Prior Velho não é, embora possa parecer, um sacerdote idoso. Trata-se de um arrabalde depois do Figo Maduro, próximo de Camarate, onde uma ideia peregrina, na noite do dia do Pai, com os restaurantes lisboetas a abarrotar, levou um grupo de que eu fazia parte a ir tentar jantar a um daqueles sítios “onde um amigo me disse que se comia magnificamente”.
Um instantâneo olhar “impressionista” exterior sobre o local da possível amesendação foi suficiente para percebermos que era um restaurante “inível” (isto é, onde não se podia ir), pelo que regressámos à capital, ainda que correndo o risco de prolongar a fome coletiva.
(“For the record”, diga-se que acabámos numa improvável visita à Churrasqueira do Campo Grande, onde se comeu assim-assim, com um serviço caótico, do género empregado-para-dez-mesas, um modelo agora muito em voga e que satisfaz o bolso no patronato).
Lembrei-me desta frustrada incursão ao Prior Velho ao ver ontem nas televisões as imagens de um restaurante daquela localidade que acabava de ser invadido por um gangue de motards, que ali foi agredir um distinto grupo rival, numa cena de “far-west“ onde também entra um gangster da extrema-direita lusa, não fosse por ali o terreno de eleição (no duplo sentido) do vereador racista de Loures.
Ficou-me, contudo, uma questão: com tanta e tão distinta frequência, seria afinal o restaurante que foi cenário da pancadaria um local do Prior Velho onde teríamos comido bem naquela noite, ou arriscávamo-nos a “comer” pela medida grande?
Pelo sim pelo não, e talvez injustamente, não tenho o Prior Velho nas minhas prioridades de visitas gastronómicas próximas.