quarta-feira, 20 de janeiro de 2021

Dez “tweets” para uma posse


* Acho que a única pessoa que respeitou bem o distanciamento social na posse do presidente dos EUA foi Trump.


* Este é o dia em que devemos ter um pensamento para o pessoal de limpeza que, desde a saída de Trump, operou na Casa Branca. Que desinfeção não terá havido por lá em poucas horas!


* O dia ofereceu, finalmente, algum sol em Washington. Que tempo fará na Flórida? “Who cares?”, responde-me alguém ao meu lado.


* Lá vi na posse de Biden uma figura da pequena História americana a quem só Trump faria subir na hierarquia da competência política: Dan Quayle.


* Mike Pence foi o que foi e é o que é. Mas há que reconhecer que teve alguma dignidade, e não menor jogo de cintura, na pilotagem da transição. E não deve ter sido fácil.


* Na perspetiva do “establishment” republicano dos EUA, o preenchimento dos lugares do Supremo Tribunal feito por Trump passou a constituir uma imensa ajuda para a proteção futura da sua agenda ideológica.


*Quando ouço as marchas nas cerimónias americanas, não consigo desligar-me da “Tarde Desportiva da Emissora Nacional”: “Alô Nuno! Passo às Antas!”. Mas isso sou eu que tenho tempo para ter memória!


* Raramente vi tanta incompetência na gestão do protocolo de uma cerimónia desta envergadura. As pessoas andavam perdidas, as esperas foram imensas, até o tipo que desinfetava o podium dos oradores parecia tirado de uma comédia.


* A inabilidade política de Trump ficou demonstrada no seu patético discurso de despedida. Fazê-lo de improviso foi um imenso erro histórico. Foi uma mensagem errática, com referência ridículas e a adjetivação habitual. Não conseguiu roubar minimamente o “show” a Biden.


* O discurso de Biden foi bom, mas sem nenhum rasgo. Biden não “diz” bem, nem empolga, mas transpira decência e desejo de fazer bem. E não é Trump!


7 comentários:

Joaquim de Freitas disse...

"Uma mudança da política "America First" de Trump para uma "America must lead". Apenas variações sobre o mesmo tema. Tanto Trump como Biden querem servir os interesses dos 1% mais ricos dos americanos, também internacionalmente, mas usando algumas tácticas e coligações diferentes".

""O mundo não é uma 'comunidade global', mas um campo de batalha em que países, actores não estatais e empresas competem"

"Na revista Foreign Affairs, Biden não menciona uma única vez as Nações Unidas. No passado, os Estados Unidos só reconheceram as resoluções das Nações Unidas quando se deslocavam na sua direção. Biden disse que as Nações Unidas não podem ser um travão às guerras e sanções lideradas pelos EUA".

"O compromisso dos EUA com a NATO é sacrossanto e não um acordo comercial. A NATO está no centro da nossa segurança nacional e dos nossos interesses".

Joe Biden: Renforcer les relations avec les alliés européens historiques de son pays, afin de s’attaquer ensemble à la Chine, sous la direction des États-Unis".

"« Les États-Unis doivent être durs avec la Chine », dit Joe Biden. La Chine représente un défi particulier. La meilleure façon de le relever est de faire front commun avec nos alliés. ».

" L’épisode Trump est un accident de l’Histoire. Nous devons au plus vite reprendre le chemin entamé par Barack Obama. »(dans le numéro d’avril du magazine Foreign Affairs. ).

"Si l’État d’Israël n’existait pas, les États-Unis devraient l’inventer pour protéger nos intérêts dans la région » Biden!

"A China evoluiu de um país em desenvolvimento para uma potência económica global. 800 milhões de pessoas foram retiradas da pobreza. Isto está a acelerar: segundo o FMI em 1980, a China representava 2% da economia mundial e os Estados Unidos 21%. Hoje, a economia chinesa ultrapassou a economia norte-americana e o FMI prevê que, até 2025, a China produza até 21% da riqueza global, contra 15% para os Estados Unidos."

Flor disse...

