segunda-feira, 18 de abril de 2011

Carta a um diplomata finlandês

Caro Steinbroken

Por estes dias, recordo as noitadas em que nos cruzávamos nos salões dos Maias, no Ramalhete, às Janelas Verdes, nas tertúlias que o José Maria retratou no livro a que deu o nome daquela família.

Lembro-me da generosidade com que você, diplomata finlandês, era recebido naquele cenáculo, onde, com carinho lusitano mas cosmopolita, entre mesas de whist ou numa ronda de bilhar, ou ouvindo-o a si como "barítono plenipotenciário", procurávamos atenuar a sua nórdica solidão.

Muita água passou sob as pontes. Você regressou aos gelos da sua Finlândia, eu por aqui fiquei, com a escassa fortuna que Celorico me deixou.

Há uns anos, caro Steinbroken, você escreveu-me para Lisboa, dizendo do agrado com que vira Portugal apoiar, com entusiasmo, a entrada do seu país na União Europeia. Elogiou o facto de, ao contrário de outros, não termos achado que a "finlandização" havia sido um imperdoável pecado histórico de agnosticismo estratégico, um genérico triste da "realpolitik". E recordar-se-á de eu lhe ter respondido, na volta do correio, que, conhecendo-o a si, nunca o tivera por seguidor do "better red than dead".

Noutra ocasião, você veio bater-me epistolarmente à porta, pedindo que deixasse cair uma palavra nas Necessidades, com vista a evitar que Portugal cedesse a um compreensível egoísmo, por mor dos fundos estruturais, a ponto de poder criar obstáculos aos Estados bálticos, “primos” da Escandinávia, que queriam então aceder à NATO e à União Europeia. A resposta da nossa diplomacia foi, reconheça, soberba: embora o alargamento fosse um passo que tinha em Portugal um dos países mais prejudicados, adoptávamos uma visão solidária da Europa, pelo que entendíamos que um mínimo de respeito histórico nos obrigava a acolher aqueles Estados no nosso seio. Da caixa de vodka que você me mandou, com um cartão catita, a agradecer a diligência, ainda me resta uma botelha.

Pensava partilhá-la consigo, Steinbroken, numa sua próxima vinda a Portugal, à cata de sol e de olho nos corpos morenos, Chiado abaixo. Passaríamos pelo Grémio, jantaríamos no Tavares e iríamos degustar o resto dos álcoois no meu terraço, Tejo à vista. Eu contar-lhe-ia a poética aventura eleitoral do Alencar, a carreira como banqueiro da besta do Dâmaso, o folhetim da venda da “Corneta do Diabo” à Prisa, a colaboração do Cruges com os “Deolinda”, a agitação do Gouvarinho e de outros tantos, nas lides que levam às Cortes.

Mas, agora, o que me chega? Que você foi ouvido, num dos últimos dias, passeando sob as árvores onde o verde já brota, ali na Promenade, no centro de Helsínquia, recém-saído do spa do vizinho Kämp, de braço dado com um alemão, com tiradas muito pouco simpáticas sobre Portugal e os portugueses. E que dizia você? Que, afinal, o compromisso político que a Finlândia havia dado à estabilidade do euro, que servira para a Grécia e para a Irlanda, poderia já não valer para Portugal. Ao seu lado, o alemão ecoava coisas parecidas, quiçá esquecido que o meu país, como todos os outros parceiros europeus, andou anos a pagar elevadas taxas de juro, para liquidar a fatura da reunificação da Alemanha, que hoje é, como sempre foi, o grande beneficiário do mercado interno europeu. 

É triste, caro Steinbroken, é muito triste que a frieza do vosso egoísmo lhes faça esquecer que a solidariedade é uma estrada de dois sentidos. Aqui, por Portugal, estamos a atravessar uma conjuntura difícil. Outras já tivemos, todas ultrapassámos. Mais recentemente, cometemos alguns erros, revelámos fragilidades que a crise sublinhou. Pensávamos poder contar com os amigos. Ao longo dos tempos, aprendemos a ser gratos a quem nos ajuda, a ser-lhes leais quando de nós necessitam. Não somos rancorosos, porque alimentar ressentimentos mesquinhos não está na nossa maneira de ser. E sabe porquê? Porque, na vida internacional, mantemos alguns sólidos valores, os mesmos que nos permitiram sobreviver nove séculos como país, um dos mais antigos do mundo, sabia? 

A vossa atitude, a vossa quebra de solidariedade, porque revela o conceito instrumental que têm da Europa, para utilizar uma frase que você repetia, entre outras platitudes árticas, pelas noites do Ramalhete, “c’est très grave, c'est excessivement grave…”.

