quarta-feira, janeiro 06, 2021

Juan Carlos


Fez ontem 83 anos. A Espanha deve-lhe a inesperada sabedoria com que geriu a transição, que pode ter evitado uma sangrenta tragédia. Alguns dirão: mas o que ele fez, mais tarde, foi de imensa gravidade, maculando essa imagem. É verdade, mas cada tempo é um tempo, uma coisa não apaga a outra. Eu, que não sou espanhol, pelo que me não cabe conferir os saldos dessas contabilidades históricas, quero apenas recordar o grande amigo de Portugal que Juan Carlos sempre foi. E deixo esta imagem, bem elucidativa, que, há dias, passou nas televisões, de um dia em que entregou a Taça do Rei a Futre. No que o rei ali disse, está tudo dito. Que é apenas o que me interessa, a razão por que aqui o trago.

3 comentários:

  1. É pena que Juan Carlos tenha comprometido o seu legado pelas razões que são conhecidas. No entanto, concordo inteiramente que o seu papel no processo de transição lhe garante um lugar na História da Espanha contemporânea que não será esquecido independentemente dos factos que ainda venham a ser apurados.

    Quanto à sua amizade por Portugal, que espelha as excelentes relações que temos com o nosso vizinho e provavelmente parceiro e aliado mais importante, ela tem sido sem mácula...

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  2. o que ele fez, mais tarde, foi de imensa gravidade, maculando essa imagem

    O principal protagonista da fotografia que ilustra este post é o grande jogador de futebol que está de costas. Ele mais tarde maculou a sua imagem, embora sem gravidade, quando publicitou pílulas (de efeito duvidoso) para o aumento da potência sexual.

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  3. A imagem de Juan Carlos, mais que maculada pelo que ele fez mais tarde, está maculada pelo que ele fez mais cedo. Ele matou o seu irmão quando era novo, naquilo que foi piedosamente descrito como um "acidente" com uma arma de fogo entre duas crianças inocentes, quando é sabido que ele tinha instrução no manuseamento dessas armas como parte da sua educação como criança nobre, pelo que é difícil aceitar que tivesse realmente sido apenas um acidente.
    A história vem contada no romance "O assassino tímido" da romancista espanhola Clara Usón. Não é nada, portanto, que não se saiba em Espanha.

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