O atual ministro do Desenvolvimento do Brasil, Wellington Dias, era governador do Estado do Piauí, no Brasil, quando, em 2008, lhe fiz uma visita. Tinha ido a Teresina, a capital, para apoiar a apresentação de uma companhia portuguesa de teatro, aproveitando para assistir à abertura um congresso com a participação de juristas nacionais.
Na conversa, Wellington Dias perguntou-me o que é que eu sabia do seu Estado. Ficou surpreendido quando lhe disse que conhecia, de nome, o Piauí, desde há várias décadas: "Foi Juca Chaves quem me ensinou a existência do Piauí", esclareci. O Piauí é, muitas vezes, utilizado pelos brasileiros como nome caricatural para significar um lugar distante: "Isso é lá para o Piauí..."
O músico, cantor e humorista brasileiro, Juca Chaves, que chegou a ser bastante popular em Portugal, onde esteve exilado, ao tempo da ditadura militar, criou uma canção que veio a ficar famosa: "Take me back to Piauí" ("Adeus Paris tropical/adeus Brigite Bardot/o champanhe me fez mal/caviar já me enjoou/Simonal que estava certo/ na razão do Patropi/eu também que sou esperto/vou viver no Piauí") E, em outras ocasiões, também usou o nome do Estado em piadas, nem sempre com agrado dos piauienses. Juca Chaves dizia, numa dessas histórias, que, no Piauí, o calor era tal que as aves batiam uma das asas para refrescar a outra... O meu amigo José Pereira, o mais antigo funcionário da nossa embaixada em Brasília, contava, com gosto, esta graça sobre o seu Piauí natal.
Wellington Dias disse-me então que o Piauí, ao reagir negativamente às referências caricaturais de Juca Chaves, não se dava conta de quanto elas tinham contribuído para a difusão do nome do seu Estado, como eu próprio ali confirmara. E estava grato por elas.
Juca Chaves morreu agora, com 84 anos.
