sábado, 17 de março de 2018

Ó vizinha!



Há um belo e muito lisboeta hábito que é chamar ao vizinho ... “vizinho”! Esta prática era e é muito comum nos bairros populares, mas aquele onde eu vivo tem pouco dessa qualidade. Com escassas embora magníficas exceções, a gente que vive nas minhas vizinhanças é, em geral, distante, não se cumprimenta entre si e tem um limitado sentido de solidariedade gregária. Pelo contrário, noto que algumas dessas pessoas, à medida que o tempo lhes foi entrando na vida, se tornaram mais azedas, mais trombudas e visivelmente menos amáveis. Que se há-de fazer?!

Imediatamente ao lado da porta de uma garagem, há um espaço que, nas mais de duas décadas em que por aqui vivo, foi sempre um lugar de estacionamento. Quem quer que ali coloque um carro, não prejudica nunca ninguém. Quando a EMEL, há meses, marcou a zona, esse espaço adquiriu o estatuto de zona “cinzenta”. Seria usável? As pessoas continuaram a colocar lá os carros, sem o memor problema, naturalmente desde que pagassem o estacionamento ou tivessem selo de residente. Já nos bastava a EMEL e um parque diplomático nos terem privado de uma boa dúzia de lugares...

Há semanas, de repente, mas só para mim, as coisas mudaram. Coloquei lá um carro e ele foi bloqueado e rebocado. Paguei a multa. Nos dias seguintes, vi que toda a gente voltou a ali estacionar. Pensei que tivesse sido um infeliz acaso. Por lapso, o meu carro voltou a estar lá umas horas e... surgiu de novo bloqueado. Chamei a EMEL e paguei nova multa.

Na conversa com o homem da EMEL, ficámos a saber: trata-se uma vizinha que telefonou e se queixou de que aquele espaço não é para estacionamento. Terá descoberto isso agora, depois de décadas. O funcionário da EMEL, que reconhece a absoluta inoquidade do uso do lugar, terá interrogado por que razão só se queixava da presença do meu carro, dado que nunca isso acontece aos muitos outros que por lá param. A mulher não o esclareceu sobre esta sanha persecutória, personalizada em mim. O homem da EMEL comentou-nos: “será alguma coisa política?” 

Nã sei, nem quero saber, nem sequer quero conhecer a cara da ácida mulher que, pelos vistos, me “tomou de ponta”. Até para não ter de lhe chamar outras coisas, para além de “vizinha”...

3 comentários:

Anónimo disse...

Há duas semanas paguei 128.00€ na Estefânia por 10 minutos, tempo de deixar o neto na casa dos pais.Há uma policia a sugar os condutores a mando da autarquia.

Anónimo disse...

Vais a ver pera lá ela
Fernando Neves

Anónimo disse...

A quem feio ama, bonito lhe parece!...