quarta-feira, abril 06, 2011

Nada se cria

Neste lado do mundo
há um mistério:
as vozes murmurantes da noite
o sol logo amanhecido
o teu corpo moluscular crescente
o sal do tempo infalível

memória - os cães loucos
os pavores animais - a degola
assim vegetamos (minerais? )
acontecido o tempo - as vísceras
elas estão onde supomos
fervilhantes , quentes , vaporosas

    -adjectivando:
indeferentes      aplicadas
masturbam       caducam
exprimem         indiferentes

Vamos conciliar os opostos
Sorver o ar    a ponta do horizonte
Bastar o instante de um período aéreo
Devastar as sementes  alucinar o dia.

                       Carlos Eurico da Costa (1982)

6 comentários:

  1. ...Tudo se transforma...
    Tão amiga que fui do Carlos Eurico!
    Daqui a pouco, Senhor Embaixador está a transformar-me numa romântica!

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  2. Anónimo22:31

    Posso?
    É... só... um dos meus poetas preferidos

    Mas como cria...
    Perspetivas diferentes...

    Pode ser ?

    Vincenzo Cardarelli
    Itália 1887-1959

    À Morte

    Morrer sim,
    não ser agredido pela Morte.

    Morrer convencido
    de que uma tal viagem é a melhor.

    E no último instante estar alegre
    como quando se contam os minutos do relógio da estação
    e cada um vale um século.

    Pois que a morte é a esposa fiel
    que vem em vez da amante traiçoeira
    não queiramos recebê-la como intrusa, nem fugir com ela.

    Muitas vezes partimos sem licença!
    No ponto de cruzar num átimo o tempo quando a mais a memória de nós se esvairá,deixa-nos,ó Morte,dizer adeus ao mundo,concede-nos ainda adiamento.

    O tremendo passo não seja precipitado.

    Ao pensar na morte súbita o sangue se me gela.

    Morte:
    não me agarres de súbito, mas de longe anuncia-te,e de amiga me prendas como um derradeiro dos meus hábitos.

    Citado por Isabel Seixas

    Nada se cria... Desculpe mas não acredito

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  3. Anónimo23:14

    Tudo é lindo neste post - poema e fotografia.

    Isabel BP

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  4. Anónimo07:34

    Mas é claro que também achei a foto divinal...

    Até acho que numa janela está a Margarida e na outra a sua companheira meiga...

    Agora a minha curiosidade reside em como abrem as janelinhas em cima, decerto pôs um escadote...

    Já a Menina...
    Segundo Edith Sitwell
    Num excerto do seu
    "Green Flows the river of lethe-o"
    Paira...

    "Como veludo e borboletas no caminho de nada a parte alguma"

    Que bom
    Tenho de ir trabalhar e tenho emprego e trabalho qb...
    Isabel Seixas

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  5. Anónimo07:41

    Não diga a ninguém mas acho que a tal menina para não gastar anda a "Roubar a luz " ao vizinho de cima...

    Oh! e sim ...
    Isabel Seixas

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  6. Carlos Eurico da Costa...um ex-colega que nao conheci !

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Estamos juntos, Manel !

Quem me conhece bem sabe que, de entre os meus amigos mais queridos, estava, desde há mais de quarenta anos, Manuel Domingos Augusto, de cuj...