sexta-feira, 16 de março de 2018

Regresso à Europa


O discurso que António Costa proferiu em Estrasburgo, somado ao de setembro, em Bruges, representa um momento importante na afirmação europeia de Portugal. O primeiro-ministro de um governo cuja sustentação parlamentar passa pelo apoio de dois partidos anti-europeístas deu uma prova insofismável da sua determinação em colocar de novo Portugal no coração da política europeia. E deixou claro que, não obstante essa aliança conjuntural no plano interno, não prescinde de ter as mãos livres para atuar com imaginação e audácia no quadro europeu. E isso são muito boas notícias para Portugal.

Há que reconhecer patéticas as vozes da oposição neste debate. O CDS europeu está hoje refém, e assim vai continuar, do radicalismo de Nuno Melo, com aquele estudado ar zangado, em busca dos adjetivos mais desagradáveis que consiga descortinar, no seu baralho de acrimónia lexical. Ao seu lado, Paulo Rangel, um homem que, quando quer, pensa bem e tem, a espaços, fogachos europeístas, parece ter já iniciado um percurso tático para a sua recandidatura a cabeça da lista PSD ao Parlamento europeu, o que o obriga a esforços artificiais de demarcação do governo. É em figuras como Carlos Moedas, no seu modo clarividente de olhar o projeto europeu, que hoje assentam as esperanças nessa área política. Rui Rio, se quiser retomar o caminho de um PSD europeísta, não deveria desprezar os conselhos do comissário europeu indicado por Portugal.

Portugal regressou à Europa. Depois de alguns anos de “silêncio” europeu, António Costa tem sabido colocar a voz portuguesa no lugar certo, em Bruxelas e em Estrasburgo. Ao reconhecimento do esforço macro-económico feito por Portugal, surpreendendo pela sua compatibilização com as reposições de rendimentos, somou-se a consagração de Mário Centeno na coordenação do euro. Para quem pensava que o primeiro-ministro português era apenas um pragmático à cata do vento dominante, o seu discurso revelou uma visão ousada dos interesses europeus – das exigências na governação do euro ao imperativo de novos recursos, passando por um conjunto coerente de opções sobre o futuro de certas políticas e sobre a necessidade de uma Europa “ética”.

O nosso país sempre ganhou quando, na Europa, defendeu perspetivas de aprofundamento e de reforço da integração. E quando colocou as suas credenciais europeias sobre a mesa, como António Guterres soube fazer, como António Costa agora fez, por exemplo, ao afirmar que Portugal estava disposto a aumentar a sua contribuição para o orçamento comunitário. 

O primeiro-ministro está, neste domínio, acompanhado, com toda a certeza, pelo presidente da República. Não sendo possível contar com o PCP e com o Bloco, com o radicalismo soberanista do CDS a fechar a porta a qualquer compromisso, que tem a dizer o novo PSD a tudo isto?

4 comentários:

carlos cardoso disse...

Acho curioso que a União Europeia admita tão abertamente que a saída do reino Unido provoca um rombo nas suas finanças, dando assim razão aos defensores do Brexit (cujo argumento era que o Reino Unido pagava muito mais do que recebia).

O que a UE deveria estar a dizer era "vamos lá ver como podemos melhor utilizar os fundos que se vão libertar com a saída o Reino Unido". E em vez de se mostrar disponível para aumentar a contribuição de Portugal para o orçamento da UE, era mais lógico Antonio Costa ter feito propostas nesse sentido.

Ou sou eu que estou a ser ingénuo? Mas se é esse o caso, nada impede alguns outros estados membros de fazerem também contas à vida e chegarem a resultados semelhantes, com as conclusões que se podem adivinhar…

Anónimo disse...

será que somos todos completamente parvos e acreditamos sucessivamente nas "narrativas" (como eles dizem) que vão convindo?
João Vieira

Anónimo disse...

O Euro é (por enquanto) esta União Europeia e esta União Europeia é (por enquanto) o Euro.

A tentativa Alemã de se vingar das derrotas sofrídas via Dolar emulando-o, criando uma moeda única pan-europeia, à força, artificialmente, óbviamente que teria de correr mal.

Esta tentiva de homogenizar a Europa criando uma moeda única, sem crude nem minas de ouro, está a resultar apenas no criar de uma desconfortável banca rota à escala europeia....

Apenas mais uma tentativa de homogenizar, e governar, a Europa, desta vez por via de uma moeda única!. Lembremo-nos que já houve outras tentativas. Por via de Imperadores únicos, por via de um Deus único, por via de um Fuher único.....

Regressar ao que nunca realmente existiu, é difícil....JS

mensagensnanett disse...

UNIÃO EUROPEIA: UMA ORGANIZAÇÃO PERIGOSA -» URGE TRABALHAR PARA O SEPARATISMO!
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Exemplo 1:
Países da União Europeia foram parceiros em guerras que provocaram, já, milhões de mortos: foram fornecidas armas a organizações que depois foram desencadear guerras.
Mais, países da União Europeia, depois de terem sido parceiros no patrocinar de guerras, andam agora por aí a exercer coacção sobre países pacatos (sossegados no seu canto) no sentido de estes receberem refugiados das guerras por si patrocinadas.
-» Nota 1: sim, os países aonde o pessoal do armamento tem as suas fábricas é que têm de pagar a ajuda aos refugiados!
-» Nota 2: é o Estado Islâmico e muitos outros casos por aí: não têm fábricas de armamento, mas (é-lhes fornecido) têm acesso a armas em fartura.
Os países aonde o pessoal do armamento tem as suas fábricas, depois de arranjarem uns intermediários, lavam as suas mãos como pilatos.
Mais, mercenários/palhaços (da laia do senhor António Guterres) não chamam à responsabilidade os países aonde o pessoal do armamento tem as suas fábricas... em vez disso... andam por aí a exercer coacção psicológica sobre países pacatos que vivem sossegados no seu canto.
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Exemplo 2:
A União Europeia considerou que Donald Trump deveria ser considerado louco... por este ter decidido introduzir taxas alfandegárias... em simultâneo(!!??!!)... a União Europeia considerou que deveriam ser introduzidas taxas alfandegárias sobre as importações do Reino Unido...
Quer dizer, para a União Europeia, introdução de taxas alfandegárias como opção política é coisa de loucos, mas se forem introduzidas como retaliação contra um país que ousou ser independente, tal já é uma 'coisa bonita'!?!
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DEMOGRAFIA E SEPARATISMO-50-50
(mensagem em divulgação, ajuda a divulgar)
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---»»» Todos Diferentes, Todos Iguais... ou seja, todas as Identidades Autóctones devem possuir o Direito de ter o SEU espaço no planeta -» inclusive as de rendimento demográfico mais baixo, inclusive as economicamente menos rentáveis.
-» Os 'globalization-lovers', UE-lovers e afins, que fiquem na sua... desde que respeitem os Direitos dos outros... e vice-versa.
-»»» blog http://separatismo--50--50.blogspot.com/.
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Nota 1: Os Separatistas-50-50 não são fundamentalistas: leia-se, para os separatistas-50-50 devem ser considerados nativos todas as pessoas que valorizam mais a sua condição 'nativo', do que a sua condição 'globalization-lover'.
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Nota 2: Mais, é preciso dizer NÃO à democracia-nazi; isto é, ou seja, é preciso dizer não àqueles que pretendem democraticamente determinar o Direito (ou não) à Sobrevivência de outros.