quarta-feira, 26 de maio de 2021

O MEL visto por um zangão

  1. O MEL, em especial graças a algumas das estrelas convidadas, terá ficado aquém das expetativas de agregação da direita. Mas fiquem atentos: vai vir aí uma revoada de textos, em especial no “Observador”, a fazer “damage control“, explicando que a culpa, como não podia deixar de ser, acaba por ser da esquerda!
  2. O Dr. Rui Rio afirma, com regularidade que o PSD não é um partido de direita. Mas vai ao evento do MEL, onde sabe que vai encontrar os PSD tresmalhados que criaram o Chega e o IL, tentando evitar que alguns mais lhe fujam para essas alas. Não acho que vá ter muita sorte. Nem eu, nem, ao que parece, David Justino.
  3. É pena que a Europa, que está no título do MEL, seja, manifestamente, o parente pobre dos debates.
  4. O MEL parece estar a ser uma inestimável exposição de um setor político onde, em algumas áreas, se sente um claro desespero pelo afastamento do poder. Preocupante, e espero que também para muitos participantes, é a emergência de alguma condescendência para com o autoritarismo, passado ou futuro.
  5. Sempre me pareceu natural este encontro das direitas. É mesmo politicamente saudável que partilhem um debate sobre o país e nos digam o que pensam. Convidarem ou não o Chega, também é lá com eles. Connosco fica apenas o direito de avaliar quem se sente bem na companhia de quem.
  6. Confesso que temo telefonar a alguns amigos que estiveram no MEL, perguntando-lhes se se sentiram confortáveis em todos os momentos do evento.

8 comentários:

SCarvalho disse...

Cá para mim, Sr. Embaixador, o MEL é mais fel.

Jaime Santos disse...

Não tenho seguido os debates. Mas a Maria João Marques, insuspeita de simpatias esquerdistas (ou se calhar não :) ) classificou esta Direita aqui atrasado como masculina e empresarial, preocupada naturalmente com o seu umbigo e com a vituperação dos sinistros socialistas que a impedem de estar no lugar que naturalmente pensa que merece.

Napoleão dizia que nunca deveríamos interromper um adversário que está a cometer um erro, mas deixem-me que lhes deixe um conselho, eu que nada percebo de política.

Entendam-se, como dizia MJM, em relação a um programa que faça sentido para as pessoas, que lhes fale de habitação, saúde, emprego, combate às desigualdades (sim, a Esquerda não tem o monopólio do coração, como dizia Giscard), educação, e que não tenha apenas o objetivo de encher os bolsos dos empresários rentistas do costume...

E deixem que a usura do Poder queime o PS. Acontece sempre, tarde ou cedo...

Será que são capazes de mostrar um pouco de paciência? As Legislativas são daqui a 2 anos e pico. É tempo mais que suficiente para se prepararem...

Luís Lavoura disse...

É pena que a Europa, que está no título do MEL, seja, manifestamente, o parente pobre dos debates.

A Europa, tal e qual como a Liberdade, só está no nome do MEL porque é algo de perfeitamente e totalmente consensual. O MEL foi criado para unir, não para dividir, e por isso colocou no seu nome duas ideias que unem e que não dividem. É essa a única razão para a Europa lá estar. Não é porque queiram debatê-la.

Luís Lavoura disse...

O Dr. Rui Rio afirma, com regularidade que o PSD não é um partido de direita. Mas vai ao evento do MEL

Mas, que eu saiba, o MEL também não se afirma como sendo de direita! Portanto, não há contradição nenhuma.

A comunicação social é que afirma que o MEL é de direita. O próprio, não.

Luís Lavoura disse...

Os comentários 5 e 6 são, em minha opinião, muito corretos.

Luís Lavoura disse...

O Dr. Rui Rio afirma, com regularidade que o PSD não é um partido de direita.

Vital Moreira tem hoje uma formulação brilhante no seu blogue: o PSD "está" com a direita. Não é de direita, mas está com a direita.

Luís Lavoura disse...

Jaime Santos

Será que são capazes de mostrar um pouco de paciência? As Legislativas são daqui a 2 anos e pico. É tempo mais que suficiente para se prepararem...

Excelente conselho.

Jaime Santos disse...

Luís Lavoura, nem a Europa nem a Liberdade são consensuais. A Europa não é consensual à Esquerda, PCP-PEV sempre foi antieuropeu e BE é-o cada vez mais e a Liberdade não é consensual à Direita, basta olhar para as propostas do Chega. Querem a Liberdade, mas não é para todos. Os ciganos e os negros em particular parece que não são pessoas de bem e deveriam estar na cadeia...

Contrariamente ao que a Direita diz, nada há de antidemocrático em querer-se sair da UE, ou alguém acha que os Tories britânicos são um Partido Estalinista? Mesma coisa para a possibilidade de nacionalizar as grandes empresas, o que a CRP proíbe é o confisco...

Pode é haver algo de demagógico em propor-se a saída do Euro ou até da UE (ou as nacionalizações) sem querer explicar os custos que isso pode ter, mas demagogia há em todos os Partidos.

Já sei que me irão dizer que a Esquerda também é liberticida, mas o BE é o único Partido que critica todas as ditaduras sem exceção (de recordar o voto vergonhoso na AR da sua proposta de condenação do regime angolano pela prisão de Luaty Beirão e companheiros na anterior legislatura, o PSD, parte da bancada do PS e o CDS juntaram-se ao PCP, presume-se que para protegerem negócios em Angola) e o PCP é um Partido Constitucional, muito embora o seu projeto soberanista pareça logo uma anedota nos seus próprios termos quando olhamos para o apoio que dá a certos regimes de partidos irmãos. De que soberania gozam chineses, cubanos, vietnamitas (parece que o PCP já se desvinculou do apoio à Coreia do Norte!)? Nenhuma, claro...

Mas isso é só hipocrisia, e dessa também a há em todos os Partidos...

Mas de resto até concordo com o seu comentário. MEL é um nome perfeitamente anódino, que transpira moderação, quando o programa da Direita que organiza estas sessões é tudo menos moderado. Trata-se do habitual double-speak, de que a mudança de nome dos Ministérios da Guerra para da Defesa é talvez o exemplo mais conhecido...