segunda-feira, 19 de março de 2018

António Champalimaud


António Champalimaud foi uma figura muito importante no mundo empresarial português do século passado. Com fortes interesses nas colónias e em Portugal, construíu o seu próprio “império” industrial e financeiro, numa luta de afirmação que nem sempre foi cómoda para o regime de então. Quem o conheceu fala do seu mau feitio e de uma atitude permanentemente marcada por alguma aspereza comportamental. O 25 de abril viria a trocar-lhe as voltas, obrigando-o a recomeçar no Brasil a vida empresarial. Mais tarde, como sucedeu com outros grupos capitalistas nacionais, foi-lhe dada a possibilidade de retomar posições nos seus antigos interesses, na privatização de muito do que a Revolução tinha nacionalizado.

No final da vida, António Champalimaud surpreendeu Leonor Beleza, ao confiar-lhe a aplicação, numa fundação que agora leva o seu nome, de uma muito elevada quantia. Em relativamente poucos anos, com a ajuda de Daniel Proença de Carvalho, foi erguida uma obra notabilíssima, que hoje é um centro de referência na luta contra o cancro. Uma obra que orgulha e prestigia o país.

Se fosse vivo, António Champalimaud faria hoje 100 anos. Faz parte da História deste país e, com a sua Fundação, passou a fazer parte do nosso futuro coletivo.

7 comentários:

Anónimo disse...

com um fato de treino não ficaria muito diferente do fidel...

Anónimo disse...

Acho imensa graça a estes processos de branqueamento de carácter. Qualquer oportunista é perdoado desde que no fim da vida dê algum do que sacou a uma fundação. Mais uns anos a ainda beatificam o homem. É preciso ter topete!

MRocha

Reaça disse...

Para o bem ou para o mal, este andava sempre à frente dos acontecimentos.

Quando a justiça do Estado Novo lhe quis deitar a mão, ele já tinha saído de casa, e quando das prisões dos banqueiros pelos revolucionários, também ele já tinha saído pela porta dos fundos.

E quando lhe nacionalizaram as coisas, já estava estribado e era só esperar e "deixa-los poisar".

E anos antes da crise, parecia bruxo, já tinha passado tudo a patacos.

Foi rei nas "colónias" do México e do Brasil, nas africanas só com Marcelo é que se alargou um pouco.

PSICANALISTA disse...

.
O dinheiro compra tudo, excepto...a HONRA !

António Champalimaud

Anónimo disse...

No 25 de Abril Champallimaud, condenado a prisão pelos crimes que cometeu no caso da herança Sommer de que acabou por ser o principal beneficiário, em prejuízo do resto da família, estava no México por este país não ter acordo de extradição com Portugal. Já tinha a sua fortuna no Brasil. Não era só mau feitio.
Fernando Neves

dor em baixa disse...

Do meu tempo, além deste último ato da instituição da Fundação, só me lembro do afã do cavaquismo em "atribuir-lhe" um banco reprivatizado para que existisse uma banca portuguesa. Assim foi. Qual banca portuguesa. Vendeu logo aos espanhóis com enormíssimas mais-valias e, não, não havia qualquer crise financeiro-bancária no horizonte.

Anónimo disse...

Proença de Carvalho e Champallimau, dois patriotas. E tão amigos que ficaram depois da primeira fuga do segundo para o Brasil.