Receba um abraço, ainda amigo, orgulhosamente (quase) mediterrânico do

João da Ega

72 comentários:

Anónimo disse...

catinga disse...

Os Portugueses e a sua mania de serem "bons rapazes"...
18 de abril de 2011 12:44
one hundred trillion dollars disse...

não é egoísmo
é ressentimento eles cortaram nas férias douradas para a vida...

há 3 anos

e nós não

um diplomata
Finland's average retirement age already has edged up from 56.6 in 1997 to 59 in 2004, while the employment rate of 55- to 64-year-olds has jumped from 36% ...deve ser mais di p'lo mata
19 de abril de 2011 00:54

Anónimo disse...

Anônimo disse...

O post é notável como sempre!

Há dias o DN publicou um artigo intitulado “Em tempos foi Portugal a ajudar a Finlândia” que passo a citar:

“O DN publicou a 21 de Abril de 1940 um "bem haja" da Finlândia aos portugueses. Enviada pelo representante em Lisboa desse país nórdico, a nota diplomática agradece a Portugal a ajuda, tanto em víveres como em agasalhos, durante a guerra russo-finlandesa do Inverno de 1940-1941. "Nunca poderá o povo finlandês esquecer a nobreza de tal atitude", podia ler-se no pequeno texto publicado no nosso jornal há mais de 70 anos.

A solidariedade com a Finlândia pode explicar-se pela aversão no Estado Novo a tudo o que fosse comunista, e era a União Soviética que estava a atacar o seu vizinho, e também pela simpatia natural do pequeno Portugal por outra pequena nação, sobretudo numa época em que as grandes potências mostravam toda a sua gula conquistadora. Mas o heroísmo dos finlandeses, que evitaram que Estaline os integrasse na União Soviética quando pouco antes se tinham libertado do império czarista, emocionou a sério muitos portugueses bem-intencionados.

Hoje boa parte da opinião pública finlandesa mostra não estar nada emocionada com a crise que afecta os portugueses. E se depender de vários partidos, alguns dos quais podem chegar ao Governo nas legislativas de hoje, não haverá solidariedade com Portugal. A ideia é mesmo não participar no resgate da dívida portuguesa e quem o defende parece ganhar votos.

Portugal entrou na União Europeia em 1986, a Finlândia em 1995. Periféricos ambos, optaram por aderir ao euro, sendo os finlandeses os únicos nórdicos a fazê-lo. Tudo parecia indicar um partilhado entusiasmo pelo ideal europeísta. Hoje, nas urnas, veremos se assim é. E bem haja aos eleitores finlandeses que percebam que todos, mas sobretudo os pequenos, ficam a ganhar quando existe solidariedade entre os países da velha Europa.”

Certos países têm a memória muito curta, mas a História acaba sempre por se repetir…

Isabel BP
19 de abril de 2011 00:56

Anónimo disse...

one hundred trillion dollars disse...

em 2004 a situação finlandesa antecipava a actual portuguesa

Finland's sharp demographic reversal threatens a double economic blow -- sending the nation's pension costs soaring while diminishing the pool of productive labor by a staggering 40% over the next 15 years. Economists warn that Finland's high-growth economy, up an estimated 3.1% in 2004, could rapidly become Europe's laggard, limited to 1% growth on average, if nothing is done


e não foi feito quase nada
tal como aqui

a Finlândia é Portugal em 2020
logo
19 de abril de 2011 00:58

Anónimo disse...

one hundred trillion dollars disse...

Employers have attempted to move the existing age of retirement from 63 to 66 while union leaders have firmly rejected any proposed increases.

finland-debates-retirement isto foi há um ano

ressentimento é algo universal
19 de abril de 2011 01:00

Anónimo disse...

Anônimo disse...

Parabéns Embaixador e muito obrigado por traduzir de forma tão brilhante quanto muitos gostariam de dizer aos nossos amigos (da onça) finlandeses.
Na verdade, a solidariedade é, para alguns, cada vez mais uma bonita palavra apenas para escrever.
E acredite que outros há que, tal como os "finnish", viram – incredulamente - a sua candidatura de adesão à UE apoiada por Portugal e hoje pensam como eles. Falta-lhes a coragem de o assumirem. Sem grande esforço, ocorrem-me já dois. É que cada vez há mais umbigos no lugar da cabeça.

JR
19 de abril de 2011 01:08

Fábio Paulos disse...

Parabéns senhor Embaixador, eles têm memoria curta, fazem lhe bem estes lembretes.