As palhaçadas do Trump ficarão na história dos EUA. :(

josé neves disse...


jose neves
O fascínio com que se descreve e se subentende por detrás das palavras ditas acerca do galope chinês em direcção à maior potência global é inversamente proporcional ao facto de ser os USA os derrotados nesta corrida.
Das palavras entusiásticas ressalta uma ideia de que os bons e a bondade humana estão a chegar enquanto, ao invés, os maus e a maldade está em declínio.
Os filósofos discutem há cerca de 2500 anos, desde Sócrates, qual o melhor modo de vida para o homem sem contudo terem definido sequer esse tal estado organizado melhor para o homem viver, contudo, sempre houveram "sábios" repentistas que entendem saber qual é.
E o problema de sempre continua actual; é o estado organizado chinês actual melhor para viver que o estado organizado actual dos USA? Fica o mundo melhor sob o domínio e controlo de uma potência dominante hegemónica de tipo estado chinês do que, como tem sido até agora, sob controlo da potência hegemónica de tipo USA?
Toda a luta humana a que Marx denominou materialismo histórico (Engels depois foi mais longe e falou de materialismo científico)não foi mais que uma luta pela liberdade entre dominantes e escravos; os filósofos concluiram que o homem está condenado a ser livre porque o foi primitivamente e apenas cedeu parte de sua liberdade individual face ao contracto social com a comunidade para viver protegido em sociedade.
O mundo organizado sob a hegemonia chinesa onde não resta o mínimo grau de liberdade individual é vantajosa em relação ao modelo USA onde, apesar das formalidades intrínsecas, há graus de liberdade inerentes e indiscutíveis que as pessoas podem usar para mudar situacionismos; nos USA temos o exemplo recente de mudar Trump do poder e, ao invés, na China temos o exemplo de Ji Ping se auto-autorizar perpectuar-se no poder vitaliciamente.

Joaquim de Freitas disse...

« modelo USA onde, apesar das formalidades intrínsecas, há graus de liberdade inerentes e indiscutíveis que as pessoas podem usar para mudar situacionismos; nos USA temos o exemplo recente de mudar Trump do poder”:

Pois é, o que é bom para os americanos, que puderam escolher os seus dirigentes, não é bom para os países nos quais impõem pela violência armada ditadores criminosos, da América Latina à Ásia e ao Médio Oriente. Ou auto proclamados dirigentes grotescos como Juan Guaido, traidor à sua pátria.

Lamentável é que os USA utilizem o seu grande poder económico e militar, para impor embargos, sanções, bloqueios de toda a espécie, asfixiando as nações, não esquecendo a extraterritorialidade das suas leis, para proteger os seus soldados criminosos de guerra, entre outros.

Ou quando um Pompeu vem ditar aos governantes portugueses o fornecedor de material de tele comunicações.

Tudo isto apoiado por 800 bases militares espalhadas pelo mundo e um vasto sistema militar – a NATO- que controlam e lhes serve de cliente privilegiado para o seu armamento, ao qual os países aderentes devem consagrar um orçamento que lhes é fixado pelo “patrão”.

A comparação com a China é fácil.

Joaquim de Freitas disse...

“E o problema de sempre continua actual; é o estado organizado chinês actual melhor para viver que o estado organizado actual dos USA? “

Creio que esta questão deveria ser posta àqueles camponeses que encontrei numa comuna popular em 1964, e depois aos seus filhos ou netos que foram para a universidade e fazem agora parte dos 100 milhões da juventude mais bem formada do mundo, que trouxeram a China de 1964 para a de hoje.

Nunca um país terá conhecido uma ascensão tão rápida que a China O sucesso da China é o sucesso da sua juventude.

Enfim, é preciso ir passear à noite nas ruas de Detroit, Lansing, ou Flint, e perguntar aos americanos se vivem bem…Enquanto o retrocesso do nível de vida de 40 milhoes de americanos é evidente (foram estes da “Rust Belt” que trouxeram Trump para a Casa Branca), posso garantir, por ter acompanhado os chineses durante 30 anos, que da miséria da China de Mao , dos anos 60, quando De Gaulle reconheceu o seu governo, o povo chinês vive hoje imensamente melhor. E recuperaram o seu orgulho. A tabuleta dos jardins das concessões ocidentais de Xangai¨, “Proibido aos cães e aos chineses” foi para o museu! Mas não esqueceram!

josé neves disse...

«Uma mudança da política "America First" de Trump para uma "America must lead". Apenas variações sobre o mesmo tema.»

Começa por nos dar a impressão de entender a história do mundo mas depois esquece, ou não percebe, e aplica a ideia apenas aos USA. E, daí, lá vem o rol habitual de argumentos históricos aos quais só faltou a "matança dos Índios", contudo tais argumentos históricos são, desde o aparecimento do homem na terra, a própria história da civilização; porque nunca houve qualquer comunidade primitiva paridisíaca sob o Sol(uma invenção de Engels que fazia jeito à teoria marxista) mas sim a invasão brutal do mais forte, roubo, violação e extermínio total salvo dos que conseguiam fugir e esconder-se; esta foi sempre a lei e justiça natural até ao limiar do iluminismo e hoje em dia continua sob formas mais ou menos subtis e suaves; ou "variações do mesmo tema" como diz. Portanto, exemplos históricos há para todos os gostos e feitios de todos os quadrantes onde há seres vivos; recuando ao homem primitivo até o Homo Sapiens exterminou o Homo Neandertal.
De resto, acerca do fundamental do meu argumento que é o problema da liberdade, o caro diz nada.
A História do mundo documentada diz que todo o país que se torna hegemónico e dominante, mais cedo que tarde, se torna igualmente imperialista; foram os persas, os gregos, os romanos, os europeus e a falhada tentativa dos russos da URSS e certamente outros se seguirão sob a mesma pauta cheia de anotações e variações.
O Snr. acha, e regojiza-se por isso, que uma próxima civilização dominante exercida segundo o modelo actual da sociedade chinesa é o melhor para a vida dos homens no futuro e eu penso que não pois, apesar de tudo, a sociedade liberal social-democrática não sendo boa é, contudo, a pior com excepção de todas as outras.

