domingo, 4 de março de 2018

Olhar o mundo


No “Olhar o Mundo” desta semana falo sobre a corrida armamentista, analiso uma entrevista do ministro russo dos Negócios Estrangeiros, Sérgio Lavrov, com notas sobre as eleições na Itália, os problemas do Brexit, o governo futuro na Alemanha, as confusões na Casa Branca de Trump, os dissídios entre os EUA e o México, a guerra no Iémen, os desafios do novo presidente sul-africano Ramaphosa, o recrudescer de atividade do Boko Haram na Nigéria, a concentração do poder na China e a intervenção militar na ordem pública no Brasil.

O programa pode ser visto clicando aqui.

7 comentários:

Anónimo disse...

!

Fernando Neves

Anónimo disse...

Em relação as tensões entre a Russia e China tenho uma prespectiva completamente diferente.
A parceria Russia China é estrategica.
A Russia oferece segurança energetica (gaz e petroleo) à China enquanto a China oferece á Russia acesso a tecnologias e bens que por motivos das sanções estão vedados pelo ocidente.
Foco 3 pontos muito importantes:
- Os paises europeus deixaram de estar presentes na parada da vitoria na praça vermelha na comemoração da vitoria sobre o nazismo e passou a estar a China com o seu presidente. Sinal bem claro e publico da parceria russia e China.
- No inicio das sanções contra a Russia houve um forte ataque contra o Rublo com intenção de fazer cair a moeda Russa. Quem é que com todo o seu poder economico, financeiro e monetario conseguiu frustrar esse ataque? Sim foi a China-
- Acordos bilaterais de construção de linhas ferreas, pipelines, utilização das suas moedas nas transacções comerciais e mesmo em zonas fronteiriças onde é legal e aceite utilizarem ambas as moedas.
Ou seja os eua e europa ao longo das ultimas 2 decadas conseguiram antagonizar de tal maneira a Russia e a China que as fizeram aproximar pelos pontos que teem em comum e porem de lado as questoes que as separavam


Nao Sr Embaixador a humilhação que os Russos sentiram não foi no final da guerra fria e da urss.
A humilhação que os Russos sentiram foi durante as decadas de tentativa de aproximação que fizeram e sentirem-se constantemente traidos, enganados, ridicularizados, desprezados, disbolizados e humilhados pelo mundo ocidental.
Os problemas que lhes ofereceram com
- a guerra na Yugoslavia
- a guerra na Chechenia
- a promessa não cumprida de que a nato não avançaria uma polegada e agora veem-se rodeados com bases da nato a porta de casa

Ja agora ? Quem e o Ocidente, quem o investiu para traçar linhas vermelhas e fazer guerras aos outros?
Pois é. Ninguem. Apoiam-se na força para fazerem o que querem e oscilam numa histeria bipolar entre serem os exepcionais como depois saltam para o extremo de se sentirem estericamente ameacados por aqueles que tanto desdenharam e inferiorizaram.

Vivemos numa epoca de grande mudança a qual tem vindo a ser construida ao longo de decadas.
Para quem anda atento e segue estas coisas e agradavel constatar que as mudanças ja se fazem sentir, que ja sao notadas e vistas (pouco mas ja sao vistas ligeiramente) por quem estava a dormir e a sonhar.
Se a culpa e de Trump. Obvio que nao é. Ele pouco manda (quem manda nos eua e o estado profundo) apenas esta a acelarar o processo inevitavel iniciado por Clinton e impulsionado George W. Bush.
A mudança de retorica que se começa assistir em relação a Russia e um sinal muito importante de como as coisas estão a encaminhar-se noutra direcção.

Luís Lavoura disse...

Eu o que gostaria era que o Francisco arranjasse forma de substituir o José Cutileiro no programa de comentário internacional da Antena 1 aos domingos às 13. É que ele é reaça até mais não. Já não o suporto. Passa o tempo a dizer mal da Rússia e a louvar os EUA.

Joaquim de Freitas disse...

Perfeitamente de acordo com o comentário do Senhor Fernando Neves.

Creio que os Europeus deveriam ler o discurso de Putine esta semana, perante os deputados da Rússia. Espero que o Senhor Embaixador permitirá esta transcrição parcial excepcional.

Creio que a maioria dos leitores deste blogue lêem francês:

Je voudrais commencer par un bref rappel du passé récent.

