sexta-feira, 8 de janeiro de 2021

America! America!

 


Conversa com António Freitas de Sousa para o “Jornal Económico”. Aqui

4 comentários:

Anónimo disse...

Mas então se "eles" quando querem mudar governos em qualquer sítio do mundo, só necessitam de querer fazê-lo, por que razão ali, mesmo à mão, não haveriam de fazê-lo?
Será que os que comentam aquilo que agora aconteceu têm dois pesos e duas medidas nas suas análises?
Por mim, aquilo foi natural e normal; aquela gente é assim mesmo, é "aquilo".
MB

João Forjaz Vieira disse...

Julgo que o emb. Faz aqui uma análise certa e interessante

Cumprimentos
João Vieira

Joaquim de Freitas disse...

Muito boa anàlise Senhor Embaixador, numa perspectiva de soma e segue do sistema que està podre...

A Policia comprometida? Claro, era evidente. Os Gansos do Capitólio teriam feito melhor trabalho que esta Polícia, que só usa os grandes meios que contra os Negros...

Vimos indivíduos a escaladar em frente e depois a pasear e degradar no Capitólio com bandeiras e cartazes.
Mas em menos de quatro horas, os agentes federais evacuaram-nos e mantiveram-nos em respeito por uma cortina de escudos, espingardas e bastões que me lembram os cenários conhecidos do próprio país onde vivo!

Depois dos protestos contra os resultados eleitorais (federais e específicos da Geórgia), apelando a uma manifestação em frente ao Capitólio - este templo do teatro sombra da "democracia" - Donald Trump capitulou em campo raso e apelou às suas tropas para "irem para casa"!

Assim, o que seria um "golpe de Estado" (para os opositores) e uma recaptura da suposta eleição manipulada (pelo campo de Trump) rapidamente se transformou numa rendição incondicional ao sistema de "democracia representativa" nos Estados Unidos.

E isto para grande satisfação dos "democratas" que não valem mais do que os seus homólogos "republicanos". A ordem reina em Washington, Biden será investido a 20 de janeiro, e a capital será silenciosa no Capitólio!

Mas o problema resta inteiro: O CAPITAL está dividido entre duas tendências, que não são únicas ao capitalismo americano.

Por um lado, os "continentais", que querem proteger as posições adquiridas nas Américas (norte e sul), e que querem fazer o que Trump fez, ou seja, praticar o recuo no continente através de uma política de tarifas e protecionismo de direita, para se protegerem da crescente concorrência da China e de outros países "emergentes" (Índia). , Brasil, Indonésia, Rússia...).

Esta tendência é representada pela fração da burguesia que votou em Trump e nos "republicanos" (embora o Partido esteja agora dividido).

Por outro lado, os "globalistas", representados pelos "democratas", que querem retomar a missão civilizadora do imperialismo clássico americano e que querem voltar ao domínio mundial dos Estados Unidos como "defensores da democracia" e da "liberdade de iniciativa".(As primeiras palavras de Biden, hà duas semanas : Vamos dirigir o Mundo !).

Por outras palavras, os líderes do capitalismo globalizado, financeiro, anti-comunista e neocolonialista, e que gostariam de assumir as boas e antigas políticas dos Clintons, Bushes e Obamas em todo o mundo, como no Afeganistão, Iraque, Líbia ou Síria.
Esta tendência não se resolve com a ascensão da China, da Índia ou, em menor medida, da Rússia.

Não há necessidade de falar de "Europa", porque foi totalmente subordinada e reduzida, desde o fim do Gaullismo, a uma quase-colónia dos Estados Unidos. Recorde-se também que Clinton tinha previsto uma guerra nuclear preventiva contra a China no início do seu mandato!

Assistimos à pressa com que todos os governos da UE - totalmente idiotas e complacentes nos capachos dos americanos - se sentiram indignados, em primeiro lugar com o inefável Macron (bandeira dos EUA ao lado da bandeira francesa e da UE) e que denunciou uma conspiração contra a democracia, não falhando indiretamente em estigmatizar indiretamente todos aqueles que arriscariam desafiar o seu próprio poder em França!

É evidente que a União Europeia é totalmente subserviente aos Estados Unidos, à NATO, ao "Atlântico", e que é uma farsa e uma piada fingir promover uma "Europa soberana"!

Na verdade, a "tomada do Capitólio" é apenas uma escaramuça entre facções divididas da burguesia americana, sempre unidas no essencial: o domínio do capital sobre os povos.
Trump queria mostrar os músculos e algumas pessoas seguiram-no, mas não quis fazer um golpe de Estado. No entanto, há três lições a aprender com este "espectàculo".

Joaquim de Freitas disse...

Suite)

1. Quando se trata de salvar o mobiliário, de salvaguardar o essencial - isto é, o domínio político e económico do capital sobre os povos dos Estados Unidos e dos povos do mundo - a burguesia serra fileiras e assobia imediatamente o fim do recreio; (os múltiplos golpes de Estado no mundo, organizados pelo Pentágono e pela CIA, ilustram-no, bem como a utilização selvagem e injustificada da bomba atómica no Japão em 1945!).

2. O sistema político dos americanos não é mais forte do que os outros e pode muito bem entrar em colapso se o povo o decidir! E isto vai talvez fazer reflectir alguns! Mas de là ao ataque do Palàcio de Inverno, hà uma distância: a falta de guia ideologico. Ora nao vejo nenhum Lenine nos bastidores do Capitolio...

A Constituição dos "pais fundadores" é apenas um equilíbrio temporário de poder, instituída pela burguesia yankee em 1787 e consolidada por mais de dois séculos de domínio burguês e imperialista.


3. Embora o poder dos americanos não queira reconhecê-lo, está em declínio. Não será capaz de suportar o avanço de outras potências, como a China, a Índia ou a Rússia por muito tempo e será forçada a contar com elas.

Ao fazê-lo, o seu poder externo diminui, oferece o seu flanco interno às forças populares norte-americanas.
Mas Trump "desmobilizado" ainda mete medo...Talvez seja "licenciado" antes do 20 de Janeiro.

"You are fired" Donald !