quinta-feira, 7 de abril de 2011

FT

O "Financial Times" é um barómetro da política económica à escala global. Procuro lê-lo diariamente, há bastantes anos, e não me recordo do mesmo país ter sido objeto de três títulos principais de primeira página, durante três dias consecutivos. Aconteceu com Portugal, de anteontem até hoje. Infelizmente. Dias melhores virão.

Mas o "Financial Times" não escapa à política da "barata tonta". Nos últimos meses, deu acolhimento entusiasta a todos quantos achavam que Portugal deveria pedir imediatamente ajuda externa. Hoje, o seu anónimo editorial termina desta forma: "O momento certo para optar por uma ajuda externa teria sido o termo de um debate nacional. A campanha eleitoral oferecia aos políticos portugueses a possibilidade de explicar publicamente o que necessita de ser feito e obter um mandato para tal."

Vá-se lá perceber estes tipos!

3 comentários:

(c) P.A.S. Pedro Almeida Sande disse...

Caro FSC

Para qualquer gestor ou economista não habituado a viver do Estado, ou encostado a ele, a situação finan ceira e económica Portuguesa já é má há muitos anos. Aliás nunca percebi porque raio há um ministério das finanças em paralelo ao da Economia. Não que fizesse muita diferença porque penso que no actual Estado das coisas só um orçamento base 0 e defici zero devia existir nos próximos 50 anos.
Aquilo que se faz no Estado não se pode fazer nas empresas que vivem na concorrência. Aqui a gestão estratégica, a inovação só estão limitadas por um Estado sem limites à apropriação de recursos.
Num país que não houve a grande maioria da população e acumula empresas de monopólio que exauram as que jogam o jogo da concorrência (e estou a falar do tecido das PME), o futuro é inxistente e só se faz (a conta gotas) porque uns comem dois ovos, enquanto os outros não comem nenhum. O resultado só podia ser este. Faça-se o que o iletrado Lula aconselha a fazer, o óbvio, tirar da pobreza os cidadãos Portugueses, exigindo-se-lhes em troca menos Estado, mantendo um estado pequeno mas eficaz para todos e a situação não seria dramática. E isto não é uma questão de clubites partidárias mas de ética e bom senso! Entretanto dou-lhe uma novidade da parvónia. Sabia que o hospital central de Lisboa, o Santa Maria, deixou de ter otorrinos das 24h às 8H? Fazer o óbvio, caro FSC, fazer o óbvio!

Helena Sacadura Cabral disse...

Sempre defendi que em Janeiro se tivesse recorrido à ajuda externa, para evitar a subida penosa das taxas e a perigosa paralização de certos sectores do país.
Mas o problema principal não é este. É algo mais profundo que vai levar anos a ser assimilado. É que sempre vivemos acima das nossas posses e temos uma reduzida produtividade interna.
Contudo, somos bons quando saímos do país. Só não somos capazes de o ser aqui dentro. Importamos o que não devíamos e não exportamos o que seria necessário.
Teremos que partir do zero e recomeçar.
Iremos voltar à agricultura tão abandonada e veremos o "estado social" ser tudo menos isso.
Parece que é difícil ao FT entender um tal enquadramento.

Anónimo disse...

Tenho colegas que defendiam com fervor a vinda do FMI para "moralizar as tropas"... Hoje, já diziam que é o pior que podia acontecer porque vão cortar nos salários, nos subsídios, etc.

No entanto, as mini férias da Páscoa no Algarve (espera-se uma ocupação de 100%), no Brasil ou nas Caraíbas vão continuar.

A incongruência e a mania das grandezas também não ajudam!

Isabel BP