Joaquim de Freitas disse...

Senhor José Neves : O tema do Senhor Embaixador, referia-se aos EUA.

“E, daí, lá vem o rol habitual de argumentos históricos aos quais só faltou a "matança dos Índios" escreve o Senhor.

Não vejo como se pode falar de liberdade, e vamos lá vir, quando se tenta fugir à Historia e à liberdade roubada aos povos por potências hegemónicas. Sem ir mais longe que Gengis Khan o que aconteceu durante o poder nazi, nos EUA durante a colonização, sim o povo branco quase que exterminou 80% a 90% do povo índio, os espanhóis na América do Sul, os britânicos na Austrália, o soviético russo Vyacheslav Mikhailovich Molotov, na Ucrânia e tantos outras?

Todos podemos ver a destruição e a morte que advêm sempre que há intervenção ocidental, mas insistimos em viver em estado de negação e na ignorância mais mal-intencionada, exactamente como os alemães negaram o facto e a natureza óbvia do genocídio que os próprios alemães estavam levando a cabo.

Não queremos entender. O problema é que, como os alemães dominados pelo nazismo,a nossa ignorância mal-intencionada está sendo nutrida e ampliada por um discurso de propaganda que está em nossa imprensa-empresa de notícias e de entretenimento, mas também nas salas de aula e nos salões do poder.

Como falar de liberdade aos negros de Minneapolis, quando um dos seus é abafado por um polícia branco, com o joelho no pescoço até morrer?

E porque falamos dos EUA e não dos outros? Qual outra potência pretende com bombas, invasões, desestabilizações, subversões, balcanizações, sanções, corrupções, dívidas impagáveis impostas, deslocação, destruição, assassinato, miserabilização usada como arma de guerra, e até o enfurecimento por provocação – comandam “um plano, bem coordenado, de diferentes acções, todas com o objectivo de destruir os fundamentos essenciais da vida de grupos nacionais?

Quem não vê o drama dos refugiados na Europa? Surgem dezenas de milhões de refugiados, mas nos recusamos a ver a coordenação de acções que há nisso, bem clara. Fechamos os olhos para todos os sinais claros de acção e de intencionalidade.
Fazemos o impossível de nós mesmos, para não ver a coerência nem algum padrão na política exterior dos EUA.

Os milhões que morreram no Iraque foram vítimas de um genocídio planejado para matar iraquianos em tais números gigantes. Não são vítimas incidentais de algum outro projeto. O mesmo foi verdade para o Vietnãme, mas também é verdade na Síria, na Líbia, no Iêmen, na Somália, na República Democrática do Congo e em tantos outros lugares.
A destruição, a morte, a miséria e o caos não são resultado de ‘fracassos’ de políticas ‘mal elaboradas’.

Seria interessante que o Senhor fosse fazer esse discurso sobre a Liberdade, nas ruas de Detroit, Lansing, Minneapolis, Flint e algures, no país supostamente farol de todos esses valores. Andei por là anos, e vi com os meus olhos os sargentos americanos à procura de latinos ilegais e negros no desemprego, no auge da deslocalizaçao para a China dos 'Big Three" automovel,para os aliciar com a promessa dum passaporte,para ir morrer no Vietname.

Se ao menos a "filosofia", que consiste a dizer que estamos do lado melhor da Humanidade, tinha resolvido, no século em que dominou o mundo sem contestação, o problema da fome no mundo, quando 900 milhões de humanos ainda morrem hoje, anualmente,quando nunca se produziu tanta riqueza na historia da Humanidade... Mas partilhada como? Vou mesmo ousar dizer-lhe Senhor José Neves, que hà muita miséria na reacçao duma parte importante dos 74 milhoes de americanos que votaram por Trump. E Biden faria melhor de se ocupar destes batalhoes antes das eleiçoes de meio termo de 2022...

Para que serve a Liberdade quando se morre de fome?