En 2000, les États-Unis ont annoncé leur retrait du Traité sur les missiles anti-balistiques. La Russie y était catégoriquement opposée. Nous considérions le Traité ABM américano-soviétique signé en 1972 comme la pierre angulaire du système de sécurité international.

Je vais répéter ce que nous avons dit à plusieurs reprises à nos partenaires américains et européens membres de l’OTAN : nous ferons les efforts nécessaires pour neutraliser les menaces posées par le déploiement du système de défense antimissile américain

Nous ne menaçons personne, nous n’allons attaquer personne ni prendre quoi que ce soit à quiconque par la menace des armes. Nous n’avons besoin de rien. C’est tout le contraire.

“Je devrais noter que notre doctrine militaire dit que la Russie se réserve le droit d’utiliser des armes nucléaires uniquement en réponse à une attaque nucléaire, ou à une attaque avec d’autres armes de destruction massive contre le pays ou ses alliés, ou à un acte d’agression contre nous avec des armes conventionnelles qui menacent l’existence même de l’Etat. Tout cela est très clair et précis.

C’est pourquoi j’estime qu’il est de mon devoir d’annoncer ce qui suit. Toute utilisation d’armes nucléaires contre la Russie ou ses alliés, armes de courte, moyenne ou n’importe quelle portée, sera considérée comme une attaque nucléaire contre ce pays. Les représailles seront immédiates, avec toutes les conséquences qui en découlent.

ll ne devrait y avoir aucun doute à ce sujet. Il n’y a pas besoin de créer davantage de menaces pour le monde. Asseyons-nous plutôt à la table des négociations et imaginons ensemble un système nouveau et pertinent de sécurité internationale et de développement durable pour la civilisation humaine. C’est ce que nous disons depuis le début. Toutes ces propositions sont toujours valables. La Russie est prête à cela.

Joaquim de Freitas disse...

Senhor Luis Lavoura : Também aqui, neste blogue, eles pululam ...

Luís Lavoura disse...

Joaquim de Freitas,

eu creio que o Francisco não é reaça como o José Cutileiro.

Veja-me só o que essa avantesma foi (voltar a) dizer no último programa, transmitido no passado domingo: que a culpa da atual situação da Síria era do Obama porque este tinha avisado Assad de que não ultrapassasse a "linha vermelha" da utilização de armas químicas e depois deixou-o mesmo ultrapassar essa linha. O estúpido esqueceu-se de notar que, quando em 1990 Saddam Hussein utilizou armas químicas (de forma maciça e repetitiva) contra os curdos e contra os xiitas, George Bush pai o deixou fazê-lo porque sabia, e muito bem, que depois de Saddam viria quem bom o faria - como mais tarde George Bush filho teve ocasião de constatar. O José Cutileiro, burro, parece que não aprende com a história e não consegue ver que depois de Assad virá quem bom o fará. E então continua a repetir esta asneira (já é para aí a terceira vez que a diz) que Obama deveria, sei lá, ter bombardeado a Síria repetidamente até depôr Assad - o que certamente teria tido resultados muitíssimo mais atrozes do que os atuais.

Joaquim de Freitas disse...

Senhor Luís Lavoura : Redigi muito mal o meu texto : Nunca pensei que o nosso Embaixador era um “reaça”. Eu referia-me a alguns comentadores que por aqui aparecem, americanofilos cegos, que não sabem ver mais longe que o seu nariz.

Mas o exemplo que cita do José Cutileiro, não é único em Portugal e, neste momento, mais que nunca mesmo aqui em França, a “formatação” dos cidadãos está em curso, devido ao facto que todas as cadeias de televisão e todos os principais jornais franceses, outrora reputados pela sua independência, caíram na mão dos grandes capitalistas, o que obriga as redacções e os jornalistas a seguir uma linha editorial bem definida.

Ainda existem alguns ilhéus independentes, como é o caso do “Monde Diplomatique”, do “Canard Enchaîné” , do “Mediapart” e talvez do “The Nation” nos EUA, mas existe a vontade de desenvolver um discurso diferente num mundo de manipulações de todos os géneros, característico dum universo onde o MERCADO impera e o neo liberalismo é seguido como uma nova religião.

Vê-se bem que a separação clássica entre editores e repórteres recebeu um golpe sério. A história é paradoxalmente transformada num espaço de justificação e ilustração de um discurso previamente estabelecido. Comentários redundantes, clichés e estereótipos passam pelo discurso jornalístico crivado de múltiplas descrições e muitos adjectivos.
A língua jornalística aproxima-se dos territórios de uma determinada literatura de consumo.