domingo, 10 de maio de 2020

Leonardo Mathias


Quando, há dias, desapareceu, depois de uma vida de sucesso e prestígio, tive o ensejo de fazer aqui um breve perfil admirativo de Leonardo Mathias, uma das mais brilhantes figuras da nossa diplomacia. E um amigo pessoal, o que, para mim, não é menos importante.

Hoje, no suplemento do “Público”, a jornalista Bárbara Reis traça-lhe um interessante perfil político e profissional, recuperando episódios e momentos da sua carreira, ouvindo alguns dos seus amigos e familiares. Recomendo vivamente a leitura deste artigo.

O texto aborda, desde o tíitulo, a dualidade de um percurso feito entre o Estado Novo e o novo regime democrático. Mathias identificava-se, sem ambiguidades, com o primeiro, em especial no tocante à política colonial, em que acreditava e que defendeu, com brio e com brilho.

Com o 25 de Abril, o grande servidor do Estado que ele era, sem necessitar de renegar as suas opções ideológicas, ofereceu a sua maestria diplomática ao novo país democrático que entretanto tinha emergido. Com lealdade, colocou o melhor de si ao serviço do país que sempre representou, da melhor forma que soube. É assim um grande servidor do Estado e ele foi-o, de forma excelente.

4 comentários:

Vasco Pereira disse...

Fico sempre admirado quando encontro alguém que consegue ser “amigo pessoal” de outrem com posições políticas tão distantes. Sendo eu profundamente anti colonialista não me vejo a ser “ amigo pessoal “ de alguém que advogue ( aparentemente convicto ) que um povo se subjugue a outro.
Não tome isto como uma provocação mas uma sincera perplexidade. Comigo não dava acredite.

Anónimo disse...

Um servidor do Estado para todas as estações. Não vejo nada de extraordinário nem de assinalável neste caso particular, sinceramente. Milhares de funcionários, tecnicamente muito competentes e zelosos do seu ofício, fizeram cá a mesma passagem pacífica. Na Alemanha, por exemplo, quantos altos funcionários do Estado serviram o regime nazi com zelo e vieram a fazer o mesmo depois? Sobrevivência e disciplina.
Quanto a amizades "improváveis", a questão levantada por outro comentador, também não vejo nada de extraordinário. Na amizade, como no amor, essas questões não se colocam.

Anónimo disse...

Se passadas décadas continuava defensor de um regime que caiu redondo e de uma política colonial indefensável, o que desconhecia, então era muito menos inteligente do que julgava.



Octogenário disse...

Para portugues que deteste colonialismos, deve sentir-se muito infeliz, vendo Portugal, permanentemente prostado de joelhos a pedir "esmolas" e "caridade"aos patrões "ricos" da Europa quando aparece uma troica ou uma virose, e aceitando todas as imposições de cabeça baixa.
Isso não é uma de colonizado?