sexta-feira, 22 de maio de 2020

Eles ai estão!

 

Se fosse só assistir a jogos de futebol, um dos mais belos desportos do mundo, era excelente!

Mas não: vai ser uma enxurrada de verborreia dos comentadores, das imensas conferências de imprensa, das críticas dos dirigentes e treinadores aos árbitros, com a polícia, que devia ter coisas mais úteis para fazer, a ser gasta a controlar manadas de claques ululantes, raivosas de ódios, cheias de ultras e racistas.

E lá estarão - atentas, veneradoras e muito obrigadas - todas as televisões, a toda a hora, telejornais de quilómetro incluídos, subservientes aos poderes de facto, inventando peças, filmando treinos, alimentando as intrigas, com notícias repicadas do jornais desportivos.

Há por aí um país que estava sedento do regresso às trincheiras clubistas, morto por ouvir falar de bola, nem que seja naquelas emissões patéticas, em que não se vê nenhum jogo, mais apenas uns tipos a falar do que eles estão a ver e os outros não.

Só um país triste se alegra desta forma.

12 comentários:

Take Direto disse...

Verdade. Transforma-se tudo naquelas discussões inúteis, onde os comentadores fingem que estão a discutir com as suas cabeças e que não estão só a reverberar com clubite pura.

Anónimo disse...

E o que é que isto tudo reflecte? Um atraso endémico do povo português, económico, educacional e cultural, a que não é estranho este sistema de democracia representativa, partidocrática, que estupidifica as pessoas. Enquanto não se der à sociedade civil canais para participar activamente na política e na civicamente, para onde ela se vira? Para coisas "importantes" como o futebol.

Anónimo disse...

Não exagere, não é sempre bola. De vez em quando também vamos ter o comissário Nogueira e o bombeiro Jaime a mandar os seus bitaites... e com um pouco de sorte ainda aparece o pardal!

João Cabral disse...

Desculpe lembrar-lhe, senhor embaixador, mas também não é com adjectivos como "javardo" que se contribui para a elevação do futebol português, cada vez mais emporcalhado. Por vezes, antes de tudo o mais, temos de olhar para trás.

Lúcio Ferro disse...

É o ópio do povo e o dinheiro, que isto de 22 broncos (ainda que bons rapazes) a correr atrás de uma bola gera muito dinheiro e toda essa malta que rola em torno do esférico tem de viver, tem de ganhar o seu, era o que mais faltava, ficarem forever em confinamento, então e a massa? Então e a poeira para os olhos do zé povinho?. Até digo mais, o futebol de alta competição, dos ronaldos e do raio que os parta é obsceno, um símbolo de tudo o que há de errado no modelo de "desenvolvimento" que se impingiu e se continuará impingir ao pagode. Provocam-me asco, e tão bom que foi não os ter tido de aturar nos últimos meses. E a malta queixou-se? É que sinceramente não vi muita gente a queixar-se.

Anónimo disse...

Bem esteve o dr. Pedro Santana Lopes que , ao ser interrompido na entrevista que estava a dar , para serem passadas as imagens do José Mourinho no aeroporto na sua chegada a Lisboa , mandou educadamente a jornalista que o entrevistava “ dar uma volta “ e recusou continuar ...
Atitude comentada pela positiva , subiu na consideração de muita gente , mesmo daqueles que não são seus adeptos .

soudocontra disse...

Muito bem Lucio Ferro. Concordo com tudo o que disse sobre o futebol. É pena que a gente que lá vai ver os jogos não tome consciência disso. É de facto lamentável e obsceno os ordenados de certos jogadores, senão de todos, assim como os dos dirigentes!

Anónimo disse...

Sr. João Cabral, "javardo" foi ainda um eufemismo! Eu se mandasse ( e aqui tem de se tirar o chapéu ao Rui Rio, único político que vi enfrentar um dos paquidermes cá da nossa terra ) havia de colocar tantas exigências aos clubes de futebol, aos dirigentes e às claques que...... era demitido em 2 minutos!

Pedro Sousa Ribeiro disse...

No caso da RTP qual a ação do Conselho Geral Independente de que o Senhor Embaixador faz parte
tem tomado para evitar esses desmandos e limitar esses programas ?

Jaime Santos disse...

Senhor Embaixador, lamento ser voz discordante contra quase toda a gente. É evidente que os programas de comentário sobre futebol e os directos sobre coisa nenhuma, e os casos entre dirigentes e jogadores, são fúteis e cansativos mas são, como a generalidade da imprensa cor-de-rosa, perfeitamente inofensivos e dão de comer a muita gente.

Tenho a certeza que todos aqueles arrufos são fingidos e no final aquela malta vai toda brindar aos cheques que recebem com umas boas imperiais e marisco... E os telespectadores sabem isso muito bem e não se importam, porque olham para aquilo por aquilo que é, entretenimento.

O que não é inofensivo é evidentemente a violência no futebol ou a promoção de figuras sinistras como o líder (ou ex-líder, ou líder demissionário, ou candidato presidencial, já não sei) do Chega!, que o CM e CMTV tarde e a más horas despacharam, assim como não é inofensiva a corrupção no futebol, mas não existe nenhuma obrigação de que todas estas coisas venham juntas. O Reino Unido acabou com o hooliganismo no futebol, por exemplo.

E, depois, mau grado os salários manifestamente exagerados, o futebol é uma perfeita meritocracia, porque um jogador que não rende salta fora da equipa, independentemente de onde venha e quanto tenha custado. Podemos questionar os prémios dos quadros do NB em face dos resultados apresentados, mas não questionamos que o Ronaldo é do melhor que há.

E apesar do racismo larvar das bancadas, o futebol faz mais pela visibilidade e integração dos migrantes do que todas as campanhas anti-racistas. Não esquecer que Portugal ganhou o Europeu de 2016 graças ao golo de um jogador negro de origem guineense...

Anónimo disse...

Então falemos disto:
por onde andam os ventiladores portugueses, fabricados em Portugal, e que segundo foi noticiado já tinham sido fabricados 100, e iriam ser fabricados ainda mais…
mas só se fala nos ventiladores chineses mais caros e que não chegam!
porque agora se declara que os testes portugueses não estão aprovados? então se temos dos melhores técnicos e investigadores, porque será que não se organizam para deixá-los trabalhar?
depois queixam-se que a dívida aumento, claro que aumenta se for só a comprar o que vem de fora, não há reservas que aguentem!

Anónimo disse...

as autoridades deveriam deixar os artistas, cantores, artistas de teatro, pessoas do circo,
músicos, etc. dar os seus espetáculos nos campos de futebol portugueses
porque são bons e têm boa iluminação, o que permitiria espetáculos no final do dia
para evitar o grande calor do Verão
na grande quantidade de bancadas haveria possibilidade de manter as regras do afastamento
e os artistas poderiam retomar alguma atividade