sexta-feira, 8 de abril de 2011

Radio France Internationale

Há semanas, falámos aqui do serviço português na BBC e das ameaças que se projetam sobre o respetivo futuro.

Agora, acabo de saber que, na Radio France Internationale (RFI),começa a desenhar-se uma evolução similar. 

Esta questão tem duas vertentes autónomas.

A primeira prende-se, naturalmente, com a importância que Portugal, bem como os países de língua portuguesa, atribuem à manutenção de espaços mediáticos falados em Português. É o que poderíamos chamar o nosso interesse "egoísta". No caso francês, esse interesse liga-se à constatação, que me parece óbvia, de que o Português é uma das línguas da "diversidade" francesa.

Uma segunda vertente tem a ver com o interesse de um país como a França, com uma ambição de influência à escala global, de ver a sua "mensagem" chegar, em língua portuguesa, a "mercados" de ouvintes em países com a importância do Brasil ou de Angola - apenas para mencionar dois espaços que, somados, congregam mais de 200 milhões de pessoas e cuja riqueza não é indiferente ao quadro de relacionamento bilateral com a França.

Lembro esta segunda vertente apenas porque ela se cumula à primeira. Julgo, assim, que há uma objetiva coincidência entre os interesses de Portugal (e dos países que falam português) e os interesses da França em garantir a permanência dessas emissões internacionais da Radio France Internacionale. 

14 comentários:

Helena Sacadura Cabral disse...

Tem toda a razão!

Julia Macias-Valet disse...

E a seguir sera a vez da Voice of America e da Deutsche Welle ?

Anónimo disse...

Tempos houve, no passado, em que quando este tipo de ameaças se falavam - jà hà muito tempo que se levantam estes problemas com a lingua portuguesa na RFI - em que tivemos um Presidente, que se chamava Màrio Soares, que falou da coisa directamente com son ami Mitterrand e, espantem-se!, adiou o fecho de uma das emissões em português (na altura havia duas secções) por uns bons anos!!!!! (desculpem o paràgrafo longo - escrita imediata!)

Anónimo disse...

Senhor Embaixador,
Esta notícia chega então no mesmo dia em que me disseram que também a RTP decidiu suprimir a RDP internacional.
Fica a pergunta: se Portugal fecha a RDP internacional, que argumento vai utilizar o Senhor Embaixador em defesa do serviço português da RFI?
Carlos Pereira

Anónimo disse...

Ao Anonimo das 21:50, a verdade é que essa emissao de que fala que era dirigida para a comunidade portuguesa em Paris, acabou mesmo por desaparecer.

Quanto ao senhor embaixador, que fala em 200 milhoes de falantes, referindo-se a Angola e o Brasil, ele devia saber que a lusofonia é um mito e os seus principais coveiros sao os brasileiros da RFI que sempre rejeitaram esse projecto.

Alias, essa secçao lusôfona nao desapareceu, mas houve uma cisao, e agora como no passado ha duas secçoes, uma para Africa e outra para o Brasil, que perdeu 1 horas de antena. Bemfeito para o Brasil!ianfri

Anónimo disse...

Senhor Embaixador: Será mesmo assim? é que, segundo sei, para jà não se fala em ameaça de fecho das emissões. A coisa poderá vir mas o patrão da RFI continua a dizer que a Africa lusofona é uma das prioridades da rádio.
Desde há algumas semanas, em vez de 1 hora às 7h e outra às 19h, os lusofonos têm agora 4 meias horas entre as 18h e 21h com os franceses ou RFI mùsica de permeio. Isto é: o português foi integrado numa secção africana mais vasta (incluindo a franconfona e a anglofona), ma continua... é uma salsichada, mas é a realidade. Quem falou em fecho? Que eu saiba, ninguém... apenas soube aqui neste blogue, o que me parece estranho mas, como vem do embaixador de Portugal, temos de acreditar que as fontes sao boas?

