domingo, 24 de maio de 2020

Bolsonaro (2)

O baixíssimo nível do discurso de Bolsonaro, que um vídeo de uma reunião ministerial revelou, pode acabar por ter um efeito positivo junto do eleitorado que o elegeu. Na realidade, muitas dessas pessoas, que têm, elas próprias, uma linguagem e estão num patamar cultural não muito diferente daquele que ali ficou projetado, sentem, afinal, que têm um presidente que está próximo de si.

12 comentários:

Anónimo disse...

o eleitorado que o elegeu e gosta disto ia elegê-lo na mesma -

Jaime Santos disse...

O problema, Sr. Embaixador, é que, ironia à parte, é exactamente isso que se passa com parte do eleitorado de Bolsonaro, que se caracteriza não apenas por ser profundamente anti-intelectual, como também por se tratar de pessoas francamente mal-educadas.

No que diz respeito às declarações pias sobre princípios cristãos de amor ao próximo, que alternam com as injúrias, estamos conversados. O termo 'deplorável' é demasiado brando para os descrever.

São alarves que se sentem representados por um alarve. Não almejam a mais. Não têm claro, nada a ver com o povo trabalhador, que desprezam e frequentemente exploram... Descendem dos coronéis escravocratas de outrora, que aboliram a monarquia imperial que promulgou (tarde e a más horas) a Lei Áurea e a substituíram por um república autoritária que é infelizmente ainda hoje a matriz do poder no Brasil.

No fundo, está tudo certo...

Take Direto disse...

É terrível, mas é isso mesmo. E aqueles ataques todos às instituições acabam por agradar os seus fiéis.

Anónimo disse...

Ainda o veremos saudar João Ferreira do Amaral por ter tido a coragem e o desassombro de nos alertar para os maus caminhos da União Europeia e do euro, num tempo em que fazê-lo era considerado uma bizarria, quase uma ideia ridícula e sem sentido.

Já será demais vê-lo saudar os comunistas pelos sucessivos e confirmados alertas acerca da construção europeia que realmente existe e pelo euro. Não disse nada lá no postado adequado por respeito e consideração ao justamente homenageado.

Anónimo disse...

Mas uma substancial parte do eleitores de Bolsonoro vem da “alta sociedade” . Eventualmente analfabetos...

carlos cardoso disse...

Seria realmente muito fácil se os eleitores de Bolsonaro fossem os tais alarves, analfabetos e exploradores, provenientes da alta sociedade. Provavelmente haverá de tudo isso entre eles, mas há também muitos, talvez a maioria, que veem das classes mais desfavorecidas e que, porventura "analfabetos da política" e desiludidos com os políticos "convencionais", acreditaram no canto da sereia populista.

O mundo é muito mais complicado que o que alguns comentadores parecem supor e não! não está tudo certo.

JFH disse...

Senhor Embaixador,

Considera que 46% dos Brasileiros têm baixa cultura e uma linguagem sofrível?
Considero que reduzir a explicação da eleição deste tipo de personagem à consideração de que são um espelho de quem os elegeu, pode ser uma conclusão precipitada e leviana em relação ao crescimento destes movimentos radicais e populistas.

Nota: Julgo que 46% foi o resultado da primeira volta das presidenciais de 2018.

Anónimo disse...

Aquilo mais parecia uma reunião de bando de bairro, com linguagem s condizer, a preparar ataque a um bando rival.
Isto alerta-nos para vermos até onde pode chegar gente que parece normal...
MB

Joaquim de Freitas disse...

LES BAS FONDS DE BRASILIA

Imagino facilmente as reuniões da quadrilha de Al Capone naquele sórdido edifício de Chicago, em frente do qual passei algumas vezes.

Hoje existem os mesmos em Brasília.
Uma "associação" de malfeitores, bandidos da alta sociedade ligados aos altos negócios, apoiados pela força armada sediciosa, ligados ao submundo, empregados pelo Messia, nome tão mal escolhido para um homem reles, novo “Padrinho” para salvar as finanças da família.

A descida ao submundo dessa gente, à miséria intelectual duma linguagem da favela, aliada à fobia anti petista, que para eles é comunista, o desejo de vingança de outros (os antigos “patriotas”), são as principais nascentes da acção, que ramificou a quadrilha, em várias histórias adjacentes, duma série de mortes, suicídios, corrupções e assassinatos.

