sexta-feira, 29 de abril de 2011

Tradução automática

Leitor amigo chamou a minha atenção para algumas barbaridades a que a tradução automática dos textos deste blogue pode levar.

As vantagens de poder dar uma perceção do que aqui se escreve em inglês ou francês parecem, de facto, muito inferiores ao risco de ver ocorrer algumas distorções graves do conteúdo dos textos.

A tradução automática fica, assim, suspensa.

Quem dera que tudo na vida se pudesse corrigir de forma assim tão simples.

11 comentários:

Gil disse...

Tive o privilégio de conhecer o Embaixador Azambuja quando foi Secretário Geral do Itamaraty, nos anos noventa do século passado..
Era, mesmo entre os diplomatas brasileiros cuja altíssima qualidade e competência é universalmente reconhecida, “um príncipe”, como o classificava um seu colega português que também se conta entre os melhores da sua profissão.
O encanto da sua verve e sua notável capacidade de, através dela, seduzir o interlocutor, tinham levado a que, nos corredores do Palácio do Itamaraty e entre a comunidade diplomática de Brasília, se utilizasse um neologismo para designar a capacidade de envolver as pessoas numa teia de palavras, histórias (como as que refere nos dois textos linkados e que são dele um extraordinário exemplo), comentários brilhantes de inteligência: era o verbo “azambujar”.
Entre as inúmeras “boutades” que se citavam como sendo da sua autoria, havia uma de que eu gostava particularmente; dizia ele que um bom diplomata sabe produzir conversa fiada mas nunca a consome.
É um homem que junta à inteligência uma esmagadora cultura e uma sensibilidade muito refinada; lembro-o, durante uma visita em que acompanhei um seu colega português, falando emocionada e eloquentemente, de Dubrovnik, cidade que amava, alvo, nesse momento, dos bombardeamentos sérvios que destruíram parcialmente a jóia do Adriático.
Foi, depois de deixar a Secretaria Geral, Embaixador em Buenos Aires.

Gil disse...

O meu comentário das 12:53 diz respeito, evidentemente, ao post anterior...

margarida disse...

Surpreendeu-me que tivesse aderido àquilo; em boa-hora o sensibilizaram para o desastre.
Às vezes demora um bocadinho a ser convencido, mas não há como as evidências.
:)

Anónimo disse...

Tenho reparado que adoptou (sim como p) a maneira de escrever do brasileiro.

Vi que escreveu por exemplo "perceção". Quando se vê a palavra escrita dessa maneira, o primeiro reflexo é que se está perante uma palavra estrangeira. Mas depois, devagarinho chega-se la.

Mas, deixe-me perguntar-lhe uma coisa: tem a certeza que está a escrever correctamente (sim com c) a nossa língua? Escreve português ou brasileiro?!

E' que se tiver o cuidado de ir ler as suas bujardas há-de ver que se ler "perceção" segundo as regras fonéticas aprendidas na escola primária dos anos 60, a palavra tem de ser lida assim: perceção com o e fechado com no primeiro de per.

De maneira nenhuma você lê o segundo "e" aberto como em é! A mesma coisa em ação. A primeira letra a é fechada. Nunca pode ler a palavra como o "à", pois a é fechado.

Ja viu o 31 em que nos meteram? Com essa nova regra está-se a ensinar as pessoas a falar, a pronunciar as palavras de maneira incorrecta.

Se mete o c em incorrecta, é precisamente para abrir a letra antes 'e'. Se eu nao meter o "c", a pronunciaçao será: incorr-e- (fechado) como o "e" de corredor!

Mas o senhor embaixador nao acha que ja tem idade para nao cair nesta brincadeira de criancinhas?!!

Ou entao tem de ser consequente e passar a pronunciar "mal" as palavras como as escreve.

Você nao pode escrever ação e pronuncia-la como acção com o som de a à!

Há regras caramba!!!!

Francisco Seixas da Costa disse...

Caro Anónimo das 23.49: por que não coloca um til em "muito"? Por que não lê "mui-to"? Por que lê o "u" em "arguido" e o não lê em "Reguengos"? Porque tudo isso são convenções. Agora, com o novo Acordo Ortográfico, terá algumas mais a aprender. E, além de tudo isso (e há muito mais, de outra natureza e importância), o Acordo - sabia? - é lei imperativa portuguesa, aprovada pelo governo e pelo parlamento, ratificada pelo presidente da República, com depósito dos instrumento de ratificação já feito. E as leis legítimas são feitas para se cumprirem - e foram de vária coloração os governos envolvidos nesse processo decisório, se acaso não sabe. Temos de reaprender o que aprendemos na escola? Claro que sim. Era muito mais cómodo não o fazer? Claro que era. Mas é a vida, sabe?

Anónimo disse...

bom dia: por enquanto o acordo é livre de ser adoptado, pelo menos nos meios não oficiais. A tradução automática lembra-nos que nenhuma maquina substituiu o ser humano, acho estranho só agora ter notado.

patricio branco disse...