Anónimo disse...

Sabe o que me apetecia, Senhor Embaixador?
"Obrigar" cada finlandês e dada alemão a ler dez vezes o seu belo texto.
Em tempo: e por que não a todos os portugueses?
E.Dias

R.Marques disse...

O Eça,o Monnet e eu combinámos jantar hoje e contamos consigo,meu Caro.

Nuno Manuel Costa disse...

Caro Embaixador, já respondi ao seu comentário no meu blogue.

As minhas desculpa pela falha.

Abraço.

Francisco Seixas da Costa disse...

Caro Nuno Manuel Costa: "No hard feelings". Estas coisas acontecem-nos a todos. Obrigado

Guilherme Sanches disse...

Caro Embaixador, que tão bem expressa o sentimento de tantos Portugueses. Infelizmente, nem de todos.
Eu permitia-me sugerir agora uma carta a um cidadão português. Aquele português de mentalidade tão retangular como a forma de um país pequeno por fora, e nem sempre grande por dentro.
Um abraço

patricio branco disse...

Creio que até o próprio eça de queiroz sempre desconfiou desse sujeito do norte que só ia a casa de afonso da maia para passar uns serões jogando ao bilhar, bebendo, comendo e cantando. Mas que não retribuia. Nunca ouvimos o falar dum jantar ou dum serão oferecidos pelo steinbroken aos maias e eça nunca fala dele com especial simpatia.
Que a carta do joão da ega seja tambem lida pelos amigos do finlandês.

Teresa disse...

«C'est grave, c'est excessivement grave! :)

Helena Sacadura Cabral disse...

Senhor Embaixador
O seu post é de uma incomensurável dignidade. É, sobretudo, Uma carta de quem se sente quando lhe tocam na sua gente.
Estou consigo, totalmente.
Critiquei muitas vezes políticas que considerava erradas. Como um filho ou um pai se fazem mutuamente. Mas jamais deixei de amar profundamente o meu país e de sentir um enorme orgulho de ser portuguesa.
Concordando ou não com os filhos que tenho, sei que lhes ensinei cidadania e paixão pela terra onde nasceram.
O seu texto Senhor Embaixador, merecia ser lido nas escolas e nas Universidades.
Por mim, vou reproduzi-lo no meu blogue, com menção da sua autoria!

Anónimo disse...

têm ainda o peito feito da nokia, mas o iphone e o android vão obrigá-los a uma nova dose de humildade...

J. Lopes da Silva disse...

Senhor Embaixador
Muito obrigado pelo belo texto. Esperemos que seja bem lido pelo destinatário.
Cumprimentos
José Lopes da Silva

Anónimo disse...

Embaixador que tem tempo para escrever um blog, que faz critica gastronomica, que conta historias do seu dia a dia com a comunidade, dá razão ao desabafo de Martins da Cruz: "Não gosto dele, mas uma coisa é obvia: o tipo não é nenhum calão".

Anónimo disse...

"O marquês insistia, plantado diante dele, de taco ao ombro como uma vara de campino, dominando-o com a sua maciça, desempenada estatura. E ameaçava-o de destinos medonhos numa voz possante habituada a ressoar nas lezírias; queria-o arruinar ao bilhar, forçá-lo a empenhar aqueles belos anéis, levá-lo a ele, ministro da Finlândia e representante de uma raça de reis fortes, a vender senhas à porta da rua dos Condes!

Todos riam; e Steinbroken também, mas com um riso franzido e difícil, fixando no marquês o olhar azul-claro, claro e frio, que tinha no fundo da sua miopia a dureza dum metal. Apesar da sua simpatia pela ilustre casa de Sousela, achava estas familiaridades, estas tremendas chalaças, incompatíveis com a sua dignidade e com a dignidade da Finlândia"

in http://timtimnotibet.blogspot.com/2011/04/citando-os-classicos-eca-de-queiros.html

Jose Tomaz Mello Breyner disse...

Brilhante Senhor Embaixador. Tomei a liberdade de divulgar no Facebook
(com os devidos créditos claro)

P.S. Vamos deixar de comprar telemóveis Nokia?

Fada do bosque disse...

Faço das palavras da Drª Helena Sacadura Cabral, as minhas.
Os meus Parabéns Sr. Embaixador.
Para quando uma carta aos portugueses mais pessimistas e quadrados, como diz Guilherme Sanches? É que faz muito bem à auto estima Nacional ouvir palavras tão Humanas.
Os meus Parabéns também, pelo programa de gastronomia portuguesa na TSF. Um must! E não é que senti orgulho em ser portuguesa ao ouvi-lo falar? :)

Fernando Frazão disse...

