quarta-feira, 20 de abril de 2011

"La femme d'à côté"

Íamos a entrar no Flore quando, subitamente, o meu amigo brasileiro me atirou: "De futuro, estou decidido a não ter conversas com 'la femme à côté' ".

Olá!, pensei para comigo... temos "caso"! E, com machista curiosidade, preparei-me para uma revelação, sobre alguma vizinha jeitosa e posta a jeito. Os franceses chamam a isso "la femme d'à côté", os anglosaxónicos "the girl next door". Escuso de dizer que isso faz parte do imaginário de muitos homens, alimentando livros e filmes, neste caso aquele que Truffaut realizou, já há trinta anos!, com esse nome.

Qual quê! Não era nada disso. O que o meu amigo queria dizer é que estava a tentar libertar-se do vício, bem irritante para os outros, de manter a mulher a par das conversas, quando fazia chamadas telefónicas. Disse-me que isso lhe acontecia agora com frequência, depois da "jubilação", quando passava mais tempo com o cônjuge, mas que isso lhe afetava a naturalidade do diálogo com os amigos.

Dei-lhe logo toda a razão. O facto de se estar a ter uma conversa telefónica com uma pessoa e saber, ou pressentir, neste caso quase sempre pelo tom do discurso, que essa mesma pessoa está a partilhar a conversa com alguém que está ao seu lado, às vezes com o telefone em "alta voz", é desagradabilíssimo: impede-nos de fazer um comentário mais pessoal, levando a que condicionemos a nossa própria conversa.

Espero que esse meu amigo consiga libertar-se do vício. É que há outros que já percebi que não conseguem.

Dito isto, a conversa deu-me uma ideia: vou rever o "La femme d'à côté" nesta Páscoa.

* um comentador sublinha - e bem! - a diferença entre "la femme d'à côté" e "la femme à côté". 

8 comentários:

Gustus num se .... disse...

qwelqwe chose

uma estopada diria o dito Eça
pela boca birtual de uma das suas personages

Anónimo disse...

"La femme d'à côté" ce n'est pas la même chose que "la femme à côté" - en tout cas le titre du film de Truffaut est "d'à côté", c'est à dire, voisine dans le sens de l'habitat et du lieu de résidence, pas du hasard de la femme à côté dans le metro ou dans le café... et cette différence est très importante dans le film!

patricio branco disse...

há situaçoes ou actividades que normalmente exigem um pouco ou mesmo total privacidade, uma delas falar ao telefone.
Se há um ouvinte ao lado, logo adaptamos o vocabulário, o tom, restringimos o diálogo. Isto é normal.Por isso mesmo ficamos incomodados e não achamos bem quando alguem, num sítio publico, café, transporte, sala de espera do medico, fala alto e sem reservas ao telemovel e nós a ouvirmos tudo.

a propósito do título, nós dizemos a vizinha do lado, mas possivelmente não tem exactamente o mesmo sentido que as expressões inglesa ou francesa.

Anónimo disse...

Bem o post é interessantíssimo...

Tanto dá pano para mangas, como equaciona se serão mesmo favas contadas...

Oh!!!...Se partilho a moral da história, e quando é "L´homme à côté"?

Bonito sim senhor...
Conheço até casos de gaguez severa, nem se percebem as palavras...

Pois ... apesar de me suscitar a curiosidade para o filme, na Páscoa vou fazer os folares, e tenho um para vossas excelências...

A propósito
Boa Páscoa a todos
(Mesmo aos medricas dos anónimos...Hão-de ir longe... Pffff, só espero que não sejam de Bornes nem Flavienses)
Isabel Seixas

Helena Sacadura Cabral disse...

Ao tempo delirei com esse filme. "Tadinha de mim" que pouco ou nada percebia do mundo.
Depois vivi. E, quando há algum tempo o revi achei-o datado.
Nada garante que não seja eu a "datada", claro...
Estou em total sintonia consigo com a dança das conversas telefónicas partilhadas.
E já agora estou com a minha amiga Isabel. Il faut, aussi, faire la distinction naturel entre "l'homme à cotê" et "l´homme d'a cotê". Trés important!

Julia Macias-Valet disse...

"La femme d'à côté"...um tema pelos vistos internacional ; )

http://www.youtube.com/watch?v=X6yqD1NQnBk

http://www.youtube.com/watch?v=Qacac_wyGww&NR=1

Anónimo disse...

Pois para ser ainda mais sincera, não me importa nada de protagonizar qualquer uma delas(Virtualmente, credo), mais a mais gosto de ouvir conversas, então se as pessoas querem... Não é!!!

claro que me deram educação, as minhas irmãs mais velhas até eram desagradáveis(e eu gostava tanto de ouvir as conversas com os "amigos" delas), e faço sempre, que oiço alguém receber uma chamada, aquele gesto delicado de me retirar à espera que me convidem a ficar...Claro que se não me convidarem vou fazer outras coisas, quero lá bem saber...

Se alguém meter o bedelho ou a colherada nas minhas conversas obviamente que sou implacável, fuzilo-o com um olhar assim...Uma pessoa tem que ter o seu feitio...

Boa Páscoa
Isabel Seixas

Helena Oneto disse...

Os comentários da Isabel Seixas são uma autêntica delicia! Quanto ao filme "proprement dit" estou de acordo com Helena Sacadura Cabral, doutorada em "histoires de coeur":)!