O Chatelet esteve ontem a abarrotar para ouvir Gilberto Gil, acompanhado pelo filho e por esse génio do violoncelo que é Jacques Morelenbaum. Há mais de 20 anos (desde Londres) que não ouvia Gil cantar ao vivo e, devo confessar, fiquei rendido ao seu profissionalismo, num espetáculo onde, da música brasileira tradicional, ele saltou frequentemente para o rock e para o jazz, criando uma sonoridade apelativa para faixas muito alargadas de auditório.
No tempo em que vivi no Brasil, fui testemunha da imensa popularidade de Gilberto Gil. Um dia, o assessor internacional de Lula, Marco Aurélio Garcia, comentou-me que "Gil é o Lula de Lula" - querendo com isso significar que o cantor aparecia aos olhos do presidente como uma figura carismática, quase mítica, no cenário brasileiro. Por esse tempo, e para escândalo de muitos, Gil, embora mantendo-se ministro da cultura, continuou a fazer concertos pelo mundo, a ganhar dinheiro. "Não existe pecado do lado de baixo do Equador"...
