terça-feira, 26 de abril de 2011

Síria

Portugal é um dos países europeus que tomaram a iniciativa de levar, com urgência, a crise síria ao Conselho de Segurança da ONU. 

O nosso país tem vindo a assumir, nos últimos anos, uma atitude diplomática muito afirmativa no Médio Oriente. Temos deixado as mensagens certas no quadro do nosso cada vez mais denso relacionamento bilateral, quer face aos parceiros árabes, quer perante Israel. Esta iniciativa é, assim, um ato de coerência e responsabilidade.

Impõe-se que uma questão como a que a Síria hoje suscita, que releva de uma inaceitável prática repressiva face aos seus cidadãos, não passe impune.  É essencial que a Europa mostre, também neste caso, que, sem deixar de ter em conta o particularismo de cada situação, é favorável às esperanças democráticas que hoje nascem por todo o mundo árabe. 

A Síria é um Estado central em todo o processo político da região. Com uma relação complexa com o resto da comunidade árabe, com uma ligação particular ao Irão, detendo um poder de influência sobre movimentos relevantes no levantamento palestiniano, é também em Damasco que reside a chave para a estabilidade do Líbano e, nesse sentido, para qualquer processo de paz minimamente eficaz e durável. Por essa razão, o caso sírio tem uma importância, à escala regional, só comparável ao Egito e muito para além da Tunísia ou da Líbia.      

5 comentários:

Helena Sacadura Cabral disse...

Lembra-se, Senhor Embaixador, de lhe ter escrito aqui, há cerca de uns vinte dias, que a Síria era agora o país que mais me preocupava? Infelizmente parece que tinha razão.

Santiago Macias disse...

Uma jovem síria, da alta sociedade, dizia-me há uns anos que participava sempre nas manifestações pró-regime, em Damasco.
Sabendo das suas origens familiares perguntei "e quando estás em Beirute?". Respondeu-me que em Beirute se manifestava contra a ocupação síria.
A ambiguidade está na massa do sangue do Levante. A ambiguidade do regime foi, até há pouco, a sua sobrevivência. Tudo tem um fim.

patricio branco disse...

misteriosa a psicologia do ditador ou tirano. Vendo bem, e em comparação, mubarak e ben ali foram uns cavalheiros

EGR disse...

Senhor Embaixador: embora saiba que este não é um espaço cuja finalidade não é, bom rigor, a isso destinado não resisto a fazer-lhe um pedido: muito gostaria de, quando considerasse opurtuno,nos desse a sua visão sobre os proceessos politicos em curso no denominado mundo arabe.
Com efeito, não encontro na nossa imprensa uma análise que permita uma compreensão integrada desses processos.
EGR

Francisco Seixas da Costa disse...

Caro EGR: Tentarei satisfazer o seu pedido, mas, devo confessar, uma abordagem global é muito difícil.