domingo, março 19, 2023

O mundo dos tendenciosos

Alguém, que me vê comentar na CNN, escrevia no Twitter que ainda não tinha percebido qual era a minha "tendência". Eu esclareço, sem a menor dificuldade: a minha "tendência" é dizer o que penso, sabendo que, naquilo que penso, há coisas que agradam e outras que desagradam, umas vezes a quem está de um lado, outras vezes a quem se situa no outro lado da guerra. É tão simples!

3 comentários:

João Cabral disse...

O senhor embaixador, e já aqui o reconheceu, é independente enquanto comenta, no exercício da sua "profissão". Mas é só aí.

manuel campos disse...


Sinto isso quando, num raciocínio que procuro sustentar de forma sólida e até incorporar as observações que me são feitas, digo coisas que vão alternadamente agradando e desagradando à mesma pessoa e ainda sou eu que no fim passo por incoerente e falacioso.
Há uma falta gritante de "ginástica cerebral" por aí, sempre houve, mas alguns tipos de acontecimentos, que potenciam medos e ansiedades recorrentes, estão a tornar a vida mais difícil a quem tem a "tendência" de dizer o que pensa, ainda que isso eu considere um desafio e não um problema.

Como isto anda tudo ligado, passo a dar a minha ideia do que está cada vez mais na origem de uma certa impaciência e total falta de humor com que temos cada vez mais que conviver, quando dizemos ou escrevemos a nossa simples opinião.

De acordo com o Instituto Nacional de Saúde Mental dos EUA, cerca de 20% das pessoas sofrem de ansiedade e passam a maior parte do tempo com um receio antecipado de alguma coisa que pode ou não vir a acontecer, representando estes números dez vezes mais pessoas que há 40 anos.
Serão os números deles, que são uns exagerados em tudo?
Não me parece, pois de acordo com a nossa DGS, entre 2000 e 2012 o consumo em Portugal de ansiolíticos aumentou 6% mas o de antidepressivos triplicou (!).
Depois disto nem fui á procura de números mais actuais, só sei que o de ansiolíticos estabilizou em 2014 mas o de antidepressivos nem por isso.
Entre os 29 países da OCDE somos o quinto país que mais consome antidepressivos, com um consumo que é o dobro de países como a Holanda e a Itália (tendo em conta as notáveis diferenças do "modo de estar" destes dois países acho que ainda fiquei mais preocupado com esta comparação).

Estes números de consumos entre nós são calculados em doses diárias por mil habitantes, o que nos leva ao 1/2 frango que come cada português quando um come um inteiro e o outro não come nenhum.

josé ricardo disse...

Olhe que não... olhe que não, caro embaixador. Há dois Seixas da Costa relativamente à guerra na Ucrânia: um no blogue e outro na CNN. Este último é, infelizmente, mais acrítico, mais um entre outros. É a vida...

Que Praga!

Ainda bem que o jogo acabou. Estava farto de ouvir chamar Chéquia à República Checa.