quarta-feira, 7 de março de 2018

Regresso ao passado


Já ali não entrava desde 1955. Como é que eu sei a data? É simples. Foi a primeira vez que vim a Lisboa, no “Foguete”, e fui, com o meu pai, ver um Portugal-Suécia. no Jamor, que o Google me diz que foi em 1955.

(O resultado não foi famoso: perdemos 6-2, com dois golos de José Águas a compensar os 6-0 que Costa Pereira “encaixou” logo na primeira parte. Ah! E jogámos com Matateu, para quem sabe quem foi. É claro que eu não recordo rigorosamente nada do jogo, a não ser, vagamente, o lugar do estádio em que estive).

Voltando à fotografia. Mostra a janela de canto de uma sala de um restaurante da moda, no Camões, aqui em Lisboa, onde hoje almocei. 

Como disse, a última vez que ali tinha entrado foi em 1955. Para uma consulta médica. Eu estava com icterícia. Fiquei “de molho” uns dez dias, em casa de uns primos, na Rua da Paz, entre bifes e um “Mecano” que me enchia os dias. Não faço ideia se a consulta foi naquele andar, se o ”Litrison” terá sido receitado (para o fígado era sempre “Litrison”, não era?) naquela mesma sala.

Mas por que diabo ele vem agora com esta não-história?, perguntará o leitor enfadado deste post. Porque isto são redes sociais, lugar geométrico de tudo aquilo que nos vem à mona e nos dá na veneta contar. E vão com muita sorte em eu ainda ter uma fotografia do dia cinzento. É que podia empanturrá-los com florzinhas ou pensamentos profundos de filósofos da auto-ajuda. Por isso, não se queixem, está bem?

(Nota para curiosos: uma das varandas que a fotografia mostra pertence àquele que é, porventura, o mais “secreto” clube privado de Lisboa. Estive lá há dias, como convidado, mas não posso dizer o nome, desculpem lá!)

7 comentários:

Anónimo disse...

Refere-se à Real Associação de Lisboa ou lá o que é? :)

Helena Sacadura Cabral disse...

Secreto?
Mas há alguma coisa secreta neste país? Nem as "secretas" o foram....

jj.amarante disse...

"Foguete" ou "Flecha de Prata", com motor Fiat, parece-me que só tinha 1ª classe, o "Rápido" quando andava à tabela demorava 6 horas do Porto até Lisboa. Quanto demoraria esse Foguete? O Matateu jogava no Belenenses. Será que no F.C.Porto já estavam o Ernâni, o Carlos Duarte e o Miguel Arcanjo?

Anónimo disse...

Pé Leve...

Anónimo disse...

http://www.visitchiado.com/Servicos/Associacoes-Clubes

Olha o grande segredo...

Francisco de Sousa Rodrigues disse...

Exmo. JJ.Amarante,

O Foguete, introduzido em 1953, era realizado com composições automotoras FIAT, apenas de 1.ª Classe, com ar-condicionado e refeição ao lugar. Apesar de não atingir maior velocidade de ponta (Marcha-Tipo de 120 km/h) que o seu antecessor, o Flecha de Prata (comboio com máquina+carruagens inox Budd, introduzido em 1940), conseguiu reduzir a viagem em cerca de 40-50 minutos, de 5 horas e "picos" para 4 horas e 20 minutos.

Apesar das inovações, era material problemático e existiam apenas 6 unidades motoras extremas e 3 reboques intermédios, para formarem, normalmente, composições triplas Motora-Reboque-Motora.

Com a eletrificação da Linha do Norte, o Foguete passou a contar com composições clássicas, com vista à melhoria da fiabilidade do serviço e aumento de oferta de lugares. As composições elétricas tornaram-se um bonito espetáculo de inox luzidio, com material Sorefame (1ª com 9 compartimentos e Restaurante), Furgões D'Argent e uma locomotiva 2550 à cabeça, mas como não há bela sem senão, não possuíam de ter ar-condicionado (ao contrário do que o caderno de encargos inicial para a encomenda das carruagens Sorefame estipulava).

A marca Foguete, em 1978, deixou de ser a porta-estandarte dos comboios nacionais para ceder a honra aos Invicta/Sete Colinas, que introduziram, além das marchas a 140 km/h, o serviço em salão especial tipo "Club" com assistência a bordo, conhecido como "Bataclan".

Em 1980, juntaram-se mais quatro nomes para os Rápidos Lisboa<->Porto, Tejo/Douro e Miragaia/São Jorge, porém até à introdução do Alfa, em Maio de 1987, o termo Foguete sempre foi o preferido para designar um comboio de categoria Rápido entre as duas cidades.
Pelo caminho, em 1982/3, os Foguete e os Invicta/Sete Colinas viram introduzida a 2.ª Classe.

Em termos de tempos de viagem temos:

- 4h03 a 4h09 com as composições elétricas (1966-1974) lideradas pelas 2550 - Marcha-Tipo 120 km/h.

- 4h, a partir de 1974, com a introdução das locomotivas da Série 2600 - ainda com Marcha-Tipo 120 km/h, mas com máquinas bem mais potentes.

-3h35, a partir de 1978, com a autorização dos primeiros troços a 140 km/h e consequente Marcha-Tipo.

-3h, a partir de 1980, nos Tejo/Douro e Miragaia/São Jorge - por algum tempo os comboios de maior velocidade comercial da Península Ibérica: 112,026 km/h.

As míticas FIAT, depois de experiências mal sucedidas na Beixa Baixa e no Oeste, rumaram ao Sul, no princípio dos anos 1970, onde realizaram até 1980 o Rápido Sotavento Barreiro-V.R. Santo António, encerrando a carreira dois anos depois tendo realizado Rápidos sazonais durante esse período.

Anónimo disse...


Em Portugal quando se fala em coisas secretas aparece-me sempre a imagem das sociedades secretas que há por aí muitas, herdadas pelos clubes recreativos republicanos do principio do século XX. Não sei se esses clubes eram frequentáveis nessa altura e muito menos os de hoje.
Transparência até salvou um regime como o da URSS. Mas isso já é uma outra estória.