Melhor do que eu o Ferreira Fernandes no DN "à anteriore" comentou o seu post, e cito:
«Esta semana, Passos Coelho encontrou um turista finlandês num restaurante. E, para ilustrar a situação em que estamos, contou aos jornalistas que o turista lhe lançou: "Espero não ser obrigado a pagar-lhe o jantar..." Fiquei espantado por nenhum jornalista ter perguntado a Passos: "E o senhor para onde mandou o finlandês?»
Bem haja pela lucidez que demonstra.

FernandoB disse...

Excelente, ou na versão muito em uso em Viana do Castelo, " Celente".

Anónimo disse...

Bem o post é o conceito diplomata de post diplomatico...

Mas...
Está descrito algures que em momentos de mania/ euforia os... Contagiados não se enxergam...

A não ser por analogia com

o

Mesmo na noite mais triste
em tempo de servidão
Há sempre alguém que resiste
há sempre alguém que diz não

Cantar a Liberdade - Manuel Alegre «Trova do Vento que Passa».


Como é só a um...

Isabel Seixas

Anónimo disse...

Magistral! Bem haja

Helena Oneto disse...

Esta -já famosa- carta vai ficar nos anais da diplomacia!
Vous êtes brillant, Monsieur l'Ambassadeur, terriblement, brillant!!!

Anônimo mesmo Anônimo disse...

Anônimo disse...

one hundred trillion dollars disse..

Mesmo na noite mais triste
em tempo de podridão
Há sempre alguém que desiste
há sempre alguém que diz dão?

one hundred trillion dollars disse...

Dão é melhor que Champagne

mas infelizmente nã bebo

não dou de comer a 1 milhão de portunhóis e arraçados de inglês

Sobral Cid disse...

É sempre com uma deliciosa e terna paixão quando um texto soberbo nos recoloca nesses grandiosos "Maias", eque desde logo nos sugere uma repetida leitura . Notável , oportuno e com muita graça.

Alexandre Rosa disse...

Mais uma e opotuna e, como sempre, bem escrita história, mostrando que a diplomacia não tem que ser uma coisa insipida e incolor. Com boa educação e respeito pelas regras das relações diplomáticas, é possível lembrar, que a solidadriedade é um caminho de dois sentidos, e cobrar a falta de reciprocidade.
Muito obrigado pela partilha e pela oportunidade do artigo.
Tomei a liberdade de um difundir no meu blog olharesdolitoral.blogspot.com
Abraço amigo

Francisco Seixas da Costa disse...

Resposta ao "Anónimo" de 19/04/2011 das 15.39h:
"desabafo"(?), deve ter sido logo de manhãzinha... porque, depois do almoço em diante, o único "desaBAFO" seria, ic ic.

Alexandre P. Monteiro disse...

Magnífico e contundente. E tudo num delicioso estilo queirosiano. C'est fort, très fort ! Bravo, meu caro Francisco !

Filomena disse...

Obrigado Sr Embaixador por de uma forma tão brilhante traduzir o que muitos de nós gostaríamos de transmitir a esse senhor finlandês tão triste...na minha terra diria "Deçu paga bo"

NV disse...

Permita-me que transcreva esta peça de antologia. Se eu fosse cineasta, faria um documentário; se fosse encenador,faria uma Imprecação em Um Ato; se fosse tribuno, pediria a palavra para a defesa da bancada; etc.. Como modesto observador, apenas peço que me deixe transcrever, com a devida vénia.

Carlos Albino

carlos fragateiro disse...

Brilhante. Já tinha visto alguns dos seus posts e tenho encontrado alguns amigos que são seus seguidores incondicionais.
Estou totalmente de acordo copm eles. Um grande abraço. Carlos Fragateiro

Anónimo disse...

Parabéns Sr.Embaixador. Ao ler o texto que tão bem escreveu, senti enorme orgulho em ser portuguesa. É que os portugueses, na generalidade, são demasiado humildes e tem uma baixa auto-estima. Que o seu depoimento sirva, a quem o ler, para acreditar que este ilustre povo lusitano foi, é e será sempre capaz de grandes feitos...se para tal encontrar quem, com engenho e arte, souber fazer sua bandeira vencedora !

من disse...

os crocodilos do Sahara viviam há 100 milhões de anos

predadores de dinos que se extinguiram antes deles

o mesmo problema dos crocodilos nacionais

consumo excessivo
muita competição
extermínio das presas menos avisadas

e falta de visão....

