quinta-feira, maio 28, 2020

Os novos libertários

Em alguns tolinhos, a moda começou mais cedo. Noutros, é coisa mais recente. É a “revolta”, o apelo à “desobediência” contra a “ditadura” do confinamento “oficial”, uma espécie de deriva libertária, a darem-se ares liberais.

E se tivessem um pai ou uma mãe no hospital, com respirador? Diriam o mesmo?

12 comentários:

  1. São insuportáveis. E acham que foi tudo um exagero porque não foi tão mau como se dizia. Não foi um desastre precisamente porque houve confinamento.

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  2. 1) O pai ou a mãe devem, eles, proteger-se para evitar terem que ir para o hospital. O filho não tem que se proteger, deve continuar a trabalhar e a ter a sua vida social em toda a liberdade. Somente as pessoas que estão em grupos de risco é que se devem restringir (e eventualmente ser restringidos) de forma especial.

    2) Se o pai e a mãe estão no hospital com respirador, é certamente porque já eram pessoas muito frágeis (devido à idade ou a doenças crónicas) e de pés para a cova. Não devemos temer especialmente que pessoas nessas condições morram - a morte é algo de normal, faz parte da vida, e é normal e, no limite, desejável que pessoas já muito idosas ou doentes morram.

    É preciso distinguir claramente entre a covid-19, que é uma doença que só é perigosa para um grupo muito restrito de pessoas (idosas ou fragilizadas por doenças crónicas), e doenças que são perigosas para quase toda a gente, como o ébola. Estas últimas justificam medidas especiais para todos. A covid-19, não.

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  3. Anónimo11:45

    Entretanto, o arranjo feito para permitir a festa do Avante (enquanto se rebenta com não sei quantos postos de trabalho nos festivais), não lhe merece uma palavra. Política acima de tudo.

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  4. João Cabral15:41

    «Não devemos temer especialmente que pessoas nessas condições morram - a morte é algo de normal, faz parte da vida, e é normal e, no limite, desejável que pessoas já muito idosas ou doentes morram.»
    Espantoso.

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  5. Anónimo16:04

    Fiquei boquiaberto no noutro dia com José Miguel Júdice a censurar (só agora..) o confinamento (exagerado e tal ..) e apelar a um desconfinamento à bruta. Que intelecto maleável!

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  6. Anónimo16:53

    Uma forma muito subtil de Eutanásia. Velharia para a cova. Abençoado cronovirus. Dirá o Sr. lavoura.

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  7. Luís Lavoura, faça umas contas. Se o R0 da covid-19 for 2,5 (valor do Governo, mas noutros países é superior), a imunidade de grupo é alcançada quando o número de susceptíveis estiver abaixo de 1/R0=40%, o que quer dizer que, na ausência de uma vacina, 60% das pessoas terão contraído a doença e ficaram curados ou morreram.

    Isto implica que 6.000.000 de Portugueses terão ficado infectados, a maioria de forma ligeira, alguns de forma mais grave. Suponhamos que fazemos como a Suécia e mantemos o Rt ligeiramente acima de 1, para evitar uma sobrecarga dos hospitais e deixamos correr a doença.

    A taxa de letalidade de infectados nunca será inferior a 0,15% (1,5 por mil) porque esse é o número que se obtém dividindo o número de mortos na Lombardia pela sua população total (mau grado o confinamento!). Estudos serológicos feitos na Alemanha apontam para 0,4% e no Estado de Nova Iorque para 0,6%, enquanto cálculos do epidemiologista francês Lionel Roques apontam para 0,8% (sugiro que procure o artigo dele, é de download gratuito).

    Isto em Portugal dá, para 0,15%, 9.000 mortos. Para 0,4%, dá 24.000. Para 0,6% dá 36.000 e para 0,8% dá 48.000 mortos. Qualquer destes números é uma catástrofe sanitária. Um número muito pequeno multiplicado por milhões de pessoas dá milhares de mortos.

    E não, não serão apenas os mais velhos a morrer, mesmo se cada vida vale exactamente o mesmo.

    Serão também muitas pessoas na vida activa, nomeadamente aqueles em tarefas de maior risco, médicos, enfermeiros (a taxa de infecção nestas classes é de 8%), auxiliares em hospitais e lares, polícias, bombeiros, empregados de supermercados e outros serviços essenciais.

    Algo me diz que o Luís Lavoura não trabalha em nenhum destes sectores, pois não? Agora, se ficar infectado e precisar de tratamento vai certamente dirigir-se a um hospital, não vai?

    Tenha pois juízo e use máscara sempre que puder e cumpra as regras de segurança se não quer colocar todos estes profissionais em risco. Você e todos os restantes 'libertários'.

    O contrato social só faz sentido se formos capazes de fazer a nossa parte e cuidar dos outros. Porque, se não o fizermos, pode ser que o Luís Lavoura precise de um ventilador ou de um médico e depois não haja...

    Sacrifica-se assim tanto pela sua Liberdade? Se o fizer, ficarei, como o João Cabral, verdadeiramente espantado...

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  8. Isto em Portugal dá, para 0,15%, 9.000 mortos. Para 0,4%, dá 24.000. Para 0,6% dá 36.000 e para 0,8% dá 48.000 mortos. Qualquer destes números é uma catástrofe sanitária.