Francisco Seixas da Costa disse...

Caros Anónimo da 7.33: peço que não leia no que eu escrevi mais do que aquilo que eu escrevi.

Anónimo disse...

Do anónimo das 7h33:

Sr. Embaixador: eu penso que a questao neste momento na seçao de lingua portuguesa da RFI é saber se deveria continuar autonoma ou integrada na seçao Africa com os franceses e os anglofonos... hà quem diga que é uma boa soluçao e que manter a "reserva" tugo-brasileira era uma espécie de gueto. De qualquer modo, hà muita gente que na RFI pratica este tipo de "informaçao" para subir uns pontos na hierarquia, para negociar poder là dentro e dizer aos patroes que, como tem influência, tem de subir um pouco mais na hierarquia e receber mais um aumentozito... às vezes as noticas deste tipo servem para isso, mais frequentemente do que se pensa, sobretudo na RFI! cumprimentos.

Anónimo disse...

De facto, a secção portuguesa da RFI tem uma historia de décadas... Depois da Segunda Grande Guerra foi um tempo dirigida por Marcel Dany e teve como colaboradores alguns refugiados políticos, inclusive um ex-Primeiro-ministro da Primeira República. José Domingos dos Santos se a memória não em atraiçoa. Entre 1966 e 1992, houve ainda uma emissão importantissima para os emigrantes dinamizada por uma série de jornalistas dos quais se destacam Jorge Reis e Alvaro Morna. Nesse mesma altura houve, se bem me lembro, uma negociação que permitiu não extinguir a secção portuguesa da RFI em troca da abertura da Radio Paris Lisboa. E infelizmente também tenho a dizer que, desde então, as relações entre as secções portuguesas e brasileiras nem se sempre forma as melhores... Mas isso é outra história. Para mal da lusofonia.

Manuel Antunes da Cunha

Francisco Seixas da Costa disse...

Caro anónimo das 7.33: então está tudo bem no que toca ao português na RFI? Agradeço-lhe que deixe aqui expressas apreciações concretas e factuais, em especial sobre o que acha que deveria melhorar. O mercado das insinuações não é a nossa especialidade.

Anónimo disse...

Do anonimo das 7h33:

Senhor embaixador, com todo o respeito, eu nao insinuo. Apenas acho que, à partida, pode nao ser negativa a integraçao da seçao de lingua portuguesa na seçao africa, até porque a guerrilha interna luso-afro-brasileira pode assim ser atenuada...De resto, os rumores sobre o fim da seçao sempre surgiram de cada vez que sao anunciadas mudanças e sao portanto normais. Eu nao digo que nao hà problemas: claro que hà e muitos! Mas se calhar neste momento vêm mais de dentro da seçao do que de outro lado... embora seja preciso, claro, estar alerta contra eventuais reduçoes de custos e pessoal - casa onde nao hà pao...
cumprimentos.

Francisco Seixas da Costa disse...

Caro Anónimo das 7.33:

Li o que escreveu: "Eu não digo que nao há problemas: claro que hà e muitos!"

Muito bem. Tem aqui uma tribuna para nos dizer, com clareza que (muitos) problemas há. Coisas concretas, nada de generalidades.

Francisco Seixas da Costa disse...

Mal eu sabia o que aí vinha, quando publiquei este post. Desde vários comentários que, contudo, me pedem para não publicar, até recomendações para que, pura e simplesmente, elida o post - de tudo um pouco tem chegado. Isto só alenta a minha ideia de que vou na direção certa. Daqui a uns tempos terão notícias, mesmo os que parecem aturdidos.

Anónimo disse...

RTP pede "suspensão temporária" da RDP Internacional em Onda Curta

A RTP pediu ao Governo "suspensão temporária" das emissões da RDP Internacional em Onda Curta após uma avaliação devido ao reduzido número de ouvintes e aos custos acrescidos, disse à Lusa fonte oficial da empresa.