EDUARDO NEVES MOREIRA disse...

Os seres humanos têm memória curta ou, às vezes, memória do tamanho dos seus interesses imediatos. Isto fica patente na manifestação desse diplomata filandês, que, em bom momento, é chamado à razão no excelente artigo do Sr. Embaixador Francisco Seixas da Costa. As lembranças às vezes podem nos fugir, mas quando nos são trazidas de forma tão clara, tornam-se vivas e aí as desculpas porventura apresentadas deixam de ter alguma razão de ser. Vejamos se o homem ainda possui o escrúpulo que os portugueses que o conheceram durante sua missão em território português, imaginaram êle ser dotado. Parabéns, Sr. Embaixador. V. Excia. demonstra estar sempre atento à sua importante e digna missão.

Sérgio Martins Pandolfo disse...

Seriíssimo Embaixador João da Ega. Seu comentário está irretocável e irretorquível. Eça (o de Queiroz) não o escreveria melhor nem o Egas (Moniz)faria com maior destreza e perfeição, conquanto Nobel de Medici (Cirurgia neurológica),a operação de extyirpação dessa ferida aberta e supurada produzida pelas insanas e revoltantes palavras desse (in)dignitário finlandês. Parabéns por sua postura altaneira e soberana, que é ocorrente, quase sempren nos portugueses de boa cepa

LUIS MIGUEL CORREIA disse...

Texto brilhante. É fácil cair na tentação de culpar os mais pequenos de tudo e mais alguma coisa.
Há dias tive de lembrar diplomaticamente a um amigo britânico que foram os portugueses quem ensinou os ingleses a tomar chá, isto depois de ele simpaticamente me sugerir que eram os contribuintes da Sua Majestade que andavam a pagar as nossas auto-estradas... Ignorância e preconceito nada têm de saudável...

Rui Cepêda disse...

Caro Senhor Embaixador A diferença é que, ao contrário do que dizia o Vilaça, os Maias, já não têm o pão e muito menos a manteiga para lhe barrar por cima.
Rapazes não se mencione o "excremento".
Tomás Alencar

Anónimo disse...

Sr Embaixador,

Portugueses têm história feita e humildade quanto baste. Tolerância, também. "Longos dias, têm cem anos"...e a persistência dá frutos.

Quanto ao seu texto, uma BELEZA e fico ainda mais seu admirador, interiorizando, quanto Portugal ganha com Homens/Diplomatas desse cariz

A. Silva

Duarte disse...

Texto brilhante, como é habitual.
Parabéns
Duarte Nuno Clímaco

ADELIA disse...

Deliciei-me com estes "Maias" do Senhor Embaixador Socialista Seixas da Costa.

Quem haveria de dizer que o Eça,aquele que tratou Portugal como o "sitio" ,haveria de servir de mote inspirador à delicia literária contra um ignaro finlandês,como simbolo da recusa de ajuda à coutada socialista do Sul da Europa???

Fizemos uma série de favores aos abomináveis homens das neves e agora eles recusam-se a avalizar as letras de crédito à ociosidade nacional,tão louvada pelo socialismo solidário,já lá vão meia dúzia de anos seguidos.

É uma verdadeira vilanagem,para não ser mais agressivo,o não reconhecimento do passado dos portugueses para com o país lá do norte.

Talvez o Senhor Embaixador Socialista Seixas da Costa nos pudesse elucidar, a nós e a eles, as razões pelas quais o finlandês, mal agradecido, não pretende ver o seu dinheiro nos bolsos dos esbanjadores do burgo a que o Senhor Embaixador pertence.

Talvez até esteja na hora dum regresso a Tormes,onde se serve um arroz com favas que cheiram que é um regalo.

Terá o Senhor Embaixador Socialista Seixas da Costa alguns euros finlandeses para pagar tão delicioso manjar?

Eles vão dar para que a ociosidade nacional disfrute uma tolerância de ponto,desde 21 de Abril,até ao 25 de Abril da nossa pobreza franciscana.

Se eu fosse finlandês....!!!

ISAIAS AFONSO
cabeça de lista do CDS/PP,no Circulo da Europa,em 2011

Francisco Seixas da Costa disse...

Caro Isaías Afonso: embora a campanha eleitoral não tenha começado - e não obstante a irrecusável elegância do seu comentário - "the floor is yours". Nunca é cedo para os portugueses poderem começar a conhecer melhor aqueles que pretendem o seu voto e o modo como interpretam os interesses de Portugal.

ZEUS8441 disse...

