disse...

Alguns detalhes sobre o beco sem saída…

Acho, se alguém ainda tinha dúvidas, que a cada vez mais inevitável crise alimentar mundial está a fazer as cabeças pensantes, que acharam plausível fechar a via diplomática para este conflito e, ao invés, enveredar pela agenda do complexo industrial militar americano, entrar em modo pânico, se alguém tem essa dúvida, isso é possível de se ver nas entrelinhas:

No Wall Street Journal vem a falar da hipótese da administração americana levantar as sanções à Bielorrússia de forma a permitir, primeiro, a exportação dos cereais ucranianos por via férrea, segundo, permitir também que a Belaruskali (só a segunda maior produtora mundial de fertilizantes à base de potassa…) possa novamente fornecer os mercados europeus.
As várias reuniões entre o G7, entre altas figuras da ONU para encontrar uma solução para este problema chegam a ser cómicas porque, de quase de certeza o único porto capaz de processar os cereais transportados por via férrea através da Bielorrússia é o porto de São Petersburgo… Nota-se que têm tudo pensado!
Há também a sugestão de fornecer mísseis harpoon para serem colocados em Odessa de forma a permitir o rompimento do bloqueio naval actualmente imposto pelos russos ao estratégico porto. Como se comentava no The Duran (aconselho vivamente!), tal hipótese significará, no imediato, um extraordinário aumento dos bombardeamentos à cidade.
Mas o nível de pânico que se está a instalar nos nossos líderes, e esta é a parte que realmente assusta, é fruto dos nossos líderes estaremmesmo surpreendidos por os russos, sob, provavelmente, as mais violentas sanções económicas alguma vez impostas a uma nação se recusarem a fornecer, gás, petróleo, cereais, fertilizantes e todo o resto das matérias-primas que até forneciam o globo nos mesmos termos que sempre fizeram. Nunca lhes passou pela cabeça que os russos, perante essas sanções dissessem, “querem trigo? Só se o comprarem nas nossas condições!”. Literalmente nunca lhes passou pela cabeça que isso iria acontecer.
Por isso hoje a Alemanha está a comprar petróleo à Itália que, por sua vez, aumentou exponencialmente as suas importações de petróleo russo, pago em rublos. Por isso está tudo a comprar gás em rublos e por isso o rublo está quase a chegar aos 50 rublos por cada dólar (alguém ainda se lembra como o rublo ia valer menos que papel higiénico?) e só se pode imaginar que valor terá o rublo quando os russos informarem o mundo que só vendem trigo em rublos…
E isto é em Maio, quando chegarmos a Outubro, Novembro, como é que vai ser? E para o ano, com a produção agrícola da Ucrânia completamente comprometida pelo conflito? Isto claro se chegarmos até lá…

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