    Não, esses números não são nenhuma catástrofe. Uma vez que a esperança de vida média de uma pessoa é de 83 anos, todos os anos têm que morrer 1/83 = 1,2% das pessoas. Tanto faz que morram de covid como de desastres automóveis ou suicídios ou cancros ou gripe, todos os anos morrem 1,2% das pessoas (de facto, provavelmente em Portugal até morrerão mais que isso, dado que a população portuguesa já à partida é anormalmente envelhecida). Logo, se 0,8% das pessoas morrerem em 3 meses devido a covid, isso não é propriamente um número do outro mundo, é certamente um número muito violento, mas não é uma catástrofe. Até porque quem morre devido a covid são em geral pessoas que já estavam de pés para a cova (por serem muito idosas ou sofrerem de diversas debilidades), logo, as 0,8% que morrem durante esses 3 meses são compensadas nos meses seguintes por uma mortalidade abaixo do normal.

    cada vida vale exactamente o mesmo

    Isso é falso, e basta assitir, como já me aconteceu, em breve sucessão a um funeral de uma avó e de uma neta para ver a diferença: no funeral da avó há resignação e pouca tristeza, no funeral da neta há imensa tristeza.

    Já assisti a mais de uma morte à qual a reação das pessoas foi "foi um alívio, até mesmo para ela própria".

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  9. Serão também muitas pessoas na vida activa [a morrer]

    Sim, sem dúvida, mas serão somente as pessoas já fragilizadas por condições prévias (obesidade, doenças cardíacas ou respiratórias, etc). Há muitas pessoas na vida ativa (incluindo médicos, bombeiros, etc - empregados de supermercado, nem tanto) que já estão com a saúde muito debilitada por condições desse tipo. Essas pessoas morrerão, sem dúvida, de covid. Mas, se não fosse a covid, morreriam de outra forma qualquer a breve trecho. A covid acelera a sua morte, aumentando de forma temporária a mortalidade (as pessoas morrem agora de covid, mas deixam de morrer nos próximos dois anos de outras causas).

    O importante é isto: todos os estudos indicam de forma inequívoca que 80% (mais ou menos, não sei os números exatos) das mortes são de pessoas com mais de 80 anos de idade, e os restantes 20% são de pessoas que, praticamente sem exceção, estavam já previamente muito debilitadas por outras condições (que não a idade). Ou seja, ninguém jovem e de boa saúde morre. Só morre quem já estava, de qualquer forma, de pés para a cova (numa expressão popular, que me perdoará).

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  10. Luís Lavoura, não estou espantado, estou estupefacto. A morte é uma inevitabilidade na nossa vida, mas não é uma fatalidade pré-determinada. Podemos e devemos, graças ao nosso comportamento, evitá-la. Podemos decidir ter comportamentos de risco e pôr a nossa vida e a dos outros em risco, e podemos decidir não o fazer. Podemos e devemos em particular cuidar e proteger a saúde de quem cuida de nós...

    É isso que marca a diferença entre agentes morais e zombies...

    Aliás, a esperança de vida não tem o valor que tem por obra e graça do Espírito Santo, tem esse valor graças a políticas de saúde pública, como campanhas de vacinação e de higiene, sistemas de saúde como o SNS, campanhas de repressão de maus comportamentos na estrada, sistemas de pensões e apoio na velhice, políticas de higiene e segurança no trabalho, etc, etc.

    Vá ver qual ela era aqui há 46 anos.

    https://executivedigest.sapo.pt/estado-da-saude-esperanca-media-de-vida-dos-portugueses-aumentou-14-anos/

    Chama-se a isso ter um Estado que cuida dos cidadãos porque colectivamente decidimos que o maior de todos os tesouros, de facto o único, é a vida (John Ruskin).

    E por acaso, não lhe perdoo. Sou asmático e os meus Pais, embora de boa saúde têm mais de 70 anos. Estamos em grupo de risco e estaremos 'com os pés para a cova' se formos infectados.

    Por isso lhe pergunto, você está com o juizinho todo ao dizer o que diz? É que sabe, se está a brincar, não tem piada nenhuma...

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  11. Repito ainda para vincar o que disse acima o que já afirmei noutros fora, muito embora não há maneira dos 'libertários' perceberem isto.

    A taxa de mortalidade que o Luís Lavoura calcula como o inverso da esperança de vida, o número de mortes por pessoa e por ano, não provém de um qualquer processo de Poisson estabelecido por um Deus-que-joga-aos-dados. O mesmo se passa com as taxas de contágio e de recuperação (menos) no contexto da covid-19.

    A estatística não gera as mortes, as mortes é que dão origem à estatística.

    Está nas nossas mãos, através do nosso comportamento, mudar estes números e baixá-los onde possível e salvar vidas.

    O futuro não está determinado. Só está se baixarmos os braços e desistirmos. É tão simples como isso.

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  12. Anónimo19:37


    Ao anónimo das 11h45 de 28 de Maio.

    1 - O pessoal dos festivais foi quem pediu ao Governo que declarasse interdito os festivais. Por essa forma accionaram os seguros para casos que tais e retiveram as verbas dos bilhetes vendidos e não foram poucos. É uma grande mina, como calculará.

    2 - A festa do Avante! não é um festival de música… É um festa da gastronomia, da ciência, do teatro, do cinema, do debate político, da solidariedade internacional, do fado, do desporto, do folclore e também da música popular e erudita.

    3 - A festa do Avante! far-se-á com observância das regras sanitárias estabelecidas pela Direcção-Geral da Saúde. Lá, não andaremos sem observância daquelas regras como, ao contrário, ocorre diariamente nos transportes públicos e noutros locais, com, por exemplo, na Sonae e, em breve, anuncia-se, nos aviões nacionais e estrangeiros.

    4 - Na festa do Avante! há sanitários como não existem nos festivais que por aí pululam. Na Festa há muitos pontos de água, boa e à borla, e muito desinfetante. E muita alegria e fraternidade.

    5- Na Festa não são precisas pessoas como você que certamente iria infectar o recinto.

    João Perdro

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