Procura o Senhor Embaixador Socialista Seixas da Costa passar a ideia de que eu defendo deficientemente os interesses de Portugal,no preciso caso do "resgate" da ninharia de mais de oitenta mil milhões de euros,para que a vergonha nacional não se alastre, como nódoa incómoda, a outros espaços de menor ociosidade.

Para a defesa do "solo que é meu"já venho contribuindo com 250 euros mensais, retirados abusivamente da minha aposentação,o que é já uma forma "voluntária" da defesa dos interesses nacionais.

Quem haveria de dizer-me que uma quotização religiosamente cumprida durante 49A 10M e 24D ainda haveria de servir como contributo "voluntário"
para minimizar as diatribes dum governo socialista,tão do apreço do Senhor Embaixador Seixas da Costa???

São coisas que nem os diplomatas conseguem escamotear de forma hábil e com delicias literárias como é uso e costume.

Os finlandeses é que não deixam enredar-se nas teias da diplomacia nem pretendem abrir os cordões à bolsa (the floor is mine),porque "lá em cima" os governos são sérios,os embaixadores igualmente e o povo trabalhador.

São diferentes e nós somos capazes de ser invejosos.

Que pena!!!!!

Carlos Rovisco disse...

Caros Portugueses. História à parte, creio o que a Europa precisa é ver-nos com vontade de salvar o nosso País, principalmente trabalhando a sério e em 8 horas por dia, sem abrandamentos nem feriados gostosos. A mão estendida já não dá. Orgulho de ser Português e trabalhar, tão somente isso, sem descupals, nem apelos, nem politicos baratos, como os 10 milhões de Portugueses no Estrangeiro trbalham e engrandecem os seus Paises de residencia, precisa-se.

Maria Augusta Soares Oliveira disse...

Sim, fica-lhe bem seguramente, ao nosso diplomata, a atitude tomada! É nobre, sumptuosamente tão incómoda quanto elegante. Bem-haja a Seixas da Costa! Se outros diplomatas ousarem segui-lo, uma oitava acima se fará ouvir nas sonoridades da diplomacia europeia. Sem rancor, a "luva branca" marcou. Talvez o nosso embaixador receba do país apontado, o silêncio. Mas citando Truman Capote, será "um silêncio voando baixo como um pássaro ferido!". E ainda que só por isso, já valeu a pena.

Fernando Gomes da Silva disse...

Meu caro Francisco
Permite-me que te trate assim com esta familiaridade a que me habituei quando tanto me ajudaste nos idos de 95/98 a perceber melhor essa Europa que tanto queriamos ver construida, tambem com as nossas forças de Mediterraneos periféricos...
Parabens pelo excelente texto e pela coragem sempre presente nas tuas posições. Grande abraço

Francisco Seixas da Costa disse...

Caro Fernando: muito obrigado pelas tuas palavras. Recordo, sem nostalgia mas com muito orgulho, esses tempos comuns, em que aprendi a respeitar e apreciar a qualidade técnica e o empenhamento pessoal do excelente Ministro da Agricultura que foste. Foi para mim um privilégio ser teu ("júnior") colega nessa bela aventura.

Francisco Agarez disse...

Muito obrigado, Senhor Embaixador. Tomei a liberdade de partilhar por todas as formas ao meu alcance.
Um grande abraço
Francisco Agarez

Francisco Seixas da Costa disse...

Caro Francisco Agarez: um grato, forte e vilarealense abraço para si também.

José Silva Pinto disse...

Meu caro Francisco Seixas da Costa,
Foi por intermédio de Francisco Agarez que tomei conhecimento do seu magnífico texto, que me fez recordar tempos já distantes em que ambos colaborávamos na feitura de uma newsletter...
Um grande abraço,
JSP

Anónimo disse...

Soberbo texto, Senhor Embaixador.
Um beijo de Lisboa com saudades do Corumbau.
Isabel Dias Silva

Francisco Seixas da Costa disse...

Agradecimento muito sincero: devo dizer que fiquei surpreendido com o acolhimento que este texto teve, com a quantidade de leitores que por aqui passaram, pela adesão de tantos a uma "diversão" falsamente literata.

Que fique claro que nada me move contra os finlandeses, em geral. Bem pelo contrário.

Há muitos anos que sou amigo pessoal do atual ministro dos Negócios Estrangeiros, Alexander Stubb, um homem de grande qualidade, com quem partilhei muitas horas em lides europeias, que teve a amabilidade de me citar em trabalhos seus. E vásrios outros amigos finlandeses me orgulho de ter.

