Conseguir um estacionamento perto do oculista, com uma farmácia em frente, onde “aviei” uma receita que trazia à mão desde ontem, prenunciava um bom início de tarde. Esta Lisboa pandémica, tem uma vaga em cada esquina. Função executada, regresso ao carro. Não abre! Não abre? Não abre! Ó diabo! Será a pilha?
O Smart tem 10 anos, 20 mil quilómetros e faço trinta por uma linha com ele, nesta quarentena, pelos altos e baixos da cidade. A chave tem essa idade e a pilha, imagino, não é, com certeza, mais nova. Comprei-o em Paris, um ano e pouco antes de regressar a Lisboa. Foi num stand junto ao Trocadéro, a um luso-descendente simpático e falador (em francês), satisfeito por vender um carro ao embaixador da terra dos pais. Nunca nos deu problemas. Só hoje!
Ainda bem que a EMEL está de férias! Se o carro não arrancar, fica mesmo ali. Há, lá por casa, outra chave. Se não, avança o reboque do ACP. De qualquer forma, é uma chatice! Agora, lá tenho de ir à vida de Uber ou de táxi. Usar o mínimo possível transportes alheios tem sido a minha regra nesta época. Mas lá terá de ser!
À lisboeta clássica, chega-se um transeunte, pelo passeio. “Então não abre, é? Deve ser da humidade”. Sei lá se é! Só sei que o carro não dá sinal! Vou à porta contrária, forço a fechadura. Nada! Passaram-se, entretanto, cinco minutos, comigo a hesitar sobre o que fazer.
Aproxima-se, entretanto, outro cidadão, este atravessando a Avenida António Augusto de Aguiar: “É capaz de ser da chave!”. Olha o espertalhote! Até aí chegou o Neves! “Com esta deve dar!”, diz o homem, com o que devia ser um sorriso por detrás da máscara: “É que este é o meu carro. O seu deve ser aquele, que está ali, um pouco mais acima, farto de acender as luzes...”
E lá fui para o meu carro.
