segunda-feira, 4 de janeiro de 2021

Francisca


Eles aí estão, Francisca! Tu sabias que, cedo ou tarde, qualquer coisa mais viria por aí. Já tinha havido ameaças, alguns golpes baixos. Passaram dessas outras vezes, mas anunciava-se o seu regresso. Foi isto agora, como podia ter sido qualquer outra coisa. Primeiro, foi a legalidade da decisão que tomaste, que, sendo uma opção institucional debatível, foi de uma legitimidade cristalina. Como eles bem sabem, embora façam de conta que não. Depois, foi o desforço, apoiado nos vícios de forma que uma incúria te induziu a titular, embora todos se esqueçam de dizer que isso, em nada, influenciou o desfecho do assunto. Mais vem por aí, com insinuações medíocres, porque agora vale tudo! O que é preciso, até ao ranger da última porta, é tentar usar todas as alavancas para conseguir obter, por desgaste, neste tempo eleitoral polémico, aquilo que não foi obtido num outro voto. Pela tua vida, bem sabes, Francisca, talvez bem melhor do que quem quer que seja nesse governo de que acedeste a fazer parte, sacrificando uma carreira quase ímpar, que a política tem regras muito cruéis. Sentiste isso desde muito cedo, noutras geografias, em tempos de tragédia. Agora, neste outro tempo, que já é de farsa, sei que isso te blindou para a intriga, embora, atenta a tua sensibilidade, possa não te ter vacinado contra a mágoa. Aconteça o que acontecer, os que te conhecem, e são muitos, os teus amigos e os que, não o sendo, conhecem a tua integridade, sabem bem que a tua ética e o teu sentido de serviço público pairam muito acima da espuma lamacenta destes dias estouvados. O resto, Francisca, é isso mesmo: é o resto!

12 comentários:

João Forjaz Vieira disse...

Ver sobre o mesmo assunto Vital Moreira na Causa das Coisas

João Vieira

rui esteves disse...

Temos a Tv pública nas mãos de inquisidores.
Um Adelino carregado de cinismo tenta encostar a ministra da Justiça à parede.
Aperta uma, volta a apertar, reforça o aperto - e no final de cada pazada fica com o que pretende ser um sorriso de troça à espera da justificação.
A ministra não perde a calma, ignora o sorrisinho, e esclarece as dúvidas do inquisidor.
Até quando a RTP se permitirá tratar os membros deste governo como pessoas pouco recomendáveis e merecedoras da desconfiança das pessoas de bem?
A RTP, que é suportada por todos nós, é para isto que serve?
Para tentar enxovalhar ministros e secretários de Estado do governo em funções?
É a raiva a falar mais alto, porque apesar de tudo, as sondagens continuam a mostrar que a generalidade dos portugueses ficou vacinada contra a direita?
Se é, temos que agradecer a imunidade ao encoberto de Massamá.
Passaram mais de 5 anos, e apesar de a memória das pessoas ser volátil, ninguém esqueceu o governo Passos/Miquelina Albuquerque.

Francisco de Sousa Rodrigues disse...

A verticalidade e amizade do Senhor Embaixador sempre a mostrar-se em grande forma.
O maior respeito pela Sra. Ministra da Justiça!

Um Feliz 2021!

PS: Gosto muito da versão remodelada do blogue!

Portugalredecouvertes disse...

a polémica e altas vozes dão mais visualizações ou não será assim?

Francisco Seixas da Costa disse...

Portugalredecouvertes: e isso rende alguma coisa?

Carlos disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
AV disse...

Independentemente de o respeito que a carreira da Ministra da Justiça inspire, as incorreções da nota enviada à Reper não são aceitáveis. Mesmo que tenham sido irrelevantes para a decisão final de nomear o procurador melhor classificado, estas incorreções não deviam ter sido desvalorizadas. Foi um erro fazê-lo.

Helena Sacadura Cabral disse...

Concordo inteiramente com o comentário de AV. As incorreções da nota enviada à Reper não são aceitáveis e colocam Portugal numa situação censurável. Quando se comete um erro a única via é corrigi-lo.

albertino ferreira disse...

Todos os ministros cometem erros ou lapsos; se o PM fosse atender aos pedidos de demissão dos ministros, não fazia outra coisa senão demitir um ministro por mês; fez bem o Costa em manter o Cabrita e a Francisca no Governo!

Helena Sacadura Cabral disse...

Estou de acordo consigo!

José Lopes disse...

Uma correcção ao comentário do "Carlos"
A entidade que indicou o procurador José Guerra foi o Conselho Superior do Ministério Público, não o Conselho Superior da Magistratura (CSM).
São entidades diferentes e autónomas uma da outra: cabe-lhes nomear, avaliar, exercer a acção disciplina sobre os magistrados, respectivamente do Ministério Público, e judiciais.
Não faz sentido dizer que o Conselho Superior da Magistratura é a entidade máxima de supervisão do sistema de justiça em Portugal." Existem a Ordem dos Advogados e a Ordem dos Solicitadores, a Procuradoria Geral da República, sobre os quais, o CSM não tem, como é óbvio, qualquer poder, designadamente de supervisão.

AV disse...

Quando se verificam incorrecções como estas, com as implicações que têm, devem ser assumidas como tal e corrigidas. Não devem ser personalisadas, excepto se forem deliberadas, mas os processos que lhes deram origem devem ser revistos e mudados. Quando há um erro, temos que questionar os processos que lhe deram origem, mais do que as pessoas. Isso, para mim, é liderança. Como disse Helena Sacadura Cabral, os erros corrigem-se. A liderança está em admiti-los e em saber como corrigi-los.