A minha reação, sendo "free ryder" duma das poucas figuras diplomáticas da obra de Eça, destinava-se a todos quantos, por essa Europa (finlandeses, na oportunidade, ou outros na passada),parece demonstrarem escassa solidariedade num momento difícil de um parceiro europeu. Talvez a minha reação seja mais forte porque, quando tive certas responsabilidades, fui sempre um fiel defensor dessa mesma solidariedade europeia. Daí, talvez, a razão maior da minha deceção...

Já agora, uma precisão: dos títulos de alguma da nossa imprensa parece deduzir-se que Portugal está a "pedir" dinheiro alheio. Que fique claro: Portugal está a solicitar empréstimos, a taxas de juro razoáveis e de mercado, que pagará como sempre pagou (o que também se não diz suficientemente alto).

De qualquer forma, muito obrigado a quem gostou deste post.

Francisco Seixas da Costa disse...

Caro José Silva Pinto: imagine como o mundo é pequeno! Encontramo-nos... na Finlândia. Recordo bem esses tempos heróicos em que você, o Francisco Vale e eu (às vezes com o Manuel Beça Múrias e o Cáceres à mistura, nas "folgas")ganhávamos, com o suor do nossa pena, umas esforçadas "lecas", produzindo a saudosa "Análise da Informação". Ainda me recordo um vigoroso almoço "sindical", em luta contra o "patronato", representado pelo Carlos Eurico, que tentava atenuar as nossas reivindicações salariais à custa de alguma generosidade no "Cutty Sark". Muito trabalhávamos nós! Um forte abraço para si.

Francisco Seixas da Costa disse...

Cara Isabel Dias Silva: muito obrigado pelo seu comentário. De negativo, ele só me trouxe saudades dessa semana de Corumbau. Como vai a Ana?

Paulo J. Coelhoψ disse...

Boas novas, Sr. Embaixador...
Conheço a Finlândia, conheço(mal) os finlandeses e, acredite-me amigo, nunca vi país e povo mais gelado! Mas isto, que aqui nos mostra, não é temperatura ambiental, é politica! E politica é hipocrisia, cinísmo com todos os outros "ismos" juntos, seja em que regime for(digo eu)!
Assim, amigos como o sr.Steinbroken,não quero para mim, não!
Temos perto de mil anos de idade, não vão ser os "fin-landeses" a acabar com a nossa Nação!!!
Obrigado por manter-nos lúcidos e bem haja.

Francisco Agarez disse...

Saudoso Carlos Eurico, o grande atenuador!

Filipe Costa Alves disse...

Senhor Embaixador,
Os meus parabéns pelo brilhante texto.
Cumprimentos

Anónimo disse...

A ironia dói mais que o sarcasmo e o Senho Embaixador sabe picar a inveja magistralmente. Porque só a inveja reles e de baixa compostura, pode explicar a arrogância de trato dos 5 milhões de finlandeses numa superfície que é muito mais do triplo da portuguesa. Compreendemos que tenham que trabalhar muito até para aquecer. Mas não será o caso. É verdade que o calor é generoso na vida e convida à fruição. Mas a mãe natureza cobre a vossa terra de madeiras de apreço, que são vosso maná.
Todos sabemos que liquidaram os lapões e nós perdoamos. Mas não sejam de mau feitio! Temo que o frio vos possa toldar as meninges. Deixem a inveja e venham para o calor humano.
Obrigado Senhor Embaixador pelo homenagem a Eça, que teima ser intemporal.

Anónimo disse...

Parabéns, o texto é magnífico. É muito bom que já circule na Net e chegue a muitos, porque muitos nunca seremos demais.

Idanhense sonhadora disse...

Um enorme e reconhecido BEM-HAJA , Sr Embaixador....

mik disse...

Exmo senhor embaixador. Sou director do semanário Grande Porto que pode ser visto em www.grandeportoonline.com

Dá-me autorização de publicar este brilhante texto? Acho que era um execelente contributo para os leitores do meu jornal. Caso contrário, continuarei apenas um fiel seguidor do seu blogue.

Melhores cumprimentos,

Miguel Ângelo Pinto
miguel.pinto@grandeportoonline.com

Anónimo disse...

Meu caro Embaixador:
Embora sendo apenas um modestíssimo elemento da famosa "Mesa Dois" do Procópio, não poderia calar a admiração que senti ao ler a sua "queirosiana", elegantíssima e certeira "Carta a um diplomata fainlandês".
É reconfortante (diria mesmo "terapêutico") saber que há ainda vozes com a inteligência, a dignidade e a elevação da sua.
Obrigado e um muito fraterno abraço do
Sinde Filipe

Júlio disse...

