domingo, 10 de abril de 2011

República portuguesa em Paris

Achei muito interessante a ideia da Caixa Geral de Depósitos, em ligação com a Câmara Municipal de Espinho, de promover, de dia 9 até ao final do mês de abril, uma exposição intitulada "Portraits de la République", na sua sede em Paris.

Esta mostra destaca, em particular, o papel que algumas mulheres desempenharam nessa aventura política, que, com todo o contraditório das suas diversas facetas, inaugurou um tempo importante na modernidade da nossa história recente.

As comemorações do centenário republicano, que, entre nós, tantos engulhos criaram em alguns espíritos que ainda sonham com os dias de ontem - alguns dos quais, aliás, os confundem com os tempos negros da ditadura -, foram um momento decisivo para revisitar, com seriedade e profundidade, uma época complexa, mas muito rica, do nosso século XX. Não obstante uma conjuntural prevalência editorial em Portugal de uma onda historiográfica conservadora, parte da qual se esforça por branquear o período da decadência monárquica, o debate em torno do centenário republicano conseguiu trazer à tona o percurso dos homens e das mulheres que souberam, com muitos erros mas com um generoso voluntarismo patriótico, construir a nossa República.

6 comentários:

Força Força Camarada Vasco disse...

é interessante

alguém vai ganhar umas comissõeszitas

seabras ou outras tanto faz para organizar a exposição...

como dizia João Chagas trouxe apenas ralos contos para Paris não fosse o auxílio de alguns nem criadas teria...

fazer um centenário 101 anos após

numa data em que a república mandou para o massacre
a infantaria do norte

parece-me assi a modos que

podiam talvez ter posto umas coroas de flores nos 200 e tal praças cabos e sargentos vindos da Covilhã a Castelo Branco
gaseados e metralhados no 9º de Abril

ou na dos 6 que foram enterrados em terras de França de 1977 a 1984
e que com os pulmões em mau estado
nunca voltaram a Portugal
um deles era 1º cabo está em

Châlons sur Marne rebaptizada nos anos 90 sur Champagne

também o tipo que se lembrou de a rebaptizar ganhou uns trocos

é assi
uns ganham com as misérias dos outros

e os outros malham com os ossos em terras estranhas

c'est la vie .....n'est pas?

Anónimo disse...

Os "engulhados", engulhados estao.
Parabéns para a Caixa Geral de Depósitos, a Câmara Municipal de Espinho e o Duas ou Tres Coisas. Bem escolhida a data de inauguracao. Para os Herois e Vítimas do 5 de Outubro e do 9 de Abril, a minha modesta homenagem. Por eles e por mim: VIVA A REPÜBLICA.
Francisco F. Teixeira

Jose Martins disse...

Senhor Embaixador,
Não é necessário ser inteligente para se advinhar que é republicano dos quatro costados.
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Naturalmente que o senhor embaixador seguiu e respeitou a linha política de seu pai. Quem sai aos seus não erra.
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No meu caso e por que o meu pai, os meus avós e bisavôs não conheciam uma letra, fosse esta do tamanho de um carro de bois nada me transmitiram sobre a implantação da republica e as façanhas do Buiça na arte de manejar a pontaria de uma arma.
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A república está em Portugal e viva ela e ficou pelo caminho.
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Eu um rapazinho conheci, ainda, um velhote na minha aldeia de nome tio António do Bento que durante e noite andava pelas ruas a gritar. Diziam os aldeões: “coitadinho ficou gaseado na guerra em França”.
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Ora a república não me diz nada e a monarquia igual. Nesta, a monarquia, criaram-se os marqueses, os condes e viscondes que eram donos das terras que as arrendavam, ao povoléu e depois recebiam a tenção em alqueires de milho, centeio ou arrobas de queijo.
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Tinha eu uns cinco anos, o meu avô ofereceu-me um espelho redondo, vendido nas feiras a dois tostões e na parte de trás a fotografia do Salazar.
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Lá fui educado e licenciado com a 4ª classe da primária sem a monarquia e a república encaixar na minha inteligência.
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Depois chegou o dia da Liberdade (sempre a tive) e passado 37 anos a monarquia, a república e o dia da liberdade continua a não entrar na minha inteligência.
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Com a idade que já levo não vou ter a oportunidade de vir a saber quais os três sistemas foi o mais útil para os portugueses.
Saudações de Banguecoque
José Martins

Anónimo disse...

Joao Paulo Guerra disse isto - citaçao de memoria - sobre a crise portuguesa:

"Vivemos um PREC ao aontràrio, a banca é quem mais ordena dentro de ti oh cidade!"...

é capaz de estar bem visto

Anónimo disse...

Fui convidada pela organização a ir ver a exposição, mas Paris não fica ao "virar da esquina" e é melhor precaver-me para os dias difíceis que se aproximam :(

Gostei de ler o comentário/testemunho de vida do José Martins.

Isabel BP

OCTÁVIO DOS SANTOS disse...

«Conjuntural prevalência editorial em Portugal de uma onda historiográfica conservadora, parte da qual se esforça por branquear o período da decadência monárquica»?!

E que tal falar da prevalência, editorial e não só, da Comissão Nacional para as Comemorações do Centenário da República, cujo principal objectivo foi o branqueamento desse vergonhoso período da história nacional que foi a I República (e também a I Ditadura)?

Aprenda, Sr. Embaixador, aprenda:

http://www.publico.pt/Política/opiniao-em-2010-nao-a-1910-sim-a-1810_1458168?all=1