Não há nenhum justiceiro idealista em Bolsonaro, como o Rodolfo, de Eugene Sue, que se propôs "recompensar o bem, (dos ricos) , perseguir o mal, (dos “petistas). E, pior ainda, se propôs defensor dos fracos e apela ao amor evangélico fraternal, indo mergulhar nas águas sagradas do Jordão, acompanhado pelos seus sequazes.
Imaginemos o grande “capo” de Chicago fazer-se baptizar nas mesmas águas do Cristo.

Não há justiça na Terra, muito menos no Brasil.

Os “bas fonds” de Brasília, Rio ou São Paulo, levam-nos para os asilos nocturnos, favelas, tripés, casas de tolerância, prisões, hospitais ou hospícios.

Mas também para as belas residências das ruas selectas, lá para a Barra, no Rio, de preferência, longe das legiões de "reprovados" e "infelizes".

Ai se encontra, nesta fauna, os ladrões, os canalhas, os criminosos, os prisioneiros amnistiados…quando não vivem na Suíça Facilmente reconhecíveis, eles usam a gíria do submundo dando a tradução em notas.!

A nossa bela língua, o Português, sai muito emporcalhada quando o submundo se abandona ao mais lamacento dos discursos…em Brasília. Ah, se pudéssemos proibi-los de falar “português” !

Muitos daqueles que apoiaram esta escumalha, no Brasil, em Portugal, neste blogue mesmo e no estrangeiro, utilizaram a palavra “democracia” para justificar a eleição desse indigente. Eleito democraticamente, como Salazar, Franco, Hitler e outros…Cumplicidade de crime é o que isto é.

Toninho disse...

É lamentável o esbarrão que este senhor dá na língua que usou Camões.
Um trupe que bem sabemos onde isso pode culminar e dá até arrepios,
quando os vejo levantando bandeiras como do AI5 e Intervenção militar sem saber
o que isto significa no todo. Uma trupe que por ódio de um partido são capazes de irem ao extremo. E se pergunta para eles sobre os doze anos do partido o que fizeram de ação comunista ficam de boca fechada.
É uma lástima ouvir o que ouvimos e aos berros.

Joaquim de Freitas disse...

Brasil: Auschwitz , o rapto d os pais e mães dos trabalhadores.



Vivemos tempos muito perigosos. Porque um vírus passeia entre nós, alguns pensam que o “homo sapiens” não é mais humano. Assim é, pelo menos no Brasil…

O Ministério da Economia e o Governo têm finalmente um plano para reanimar a economia após a nova crise do coronavírus.
Poderia muito bem chamar-se o “Plano de Auschwitz”, em homenagem ao infame campo de concentração (na verdade, três deles) da Alemanha Nazi, onde no portão de ferro foi escrito "Arbeit macht frei" em alemão. (Trabalho libera!)

Exagero? Leiam o que está escrito na Folha (jornal diário de São Paulo), de 14 de maio (no final do texto, porque os jornalistas, talvez por causa da sua juventude, não se aperceberam da gravidade do que está previsto, o que apontam no texto:

“O controlo [do regresso ao trabalho] seria garantido por um protocolo a definir pelo Ministério da Saúde com os procedimentos necessários (adaptações das linhas de montagem, como a distância entre os trabalhadores) para evitar o contágio.
Para isso, seriam necessários testes em massa.

Outra ideia em curso seria retirar a população que faz parte do grupo de risco, como os idosos, das casas destes trabalhadores, especialmente os mais necessitados.

Os intervenientes nas discussões dizem que uma proposta que está a ser analisada no Ministério do Interior prevê a seleção de idosos, especialmente nos grandes centros urbanos, e a sua transferência para hotéis que estão atualmente fechados.
A organização deste grupo de trabalho será deixada ao exército.

Vejam o que isto significa: para que o jovem possa voltar ao trabalho "em segurança", uma tropa do exército (ou polícia) vai a sua casa e "rapta" a sua mãe, uma mulher de 65 anos, e leva-a de carro, para um hotel onde os soldados estão estacionados, de onde não poderá sair e será colocada ao lado de alguém que nunca viu na vida. , sem visitantes e com a concessão final para poder olhar pela janela de um quarto minúsculo (claro, os hotéis de "cinco estrelas" não serão os hotéis escolhidos).

No final do século XVIII, a palavra pogrom iídiche referia-se à perseguição dos judeus (então eslavos, ciganos, protestantes...). O governo brasileiro quer agora fazer o pogrom dos "velhotes", prendendo os pais e as mães dos trabalhadores, para que os seus filhos sejam a carne das máquinas para ganhar dinheiro.

Isto está a ser analisado, diz o jornal, no Ministério do Interior do General Braga Netto.

Joaquim de Freitas disse...

ok