A sua forma e frontalidade como se dirige ao seu "conhecido finlandês" são uma satisfação e alegria para quem a lê. Portugal continuará a existir quer tenha ou não o apoio da Finlandia. Em mais ou menos tempo havemos de recuperar de novo. Só temos de escolher uns bons governos.

ARPires disse...

A ingratidão tem como protagonista a pessoa que não reconhece o benefício recebido, no caso podemos dizer que a ingratidão é de todo um país.
A desilusão para mim é imensa, a solidariedade não deve ser uma palavra sem significado e muito menos sem sentido.
Os “verdadeiros” finlandeses ou outros quaisquer “verdadeiros”, têm memória curta ou melhor mesmo, falta dela.
Agradecido pelo excelente texto, pois o mesmo me levou a ter vontade de reler Os Maias.

Grácio disse...

Supeito eu por ser da área de letras? Não, não! O texto é na verdade delicioso! Mais do que isso, remete o leitor a reflectir sobre a tão propolada solidadriedade pouco praticada. Remete o leitor a recordr-se do sentido de gratidão e memória do passado...
Ah como seria bom que se olhasse para este recanto da África Austral, cá mesmo na pontinha Sul de África banhado pelo Oceano Índico, onde Camões se inspirou "...por mares nunca dantes navegados...", "Aqueles que por obras valerosas se vão da Lei da morte Libertando...", e se se lembrassem que durante séculos também fizemos parte do orgulho de Portugal. Dívidas? ...Se calhar somente de gratidão recíprocas...Grácio Abdula(Moçambique)

Francisco Seixas da Costa disse...

Caro Sinde Filipe: Só hoje atentei no seu comentário. Muito obrigado pela sua amizade. Lá nos veremos na "Dois".

João António Alves Pedreiro disse...

Como é linda a inspiração do autor. Como é curta a memória dos homens!!!! como era bonito, que os previligiados de agora, olhassem para o seu umbigo, e meditassem na dependência que já tiveram!!!!
Que egoísta é o homem, em qualquer parte do planeta, que fácilmente esquece o passado, quando tem a barriga farta!!!

Anónimo disse...

Sinto-me orgulhoso quando vejo que Portugal tem diplomatas capazes de fazerem engolir um sapo a quem nos ataca.
Bem haja Senhor Embaixador

Isabel Seixas disse...

Magistral.
Ás vezes venho aqui, mesmo sem vir, hoje precisei, noutro contexto , sabe há posts que são melodias como canções intemporais...
Que insight, o Seu, que talento.

Anónimo disse...

Pois, é. Está mesmo muito correto que finlandeses que nadam no petróleo e ouro paguem as nossas contas que nós não conseguimos pagar e os quais só masoquistamente aumentam. Essas contas sustentáveis, as quais certamente sabeis. Está muito bem que finlandeses trabalhem, estudem e inventem 20 horas por dia para que as nossas contas fiquem pagas. Essa é uma questão de honra para um povo luterano que vive tão só do seu trabalho como fazem os finlandeses. Nós que paguem, e que paguem masoquistamente as nossas contas enquanto nós estamos encostados no muro das obras de cabo-verdianos e ucranianos. Orgulhos diabos, esses finlandeses, certo, que nem nos pediram ajuda nem sequer quando estavam nas guerras com Rússia/URSS. E falam que a ganharam! Mas nós que somos um povo masoquistamente bom e solidário, pelo menos com bancos alemães, nós, peito feito da nossa grandeza histórica, tomamos a iniciativa os ajudar. O que consta, é que afinal as mantas de algodão que lá enviamos para que servissem delas no frio que de 35 graus, afinal foram deixados no canto de um qualquer ministério porque não tiveram tempo abrir mais do que uma pacote … para admirar. Tiveram, oiçam lá isto, mais que fazer para derrotarem a Rússia. Parece que armaram-se, pfyi, em qualquer luta conta Adamastor, de nosso modo. Sim, de nosso!
As mantas estão daqui a dias de volta. Pediram já ajuda a nós, aos portugueses, prestáveis como somos, nós que vivemos na Finlândia (e bons rapazes que somos, somos cada vez mais numerosos!), para que empacotássemos as tais famosas mantas de algodão e que as levássemos connosco porque a lancha está já à espera.
Por amor de Deus, se Mister Seixas de Costa pedisse desculpas pela publicação das cartas, pode ser que nos deixassem ainda ficar, pelo menos este inverno, é que aqui mesmo com tais 35 negativos, temos casas quentes e apoios sociais suficientes.