segunda-feira, 11 de abril de 2011

Ingratidão

Agora que vamos entrar em campanha eleitoral, talvez valha a pena recordar uma historieta clássica, em torno de um conhecido político brasileiro, que fazia promoção política numa qualquer localidade.

Num certo momento, aproximou-se dele uma pessoa que lhe disse:

- O senhor não me conhece, mas eu sou filho de um seu grande apoiante - e disse o nome do progenitor.

O político não tinha a mais leve ideia da pessoa em causa mas, numa atitude de simpatia proselitista, dando-se ares, adiantou logo:

- Claro que me lembro bem de seu pai. Faz tempo que o não vejo...

Aí, o cidadão retorquiu:

- O meu pai morreu...

O político não se deu por achado e, com ar de alguma indignação, respondeu:

- Pode ter morrido para si, que revela ser um filho ingrato. Para nós, amigos de seu pai, ele permanece vivo nos nossos corações!

8 comentários:

Helena Sacadura Cabral disse...

Ai Senhor Embaixador que humor tão negro!
Olhe só o que pode acontecer...aos meus descendentes. De certo lhe dirão que "gostavamos muito da sua santa mãezinha"!
A minha vingança é que quando -ambos! - andam em campanha, mandam-me abraços.
E eu respondo que se entrasse na concorrência, talvez os vencesse...
Mãe sofre mas também ri:))

tempus fugit à pressa disse...

O país morreu para nós filhos ingratos

Que não vemos que agora que está morto

está mais vivo que nunca

pode não estar vivo nos cu rações

mas está vivo nas entranhas que o engoliram

e que o vomitam aos pedaços....

em pateadas e comícios variados

comeram o morto durante muito tempo

o canibalismo paga-se com indigestões

ou com gestões indignas

para o caso tanto faz

tempus fugit à pressa disse...

o Humor neste caso talvez seja negro talvez pardo, quiçá branco

todos os mortos empalidecem

sejam nações ou outras coisas

Anónimo disse...

Quantos não tiram partido dos apelidos dos progenitores para a tão ambicionada ascensão social?

Para utilizar as expressões do sábio político brasileiro, nunca o fiz porque não me considero uma "filha ingrata" e o meu pai "permanece vivo" no meu coração.

O comentário da Helena SC está demais! Em tempo de campanha eleitoral deve ser uma das pessoas a quem mais enviam beijinhos, abraços, cumprimentos(tem direito a dose dupla)... Está quase a chegar!!! :)

Isabel BP

Anónimo disse...

Político é isso mesmo, tem um discurso pronto mas vazio, vazio...Temos um belíssimo exemplo na Terrinha, usa e abusa de um discurso pronto, de uma imagem trabalhada mas isso nunca poderia ser sustentável para sempre. Demorou mas "a casa caiu" e ainda virá muito mais à tona.

R.Marques disse...

No fundo,no fundo é importante não se perder o pé para que,a seguir,não se perca a cabeça...

Aclim disse...

Dizem que os políticos são psicopatas ou coisa pior...mas não são só eles não. Tem muita gente falando mal deles porque gostariam de estar no seu lugar.
Não sou política nem politiqueira e meu pai está vivo...mas não confio em ninguém, mesmo que não seja político.

Cada país tem o que merece..elegem.

Anónimo disse...

Senhor Embaixador: indpendentemente de todas as críticas,frequentemente justas, que se possam fazer aos políticos a verdade é que me parece que essa prática se tornou de certa forma uma moda.
Alimenta-se, assim, um discurso facil que penetra bem em muitas camadas dos nossos concidadãos.
Todavia há algo em todo esse discurso que me intriga e tem a ver com seguinte:será que os produtores dos discursos já pensaram que os politicos emanam da mesma sociedade a que eles pertencem.
Uma palavra de simpatia para a
Dra Helena Sacadura Cabral pois imagino não ser facil,sobretudo em certas épocas, estar no meio de dois contrários; mas parece-me que gere isso com uma saudavel e bem humorada temperança
EGR