domingo, 4 de março de 2018

A novidade


No dia de hoje, fala-se muito da fórmula de governo encontrada para a Alemanha, para os próximos quatro anos: será uma coligação entre os conservadores da CDU e os social-democratas do SPD.

Tenho a sensação de que, depois de todos estes meses de discussões, há muita gente que já nem se recorda de qual é a “coloração” do governo que continua no poder na Alemanha, há bem mais de quatro anos. Eu lembro: CDU-SPD...

6 comentários:

Gil António disse...

Politiquices, digo eu...Muita gente nem sabe quem governa Portugal quanto mais a Russia.
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* Chuva que acalma CORAÇÕES, secos pela desventura *
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Deixo cumprimentos poéticos

Anónimo disse...

Ui... se fosse ca em Portugal, demorarem tanto para formar governo.

@Gil António
O artigo e acerca da Alemanha ;p

Luís Lavoura disse...

O vermelho do SPD e o negro da CDU. Como no romance de Stendhal.
O amarelo da bandeira é a côr dos liberais (FDP).

Joaquim de Freitas disse...

Senhor Lavoura : O SPD « Rouge » morreu quando Rosa Luxemburgo foi assassinada.

Entretanto o SPD “pariu” o social-democrata » Gerhard Schroder . pai das reformas Hartz, a quem se deve a evolução para os salários de miséria que obrigam milhões de alemães a terem dois empregos de baixa qualidade, a vassoura sendo frequentemente a ferramenta mais utilizada, para subsistir.


Trata-se de uma evolução que se acelerou a partir do governo SPD/Verdes (dirigido por Schröder), que continuou a agravar-se com o governo de coligação CDU/CSU e SPD (chefiado por Ângela Merkel) e com o ultimo governo CDU/CSU-Liberais, que Merckel não conseguiu reactivar.

Interessante de constatar o que o SPD conseguiu trazer às classes ricas.

Em 1998, os 10% mais ricos já detinham 45% de toda a riqueza; em 2003, subiu para 49%; em 2008 passou para 53%; e, em 2012, atinge já 55%. E em 2017, 68%....

Interessante é verificar como a grande burguesia alemã concentra entre si a riqueza acumulada. 1% dos mais ricos apoderou-se já de 35% de toda a riqueza privada do país, enquanto as 20 mil famílias mais abastadas (um milésimo da população) possuem 22,5% (quase ¼ da riqueza), numa população de 82 milhões de habitantes.

Entre 1992 e 2012, a riqueza do Estado, em bens e dinheiro, sofreu uma quebra de 800 000 milhões de euros, enquanto as fortunas e a riqueza privada passou de 4,4 para 10 biliões.

Belo resultado, nao ?

Segundo o relatório da sociedade de investimento do Lichtenstein Valluga, em 2010 havia na Alemanha 830 mil milionários (1% da população), os quais já nessa altura tinham nos bancos nacionais e estrangeiros 2,2 biliões de euros. Estes milionários detêm 44 a 45% de toda a riqueza em dinheiro existente na Alemanha.
E é este sector minoritário, que as elites federalistas e submissas da UE designaram por «os mercados» na tentativa de esconderem ao serviço de quem governam, que se regozija com as políticas de austeridade impostas aos povos, de Portugal, Grécia e algures, e do saque dos bens do Estado. E que, apesar da crise, que ainda não acabou, tem vindo a enriquecer incessantemente.

Alors, Senhor Luís Lavoura, o “rouge” do SPD deslavou-se com o tempo... Normal !

Joaquim de Freitas disse...

A social-democracia do SPD, faz-me, irresistivelmente pensar na social-democracia portuguesa, com a ministra das finanças de joelhoes aos pés de Schauble, a social-democracia inglesa de Blair, como um caniche atrás do Bush e da francesa, de Hollande, que levou o seu partido à ruína. Os casamentos deste género aos divórcios mais catastróficos para os povos…

Francisco Guerra Tavares disse...

Bem lembrado, caro embaixador. E não me parece excessiva adivinhação, com o programa desta coligação, prever que nas próximas eleições o SPD deverá vir bem abaixo dos 20%.......... A bem de quem?