O problema existe igualmente com os corretores ortograficos (na parte da sintaxe, da frase)embora em menor escala. Dão-nos sugestões erradas. Os correctores e tradutores são instrumentos imperfeitos, muitas vezes não percebem o que escrevemos e fazem disparate.
Há muitos anos, quando ainda não tinhamos PCs disponiveis, assisti a uma conferencia dum engenheiro francês sobre a maquina de traduzir que estava a ser construida por importante firma informatica onde ele investigava. Pois o que me lembra dele dizer, era que os progressos eram grandes mais la machine est toujours stupide, explicando que por mais aperfeiçoamentos que houvesse nunca se chegaria à tradução perfeita. Isto já pertence à historia, não me lembro do nome do conferencista nem como era essa maquina de que nos mostrou esquemas de funcionamento.
A conferencia foi em lisbos, no anfiteatro principal da faculdade de letras da UC, aí pelos anos 1969/71.
Ligar ou desligar o tradutor são 2 opções, mas talvez seja de facto melhor desligar.

Anónimo disse...

Discordo totalmente do senhor embaixador.

Discordo, porque as leis sao para ser cumpridas, mas também para serem anuladas, modificadas e rectificadas por outras.

E' ou nao? Que eu saiba é também jurista! Sabe perfeitamente que nao ha leis eternas, tanto mais quando sao mal feitas!

Bem, quanto a essa de reaprender aos 80 anos, a escrever bem ou mal, a nossa lingua!....

Eu nao digo, mas penso, que está a brincar, pois a partir dos 50 anos temos tanta coisa a aprender, inclusivé uma nossa lingua, que essa de reaprender a nossa lingua, é forte.

Sem dizer, que os exemplos que foi buscar nao sei aonde, nao me convencem.

Vejamos: muito"? Por que não lê "mui-to"? Meter um til em muito?!!! Brincadeira, senhor embaixador.

Pergunta-me porque leio o "u" em "arguido"? Porque o i tem um acento agudo que se coloca ou nao; mas tem assim: arguído.

E não lê o u em "Reguengos"?

Como, senhor diplomata?! Você nao lê o u nessa palavra? Como?

Claro que lê; você é que nao sabe as regras da fonética. Se nao lêsse o u de REGUENGOS, seria regengos, com o som do primeiro g, de jota!!!!

Sim, estou a ver que antes de reaprender a escrever brasileiro, tem de aprender fonética do português que aprendeu nos anos 5O!

Nao se esqueça depois de aprender na nova norma a palavra que escreveu assim: "perceção". Tem de ser consequente. Leia a palavra como a grafou. Faça todas as vezes com essas suas novas descobertas, e ha-de ver que se inventou uma nova lingua, que nao é nem português nem brasileiro!!!!

Francisco Seixas da Costa disse...

Caro Anónimo das 19.22:

1. Não respondeu à questão que coloquei quanto à razão porque que pronuncia "muinto" e não se lê "mui to". E não respondeu porque não consegue. É uma mera convenção.

2. Uma consulta ao dicionário talvez lhe não fizesse mal: "arguido" não tem assento agudo no "i", pelo que o seu argumento cai pela base.

3. Não sabia que, na sua terra, se lia o "u" na palavra "Reguengos". Pergunte em Reguengos como eles "se" lêem...

Uma revisitazinha à sua escola primária talvez lhe fosse útil...

Cordialmente

Anónimo disse...

Bem, estou a ver que quem precisa de fazer uma visitinha à sua escola primária é o senhor embaixador!

E' que com essa trapalhada o senhor embaixadaor já confunde acento com "assento".

Diga-me ja agora como pronuncia quinquenal?

E' como a história do arguido! Eu escrevi bem claro que pode ter acento (é assim que se grafa a palavra) como nao pode! E os defensores do acento sobre o i, é para nao haver essas dificuldades da nossa lingua (como aqui, pode ter agudo ou nao).

Infelizmente, o senhor embaixador resolveu acrescentar mais umas dificuldades como a pronúncia de "muinto" com n, que nao conhecia.

Porque é que nao escreve muinto?! Se escreve "perceção" e "assento tónico", porque nao acento do carro?!!!

Ande la pronuncie-me quinquenal! Como deve ser e nao como se ouve hoje em dia em todo o lado.

E nao me venha com convenções!!!

Francisco Seixas da Costa disse...

Caro Anónimo das 17.44.

1. "Assento" em lugar de "acento" foi um lapso de escrita. Nunca lhe aconteceu?

2. O que eu quis dizer é que palavras idênticas já se pronunciam hoje segundo regras diferentes ("arguído" ou "Reguengos"), mesmo sem o uso de acentos. Isso significa que o Acordo Ortográfico apenas estende esse procedimento.

3. Esta conversa está encerrada.