Quando era embaixador em França, foi-me um dia chamada a atenção para o facto de um comediante, Patrick Timsit, ter feito comentários depreciativos sobre a comunidade portuguesa.
No meu anterior posto no Brasil, tinha-me defrontado, por mais de uma ocasião, com situações idênticas. Algumas vezes houve em que achei oportuno responder a esses comentários, às vezes com “estrondo” mediático. Outras, decidi não reagir.
Este é um problema que se coloca, de forma recorrente, aos embaixadores: avaliar se devem ou não atuar, em face de ataques públicos ao seu país ou aos seus cidadãos. Há que ponderar se tal reacção não acabará por ter um efeito desproporcionado, isto é, se não ajudará a chamar mais atenção para a questão do que aquela que ela teve no momento em que ocorreu. E, depois, nos casos em que decidirmos intervir, há que ainda que escolher e medir o tom que essa intervenção deve ter. Podem crer que é uma questão nada fácil.
No caso de Timsit, optei por aguardar, com vista a perceber se a questão tinha repercussão. Não teve e o assunto morreu.
Há dias, surgiu num canal televisivo um filme que tinha fados de Amália como banda sonora. Parei o zapping por ali. Era uma comédia francesa, com alguma graça, “Marie-Francine” - por cá seria chamada “50 são os novos 30” - assente num romance entre uma técnica de laboratório e um cozinheiro, cuja mãe era uma porteira portuguesa. O papel desse franco-português era desempenhado por Patrick Timsit.
Apetece-me dizer que tudo está bem quando acaba bem.
