segunda-feira, 11 de abril de 2011

Lugares de Eça de Queirós em Paris (3)

Esta é a imagem (possível) da casa em que Eça de Queirós viveu, desde finais de 1893 (não há uma data exata), e onde morreu, em 16 de agosto de 1900. O escritor havia sido obrigado a sair da casa que ocupava na rue Charles Lafitte (ver aqui) e, depois de muito procurar, encontrou esta moradia numa zona de Neuilly, não muito distante. O prédio foi demolido nos anos 70.

Sobre ela, Eça escreveu a Oliveira Martins, em 1894: "Nós continuamos na remota província de Neuilly. A nova casa agora é metida dentro de um jardim, que é ele mesmo metido dentro dum terreno, que por seu turno está metido dentro de um largo prédio de rapport. Tens decerto visto disposições iguais em caixinhas chinesas". Foi no jardim dessa casa que Eça tirou esta conhecida fotografia, vestido com uma cabaia chinesa.

Em frente ao espaço onde existia a casa (da imagem a preto-e-branco), no que é agora o nº 38 da avenue de Roule, em Neuilly, havia já sido construído, entretanto, este prédio.



Na frontaria do edifício, foi aposta pelo embaixador Marcello Mathias, em 14 de setembro de 1950, uma placa de mármore, oferecida pela Escola de Belas-Artes do Porto.


O queirosiano Luís Santos Ferro tem vindo a lutar, com o meu apoio, pelo restauro da placa, cujos dizeres são atualmente ilegíveis.

7 comentários:

rodrigues.cli@ gmail.com disse...

.....E a propósito de Eça de Queiros, algo que em tempos idos escreveu, e que está agora tão real no meu país...O País perdeu a inteligência e a consciência moral.

Os costumes estão dissolvidos e os caracteres corrompidos.

A prática da vida tem por única direcção a conveniência.

Não há princípio que não seja desmentido, nem instituição que não seja escarnecida.

Ninguém se respeita.

Não existe nenhuma solidariedade entre os cidadãos.

Já se não crê na honestidade dos homens públicos.

A classe média abate-se progressivamente na imbecilidade e na inércia.

O povo está na miséria.

Os serviços públicos vão abandonados a uma rotina dormente.

O desprezo pelas ideias aumenta em cada dia.

Vivemos todos ao acaso. Perfeita, absoluta indiferença de cima a baixo!

Todo o viver espiritual, intelectual, parado.

O tédio invadiu as almas.

A mocidade arrasta-se, envelhecida, das mesas das secretarias para as mesas dos cafés.

A ruína económica cresce, cresce, cresce...

O comércio definha, A indústria enfraquece. O salário diminui. A renda diminui.

O Estado é considerado na sua acção fiscal como um ladrão e tratado como um inimigo."



Eça de Queirós

Teresa disse...

Eça e Oscar Wilde são dos meus amores maiores na Literatura.

Há quase cinco anos, num dos primeiros posts do meu blogue, a 16 de Outubro, data do aniversário de Oscar Wilde, escrevi o seguinte:

«O nosso Eça morreu em Paris como Oscar Wilde, e no mesmo ano. Só que a 16 de Agosto. Às vezes ponho-me a fantasiar que estas duas grandes figuras das letras podem ter-se cruzado num boulevard qualquer, quem sabe terão estado sentados no mesmo café. Tenho a certeza de que Eça, com o seu amor pela literatura inglesa, conhecia a obra de Wilde, ele era uma celebridade — para não mencionar o facto de ter sido réu numa cause célèbre. Obrigada, Dr.ª Teresa, nesta data em que aproveito para lhe prestar também homenagem, por ter feito entrar na minha vida esta grande paixão. E ainda uma outra: o Teatro.»

A época era esta, a da última casa em Neuilly, os dois últimos e tão trágicos anos de vida de Oscar Wilde.

http://gotaderantanplan.blogspot.com/2006/10/happy-birthday-mr-wilde_116099472437141295.html

Peço desculpa pelo abuso de remeter para um texto meu, mas é que tenho esta enorme paixão pelos dois.

Anónimo disse...

Apraz-me saber que Eça sempre viveu em casa condignas( decerto não seria ele a fazer as mudanças"Que seca")

É curioso que as casas são de alguma forma o fenótipo de uma espécie de lay out da identidade da pessoa, também do cargo que exerce desvendando o poder económico and so on... But... Esta era enorme, presumo que se fosse Sua excelência a cuidá-la não teria tempo de escrever, agora também dava emprego a muita gente.

Podemos passar a descrever a casa psicológica do Eça, a que está dentro do corpo do seu metro e setenta e tal... por detrás da sombra do bigode...

Não?!!!?, Pronto...

Era só para saber se valeria a pena do meu ponto de vista viajar no tempo e ser empregada lá de casa... Tipo espia, dissimulada de governanta e só.
Isabel seixas

Victor disse...

Existe no MNE, no arquivo da embaixada de Paris, uma pasta de documentos sobre a demolição desta casa. A embaixada seguiu o processo e parece-me que tentou evitar a demolição. Sem sucesso.

Santiago Macias disse...

Tem graça a referência a Neuilly como província remota.

patricio branco disse...

já agora, sobre eça de queiroz,uma sugestão. A biblioteca da pléiade, entre as centenas de volumes publicados, só inclui um de escritores portugueses, a poesia de f pessoa (e ainda, num volume colectivo dedicado a espanha, uma pecinha de gil vicente).
1 ou 2 volumes com obras escolhidas de EQ (maias, primo basilio, crime padre amaro, cronicas e bilhetes de paris, ilustre casa ramires, etc)seriam justos na colecção, que só enriqueceriam.
Estamos a falar de EQ, mas um outro volume da pléiade, com a obra completa de camões, tambem seria justo e ficaria bem na prestigiosa colecção.
Não sei se isto cabe nas competencias dos embaixadores, tanto mais que se trata de um grupo editorial privado. Mas a literatura portuguesa e a sua consagração em frança, ganhariam.

E, claro, o restauro da placa no edificio tambem deve ser feito.

Anónimo disse...

Nem há como ter morrido para promover as nossas excentricidades ao enlevo...
Convenhamos que a fotografia está mais que ridícula a mim parece-me que traz uma gabela de ramos de pseudolaranjeira, logo Ele ...

Além de que o resto da vegetação não deixa antever os pés...Com uma cabaia!!!...

Deu-lhe pra boa
Isabel Seixas